Eduardo (Minuto Saudável)
10/06/2019 08:00

Cigarro eletrônico faz mal à saúde? Saiba como funciona

Alguns afirmam que o cigarro eletrônico é menos prejudicial à saúde em relação ao cigarro normal, mas isso não significa que esteja livre de riscos. Isso porque, apesar de ser considerado uma opção mais segura, os e-cigs ainda contêm algumas substâncias perigosas.

Por isso, estes dispositivos podem ser nocivos ao organismo.

Mas, esse é um assunto que gera bastante discussão, até porque, para as pessoas que já fumam o cigarro normal, o eletrônico pode ter vantagens.

Através deste dispositivo, o usuário consegue dosar as substâncias presentes no cigarro. Por exemplo, escolher a quantidade de nicotina que vai inalar.

Essa pode ser uma vantagem para quem está querendo diminuir o vício, já que é permitido diminuir aos poucos as dosagens da droga.

Além disso, há menos exposição a outras substâncias perigosas à saúde.

Isso porque no cigarro eletrônico não ocorre a queima das substâncias que estão no cigarro comum, como alcatrão, acetona, metanol, mercúrio, formol, que comprovadamente fazem mal à saúde.

O processo eletrônico, na verdade, é bem diferente: ao invés de combustão, o dispositivo faz a nebulização (transformando o líquido em vapor), evitando a fumaça tóxica das substâncias proveniente da queima.

Porém, podem aparecer outras substâncias que também causam malefícios ao organismo.

Entre elas, as substâncias carcinogênicas, que são aquelas com um potencial de causar câncer.

Leia mais: Tabagismo é o maior fator de risco de câncer nos homens

Como funciona o e-cigarro?

O cigarro eletrônico é movido a uma bateria e simula um cigarro comum, mas ao invés de fazer a queima das substâncias perigosas presentes nos cigarros convencionais, as substâncias saem em forma de vapor.

O produto tem um dispositivo, semelhante a um pequeno tanque, onde fica a substância líquida a ser aquecida. Em geral, ela é composta de água, nicotina (pode ser sem nicotina), propilenoglicol (glicerol) e aromas, para dar sabor.

Quando a pessoa traga, ou seja, aspira a ponteira, o dispositivo é acionado e começa a aquecer o líquido, transformando-o em vapor. Isso promove uma simulação do ato de fumar.

No cigarro eletrônico há também a bateria e um carregador, permitindo que o produto seja recarregado.

Quando todo o conteúdo presente no reservatório acaba, é necessário adicionar mais o chamado e-líquido. Ou seja, o produto tem uma vida útil longa.

Afinal, ajuda a parar de fumar?

Entre tantos recursos para parar de fumar como chicletes, adesivos e medicamentos, o cigarro eletrônico também pode ser visto para alguns como uma opção de tratamento do tabagismo.

Porém, essa prática vem sendo bastante questionada na área da saúde.

Segundo um estudo publicado na New England Journal of Medicine os cigarros eletrônicos podem ser a saída mais eficiente para esse objetivo desde que devidamente acompanhados por especialistas.

O pneumologista Omar Barghouthi afirma que se o indivíduo vai utilizar um vaporizador com uma orientação médica, ele vai consumir cada vez menos nicotina até ele reduzir o vício.

Feito como protocolo de abandono ao tabagismo, a chance dessa pessoa parar de fumar pode ser maior.

Ainda assim, existem outras táticas que podem ser aliadas no combate ao tabagismo. Por exemplo:

  • Avise seus familiares sobre sua decisão;
  • Comece a praticar atividades físicas;
  • Melhore sua alimentação;
  • Mantenha-se ocupado com atividades prazerosas;
  • Evite lugares onde possa ter pessoas fumando;
  • Evite o consumo de outras drogas, como o álcool.

Qual a diferença entre vaporizador e cigarro eletrônico?

Não existe diferença, pois ambos têm a mesma função — imitar o cigarro comum.

O que acontece é que o nome “cigarro eletrônico” surgiu antes e teve sua primeira amostra em 1963 nos Estados Unidos.

Mas, ao longo do tempo, foi se tornando mais inovador e tecnológico e 2013 começou a ficar conhecido popularmente como “vape”.

Ou seja, o vaporizador é uma evolução do e-cig (cigarro eletrônico), que pode ter formatos diferentes e acionamentos mais modernos.

Antigamente, eles simulavam um cigarro normal, com um único tubo baseado nas mesmas cores dos convencionais. Com as mudanças, os vaporizadores possuem formatos variados, com diferentes cores e modelos.

Além disso, com uma maior tecnologia, os vapes podem ter até 3 sistemas de aquecimento em vez de 1.

Ou seja, vaporizadores e cigarros eletrônicos são basicamente o mesmo tipo dispositivo, um é apenas a evolução do outro.

Dá para comprar?

A venda, a importação e a propaganda desses produtos aqui no Brasil são proibidas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), de acordo com a Resolução RDC 46/2009.

Porém, o uso não é considerado crime.

Segundo a Anvisa, a comercialização desses produtos é proibida porque são vendidos como produtos que não trazem risco à saúde e também como tratamento de tabagismo, sendo que nenhuma dessas alegações é comprovada.

Essência com ou sem nicotina?

Nos e-cigs, a nicotina é opcional, mas a maioria dos líquidos para vender possui formulações com a substância.

Além disso, eles são em geral semelhantes, contendo glicerina vegetal (composto orgânico de baixa toxidade), propileno glicol e aromatizantes.

Além desse grupo comumente encontrado nos e-cigs, em outras ocasiões já foram achados outros materiais na composição.

Por exemplo, estanho, chumbo, níquel, nitrosaminas e inclusive alguns considerados carcinogênicos, que são aqueles agentes capazes de provocar câncer.

Apesar de a nicotina ser a principal substância lembrada quando o assunto é o dano ao organismo, estudos demonstram que mesmo as essências sem nicotina fazem mal.

Isso porque há uma série de outros produtos presentes no vapor que geram danos aos pulmões.

Por isso, apesar de ser uma opção entre as pessoas que querem parar de fumar, as essências sem a nicotina também não são seguras.

Cigarro eletrônico faz mal à saúde?

Sim, apesar de ter uma menor concentração de agentes nocivos, os cigarros eletrônicos causam danos à saúde devido à nicotina e às substâncias tóxicas presentes na composição do e-líquido.

Isso porque a nicotina pode aumentar os riscos de acidentes cardiovasculares, aborto espontâneo, infartos e outros danos aos pulmões.

Sem esquecer que a substância é viciante.

Uma pesquisa publicada na International Stroke Conference, em Los Angeles, comparou os fumantes de e-cigs com participantes não fumantes.

Pelos resultados foi possível ver que os usuários de cigarros eletrônicos tinham um risco 29% maior de AVC e 25% mais chances de sofrer com um ataque cardíaco quando comparados com os participantes não fumantes.

Leia mais: Tabagismo na gravidez aumenta os riscos de morte súbita do bebê

Quais os riscos do cigarro eletrônico?

A maioria das pessoas pode achar que está inalando somente vapor de água, mas na verdade está inalando partículas de substâncias perigosas.

Os efeitos em longo prazo dos cigarros eletrônicos ainda não são plenamente conhecidos. Mas se sabe que no e-líquido também há substâncias que possuem efeito tóxico.

Por isso, segundo o médico e psicólogo Roberto Debski, por apresentar nicotina, o cigarro eletrônico também é potencialmente causador de dependência e seu uso deve ser evitado.

Quando questionado sobre o tratamento do tabagismo através do cigarro eletrônico, Debski relatou que a Anvisa, em uma parceria com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), lançou uma cartilha mostrando que eles não são seguros.

Segundo as informações, os e-cigs apresentaram substâncias citotóxicas, irritantes e até mesmo carcinogênicas, ou potencialmente causadoras de câncer.

Além disso, nos estudos os e-cigs apresentarem níveis variáveis de nicotina por mililitro, excedendo muitas vezes a quantidade permitida.

O Dr. Omar Barghouthi, médico pneumologista, aponta que:

“As substâncias aromáticas, quando aquecidas, vão liberar várias outras substâncias com um potencial previsível de menor prejuízo, porém, não podemos afastar que o uso contínuo dessas substâncias não acabem induzindo a uma inflamação ou até uma doença maligna.”

Por isso é importante estar atento a composição dos e-cigs, e prestar atenção na forma de adquirir esse produto.


Os cigarros eletrônicos podem ser uma opção para quem deseja parar de fumar.

Porém, o dispositivo pode dividir opiniões quando se trata dos riscos que ele pode gerar, por isso é importante estar por dentro das principais dúvidas da área da saúde.

Acompanhe nosso conteúdo no Minuto Saudável!!

Fontes consultadas

  • Dr. Roberto Debski (CRM/SP 58.806 | CRP-06 84803) (Site | Facebook), graduado em Medicina, pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, e em Psicologia, pela Universidade Católica de Santos. Especialista em Acupuntura e Homeopatia, ambos pela Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina. Organizador e coordenador do curso de Meditação, e programa ANDE (acompanhamento a pessoas com Ansiedade, Depressão e Estresse). Criador do Projeto Ser Integral, clínica de Medicina Integrativa.
  • Dr. Omar Barghouthi, (CRM/PR: 8440) formado em Medicina pela Universidade Católica do Paraná, pós-graduação em Pneumologia pela Escola Paulista de Medicina e residência no Hospital de Clínicas do Paraná. Faz parte do corpo clínico de hospitais como Hospital Santa Casa, VITA, Nossa Senhora das Graças, Cruz Vermelha e Marcelino Champagnat.

03/06/2019 15:04

Eduardo (Minuto Saudável)

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Ver comentários

  • Minha esposa usou por um tempo e não adiantou muita coisa.

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