Breno H. M. (Minuto Saudável)
08/11/2017 08:00

Calcanhar de Maracujá: o que é, como se pega a doença e vídeo

O que é o calcanhar de maracujá?

O calcanhar de maracujá ou bicheira, nomes populares da miíase cavitária humana, acontece quando uma mosca-varejeira deposita ovos na pele, feridas abertas e outros tecidos, como olhos e boca, e as larvas passam a se alimentar do hospedeiro. A doença pode afetar animais.

A doença tem seu nome peculiar por conta de sua aparência quando afeta o calcanhar das pessoas, um dos lugares em que ela se manifesta com maior frequência, especialmente em regiões rurais onde as pessoas têm o costume de andar descalças. Não é bonito.

No início, apenas um buraquinho é visto, por onde as larvas respiram – uma mosca pode depositar até 120 ovos em uma única ferida. Conforme elas se alimentam, a ferida fica maior, deixando seu banquete a mostra para que todos possam ver as larvinhas se mexendo lá dentro. A aparência, perturbadoramente similar a sementes de maracujá, dá o nome popular da doença.

Quando bem alimentadas, elas saem do corpo do hospedeiro para que possam passar para o próximo estágio de sua vida, o de pupa.

O que é pupa?

A pupa é para a mosca como uma crisálida para a borboleta, só que mais nojentinho. É um casulo onde a larva fica enquanto faz a metamorfose que irá transformá-la em um inseto adulto: a mosca.

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é o calcanhar de maracujá?
  2. Tipos
  3. Que lugares do corpo podem ser afetados?
  4. Causas
  5. Transmissão
  6. Fatores de risco
  7. Miíase em animais
  8. Sintomas
  9. Vídeo do calcanhar de maracujá
  10. Como é feito o diagnóstico do calcanhar de maracujá?
  11. O calcanhar de maracujá tem cura?
  12. Tratamento
  13. Medicamentos para calcanhar de maracujá
  14. Prognóstico
  15. Complicações
  16. Prevenção

Tipos

Existem dois tipos principais de miíase, e eles se diferenciam, principalmente, pela quantidade de larvas.

Miíase primária

A miíase primária, também chamada de furunculóide ou cutânea, é menos severa. Ela acontece quando uma larva entra em contato com a pele e consegue abrir caminho para entrar. Essa condição é o que se chama de berne. Nesses casos, apenas uma larva se encontra na cavidade, se alimentando da carne humana através da pele.

Miíase secundária

Trata-se do tipo de miíase que é conhecido como bicheira. Ela é chamada também de miíase cavitária. A bicheira é caracterizada por várias larvas se alimentando da carne do hospedeiro dentro de uma cavidade criada pela alimentação delas.

Normalmente acontece quando a mosca consegue depositar seus diversos ovos diretamente em uma ferida aberta, necrosada ou não, mas não se limita a isso. Se uma larva consegue atravessar a pele, ela começa a criar sua cavidade e se alimentar lá dentro.

Miíase acidental ou pseudomiíase

Um tipo raro de miíase, a pseudomiíase acontece quando os ovos de mosca são ingeridos no alimento e eclodem no intestino. É raro pois, na maioria das vezes, os ovos são digeridos no estômago da pessoa que os come.

Contudo, nas pouquíssimas vezes em que algum ovo consegue sobreviver, a larva nasce no intestino, onde também dificilmente sobrevive. Porém, se consegue sobreviver, ela passa a se alimentar por lá.

Esse tipo de miíase pode ser causada por larvas de outros tipos de insetos, como a mosca-das-flores e o bicho da goiaba.

A miíase acidental exige cirurgia para a retirada da larva, já que ela pode causar infecções mais sérias e sangramentos internos com mais facilidade do que os outros tipos.

Que lugares do corpo podem ser afetados?

O calcanhar está longe de ser a única, ou sequer a mais comum, parte do corpo “de maracujá”. Quer saber onde mais as larvas podem se alimentar?

Pense onde tem carne. Barriga? Sim. Panturrilha? Claro. Atrás da orelha? Mamãe sempre dizia para lavar bem. Elas também podem estar dentro da orelha, do nariz, da boca, e nem mesmo os olhos escapam, apesar de raro.

As larvas têm preferência por lugares úmidos, mas é muito mais fácil que elas consigam se estabelecer se a região do corpo não possui higiene adequada. Dificilmente alguém vai ignorar a larva em seu rosto, na boca ou nos olhos, mas o calcanhar – ou atrás do orelha – pode ser esquecido.

Causas

As causas do calcanhar de maracujá são invariavelmente as larvas de mosca, que se alojam na carne e se alimentam dela. As moscas podem colocar os ovos na pele ou diretamente em feridas, que se não forem limpas, serão infectadas pelos parasitas.

Transmissão

A bicheira não é contagiosa, mas é possível que larvas passem de um lugar para outro do corpo, criando novos pontos de infecção, e se uma larva for retirada de um hospedeiro e colocada em uma ferida de outra pessoa, ela irá se alimentar da nova vítima.

Evite o contato direto com as larvas e, caso ele ocorra, lave bem as mãos. Tocar uma larva não fará com que você desenvolva a doença, mas é sempre bom se prevenir contra qualquer tipo de infecção.

Fatores de risco

Qualquer um pode pegar bicheira, e isso não é necessariamente sinal de falta de higiene.

As larvas são mastigadoras rápidas. Elas podem criar túneis profundos na carne em poucas horas.

Alguns fatores de risco são:

Feridas recentes

Feridas abertas são um convite para a mosca, que não precisa de muito tempo para depositar seus ovos. Eles eclodem rápido, portanto, não é tão difícil de uma infecção acontecer em um breve momento de distração.

Zonas rurais e andar descalço

O hábito de andar descalço, comum em zonas rurais, também pode contribuir com as larvas, já que se elas estiverem no chão, podem entrar através da pele humana. Além disso, há possibilidade de feridas nos pés, que facilitam tudo para elas.

Falta de mobilidade

Em humanos, a doença é mais frequente quando a pessoa, por algum motivo, não pode se livrar das moscas. Se a pessoa estiver acamada, ou tiver alguma deficiência motora ou cognitiva que a impeça de espantar as moscas, o risco é maior.

Idade avançada

Idosos que possuem mobilidade deficiente também tem mais riscos. Doenças degenerativas, comuns em pessoas de mais idade, como demências, podem fazer com que a pessoa nem perceba que a mosca está depositando os ovos ou que as larvas estão lá.

Miíase em animais

A bicheira é muito mais comum em animais. Cães e gatos, especialmente no verão, são bastante vulneráveis às moscas, assim como vacas e cavalos. Quando velhos ou doentes, ou simplesmente em um lugar que tenha várias moscas, eles podem não conseguir manter os insetos afastados.

Os animais também não conseguem comunicar aos donos o que estão sentindo, portanto a análise constante do comportamento de seu bichinho, a verificação de sua pele e higienização de qualquer ferida é importante.

Sintomas

A bicheira pode se manifestar como o calcanhar de maracujá e se mostrar bastante desagradável, mas leva dias para alcançar esse estágio. A doença é perceptível logo no início, assim que as larvas começam a se alimentar.

Os principais sintomas são:

Inchaço e cavidade de entrada

O local por onde a larva entra fica inchado. Surge um pequeno buraco, por onde ela entrou. É também por onde a larva respira, portanto é possível vê-la despontar para fora de tempos em tempos, mas ela se esconde dentro da cavidade caso haja perturbações.

Dor pontual e desconforto

O hospedeiro pode sentir pequenas fisgadas na carne enquanto a larva mordisca e cava por ela, quando o tecido está vivo, mas essa dor não existe quando a larva se alimenta de tecido necrosado.

Vídeo do calcanhar de maracujá

Vale um aviso: caso você não tenha chego aqui pelo Google, é bom saber que as imagens do vídeo abaixo não são agradáveis. Mas se foi pesquisando por “calcanhar de maracujá” que você nos encontrou, provavelmente é um pouco tarde para o alerta.

Como é feito o diagnóstico do calcanhar de maracujá?

As larvas são claramente visíveis, mesmo quando apenas uma se encontra na cavidade. Elas podem ser vistas se movendo no buraco. Um médico dermatologista pode diagnosticar a miíase com um exame clínico, dividido em:

Histórico do paciente

O histórico do paciente se dá quando o médico pergunta sobre os sintomas, o que o paciente está sentindo e suas impressões sobre a situação.

Exame físico

A segunda parte do exame clínico é o exame físico. O médico examinará a ferida por onde as larvas entraram e irá procurar por outros pontos de infecção que o paciente pode não ter visto, além de buscar sinais que possam indicar qualquer outro problema ou doença que esteja afetando a pessoa.

O calcanhar de maracujá tem cura?

Felizmente, mesmo em estágios mais avançados como o famoso calcanhar de maracujá — ou qualquer parte de maracujá — tem cura. O tratamento, na maior parte das vezes, é simples e efetivo.

Tratamento

A miíase é tratada retirando as larvas do tecido com uma pinça. O médico irá removê-las inteiras, assim como o tecido necrosado. O processo é um tanto doloroso, e, apesar de não ser necessária, pode ser utilizada anestesia local. A ferida é, em seguida, lavada.

Remédios de via oral podem ser usados para matar as larvas, facilitando sua retirada, além de larvicidas, vermífugos e antibióticos que podem ser receitados. Em casos mais extremos, cirurgia pode ser necessária para a retirada de todo o tecido necrosado e de todas as larvas.

Após a remoção, é importante evitar que outra mosca deposite mais ovos na ferida recém tratada.

Retirada das larvas em casa

Em alguns casos mais leves da doença, é possível retirar as larvas em casa. Uma técnica usada antigamente envolve colocar um pedaço de bacon na saída do buraquinho e esperar que o cheiro atraia a larva. Assim, ela pode ser retirada com facilidade.

O ponto negativo desse tipo de tratamento caseiro é que é difícil ter certeza de que todas as larvas foram retiradas, e por isso, o tratamento médico é mais indicado.

Uso de larvas de mosca para cicatrização de feridas (terapia larval)

Existem casos em que as larvas podem ser usadas como tratamento. A necrose é um exemplo.

Por terem preferência por carne necrosada, larvas podem ser colocadas dentro de feridas para que comam o tecido morto, evitando que a necrose se espalhe. Há registros médicos de que feridas infectadas expostas a larvas cicatrizam mais rapidamente. O tratamento é frequentemente empregado em pacientes com diabetes, doença que dificulta a cicatrização de cortes, inclusive os pequenos, e facilita a necrose.

As larvas usadas para isso nascem em laboratório, para que haja garantia de que nenhuma delas está infectada com alguma bactéria perigosa. Portanto, não é o tipo de tratamento que pode ser feito em casa.

Medicamentos para calcanhar de maracujá

Alguns medicamentos podem ser receitados por um médico para matar as larvas e facilitar sua remoção, tanto no caso de humanos quando para animais. Estes são alguns dos remédios:

Para humanos

Para uso veterinário

  • Capstar;
  • Mectimax.

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Prognóstico

A bicheira, miíase, berne ou calcanhar de maracujá — como preferir chamar — é perfeitamente curável e tratável, e o paciente pode esperar resultados favoráveis do tratamento. A ferida aberta pelas larvas pode deixar cicatriz caso a cavidade seja extensa, mas raramente há outras sequelas.

Complicações

Se não tratada, a miíase pode ter consequências sérias. As larvas não param de comer até que tenham se alimentado o bastante para alcançar o estágio de pupa, e comem o que tiver pela frente, parando apenas no osso.

Dano ao tecido

Dependendo da quantidade de larvas e da localização da cavidade, elas podem danificar tendões, músculos e nervos. Se a cavidade for próxima aos olhos, elas podem levar à cegueira, e nada as impede de alcançar o cérebro e outros órgãos caso encontrem caminho.

Infecções e necroses

A ferida aberta que as larvas criam, junto de seus dejetos, podem causar infecções severas, sepse e necrose. A miíase é uma doença de fácil tratamento, mas que pode levar à morte caso ignorada.

Prevenção

A prevenção da miíase é simples. Algumas dicas são:

Afastar moscas

Manter moscas afastadas garante que nenhuma larva surgirá. Lixo, carne, frutas podres e fezes de animais atraem moscas, então manter a casa higienizada ajuda a se livrar delas.

Repelentes naturais como a citronela ou limão com cravo podem ajudar a manter as moscas afastadas. Mosquiteiros e repelentes também ajudam a evitar que as moscas se aproximem.

Limpar feridas

A higienização e observação de feridas, além da proteção delas, é essencial, a fim de verificar qualquer anomalia nelas, seja em humanos ou nos bichinhos de estimação.


O calcanhar de maracujá tem uma aparência bem feia, e se chegar aos estágios mais avançados, pode ser muito perigoso, mas é uma doença de fácil tratamento e prevenção. Animais são afetados com mais frequência do que humanos, mas um veterinário pode resolver.

Não se esqueça de compartilhar esse texto com seus amigos, e avisá-los para cuidar bem de qualquer ferida que eles e seus bichinhos tiverem!

13/12/2018 12:53

Breno H. M. (Minuto Saudável)

Redator, é jornalista pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Produz matérias sobre exercícios, saúde masculina e exames.

Ver comentários

  • Mas tem que ser muito relaxado, para deixar chegar virar uma bicheira, Criolina mata bixeira já resolve... Lavar as patas previne.

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    • Olá Honório!

      Existem diversos motivos pelos quais as pessoas podem chegar a esse ponto, incluindo problemas de saúde que limitam a movimentação.

      Não use creolina para matar a bicheira! Apesar de ela ser efetiva para isso, também causa sérias queimaduras químicas e não deve ser usada na pele, nem de humanos, nem de animais. Levar o bichinho para o veterinário ou o paciente ao dermatologista é muito mais seguro e menos sofrido!

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