Dia Mundial da Saúde: o que é, como surgiu, objetivos, tema de 2018

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O Dia Mundial da Saúde tem como principal objetivo conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação da saúde para manutenção de uma melhor qualidade de vida.

Todos os anos, este dia é destinado para discutir algum tema específico que representa uma prioridade da agenda da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em 2018, a OMS se decidiu por  “Saúde Universal: para todas e todos, em todos os lugares”, tema que representa muito bem o trabalho que a entidade se empenha a desenvolver ao longo dos seus 70 anos de existência.

Vê-se a importância da campanha através dos números. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), 3 em cada 10 pessoas deixam de buscar cuidados em saúde por motivos financeiros.

Oficialmente, o Dia Mundial da Saúde é comemorado anualmente no dia 7 de abril desde 1950.

Como surgiu?

O Dia Mundial da Saúde foi criado pela Organização Mundial da Saúde em 1948, visando ampliar a visão do mundo no que diz respeito ao que consiste “estar saudável”, mas foi somente em 1950 que o dia se estabeleceu oficialmente no calendário.

Muitas pessoas acham que são saudáveis simplesmente por não estarem sofrendo de nenhuma doença no momento, mas isso não é verdade. A falta de enfermidades não significa saúde.

Dizer se uma pessoa está saudável ou não requer uma série de fatores, tais quais a qualidade de vida e aspectos mentais e físicos. Por isso, ficou definido pela instituição que: “a saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”.

Desde então, todos os anos campanhas são realizadas buscando conscientizar a população a respeito da qualidade de vida e dos diferentes fatores que afetam a saúde da população.

Em 2017, por exemplo, a OMS focou sua campanha na depressão, uma doença que pode atingir qualquer um, a qualquer idade e em qualquer lugar do mundo e causar sérios problemas, podendo, inclusive, levar à morte.

Como é celebrado?

O Dia Mundial da Saúde é celebrado no mundo todo por governos, ONGs (Organizações Não Governamentais) e diversas iniciativas de saúde através da conscientização e realização de programas relacionados à questões de saúde pública.

As organizações que participam de todo esse processo aumentam a própria visibilidade e a visibilidade de suas atividades através de reportagens nos grandes veículos de comunicação e releases na imprensa.

Autoridades no meio da saúde de diferentes países da celebração assumem compromissos com o bem-estar e a saúde da população.

Além disso, uma grande variedade de atividades são realizadas, como debates, exibições de arte, competições e premiações.

O que é a OMS?

A OMS é uma agência internacional especializada em saúde e subordinada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Fundada em 7 de abril de 1948, em 2018 a Organização completa 70 anos de existência. Sua sede é em Genebra, na Suíça, onde são realizadas suas principais convenções, reunindo médicos e especialistas da área da saúde do mundo todo.

A instituição é composta por 194 Estados-membros, incluindo o Brasil, que teve uma importante participação na criação do órgão. A proposta de criação da OMS foi de autoria dos delegados do Brasil, que propuseram a fundação de um “organismo internacional de saúde pública de alcance mundial”.

Mais do que coordenar os esforços internacionais para o controle de surto de doenças, como a malária e a tuberculose, a OMS ainda patrocina programas que buscam prevenir e tratar esse tipo de patologia.

Possui o Programa Ampliado de Vacinação, através do qual apoia o desenvolvimento e distribuição de vacinas seguras e eficazes, diagnósticos farmacêuticos e medicamentos ao redor do globo.

Dentre os seus feitos históricos mais reconhecidos internacionalmente está a luta contra a varíola. O combate à doença durou mais de 2 décadas até, em 1980, a OMS declarar que a doença havia sido primeira a ser erradicada através do esforço humano.

Ainda hoje, a organização luta contra a pólio, buscando erradicá-la nos próximos anos.

Além disso, a OMS supervisiona a implementação do Regulamento Sanitário Internacional e publica uma série de classificações médicas, a mais conhecida sendo a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, o famoso CID.

Regularmente, a organização publica um Relatório Mundial da Saúde, onde inclui dados e avaliações de especialistas com relação à saúde global.

Dentre suas outras áreas de atuação, a OMS ainda:

  • Realiza diversas campanhas de saúde, como, por exemplo, para aumentar o consumo de frutas e verduras e desencorajar o consumo de tabaco;
  • Realiza pesquisa em áreas sobre doenças transmissíveis, não-transmissíveis, tropicais e outras;
  • Melhora o acesso à pesquisa em saúde e à literatura da área em países em desenvolvimento;
  • Trabalha em iniciativas como a Global Iniciative for Emergency and Essencial Surgical Care(em português Iniciativa Global para Emergências e Cuidados Cirúrgicos), que visava aumentar o acesso das pessoas à cirurgias essenciais.

A OMS conta com a experiência de muitos cientistas de renome mundial, fazendo dela uma das instituições mais respeitadas do planeta.

Objetivos do Dia Mundial da Saúde

O principal objetivo do Dia Mundial da Saúde é propagar a conscientização sobre pautas prioritárias para a OMS, seu principal organizador.

Por essa razão, todos os anos o tema é mudado, sempre visando a conscientização sobre o que seria uma vida saudável.

No ano de 2018, a o tema “Saúde para todos” deseja aumentar a conscientização mundial sobre a saúde universal. A OMS se decidiu por esse tema justamente para celebrar o trabalho que vem conduzindo ao longo dos seus 70 anos de existência e também por conta de questões políticas.

Acontece que, em 2015, diversos líderes mundiais ao redor do mundo concordaram em seguir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os objetivos são amplos e dizem respeito à erradicação da pobreza, acesso à água potável e saneamento, e outros, dentre os quais, a Saúde Universal com posição de destaque.

Portanto, o Dia Mundial da Saúde 2018 não será apenas para conscientizar as pessoas sobre a Saúde Universal, mas também para advogar a favor dela e cobrar dos líderes políticos a tomada de ação, pois o compromisso assumido em 2015 dizia que os países vão se esforçar para garantir esse direito até o ano 2030.

Isso porque o acesso à cuidados de qualidade e à proteção financeira não só melhoram a saúde das pessoas e aumentam sua expectativa de vida, como também protegem os países de epidemias, reduz a pobreza e o risco de fome, cria empregos, impulsiona o crescimento e promove a igualdade de gênero.

Segundo a OPAS, 3 em cada 10 pessoas não procuram por cuidados em saúde por questões financeiras e 2 em cada 10 não buscam cuidados em saúde por conta de barreiras geográficas.

Dos 35 Estados-membros da OPAS, 20 garantem na constituição o direito à saúde. Ainda assim, apesar de 23 países da região das Américas terem aumentado os investimentos em saúde entre 2010 e 2014, esses aumentos foram menores do que no período anterior de 5 anos. Além disso, apenas 3,8% da riqueza (PIB) é investida em saúde os países das Américas, valor bem menor do que os 6% recomendados pela OPAS.

É para garantir que esses problemas não continuem a acontecer e que a Saúde Universal seja efetivamente colocada em prática que a campanha do Dia Mundial da Saúde 2018 é realizada.

O que é Saúde Universal?

Saúde Universal é um termo que diz respeito a um sistema de saúde pública que presta assistência médica e proteção financeira a todos os cidadãos de um determinado país sem a inocorrência de qualquer tipo de discriminação.

Por isso, a Saúde Universal exige o envolvimento de todos os setores da sociedade para combater:

  • A pobreza;
  • As injustiças sociais;
  • As lacunas educacionais;
  • As condições de vida precárias;
  • Outros fatores de risco que influenciam a saúde das pessoas.

É como se todos esses problemas fossem causas de uma doença muito maior, que é a falta de acesso à saúde de qualidade. Portanto, livrar-se das causas é o objetivo principal.

Ainda assim, apesar do nome, essa assistência universal não possui um tamanho único e não implica na cobertura gratuita para todos os procedimentos e para todas as pessoas do país. Na realidade, a Saúde Universal pode ser determinada por 3 dimensões críticas:

  1. Quem está coberto;
  2. Quais são os serviços cobertos;
  3. Quanto do custo é coberto pelo sistema.

Por isso, o termo é descrito pela Organização Mundial da Saúde como uma situação em que os cidadãos podem acessar serviços de saúde sem incorrer em dificuldades financeiras.

Os Estados-membro das Nações Unidas concordam em trabalhar para a cobertura de Saúde Universal até 2030.

Como alcançar a Saúde Universal?

A OMS possui a mentalidade de que a Saúde Universal não pode ser uma prática imposta à todos os países, pois não há uma única solução que sirva para as diferentes regiões e culturas do globo. Entretanto, a entidade concorda que existe um consenso sobre alguns dos elementos que devem fazer parte da solução:

Expandir o acesso equitativo

Quando a organização fala de “acesso equitativo”, não quer dizer que o acesso deve ser necessariamente igual a todos os cidadãos, mas que ele deve ser justo, no sentido de que todos possuem o direito de ter acesso à saúde sem necessariamente passar por dificuldades financeiras. Isso implica, dentre outras ações:

  • Expandir o acesso equitativo à serviços de saúde integrais, de qualidade, centrados nas pessoas e na comunidade;
  • Investir em modelos baseados em cuidados primários e prestação integral de serviços efetivos centrados nas pessoas, que se ampliam gradualmente;
  • Garantir o uso racional de medicamentos e tecnologias de saúde.

Fortalecimento da gestão e governança

A Organização diz que é essencial “empoderar pessoas e comunidades, oferecendo-lhes informações sobre saúde, educando-as sobre seus direitos e responsabilidades e incentivando-as a participar na formulação de políticas de saúde”.

Aumentar e melhorar o financiamento

Para a OMS, é necessário que os serviços de financiamento sejam ampliados e melhorados, pois isso ajuda a eliminar o pagamento direto, que age como uma barreira ao acesso à bens e serviços de saúde.

O que a entidade quer dizer com isso é que, quando se cobra diretamente pelo acesso à saúde, muitas pessoas ficam impedidas do tratamento, pois não possuem dinheiro para pagar pelo tratamento na hora. Por isso, expandir e melhorar as formas de financiamento é uma boa medida para aumentar o acesso à saúde sem necessariamente afetar o mercado.

Dentre as outras medidas, a OMS sugere:

  • Eliminar os pagamentos no ponto de entrada de serviço;
  • Encontrar formas sustentáveis de aumentar o financiamento à saúde;
  • Proteger as pessoas financeiramente, especialmente aquelas que têm menos recursos para pagar pelos serviços.

O que cada um pode fazer?

Cada pessoa tem um papel importante a se desempenhar para ajudar o seu país a alcançar e manter a Saúde Universal. Participar de conversas e contribuir para o diálogo são as principais formas de ação política que o indivíduo pode exercer.

Para fornecer um panorama mais amplo de quais ações podem ser tomadas, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), um dos escritórios regionais da OMS, tem uma lista de atitudes que grupos específicos podem tomar. Confira:

Tomadores de decisão

Políticos e representantes do povo, os principais tomadores de decisão de um país, podem:

  • Participar de conversas estruturadas com a comunidade;
  • Ouvir as demandas, opiniões e expectativas da população através de diálogos presenciais, pesquisas ou referendos, a fim de melhorar as respostas políticas;
  • Colaborar com organizações de bases defensoras da Saúde Universal para explorar as opções viáveis para o próprio país.

Profissionais de saúde

Médicos, farmacêuticos, enfermeiros, dentistas, nutricionistas, fisioterapeutas e todos os outros profissionais das outras especialidades podem:

  • Discutir políticas que garantem a disponibilidade, acessibilidade, relevância e competência dos recursos humanos para a Saúde Universal;
  • Discutir a necessidade de equipes multidisciplinares e interprofissionais qualificadas e motivadas para melhorar o acesso à saúde;
  • Lutar pelas condições de trabalho dos profissionais de saúde, visando o emprego estável e digno, pois isso fortalece o sistema de saúde e o desenvolvimento econômico do país;
  • Criar movimentos que promovam integração dos setores de saúde e educação, a fim de alcançar padrões de qualidade na formação de profissionais de saúde com base nas necessidades da comunidade;
  • Defender as perspectivas de gênero e incorporá-la em novos modelos organizacionais e contratação nos serviços de saúde.

Pessoas e comunidade

Os cidadãos comuns podem:

  • Levantar suas vozes para exercer o direito à saúde;
  • Organizar movimentos nacionais em direção à Saúde Universal;
  • Comunicar suas necessidades, opiniões e expectativas aos responsáveis pela formação de políticas locais, políticos, ministros e outros representantes públicos;
  • Fazer-se ouvir através das mídias sociais para garantir que as necessidades de saúde da comunidade sejam levadas em consideração;
  • Organizar atividades como fóruns de decisão, debates políticos, shows, marchas e entrevistas para proporcionar às pessoas a possibilidade de interagir com seus representantes;
  • Advogar pela implementação de estratégias para motivar as equipes de saúde, usando incentivos econômicos, desenvolvimento profissional e medidas de qualidade de vida.

Mídia

Os veículos de comunicação tradicionais, alternativos e de qualquer porte podem:

  • Destacar iniciativas e intervenções que ajudam a melhorar o acesso à serviços de qualidade e proteção financeira para pessoas e comunidades;
  • Mostrar o que acontece com pessoas que não conseguem obter os serviços de saúde dos quais necessitam;
  • Insistir na responsabilidade dos formuladores de políticas e dos políticos sobre à saúde da população através das suas peças (documentários, reportagens etc.);
  • Criar plataformas para o diálogo entre beneficiários, comunidade, seus representantes políticos e tomadores de decisão por meio de debates e entrevistas.

Temas anteriores

Como são mais de 70 temas, separamos os últimos 25. Confira:

  • 1993:Lide com a vida com cuidado: Previna a violência e a negligência;
  • 1994: Saúde oral para uma vida saudável;
  • 1995: Erradicação global da Pólio;
  • 1996:Cidades saudáveis para uma vida melhor;
  • 1997: Doenças infecciosas emergentes;
  • 1998: Maternidade segura;
  • 1999: Envelhecimento ativo faz a diferença;
  • 2000:Sangue seguro começa comigo;
  • 2001:Saúde mental;
  • 2002:Movimente-se pela saúde;
  • 2003: Modele o futuro da vida: ambientes saudáveis para crianças;
  • 2004:Segurança da estrada;
  • 2005: Faça cada mãe e filho contar;
  • 2006:Trabalhando juntos pela saúde;
  • 2007: Investir em saúde para um futuro mais seguro;
  • 2008:Protegendo a saúde das mudanças climáticas;
  • 2009:Salvar vidas – Hospitais seguros em situações de emergência;
  • 2010: 1000 cidades – 1000 vidas;
  • 2011: Resistência aos antimicrobianos;
  • 2012: A boa saúde adiciona vida à idade;
  • 2013: Hipertensão – Conheça os números;
  • 2014:Pequenas picadas, grandes ameaças;
  • 2015:Do campo à mesa – Obtendo alimentos seguros;
  • 2016:Combater o diabetes.
  • 2017: Depressão – Vamos conversar.

Dia Nacional da Saúde

No Brasil, também temos um dia dedicado à saúde. É o Dia Nacional da Saúde, celebrado em todo 5 de agosto. Essa data foi escolhida em homenagem ao médico e sanitarista Oswaldo Cruz, que nasceu nessa data e foi pioneiro no estudo de doenças tropicais e da medicina experimental no Brasil.

Assim como no Dia Mundial da Saúde, o Dia Nacional também conta com campanhas que buscam aumentar a conscientização sobre a importância da educação sanitária para prevenção de doenças através de exposições, palestras e eventos ao redor do país.


O Dia Mundial da Saúde é muito importante para aumentar a conscientização das pessoas sobre problemas relacionados à saúde. Compartilhe este texto nas suas redes sociais para ajudar a propagar a campanha deste ano!

 

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