O uso do remédio aspirina para prevenir doenças cardíacas e outras, como AVC (acidente vascular cerebral), pode ter sua prescrição alterada, segundo a nova diretriz sobre prevenção primária de doenças cardiovasculares.
O medicamento já estava sendo observado por vários estudos para ver quais os seus efeitos no organismo saudável, ou seja, sem patologias ou necessidade do medicamento.
A recomendação foi que o uso de aspirina para pessoas mais velhas e saudáveis deixasse de ser orientado.
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Mas é preciso cuidado na hora de interpretar os estudos abaixo. Eles foram feitos em pacientes que tomavam o medicamento sem necessariamente ter algumas doenças, somente a fim de preveni-las.
Estudos avaliam os efeitos do medicamentos
Foram realizados 3 estudos que analisaram os efeitos do uso de aspirina, todos publicados no New England Journal of Medicine.
Cada um trouxe resultados importantes sobre os principais impactos à saúde do paciente. Saiba sobre cada um:
Maior risco de sangramento
O primeiro acompanhou, por 5 anos, pacientes idosos saudáveis, que se dividiram tomando aspirina e placebo.
Houve somente uma diferença entre os grupos: os participantes que tomaram aspirina apresentaram maiores taxas de sangramento em relação aos que tomaram o placebo.
Hemorragias graves
Na sequência, surgiu o segundo estudo, em que os pesquisadores também observaram um risco maior de sangramento.
Porém, o sangramento envolvia maior intensidade, como hemorragia digestiva alta e intracraniana, mesmo em pacientes que usaram baixas doses de aspirina para prevenir as doenças cardiovasculares.
Além disso, o medicamento também resultou em maiores riscos maiores de doença cardiovascular quando comparada ao placebo.
Câncer
E, por último, o terceiro estudo foi o que teve resultados mais diferentes dos 2 primeiros. Isso porque, na pesquisa, observou-se que o uso preventivo da aspirina pode estar ligado a uma maior causa de morte pelo câncer.
No entanto, os dados devem ser interpretados com cuidados, segundo os próprios pesquisadores. A diferença de mortes devido ao câncer no grupo que usou aspirina é pequena em comparação ao grupo que usou placebo.
Em que casos a aspirina deve ser recomendada?
O medicamento pode sim ser prescrito para pacientes, mas é preciso que o médico avalie cada caso.
Por exemplo, em pacientes idosos que tenham fatores de risco para outras doenças, como dificuldade para controlar o açúcar e colesterol, e que não tenham risco de ter uma hemorragia interna.
Além disso, os médicos devem ser seletivos na hora de prescrever a aspirina para pacientes que não possuem doenças cardiovasculares conhecidas.
Mas o importante é que a principal maneira de prevenir esses tipos de doenças seja adotando um estilo de vida mais saudável, com a prática de exercícios físicos, alimentação equilibrada e menos estresse.
Vale lembrar que é preciso que você consulte seu médico antes de iniciar ou interromper qualquer uso de medicamentos.
Fonte: CNN