Ter uma relação saudável e respeitosa com o próprio corpo é essencial. Em geral, não há problemas em querer modificar algum aspecto, como o nariz, uma pinta ou alguma cicatriz. Mas é importante compreender até que ponto esse desejo é normal e saudável.

Por vezes, essa vontade de mudar o corpo, ou a frequência com que se encontram defeitos nele, pode indicar uma patologia: a dismorfia corporal. Saiba mais sobre essa condição:

Índice — neste artigo você vai encontrar:

  1. O que é dismorfia corporal?
  2. Sintomas: como saber se tenho dismorfia corporal?
  3. Transtorno dismórfico corporal: quais os critérios de diagnóstico?
  4. Qual o tratamento?

O que é dismorfia corporal?

A dismorfia corporal é uma condição na qual o indivíduo vê defeitos que não existem em seu corpo, ou se incomoda demasiadamente com algumas de suas características físicas.

Encontrada no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) por Transtorno Disfórico Corporal, a condição afeta cerca de 2% da população, sendo que homens e mulheres são atingidos na mesma proporção.

Geralmente, o transtorno tem início na adolescência e tende a ser menos intenso à medida em que a pessoa se aproxima da meia idade. Contudo, em mulheres, a duração do transtorno tende a ser maior.

Seu surgimento tem influência de fatores hereditários, psicológicos e até mesmo sociais. Em tempos de mídias sociais, fotos hiper editadas e filtros de Instagram, o problema se torna ainda mais difundido.

O suposto defeito pode ser inexistente, como acreditar ter um nariz muito grande, quando na realidade é proporcional ao seu rosto, por exemplo.


Há também casos pautados em alguma característica real do corpo, como pintas e cicatrizes, por exemplo, que frequentemente são insignificantes para outras pessoas, mas o próprio indivíduo as coloca como defeitos muito aparentes e que certamente são notados por todas as pessoas.

O incômodo pode não ser limitado apenas a uma parte do corpo, ou seja, a pessoa pode enxergar vários “defeitos” no corpo, ou até mesmo pode mudar a preocupação de uma parte do corpo para outra.

Isso costuma ocorrer especialmente quando a pessoa faz alguma coisa para tratar o que a incomoda, ou seja, quando encontra uma maquiagem capaz de esconder o defeito ou quando passa por cirurgias plásticas para corrigi-lo.

Na maioria dos casos, os defeitos são na região do rosto ou da cabeça. Contudo, são comuns também preocupações em relação ao cabelo, pigmentação da pele, tamanho e formato dos seios e das nádegas (mulheres), músculos (dismorfia muscular, mais frequente em homens), entre outros.

Frequentemente, pacientes se referem aos seus “defeitos”a essas partes incômodas como deformidades monstruosas e até mesmo repugnantes.

Se não tratado, o transtorno dismórfico corporal pode levar a uma série de consequências como depressão, ansiedade, procedimentos estéticos desnecessários e/ou ineficazes, hospitalizações frequentes, prejuízos na vida social, entre outros.

A dismorfia corporal é diferente da disforia de gênero, pois ocorre independente da identidade de gênero da pessoa. No caso da disforia de gênero, a insatisfação com o próprio corpo está inteiramente ligada a uma identificação com outro gênero, o que não caracteriza dismorfia corporal, embora os sintomas possam se manifestar de maneira igual.

Os transtornos alimentares também são frequentemente confundidos com o transtorno dismórfico corporal. Embora pessoas com transtornos alimentares relacionados ao peso possam ter um certo grau de dismorfia corporal, o diagnóstico feito é diferente.

Sintomas: como saber se tenho dismorfia corporal?

Não gostar de determinadas características físicas é completamente normal, ninguém está 100% contente com o próprio corpo o tempo inteiro. Contudo, no caso da dismorfia corporal, não se trata de um simples “não gostar” de certos traços corporais.

Dentre os sintomas do transtorno dismórfico corporal estão:

Preocupação patológica

Caracterizada por uma grande angústia e inquietação acerca da suposta falha física, que pode ser real, porém imperceptível ou ignorada pelos outros, ou completamente imaginária.

Pensamentos obsessivos em relação ao “defeito” físico

Os pensamentos sobre o suposto defeito podem ser extremamente invasivos, de modo que a pessoa pode não conseguir parar de pensar nele. Nisso, ela pode importunar os outros pedindo sua opinião constantemente ou tentando convencê-los do defeito.

Comportamento repetitivo

Checar a aparência constantemente durante o dia pode ser um sintoma de dismorfia corporal, bem como perder muito tempo durante o dia tentando disfarçar a imperfeição.

Sofrimento exagerado

Um sofrimento clinicamente significativo causado pelo suposto defeito é um sinal muito forte de uma dismorfia corporal. A pessoa se sente mal por se sentir assim, sabendo que é uma reação exagerada, mas não tem controle sobre esse sofrimento.

Evitação social

Quando a angústia em relação ao suposto defeito é muito grande, a pessoa pode deixar de sair de casa, evitar situações sociais, isolar-se, entre outros. Quando isso ocorre, é possível inclusive que a pessoa tenha prejuízos na carreira e na vida acadêmica.

Evitar situações em que pode olhar para si mesmo

Alguns indivíduos podem ter uma obsessão com a aparência e checá-la inúmeras vezes ao dia, enquanto outros podem apresentar justamente o contrário e fugir de qualquer superfície reflexiva!

Transtorno dismórfico corporal: quais os critérios de diagnóstico?

O diagnóstico do transtorno dismórfico corporal nem sempre é muito fácil, pois a pessoa muitas vezes não tem noção que está sofrendo com um transtorno mental. Frequentemente, esteticistas e cirurgiões plásticos fazem o encaminhamento para um profissional da saúde mental quando desconfiam que o paciente sofre de dismorfia corporal.

Dentre os critérios diagnósticos do transtorno dismórfico corporal estão:

  • Preocupação excessiva com um ou mais “defeitos” na aparência física que não são notados pelas outras pessoas ou, se são, as pessoas consideram insignificantes;
  • Pensamentos e comportamentos repetitivos em relação ao suposto defeito, como olhar-se no espelho com frequência ou se arrumar tentando esconder o defeito o tempo todo;
  • Presença de uma angústia tão intensa que prejudica o funcionamento normal do indivíduo, seja no âmbito social, profissional, acadêmico, entre outros.

O diagnóstico é feito a partir do relato do paciente, levando em consideração sua história de vida e o nível de sofrimento que é expressado.

Qual o tratamento?

O tratamento geralmente é feito a partir de terapia e, caso necessário, medicamentos antidepressivos.

A terapia cognitivo-comportamental é uma das frequentemente indicadas para tratar esse transtorno. Há muitas evidências científicas de sua eficácia. Nessa terapia, o objetivo é uma reestruturação cognitiva, auxiliando o paciente a mudar sua visão acerca do mundo, dos outros e de si mesmo.

Por meio de diversas técnicas, o paciente aprende a lidar com os pensamentos obsessivos, bem como passa a fazer checagens de realidade, que ajudam a confirmar que seus supostos defeitos, na realidade, não existem ou não são notados pelos outros, trazendo grande alívio à angústia causada pelo transtorno.

A terapia cognitivo-comportamental também pode ajudar a lidar com os comportamentos repetitivos, que acabam reforçando a dismorfia corporal.

Em casos mais graves, os medicamentos antidepressivos podem ajudar bastante a combater os sintomas obsessivos.


É comum que as pessoas desejem mudar alguma parte do corpo — isso nem sempre representa um problema. Porém, quando esse desejo é persistente, afetando a rotina saudável da pessoa, ou há um exagero em relação à visão de si, isso pode indicar um quadro de dismorfia corporal.

Assim, é importante buscar auxílio médico e psicológico, de forma que a saúde mental e física sejam preservadas.

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