Quais os sintomas da sífilis primária, secundária e terciária?

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Revisado por: Dr. Paulo Caproni (CRM/PR: 27679) – Medicina Preventiva e Social

A sífilis pode ser dividida em 4 fases: primária, secundária, latente e terciária. A evolução da doença é lenta e pode apresentar períodos sintomáticos e assintomáticos.

O paciente infectado, se não tratado após chegar à sífilis secundária, apresenta 2 períodos de latência, que são o recente (menos de 2 anos da doença) e o tardio (mais de 2 anos). Entenda cada estágio:

Sífilis primária

Depois que a pessoa é infectada pelo T. pallidum, há um período em que o agente está no corpo mas não manifesta sintomas, chamado de período de incubação, que pode ser entre 10 e 90 dias da infecção.

Em geral, o primeiro e mais evidente sinal de contágio é o surgimento de uma lesão na boca ou próxima ao local que a bactéria invadiu o corpo (boca, pênis, vulva, vagina, ânus ou outras partes da pele).

Essa lesão, chamada de cancro duro ou protossifiloma, é geralmente isolada (não há outras feridas pelo corpo) e não coça, arde ou dói. A base da ferida é endurecida e aparente conter secreção serosa que está repleta de bactérias.

Além disso, podem surgir pequenas ínguas (caroços) na virilha. Em pouco tempo, geralmente entre de 2 e 6 semanas, as manifestações melhoram e desaparecem espontaneamente.

Sífilis secundária

Se não for diagnosticada e tratada na fase primária, a sífilis evolui para a fase secundária, em que o agente invade os órgãos e líquidos do corpo.

Entre 6 semanas e 6 meses depois que a primeira ferida apareceu e cicatrizou espontaneamente, o paciente pode apresentar manchas ao longo do corpo, incluindo a sola dos pés e palma das mãos.

Igual à ferida inicial, não há dor ou coceira, mas podem ocorrer sintomas mais intensos de febre, mal-estar, dores de cabeça, náuseas, vômitos e caroços pelo corpo.

A pele então apresenta manchas e alterações, como máculas e pápulas, que têm aspecto avermelhado, podendo ser amplas e concentradas (máculas) ou isoladas, como pequenos pontos distribuídos pela pele (pápulas).

Essas lesões ou manchas podem formar placas na pele, ou seja, se manifestar em locais próximos e ocupar toda ou grande parte da superfície da pele.

Também podem ocorrer manchas em todo o corpo, principalmente na palma das mãos e na planta dos pés.

Normalmente, essas manifestações ocorrem entre a 6ª semana e o 6º mês após a primeira lesão (cancro duro) e podem durar por em média 1 a 3 meses.

Alguns pacientes podem ainda manifestar sintomas como:

  • Descamação da pele;
  • Dor de cabeça;
  • Dor muscular;
  • Dor de garganta;
  • Mal-estar;
  • Formigamento nos braços e pernas;
  • Alterações na visão e audição;
  • Febre leve, geralmente abaixo de 38 ºC;
  • Falta de apetite;
  • Queda capilar;
  • Perda de memória;
  • Disfunções neurológicas;
  • Perda de peso.

Depois que surgem, essas manifestações tendem a melhorar rapidamente também, semelhante ao estágio da sífilis primária. Mas, ainda que os sinais desapareçam, o agente infeccioso continua no organismo e a doença não foi curada.

Sífilis latente

Quando o paciente que chega à sífilis secundária, não realiza o tratamento e os sinais desaparecem, inicia-se o período latente da infecção. Essa fase é dividida entre recente (até o 2º ano) e tardia (após 2 anos de infecção).

É importante ressaltar que nesse estágio a sífilis não apresenta quaisquer sintomas ou manifestação clínica, mas, em alguns poucos pacientes, ela pode ser interrompida ou atravessada por manifestações pontuais características da terceira fase da doença.

Aproximadamente 15% a 30% das pessoas infectadas não tratadas chegam ao estágio terciário da doença. Em alguns casos, o paciente pode não passar pelo estágio latente, indo diretamente para a sífilis terciária.

Sífilis terciária

A manifestação da sífilis terciária pode levar longos períodos para ocorrer. Em geral, o tempo médio para essa fase iniciar é entre 2 e 4 anos após a infecção, mas pode demorar mais de 20 anos.

Quando ocorre, geralmente ela se manifesta através de inflamação e destruição de tecidos do corpo, em que o paciente apresenta lesões na superfície da pele, nos ossos, alterações e disfunções cardiovasculares e neurológicas.

Junto a isso, podem ocorrer consequências relacionadas a essas alterações (como arritmia, problemas cardíacos, dificuldade de memória e concentração). O estágio é grave e pode levar à morte, quando não tratado.

Além dos sinais no corpo, geralmente após longos anos sem tratamento (entre 10 e 30 anos), a fase terciária pode ser acompanhada de:

  • Náuseas e vômitos;
  • Rigidez do pescoço, com dificuldade para movimentar a cabeça;
  • Convulsões;
  • Perda auditiva;
  • Vertigem;
  • Insônia;
  • AVC;
  • Reflexos exagerados;
  • Pupilas dilatadas.

Algumas alterações neurológicas podem ocorrer e causar delírios, alucinações, redução da memória, dificuldades de orientação e localização espacial, além de poder afetar a fala e a locomoção.


Fonte consultada

Dr. Paulo Caproni (CRM/PR 27.679 | CRM/SC 25.853 | CRM/SP 144.063), graduado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Residência Médica em Medicina Preventiva e Social pela USP-SP (PROAHSA). MBA em Gestão Hospitalar e de Sistemas de Saúde (CEAHS) pela FGV-SP

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