Estela (Minuto Saudável)
25/04/2018 08:00

O que é Acromegalia, tipos (gigantismo), causa, sintomas, tem cura?

O que é acromegalia?

A acromegalia (CID-10 E22.0) é uma doença rara que afeta especialmente os adultos de meia idade, entre 30 e 50 anos. Pode acontecer nas fases da infância ou adolescência, mas, nestes casos, leva o nome de gigantismo.

Do grego Akros (extremidade) e Megas (aumento), essa patologia foi descrita pela primeira vez pelo endocrinologista Pierre Marie, em 1886, quando observou hipertrofia (aumento exagerado) não congênita em dois pacientes.

Nesta doença, a glândula da hipófise ou pituitária produz os hormônios do crescimento em quantidade excessiva, provocando um alargamento das mãos, pés e até mesmo do rosto.

Ainda que não seja uma doença comum, por ano, cerca de 15 mil pessoas são afetadas pela acromegalia no Brasil.

A principal causa desta patologia é a presença de um tumor da hipófise benigno (não canceroso). Quanto mais precoce for o diagnóstico e tratamento, maiores as chances de sucesso na atenuação dos sintomas.

Também é possível que no tratamento se faça uso de medicamentos para reduzir os efeitos provocados pelos hormônios do crescimento.

Dentro do tratamento, é necessário intervenção cirúrgica ou radioterapia para retirar o tumor. Diante dos sintomas, os médicos que podem ajudar, diante desses casos, são os profissionais endocrinologistas, neurocirurgiões e o clínicos gerais.

As chances de cura ainda são muito baixas, contudo, com o tratamento cirúrgico, essa possibilidade existe.

Todavia, o diagnóstico pode não ser tão simples, fazendo com que a acromegalia seja considerada uma doença traiçoeira.

Uma vez que o crescimento não ocorre de forma longitudinal, em que a pessoa fica mais alta, mas sim nas partes moles e nos ossos, pode ser difícil perceber o surgimento de mudanças. Sendo assim, trata-se de uma doença de progressão lenta.

Dessa forma, entre o início da doença e o diagnóstico, pode se ter um intervalo de 7 a 10 anos, pois é necessário considerar que pode ser complicado definir, claramente, o que é um crescimento anormal.

É considerada uma doença deformativa, sinuosa e pode diminuir a expectativa de vida. Em 2014, um caso de acromegalia ganhou espaço nos noticiários com o caso do lutador de MMA Antônio Silva, conhecido pelo apelido de Pezão.

O apelido, sugestivo, aponta um dos sintomas que a doença provocou no lutador, que teve que passar por cirurgias para retirar o tumor.

Outro caso famoso de acromegalia foi o do lutador Maurice Tillet, conhecido pelo apelido The French Angel, “O Anjo Francês” em português. Ele se tornou popular na década de 1940, quando se tornou campeão na categoria peso-pesado pela American Wrestling Association.

Sua história com a doença, contudo, veio mais cedo. Foi aos 17 anos que descobriu a acromegalia. Dali pra frente, seu corpo começou a ganhar diversas modificações provocadas pela patologia.

Diante da doença e das deformações, o lutador tentou levar essa condição da melhor forma possível. Assim, foi para os EUA e começou sua carreira nos ringues. Sua aparência chamava a atenção do público, que comparecia para vê-lo nas lutas.

É possível encontrar diversas teorias de que a aparência Maurice Tillet teria sido a inspiração para o personagem Shrek. Embora a Dreamworks nunca tenha confirmado essa informação, é inegável a semelhança. Continue a leitura para entender um pouco mais sobre a acromegalia.

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é acromegalia?
  2. Tipos
  3. Causas
  4. Sintomas
  5. Diagnóstico
  6. Acromegalia tem cura?
  7. Tratamento
  8. Medicamentos para acromegalia
  9. Convivendo
  10. Prognóstico
  11. Como prevenir
  12. Complicações

Tipos

A acromegalia pode ser classificada de duas formas diferentes. Não é, necessariamente, uma divisão em tipos, mas pela forma como se manifesta nos pacientes.

Em crianças e adolescentes

Quando a acromegalia acontece na infância ou adolescência, recebe o nome de gigantismo. Também acontece por uma produção excessiva de hormônio do crescimento, mas nesse momento, acontece antes do fechamento das cartilagens do crescimento.

Desse modo, a doença provoca um crescimento longitudinal, em que o paciente fica com altura muito acima da média, alcançando estatura entre 2,30 m e 2,72 m.

Outros sintomas que podem ocorrer em pessoas que sofrem com o gigantismo são dores de cabeça, puberdade atrasada e outros sintomas comuns da acromegalia em adultos.

Em adultos

Quando esta condição ocorre em adultos, é denominada apenas como acromegalia. Algumas pessoas confundem a acromegalia com o gigantismo, mas o que diferencia é a faixa etária em que ocorre.

A acromegalia acontece em pessoas entre 30 e 50 anos, normalmente, e que já apresentam fechamento das cartilagens do crescimento.

Esses pacientes não terão um crescimento como no gigantismo, ou seja, não ficam mais altas. O que acontece são deformações e crescimentos dos pés, mãos e partes do rosto.

Tal crescimento acontece de forma lenta e pode ser confundido com um crescimento natural do envelhecimento.

Essa demora na presença dos sintomas mais evidentes (físicos) acaba fazendo com que o diagnóstico se torne um desafio para os médicos e para se obter um tratamento precoce.

Em adultos, a acromegalia pode acontecer por histórico familiar, ainda que raro, ou de forma esporádica, em que não há registro na família de pessoas que sofreram com a doença.

Causas

O que causa a acromegalia é a produção excessiva dos hormônios do crescimento. Essa produção, na maioria dos casos, é provocado pela presença de um tumor da hipófise (pituitária) benigno.

A hipófise se localiza na parte inferior do cérebro e é considerada a principal glândula do corpo humano. E esse título não é em vão. Ela é responsável por regular o trabalho de outras glândulas, como a tireoide, os testículos, os ovários e a adrenal.

Produz a prolactina, hormônio importante na amamentação e, especificamente, para entender a acromegalia, a hipófise produz também o GH, hormônio do crescimento.

O tumor, que acaba sendo a causa desta doença, é, na verdade, um aumento que ocorre nas células da hipófise. Contudo, a razão para esse crescimento das células da glândula ainda é desconhecida.

O tipo mais comum de tumores na hipófise é o adenoma, o que significa que ele não se espalha para outros lugares do organismo e também não é cancerígeno.

Quando liberam hormônios, como no caso da acromegalia, são chamados de adenomas funcionantes ou secretores, pois liberam o GH.

Com a presença fora do normal de GH, em um corpo adulto e já desenvolvido, as deformações, características por provocar alargamento no paciente, aparecem.

Além do GH, a presença do IGF-1 é um dos fatores fundamentais para se obter o diagnóstico da acromegalia. O IGF-1, do inglês Insulin-like growth factor-1, é uma proteína produzida pelo fígado, conhecido também por fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1.

Essa proteína tem um papel muito importante para a formação dos músculos, para redução dos níveis de gordura e para síntese proteica. No entanto, também é responsável por aumentar os níveis de glicose.

Na acromegalia, o IGF-1 é estimulado pelo excesso de GH, o que faz com que essa proteína se torne a causa da maior parte das manifestações clínicas da doença.

Para entender um pouco mais como essa patologia acontece, é interessante entender como acontece o tumor da hipófise e como pode ser classificado, pois apresentam variações que implicam no tratamento.

Divisões de tumores da hipófise

Existem algumas variações entre os tipos de tumores da hipófise em relação ao tamanho e posição dentro do cérebro do paciente. Essas diferenças, ainda que pequenas, implicam em sintomas mais graves e até mesmo no sucesso de uma cirurgia de remoção.

Microadenomas

Os microadenomas são os tumores da hipófise com tamanho inferior a 1 centímetro. São menos comuns e apresentam porcentagem maior de sucesso na cirurgia de remoção.

Macroadenomas

Os tumores da hipófise com 1 centímetro ou mais são chamados de macroadenomas. Esse é o tipo mais comum entre os casos de acromegalia, representando 70% dos pacientes.

Por serem maiores, a cirurgia para retirada é mais complicada. Nem sempre é possível que todo o tumor seja removido.

Tumores com sintomas compressivos

Os tumores da hipófise com sintomas compressivos são os tumores que se mostram invasivos. Por invadirem um espaço que não deveria, digamos assim, acabam provocando complicações como perda de visão, pois atacam os nervos ópticos.

Sintomas

Como visto anteriormente, essa doença acontece em dois tempos: na fase adulta, denominada de acromegalia e, na adolescência ou infância, conhecida nesse caso como gigantismo.

Nas duas situações existem sintomas semelhantes causados pelo excesso de hormônio de crescimento, contudo, dependendo da idade em que ocorre os sintomas e complicações podem ser variados.

Sendo assim, veja os principais sintomas nessas duas diferentes formas da doença se manifestar:

Sintomas do gigantismo

No gigantismo, quando a liberação excessiva do GH acontece, as placas de crescimento ainda não estão fechadas. Nessa condição, o que deve acontecer, primeiramente, é um alongamento dos ossos longos (braços e pernas).

Assim, o paciente com gigantismo tende a apresentar uma altura muito acima da média para sua idade, sendo o primeiro sintoma que pode significar que algo em seu organismo está em desordem.

Também é possível que a puberdade desses pacientes seja retardada, tendo até mesmo o desenvolvimento dos genitais comprometidos.

Entre as característica comuns às duas fases estão os seguintes sintomas:

  • Pés e mãos grandes;
  • Fortes dores de cabeça (cefaleia);
  • Aumento da testa;
  • Aumento do nariz, lábios, mandíbula e queixo;
  • Podem apresentar pele mais grossa;
  • Aumento da oleosidade da pele e sudorese;
  • Voz mais grossa e rouca;
  • Língua mais grossa e rugosa;
  • Pelos corporais mais ásperos e escuros;
  • Transpiração excessiva;
  • Odor desagradável.

Sintomas da acromegalia

Diferente do gigantismo, a acromegalia ocorre quando as placas de crescimento já estão fechadas. Assim, a curto prazo, o crescimento causado pelo GH não será tão perceptível quanto no gigantismo, pois o paciente não tende a ficar mais alto.

Os sinais da acromegalia costumam ser chamados de deformações, pois eles realmente acabam deformando a estrutura corporal do paciente. Assim, o acromegálico acaba tendo um crescimento das mãos, dos pés, do nariz, engrossamento da testa, do tronco etc.

Outros sintomas da acromegalia são:

  • Tumor hipofisário;
  • Aumento do tórax;
  • Aumento da caixa torácica;
  • Aumento dos órgãos genitais.
  • Formigamento nos pés e nas mãos;
  • Dores nas articulações (quadril. coluna, joelho e tornozelos);
  • Alterações no metabolismo associadas a diabetes mellitus, pressão alta, insuficiência cardíaca, aumento do colesterol e triglicerídeos;
  • Sensação de fraqueza nos braços e pernas;
  • Perda de visão causada por uma possível compressão dos nervos ópticos;
  • Ciclo menstrual irregular;
  • Produção de leite materno sem estar em período de amamentação;
  • Disfunção erétil;
  • Cansaço;
  • Espaçamento entre os dentes ou perda dentária;
  • Apneia e outros distúrbios do sono;
  • Problemas respiratórios e cardiovasculares;
  • Problemas gastrointestinais, músculo-esqueléticas e neurológicas.

Tumor da hipófise

O tumor da hipófise é a causa mais comum dos casos de acromegalia. A sua presença também provoca alguns sintomas no paciente, sendo que os mais comuns são o surgimento de intensas dores de cabeça e problemas de visão.

Quando o tumor da hipófise apresenta um tamanho razoavelmente pequeno, os problemas causados estão mais relacionados ao hormônio do crescimento em excesso.

Assim, alguns sintomas que podem se manifestar são a produção de leite materno, diminuição da líbido e alterações no ciclo menstrual.

O crescimento das mãos, do maxilar, dos pés e as dores articulares também estão associados ao tumor da hipófise.

Diagnóstico

O diagnóstico de acromegalia pode demorar de 7 a 10 anos para ser feito. Ao contrário do gigantismo, que acomete crianças e adolescentes e em que o crescimento anormal é mais perceptível, os sintomas da acromegalia são muito difíceis de detectar.

O esperado é que pessoas na faixa etária de 30 a 50 anos já tenham se desenvolvido e que aquele crescimento comum durante as outras fases da vida não aconteça mais.

Contudo, nesta doença sim, mas de forma bem lenta. Esse alargamento provocado acontece progressivamente e, quando não há presença de outros sintomas, pode ter esse atraso também largo no diagnóstico.

O que acontece, geralmente, é da pessoa com acromegalia acabar descobrindo sem querer que está com a doença. Por se tratar de uma condição rara, poucas pessoas têm informação sobre o que é e o que provoca.

No entanto, existem alguns exames que podem ser feitos para confirmar a doença. Além disso, o paciente que estiver desconfiando de sofrer desta condição, pode apresentar ao médico algumas fotos para comparar, ao passar dos anos, o crescimento que acontece nessa patologia.

As formas de se investigar a doença são:

Exame de sangue

A principal forma de se diagnosticar um quadro de acromegalia é através de um exame de sangue. Nele, é possível confirmar se está acontecendo uma produção excessiva dos hormônios do crescimento no organismo do paciente.

Também revela se há um crescimento do IGF-1, um fator de crescimento semelhante à insulina no modo de ação, comum nos pacientes com acromegalia.

Contudo, realizar o exame de sangue uma única vez pode ser insuficiente para diagnosticar a doença, uma vez que o hormônio do crescimento é liberado em intervalos curtos que podem variar até mesmo em pessoas que não possuem esta doença.

Nesses casos, o médico precisa utilizar algo para suprimir os níveis desses hormônios, aplicando, normalmente, uma bebida com glicose, o mesmo líquido utilizado em exames orais para verificar tolerância a essa substância.

Dessa forma, ele consegue comprovar se há ou não uma supressão anormal nos níveis de hormônios do crescimento. No entanto, este não é o primeiro recurso, em todos os casos.

Realizar este exame com a bebida de glicose não é necessário quando outros sintomas da acromegalia estiverem claros, como o nível de IGF-1 elevado ou quando o tumor na hipófise for encontrado nos exames de imagem.

Exames de imagem

Os exames de imagem, como a tomografia computadorizada, radiografia e ressonância magnética, são feitos para verificar ou confirmar a presença de um tumor na hipófise.

São realizados exames para investigar na região do crânio, mas também podem ser feitas radiografias para evidenciar o espessamento dos ossos do crânio, dos seios nasais e sob a região das pontas dos dedos.

Também contribuem para que o médico possa analisar possíveis inchaços do tecido ao redor dos ossos.

Acromegalia tem cura?

A acromegalia tem cura, mas não é certo afirmar que em 100% dos casos isso será possível. As chances de se curar essa doença ainda são baixas.

Nos pacientes com acromegalia causada por tumor cerebral, mesmo com a cirurgia para remoção a cura não é garantida.

Com a retirada do tumor que está provocando a secreção dos hormônios de crescimento, o esperado é que se tenha uma resolução bioquímica e uma melhora das alterações clínicas provocadas pela doença.

Os pacientes que possuem microadenomas, macroadenomas não invasivos e tumores que provocam sintomas compressivos, são recomendados a fazer a cirurgia para remoção, tendo como taxa de cura de 75% a 95% para microadenomas e 40% a 68% para macroadenomas

Em casos de tumores mais invasivos, como os que possuem extensão para o seio cavernoso, a remoção por cirurgia não proporcionará a cura, pois quanto mais próximo do miolo do nosso cérebro, digamos assim, mais complicado pode ser o procedimento.

Contudo, apesar de ser difícil, a remoção de parte do tumor ou a maior parte, ajuda para uma melhor eficácia de outros tratamentos.

Muitos fatores afetam os resultados do tratamento cirúrgico, como a anatomia do tumor e até mesmo a experiência do cirurgião. Consequentemente, a cura não é garantia.

Com o tratamento medicamentoso, é possível controlar as ações dos hormônios de crescimento, mas não significa que o paciente acromegálico estará livre da doença.

Tratamento

O tratamento de acromegalia pode ser realizado de diferentes formas e vai depender do quadro do paciente e/ou estágio da doença.

É considerada uma doença que exige um tratamento transdisciplinar, o que significa que médicos de diferentes especialidades são fundamentais para se chegar ao mais próximo do melhor tratamento e diagnóstico, aumentando, assim, a expectativa de vida e o bem-estar desses pacientes.

A cura da acromegalia, está na soma de vários fatores de sucesso, desde o diagnóstico precoce ao tratamento cirúrgico bem sucedido.

Os tratamentos existentes seguem uma linha sucessiva, sendo a primeira opção a intervenção cirúrgica, posteriormente os tratamentos com medicamento e radioterapia. :

Cirurgia

O tratamento cirúrgico é considerado o tratamento primário da acromegalia. Com ele é possível conseguir a cura da doença.

Nele, o tumor da hipófise, que está provocando a liberação do GH (hormônio do crescimento) é retirado. O sucesso do procedimento cirúrgico para retirada do tumor dependerá muito da anatomia dele.

Quando o tumor presente no paciente se expande ao ponto de invadir outras partes de seu cérebro, além de não ser possível a retirada de todo o tumor, torna-se um procedimento de risco.

Para a cirurgia, o paciente recebe anestesia geral, onde permanece inconsciente durante todo o procedimento.

Ainda que, na maioria dos casos, a cirurgia seja bem sucedida, ainda é considerada um procedimento complexo e de risco, pois pode provocar complicações como dano à hipófise, provocar vazamento do líquido cérebro espinhal, sangramentos e infecções.

Medicamentos

Um dos métodos utilizados para o tratamento de acromegalia é a terapia medicamentosa. No Brasil, existem três tipos de medicamentos utilizados: agonistas da dopamina, análogos da somatostatina e antagonistas do receptor do GH (hormônio do crescimento).

Análogos da somatostatina

Os análogos da somatostatina são os principais medicamentos utilizados no tratamento da acromegalia. Eles agem sob a somatostatina, um hormônio proteico produzido pelas células do pâncreas, mas que também são secretados pelo hipotálamo.

Esse hormônio tem a função inibidora da secreção do hormônio do crescimento, por isso é eficaz no tratamento da doença.

Podem ser utilizados tanto no tratamento primário como no tratamento pré e pós cirurgia. São aplicados com injeções intramusculares, uma vez ao mês.

Agonistas da dopamina

Antes dos análogos da somatostatina, estes eram os únicos medicamentos existentes para tratar pacientes com acromegalia. Comparado aos resultados tidos com os outros medicamentos, os agonistas da dopamina apresentam resultados pouco eficazes, favorecendo um número muito pequeno de pacientes.

Ele é tido como uma opção para as pessoas que apresentam reação alérgica aos demais medicamentos.

Os agonistas da dopamina cumprem o papel de suprimir a produção dos hormônios do crescimento, mas se mostram eficazes para um número menor de pacientes.

Antagonistas do receptor do GH

Os antagonistas do receptor do GH tem a função de inibir os hormônios do crescimento e de provocar uma melhora nos sintomas manifestados pelo paciente.

Ele também contribui para diminuir os níveis do IGF-1 em 90% a 100%. Esse medicamento é aplicado com injeções.

Não são os medicamentos mais recomendados, principalmente quando comparados aos resultados proporcionados com os análogos de somatostatina.

O seu uso é recomendado nos casos de pacientes que não responderam bem a cirurgia, a radioterapia ou apresentaram alguma reação aos outros medicamentos.

Radioterapia

A radioterapia é considerada um tratamento de terceira linha, sendo, um recurso de último caso para a acromegalia. É um método para destruir células tumorais através de feixes de radiação ionizante.

Uma dose dessa radiação é aplicada para destruir as células do tumor, por um tempo determinado, visando atingir apenas as células prejudicadas. Contudo, é possível que ataque as células saudáveis.

Geralmente, é utilizado em pacientes que, mesmo com a cirurgia para retirado do tumor e o uso de medicamentos, não conseguiram vencer a doença.

A função dessa terapia é de normalizar os níveis de GH e IGF-1. Em 50% a 60% dos pacientes que estão em 5 a 10 anos com a doença, e em 65% a 87% dos pacientes em 15 anos.

Apresenta um bom resultado ao controlar o crescimento do tumor, em 90% a 100% dos casos.

O que é negativo no tratamento realizado com a radioterapia são as possíveis complicações provocadas, como problemas de visão, surgimento de tumores secundários, hipopituitarismo, eventos cerebrovasculares e alterações cognitivas, a longo prazo.

Medicamentos para acromegalia

Os medicamentos para acromegalia são utilizados como tratamento para a doença, mas não proporcionam a cura. Devem ser utilizados somente sob prescrição médica.

Os mais utilizados são os análogos da somatostatina, mas também há os antagonistas do receptor do GH e os agonistas da dopamina como alternativa.

Alguns exemplos são:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Não é fácil conviver com uma doença. Mudar o dia a dia para se dedicar a um tratamento, também não.

Com a acromegalia não é diferente e pode ser até ainda mais complicado. Por ser uma doença rara e especialmente por falta de informação, essa condição pode ser um susto para os pacientes durante a descoberta.

Quando adultos, sabemos que existe o processo de envelhecimento e que ele é inevitável. Todavia, pensamos também que a fase de transformações mais expressivas em nosso corpo ficou para trás, na infância e adolescência.

Felizmente, existem tratamentos para frear a doença e até mesmo se ter a cura. Contudo, algumas pessoas podem sofrer com este processo e com outros sintomas.

Com a produção excessiva dos hormônios do crescimento, algumas deformações ocorrem e isso pode mexer muito com a autoestima do paciente.

Além de ter que assimilar a doença, pessoas que sofrem com a acromegalia precisam também ser fortes para lidar com o preconceito de outras pessoas.

É importante durante o convívio e o tratamento, o paciente buscar apoio dos amigos, familiares e informações sobre o que é a acromegalia.

O acompanhamento de um psicólogo, para conseguir lidar melhor com os seus sentimentos e seguir em frente com o tratamento, aceitando e entendo as transformações que aconteceram, é fundamental nesse processo.

Preconceito

Conviver com o preconceito das pessoas pode ser uma das etapas mais difíceis para os pacientes com acromegalia. Lidar com os olhares das pessoas nas ruas e até mesmo com comentários maldosos pode ser extremamente doloroso.

Nesse momento, é importante buscar amparo psicológico de um profissional, o acolhimento de pessoas que te fazem bem e até mesmo conversar com outras pessoas que sofrem com essa doença.

Com as redes sociais, é mais fácil se aproximar de pessoas que partilham das mesmas experiências. Embora não seja uma patologia comum, é possível encontrar e conversar com outras pessoas que entendem o que a convivência com a acromegalia.

Esse processo pode ser positivo diante da aceitação dos sintomas e das transformações que o corpo sofrerá. Ainda que a aparência tenha um peso muito grande na construção da nossa autoestima, é preciso relembrar que a beleza não se limita apenas a estética.

Prognóstico

A acromegalia é um desafio para os médicos na procura de uma forma de diagnóstico mais precoce.

Contudo, apesar de não haver prevenção, pode ser tratado e, em alguns casos, até curado. Dentro do tratamento cirúrgico, para retirada do tumor da hipófise, 90% das cirurgias são tidas como bem-sucedidas e o prognóstico após o procedimento é positivo para o paciente.

Como prevenir

Não existe uma forma de prevenir a acromegalia e nem o gigantismo. Contudo, o ideal é que as pessoas tenham uma rotina de avaliação médica para checar a saúde e que se atentem aos sinais desta ou de qualquer doença.

Por ser rara, é comum que as pessoas não tenham informação sobre a acromegalia, assim como os médicos podem demorar para cogitar essa doença, para um diagnóstico preciso.

Recomenda-se que as pessoas fiquem atentas aos níveis dos hormônios de crescimento e que saibam que o crescimento durante a vida adulta pode ser algo além do envelhecimento, mas sim ser uma patologia.

Nessa doença, é importante se atentar aos pequenos detalhes, como um anel que não serve mais ou um sapato que está começando a ficar apertado.

Complicações

Quando não tratada adequadamente, a acromegalia pode provocar sérias complicações à saúde do paciente. Ainda que o diagnóstico seja lento e complicado, é importante que, dentro de qualquer sinal da doença, se procure uma orientação médica.

Prorrogar o tratamento pode levar às seguintes condições:

Doenças cardiovasculares

As doenças cardiovasculares são comuns em pacientes com acromegalia, em condição não tratada, sendo responsáveis por 60% das mortes em acromegálico.

Quem sofre com esta doença pode sofrer com problemas de hipertensão arterial e cardiomiopatia acromegálica, doença que se desenvolve devido a exposição crônica e alta de GH e IGF-1.

Essa é uma patologia específica da doença e se desenvolve em três fases. Ela só acontece se a condição do paciente não for tratada ou se for descoberta tardiamente. Provoca insuficiência cardíaca congestiva e pode levar o paciente a morte.

Foi assim com o lutador Maurice Tillet, que, aos 50 anos, faleceu por complicações cardiovasculares.

Complicações respiratórias

As complicações respiratórias representam a segunda maior causa de óbito de pessoas com acromegalia, sendo responsável por 25% das mortes.

O crescimento provocado pela doença pode levar a deformações em partes do corpo humano fundamentais para a saúde respiratória. Além de provocar um alargamento dos seios nasais, também interfere no tamanho dos órgãos.

Os acromegálicos podem sofrer deformações nos ossos faciais, crescimento da língua (macroglossia), edemas e hipertrofia da mucosa e das cartilagens da laringe, que acabam prejudicando o sistema respiratório do paciente..

Além disso, a doença pode prejudicar as vias aéreas, provocando um estreitamento. Esse processo pode tornar difícil a intubação traqueal, no caso de indução anestésica.

Outra doença que pode se desenvolver a partir da acromegalia é a apneia do sono ou a hipopneia. O paciente, nesses casos, geralmente apresenta sono interrompido, roncos e sonolência durante o dia.

Diabetes

A diabetes mellitus (tipo 2) é uma complicação presente entre 10% a 25% dos pacientes com acromegalia.

Com a produção excessiva de IGF-1, um fator de crescimento que se assemelha a insulina, o corpo do paciente se torna resistente a glicose.

Perda de visão

O tumor da hipófise pode provocar a cegueira ou uma perda parcial da visão no paciente, pois comprime os nervos ópticos. É uma condição comum às pessoas que apresentam um tumor da hipófise.

Em alguns casos, é possível reverter, mas dependerá do intervalo de tempo entre os sintomas e o tratamento, de fato.

Como a acromegalia ainda é uma doença com diagnóstico demorado, muitas pessoas acabam perdendo a visão.

Para corrigir o problema, é feito uma microcirurgia, pouco invasiva, em que se é retirado o tumor através de uma incisão feita pelas narinas. Uma microcâmera é colocada para alcançar a região da hipófise e conseguir que o tumor seja retirado.

Dependendo da anatomia do tumor, nem sempre é possível que ele seja removido totalmente. Em alguns casos, é necessário recorrer a radioterapia.

Câncer coexistente

Ainda são inconclusivos os estudos que buscam entender se há uma relação direta da acromegalia com uma maior incidência de câncer.

No entanto, a acromegalia pode influenciar na agressividade ou crescimento de um câncer que o paciente já demonstra.

Dessa forma, pode contribuir para que o número de mortes provocadas por algum tipo de câncer cresça ou que o quadro de pacientes que estão nessa condição se torne ainda mais grave.

Aumento da mortalidade

A taxa de mortalidade para pessoas com acromegalia são de 2 a 4 vezes maior do que as demais pessoas da mesma idade e sexo. Esta complicação decorre de todos os outros riscos de um diagnóstico e tratamento tardio.

Entre as causas de morte mais frequente em pacientes acromegálicos estão as complicações relacionadas a problemas cardiovasculares e respiratórios.


A acromegalia é uma doença rara e pode ser até mesmo considerada uma patologia silenciosa e traiçoeira, pois demora anos para se alcançar o diagnóstico.

Por falta de informação e por ser difícil analisar se o crescimento é normal ou não, as pessoas com acromegalia demoram para iniciar o tratamento.

Ainda não existe uma forma de prevenção desta doença, mas em alguns casos é possível obter a cura com a cirurgia para remoção do tumor da hipófise.

Compartilhe este texto com seus amigos, colegas de trabalho e familiares, para que eles saibam um pouco mais sobre esta condição!

Referências

http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2014/abril/02/pcdt-acromegalia-livro-2013.pdf
Donangelo, I., Une, K., & Gadelha, M. (2003). Diagnóstico e tratamento da acromegalia no Brasil. Arquivos Brasileiros De Endocrinologia & Metabologia, 47(4), 331-346.
http://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-hormonais-e-metab%C3%B3licos/dist%C3%BArbios-da-hip%C3%B3fise/gigantismo-e-acromegalia
https://www.news-medical.net/health/Acromegaly-Treatments-(Portuguese).aspx
https://www.news-medical.net/health/Acromegaly-Treatments-(Portuguese).aspx
http://www.imdb.com/name/nm6738160/bio

12/12/2018 16:45

Estela (Minuto Saudável)

Redatora, é jornalista pela Universidade Positivo. Autora de websérie sobre intersexualidade e identidade de gênero. Produz matérias sobre alimentação e saúde da mulher.

Ver comentários

  • Muito obrigada pelas preciosas informações. O conteúdo totalmente completo e de fácil entendimento.

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  • Obrigada pelos esclarecimentos. Os quais foram feitos de forma clara e objetiva

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  • Meu nome é Bruno, tenho 36 anos e por ocasião de uns 10 a 12 anos venho apresentando tais sintomas descritos no texto, descobri por intermédio de um amigo que possivelmente posso está com Acromegalia, não sei ainda o que fazer, pois não tenho facilidade de conseguir um profissional específico para cuidar desse caso, realmente não sei o que fazer.

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    • Olá, Bruno!

      O diagnóstico de acromegalia pode ser demorado, pois não há um exame específico capaz de detectar a doença. Você pode consultar um clínico geral, ou até mesmo um endocrinologista, e falar sobre suas suspeitas. Na consulta é provável que o médico solicite exames de sangue ou de imagem para confirmar (ou não) a condição.

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