Tipos de escoliose: idiopática, congênita, neuromuscular e mais

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A escoliose é definida como um desvio tridimensional da coluna com rotação da vértebra em seu eixo.

Para entender bem esse processo, é preciso saber que a coluna possui curvaturas normais, que garantem estabilidade ao corpo, e são chamadas de lordose e cifose. Mas há alguns tipos de curvaturas que são considerados desvios incorretos e podem causar dores. Entre eles, a escoliose.

No que se refere à forma, a curva pode apresentar uma forma de “C”, sendo chamada de curva simples, pois há somente uma acentuação do desvio.

Já na curva dupla, a coluna apresenta uma escoliose em forma de “S”. Nesse caso, há uma curva primária e uma secundária que ocorre por mecanismos de compensação postural.

Os tipos de escoliose são bastante diversos. Ela precisa ser classificada de acordo com sua origem ou agente desencadeador, pois independente da localização ou grau de desvio, pode-se dividir a condição em estrutural e funcional:

Escoliose funcional

Na escoliose não-estrutural ou funcional, a coluna tem uma estruturação correta e não apresenta curvaturas excessivas, mas há fatores que provocam o desalinhamento do segmento vertebral.

Em geral, há algum distúrbio ou disfunção em outras regiões do corpo e, para se ajustar ou compensar essa alteração, a coluna acaba sendo desviada.

É importante diferenciar e caracterizar a escoliose funcional, pois como é uma manifestação secundária à uma disfunção de outra parte do organismo, a curvatura tende a ser amenizada ou resolvida tratando o problema causador.

Algumas disfunções corporais que podem causar a escoliose são:

  • Diferença no crescimento do osso da perna;
  • Espasmos musculares;
  • Diferença do tônus dos músculos paravertebrais;
  • Compressão de raiz nervosa;
  • Lesões na coluna;
  • Mal posicionamento do tronco.

Escoliose estrutural

Cerca de 80% dos casos de escoliose estrutural são idiopáticos, ou seja, o diagnóstico não consegue identificar o que causou o desvio da coluna. A escoliose estrutural é, geralmente, uma condição grave e progressiva, que tende a comprometer cada vez mais a qualidade de vida do paciente se não for tratada.

Enquanto o tipo funcional geralmente manifesta apenas uma curvatura lateral da coluna, o tipo estrutural apresenta, além do desvio para os lados, uma rotação (torção) da coluna em seu próprio eixo.

As definições mais atuais da condição apontam que não basta definir a escoliose estrutural como um desnível vertebral, pois isso não dá conta da complexidade do diagnóstico.

É, portanto, preciso considerá-la como uma deformidade nos 3 planos do corpo —  frontal, sagital e transversal —, geralmente progressiva e com severo comprometimento da postura.

Além disso, a escoliose estrutural apresenta saliências ou proeminências, devido à rotação vertebral, que são chamadas de gibosidades ou gibas.

Dentro do tipo estrutural, pode-se subclassificar o desvio em:

Escoliose idiopática

A nomeação idiopática indica que não é possível determinar a origem ou a causa do desvio da coluna, sendo que alguns pesquisadores e especialistas atribuem múltiplas causas associadas à condição.

Estima-se que até 80% dos pacientes apresentem a escoliose estrutural idiopática, sendo que o quadro pode aparecer em crianças e adolescentes saudáveis, que estão se desenvolvendo bem e não possuem antecedentes de patologias ou malformações.

O desvio colunar idiopático pode ser dividido de acordo com a faixa etária que o paciente apresenta os sinais:

  • Infantil – do nascimento até os 2 anos de idade: é uma condição rara e os fatores mais estimados são a posição de nascimento e a posição que o bebê, após o parto, mantém ao dormir. Nessa fase, a escoliose leve acomete mais meninos e tende a se resolver com medidas simples, como o alongamento;
  • Juvenil – dos 3 aos 9 anos de idade;
  • Adolescente – dos 10 aos 18 anos de idade: curvaturas menores (escoliose leve) ocorrem em proporções semelhantes entre meninas e meninos, mas os desvios mais acentuados acometem 4 pacientes do sexo feminino para cada 1 do sexo masculino;
  • Adulto – após os 18 anos de idade: ocorre após a formação completa dos ossos. Alguns estudos classificam o tipo como Escoliose Idiopático do Adulto (EIA).

No entanto, atualmente alguns pesquisadores e especialistas utilizam outra subclassificação para a escoliose idiopática, dividindo-a em:

  • Precoce – até os 5 anos de idade: o quadro tem maior impacto na formação do coração e pulmões, podendo gerar problemas na vida adulta;
  • Tardia – após os 5 anos: apesar de comprometer a qualidade de vida, o quadro que ocorre após os 5 anos tende a não impactar de modo severo na saúde cardíaca e respiratório do paciente, pois os órgãos já estão quase ou completamente formados.

Há pacientes que são mais suscetíveis ao encurvamento da coluna, sobretudo durante a puberdade, devido ao crescimento corporal (chamado de estirão).

Nesse período da adolescência, o corpo tende a apresentar rápido crescimento, que pode acentuar a curvatura indevida da estrutura vertebral, mas, ainda assim, nem sempre há sintomas (como dores ou desvio perceptível).

Escoliose neuromuscular

Diversas doenças ou distúrbios que acometem o sistema nervoso central, os nervos e os músculos podem ser a causa da escoliose, nesse caso denominada escoliose neuromuscular.

Por exemplo, por dificuldade no controle muscular (fraqueza ou encurtamento), sequela de doenças neurológicas (como a poliomielite e paralisia cerebral) e distrofia muscular, por exemplo.

Geralmente, a escoliose do tipo neuromuscular apresenta uma longa curva em forma de um “C”.

Escoliose congênita

A escoliose congênita é causada pela má formação da estrutura vertebral durante a gestação ou em recém-nascidos. Podem ocorrer alterações na constituição das cartilagens das vértebras ou na fusão das costelas. Em média, representa até 10% dos diagnósticos.

Alguns profissionais também consideram que desordens neuromusculares congênitas (ou seja, quando a criança já nasce com o distúrbio) podem ser enquadradas nesse subtipo de escoliose.

Escoliose pós-traumática

Ocorrem devido a lesões, fraturas, acidentes ou cirurgias indevidamente realizadas ou recuperadas.

Escoliose adulta

Um estudo publicado no periódico médico Revista Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, em 2013, aponta que a escoliose adulta acomete até 64% dos idosos e causa restrições moderadas ou severas à vida dos pacientes.

A escoliose diagnosticada na fase adulta é caracterizada por desvios acentuados no segmento vertebral após a total formação (maturação) dos ossos. Podendo, ainda, ser subdividida em Escoliose Idiopática Adulta (EIA) e Escoliose Adulta Degenerativa (EAD).

Enquanto o tipo idiopático ocorre por uma progressão da escoliose não diagnosticada ou não tratada durante a infância, sem que haja causas identificáveis, o tipo degenerativo é ocasionado a partir de alguma doença ou condição que comprometa a integridade óssea.

Nesse segundo tipo, alguns fatores como a osteoporose, fraturas na compressão vertebral ou degeneração das estruturas da coluna (como os discos intervertebrais) podem ser a causa da escoliose.

No entanto, o estudo aponta que só é possível distinguir os dois tipos da escoliose adulta se houver exames ou pareceres médicos realizados durante a infância ou adolescência que atestem a presença ou ausência da curvatura. Ou seja, dificilmente é possível fazer essa distinção e os quadros são classificados apenas como escoliose degenerativa.

Escoliose paralítica

Quando o paciente sofre uma lesão ou possui doenças que acarretam na para ou tetraplegia (perda total dos movimentos), devido às alterações na medula espinhal, pode se desenvolver uma curvatura no segmento vertebral, chamado de escoliose paralítica.

As escolioses desencadeadas pelo comprometimento da musculatura axial (que faz o sustento do corpo) podem ser devido à paralisia infantil ou poliomielite, por exemplo.

Escoliose lombar degenerativa

A idade, traumas ou doenças que comprometem as estruturas do corpo, sejam os ossos ou discos, podem favorecer a degeneração da coluna vertebral e causar um desgaste acentuado e irregular na região da lombar.

Em quais locais a escoliose pode surgir?

Os desvios na curvatura podem ser:

  • Cervicotorácicos: acomete as partes superior (cervical), indo das vértebras C-1 à C-7, e a média (torácica), indo da T-1 à T-12;
  • Torácicos: acomete a parte média da coluna (torácica), entre a vértebra T-1 e T-12;
  • Toracolombares: acomete as regiões da coluna torácica (média), entre a T-1 e T-12, e a coluna lombar (parte inferior), entre a L-1 e L-5;
  • Lombares: acomete a região lombar, entre a L-1 e L-5;
  • Lombossacrais: acomete as regiões entre a lombar, L-1 e L-5, e o sacro (parte final), S-1 à S-5.

Quais são os graus de curvatura?

O grau de curvatura pode ser classificado em 5 níveis:

  • 0 a 10 graus: não há necessidade de tratamento fisioterápico;
  • 10 a 20 graus: há necessidade de tratamento fisioterápico;
  • 20 a 30 graus: tratamento fisioterápico e uso de colete ortopédico;
  • 30 a 40 graus: uso do colete ortopédico ou Milwakee;
  • 40 a 50 graus: somente tratamento cirúrgico.
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