O que causa infecção urinária? Entenda por que atinge mais mulheres

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Revisado por: Dr. Paulo Caproni (CRM/PR 27679) – Medicina Preventiva e Social

As infecções urinárias ocorrem pela invasão de microrganismos no trato urinário, sobretudo pelo Escherichia coli, responsável por até 85% dos quadros. Fatores de baixa imunidade, má higiene, disfunções do sistema urinário são alguns aspectos que facilitam a entrada de bactérias no corpo.

Os microrganismos podem acometer a uretra, a bexiga e até os rins, manifestando sintomas como dor e ardência.

Algumas situações, hábitos e condições do paciente propiciam a infecção, promovendo a entrada das bactérias na uretra ou fazendo com que elas se instalem mais facilmente. Entre eles:

Pouca ingestão de água

A água participa de diversas funções fundamentais do organismo, auxiliando no funcionamento do intestino, na hidratação da pele e transportando nutrientes, por exemplo.

Quando o líquido ingerido está quase sendo eliminado como urina, ele ainda desempenha um papel importante no organismo, auxiliando na limpeza do canal da uretra e impedindo que bactérias invadam o organismo.

Por isso, quanto mais líquidos você beber, mais urina irá produzir e, consequentemente, será maior o número de idas ao banheiro.

Segurar a urina

Urinar ajuda a limpar as paredes da uretra, eliminando agentes que podem causar infecções e reduzir toxinas no organismo. Por isso, não adianta beber bastante água e não respeitar as vontades da bexiga.

Quando passamos muito tempo sem ir ao banheiro, esse processo de limpeza não ocorre como deveria e as bactérias têm mais facilidade em migrar para a bexiga ou rins, por exemplo.

Falta de higiene

Sobretudo para as mulheres, que possuem a entrada da vagina bastante próxima ao ânus, a falta de uma higiene correta pode ser determinante para o desenvolvimento de infecções urinárias.

O intestino e a região anal são repletos de microrganismos que, em geral, não causam doenças ou alterações desde que permaneçam no local correto. Ou seja, longe da uretra.

Quando há uma proliferação de bactérias devido, por exemplo, à má higiene, a proximidade com a uretra faz com que o contágio seja rápido e as infecções possam se instalar mais facilmente.

Produtos de higiene íntima feminina

Também é importante manter os cuidados com as situações facilitadoras da infecção. Mesmo que os banhos sejam regulares e haja atenção à higiene, algumas situações comuns podem desencadear a infecção. Por exemplo, o uso de protetores de calcinha ou de produtos de higiene íntima.

Pode parecer que usar sabonetes íntimos melhora a limpeza e protege mais o organismo, mas é importante ressaltar que eles podem afetar o pH íntimo a causar desregulações, sobretudo se forem usados com muita frequência.

Usar sabonetes vaginais, em si, não causa uma infecção urinária, mas pode eliminar as bactérias boas, necessárias para a proteção natural da região.

Sem imunidade, outras bactérias infecciosas têm mais facilidade em invadir o corpo.

No caso dos protetores íntimos, a lógica é semelhante: o uso constante pode impedir que a vulva e vagina respirem adequadamente. Com o abafamento do local, fica mais simples de agentes infecciosos de se proliferarem, sobretudo se houver umidade.

Demorar para trocar absorventes

O ideal é fazer a troca regular de absorventes — sejam íntimos ou não —, mantendo um uso médio máximo de 4 horas. Tanto os absorventes comuns (de uso externo) quanto os internos podem ser ótimas fontes de proliferação de bactérias.

Os coletores menstruais, apesar de serem geralmente menos irritativos, reduzindo o risco de desenvolver colônias de bactérias, devem ser lavados corretamente a cada esvaziamento.

Predisposição para a infecção urinária

Quem tem parentes próximos (mãe, pai ou irmãos) que sofrem com as infecções urinárias deve estar atento ao próprio organismo, pois fatores hereditários podem estar entre as causas da infecção.

A estrutura do canal urinário também pode ser determinante para facilitar as infecções. Em geral, pacientes com infecções do trato urinário recorrentes podem apresentar alterações funcionais ou estruturais, sendo essa uma das causas.

Por que a infecção urinária é mais frequente em mulheres?

Entre as mulheres, o assunto é bem mais comum — e experienciado — do que entre os homens. Em média, 50% das mulheres sofreram ou vão sofrer com pelo menos 1 crise de infecção urinária durante a vida. Já entre os homens, a taxa cai para apenas 10%.

A intensidade ou a frequência das infecções pode ser bastante variável entre cada mulher, mas há um fator determinante para que as bactérias acometam mais facilmente o corpo feminino: a anatomia.

O ânus e a entrada da vagina são regiões bastante próximas, favorecendo que as bactérias migrem com mais facilidade até a região vaginal. Em muitos casos, são microrganismos que vivem normalmente no intestino ou pele, mas que entram e ocupam indevidamente o sistema urinário.

A uretra — o canal que elimina a urina — é bem mais curta nas mulheres do que nos homens — cerca de 3 vezes menor —, fazendo com que as bactérias tenham um caminho mais rápido até a bexiga, facilitando os quadros de infecção.

Além disso, alterações hormonais decorrentes dos ciclos menstruais e da menopausa, redução da imunidade e mudanças na região da pélvis, que ocorrem nas grávidas, ajudam a justificar os maiores índices de infecção urinária entre as mulheres.


Fonte consultada

Dr. Paulo Caproni (CRM/PR 27.679 | CRM/SC 25.853 | CRM/SP 144.063), graduado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Residência Médica em Medicina Preventiva e Social pela USP-SP (PROAHSA). MBA em Gestão Hospitalar e de Sistemas de Saúde (CEAHS) pela FGV-SP

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