Visando diminuir a transmissão de vírus, uma série de medidas de prevenção são adotadas. Muitos destes agentes infecciosos têm uma circulação sazonal bem conhecida, sendo que além das medidas de prevenção adotadas durante todo o ano, nesse período de maior risco, outras ações de cautela podem entrar em prática. 

Pequenas ações auxiliam na proteção de pacientes e da população em geral. Além disso, algumas delas fazem com que, mesmo que a transmissão ocorra, ela seja bem mais branda e cause reações mais leves, fazendo com que a recuperação seja mais rápida.

É o caso dos cuidados com o vírus VSR, que afeta as vias respiratórias inferiores. Como a infecção pode manifestar-se com gravidade em algumas crianças, os cuidados e medidas para reduzir a transmissão são de grande eficácia. 

Entre os procedimentos básicos estão a higienização, o isolamento de pessoas contaminadas, a manutenção de rotinas de desinfecção de superfícies, objetos e ambientes. Além disso, sugere-se evitar locais de aglomeração, sobretudo por pessoas com maiores riscos de infecção. 

Essas ações devem ser tomadas por todas as pessoas, auxiliando na redução da circulação do vírus.

Mas, além disso, alguns grupos são indicados à chamada prevenção passiva do VRS. É o caso da aplicação do medicamento palivizumabe em crianças que se enquadram em critérios estabelecidos.

Saiba mais sobre o Synagis, medicamento da empresa Abbie, à base de palivizumabe.

O que é Synagis? 

Synagis é um medicamento injetável intramuscular, à base do princípio ativo palivizumabe. Seu uso é destino à prevenção da infecção do vírus sincicial respiratório (VSR) em algumas crianças com risco de contaminação, como as prematuras ou com malformação pulmonar. 


O agente infeccioso tem circulação sazonal e, de acordo com a Fiocruz, é o principal causador de infecções do trato respiratório inferior em crianças menores de 2 anos de idade. Estima-se que a grande maioria das crianças, cerca de 95%, é acometida pela infecção até o segundo ano de vida.

No entanto, bebês prematuros ou em condições especiais podem ser gravemente afetados(as) pela infecção, fazendo com que seja necessário o retorno à UTI. 

A adoção de prevenção passiva, com a aplicação da palivizumabe, reduz essa taxa de acometimento e, caso ocorra, a doença tende a ser mais fraca, com sintomas mais brandos. Isso faz com que os bebês possam resistir sem riscos tão elevados à doença.

Dessa forma, crianças que se enquadram no critério para receber o medicamento têm direito a ele gratuitamente. As dosagens são administradas em intervalos de 30 dias e a quantia de aplicação pode variar entre 1 e 5 dosagens, de acordo com a data de nascimento da criança e a sazonalidade do vírus.

O medicamento ele age neutralizando o vírus e inibindo a sua proliferação no organismo.

Para que serve? 

Synagis é usado na prevenção de infecções graves causadas pelo vírus sincicial respiratório (SVR), em crianças com alto risco para a doença. Conforme a bula, situações em que medicamento está indicado são: 

Crianças prematuras

Crianças prematuras com idade gestacional de até 35 ou menos e com menos de 6 meses de idade no início da circulação sazonal de RSV devem receber o medicamento.

Em geral, elas têm o aparelho respiratório incompleto, menor calibre das vias aéreas, função pulmonar diminuída, menos reserva energética, além de terem recebido menos anticorpos maternos. Isso faz com que qualquer infecção ou doença possa ter efeitos bem mais agravados no organismo, elevando o risco à vida da criança. 

Destaca-se que, segundo a portaria publicada pelo Ministério da Saúde, em casos de prematuridade, o medicamento se destina às crianças prematuras, nascidas com idade gestacional de até 28 semanas e 6 dias, com até 11 meses e 29 dias. 

Ainda segundo a portaria, crianças prematuras internadas só podem receber a medicação desde que tenham completado 7 dias de vida e apresentem quadro estável de saúde, devendo este ser analisado pela equipe neonatal.

Crianças portadoras de displasia broncopulmonar sintomática 

Também chamada de doença pulmonar crônica de prematuridade (DCPC), o quadro afeta crianças prematuras que precisam de ventilação mecânica, que podem desenvolver inflamações pulmonares, que são decorrentes do próprio tratamento. 

Isso compromete o desenvolvimento normal dos pulmões, podendo levar à dificuldade ou aceleramento de respiração e dependência de oxigênio.

Nesses casos, a infecção por RSV tende a ser grave e gerar riscos à vida da criança. Então, crianças com menos de 2 anos de idade submetidas ao tratamento para displasia broncopulmonar nos últimos 6 meses devem receber palivizumabe.

Crianças portadoras de cardiopatia congênita 

Crianças menores de 2 anos portadoras de cardiopatia congênita hemodinamicamente significativa podem apresentar circulação pulmonar deficiente, hipertensão pulmonar e maior fluxo sanguíneo nos pulmões.

De acordo com o relatório Conitec de 2018, alguns casos não são indicados ao uso do medicamento, sendo eles crianças recém-nascidas e lactentes com doença cardíaca sem repercussão hemodinâmica, por exemplo:

  • Defeito de septo atrial tipo ostium secundum;
  • Defeito pequeno de septo ventricular;
  • Estenose da pulmonar;
  • Estenose aórtica não complicada;
  • Coarctação leve da artéria aorta;
  • Persistência do ducto arterial.

Crianças com lesão cardíaca corrigida por cirurgia a não ser que continue precisando de medicamentos por insuficiência cardíaca e lactentes com cardiopatia leve sem uso de medicamentos para esta doença também não têm indicação de uso, de acordo com o relatório Conitec.

O que é a infecção pelo vírus sincicial respiratório?

O vírus sincicial respiratório (VRS) está entre os principais agentes etiológicos que afetam o trato respiratório inferior (composto por traqueia, os pulmões, os brônquios, os bronquíolos e os alvéolos pulmonares) em lactentes e crianças menores de 2 anos. 

De acordo com o Ministério da Saúde, no período de sazonalidade, o vírus é o responsável por cerca de 75% das bronquiolites e 40% das pneumonias. 

Algumas crianças têm riscos mais elevados se forem acometidas pelo VSR, como as prematuras, as com doença pulmonar crônica e as cardiopatas. Nesses casos, a infecção pode desenvolver um quadro grave de infecção. 

O vírus, que pode ser transmitido por pessoas ou superfícies contaminadas, penetra o organismo por meio da membrana mucosa dos olhos, boca e nariz, podendo ainda ser inalado caso a pessoa infectada espirre ou tussa.

Ele tem circulação sazonal, sendo que a predominância ocorre no inverno e início da primavera, dependendo das características de cada região. No Brasil, o Ministério da Saúde emitiu uma nota técnica, em 2015, indicando a sazonalidade das regiões, que são: 

  • Norte: fevereiro a Junho; 
  • Nordeste: março a julho; 
  • Centro-Oeste: março a julho; 
  • Sudeste: março a julho; 
  • Sul: abril a agosto.

Synagis é uma vacina?

Não. Ainda que o objetivo do medicamento seja prevenir quadros de infecção por RSV (ou, caso ocorram, que sejam de modo mais brando), o Synagis não é uma vacina.

Trata-se de um anticorpo monoclonal que confere uma imunização passiva, ou seja, um anticorpo produzido em laboratório para combater especificamente algum antígeno. O medicamento neutraliza o vírus no organismo, evitando sua reprodução e danos à saúde.

Qual a forma e o período de aplicação?

Synagis é uma medicação injetável, que deve ser administrada de modo intramuscular, na região anterolateral da coxa.

A administração deve ser feita somente por pessoas capacitadas e habilitadas à aplicação, em ambiente adequado e seguindo as normas de higienização protocolares. 

Deve ser preparada a injeção na posologia de 15mg da substância por quilo corporal da criança, uma vez por mês, conforme indicação médica. Caso seja preciso uma aplicação acima de 1mL, a dosagem deve ser repartida.

De acordo com a bula, o palivizumabe deve ser, preferencialmente, administrado um mês antes do início do período de sazonalidade, chegando a até 5 aplicações. 

Caso a criança nasça durante o período de circulação viral da região, a quantidade total de aplicações poderá ser menor, logo que não se continua o uso após o fim da sazonalidade.

Como age o princípio ativo palivizumabe?

Palivizumabe é composto, majoritariamente, de aminoácidos humanos (95%) e também de uma pequena parcela (5%) de aminoácidos murinos (roedores). Sua ação ocorre quando o anticorpo monoclonal se liga ao receptor viral, promovendo a inibição e neutralização do vírus.

De acordo com a portaria do Ministério da Saúde, estudos indicam que o uso mensal de palivizumabe durante o período sazonal do VSR reduziu entre 45% e 55% a taxa de internações decorrentes da infecção. Além disso, as crianças internadas apresentam menor tempo de hospitalização e menor necessidade de oxigenação.

Segundo a bula, quais os efeitos colaterais? 

Assim como qualquer outra substância, o palivizumabe pode desencadear reações adversas. Conforme a bula, em sua maioria, eles ocorrem de forma branda a moderada, sendo muito comum (acima de 10% das crianças medicadas) a erupção cutânea e elevação da temperatura do corpo. 

Já entre as manifestações comuns (entre 1% e 10% das crianças medicadas), pode ocorrer reação no local da injeção.

Além dessas reações listadas em estudos clínicos, após a comercialização do medicamento, foram relatados outros sintomas que podem ter relação com o tratamento. No entanto, conforme a bula, não se pode indicar a frequência, devido ao relato voluntário de um número indefinido de pacientes. Ainda assim, é possível ocorrer:

  • Sangue e distúrbios no sistema linfático: trombocitopenia (diminuição no número de plaquetas no sangue);
  • Distúrbios no sistema imunológico: anafilaxia (reação alérgica grave), choque anafilático (reação alérgica extrema), que pode, em alguns casos, levar ao óbito;
  • Distúrbios no sistema nervoso: convulsão;
  • Distúrbios na pele e tecidos subcutâneos: urticária (alergia de pele).

Synagis Abbvie tem contraindicações?

Quanto às contraindicações, a bula do Synagis, da Abbvie, orienta que o medicamento não deve ser administrado em crianças que apresentem histórico de reação alérgica grave ao palivizumabe ou a outros componentes da fórmula. 

Também é contraindicado caso haja reação grave a outros anticorpos monoclonais humanizados. Como o uso é pediátrico, Synagis é contraindicado para o uso em pessoas adultas.

Palivizumabe faz parte do Rol da ANS?

Sim. No Rol de procedimentos da ANS consta o tratamento com a substância palivizumabe. No documento atualizado de 2018, pode-se encontrar a indicação sob a descrição de Terapia imunoprofilática com palivizumabe para o vírus sincicial respiratório – VSR (com diretriz de utilização).

Isso significa que o remédio faz parte da cobertura mínima obrigatória dos planos de saúde. Dentro dos critérios necessários para o uso da medicação, havendo orientação médica, o palivizumabe deve ser custeado pela empresa de assistência à saúde.

Lembrando que, caso haja negativa do plano em assistir à criança com riscos à infecção por RSV, tendo indicação médica para o uso do palivizumabe, é possível entrar com processo judicial, visando o acesso ao tratamento.

Nesses casos, em geral, é preciso apresentar a receita médica, histórico clínico e, além de outros documentos, o orçamento judicial de 3 farmácias distintas. 

Para facilitar o processo, nesse e em casos de outras medicações, pacientes e responsáveis podem contar com a assessoria em cotação de medicamentos de alto custo, do grupo Consulta Remédios. Basta acessar o link e preencher o formulário para receber um orçamento personalizado e de modo simples.

Palivizumabe tem no SUS?

Sim! A portaria Nº522, de 13 de maio de 2013, aprova o protocolo de uso de palivizumabe. Assim, o Sistema Única de Saúde (SUS) tem políticas de fornecimento e distribuição do imunizante passivo aos estados, sempre respeitando as indicações e critérios de uso.

Cada estado pode ter políticas e protocolos distintos de solicitação da medicação, mas no geral é preciso apresentar receita médica e formulário próprio, disponibilizados pela equipe médica, nas farmácias especiais.

Preço do Synagis 50mg e 100mg

O preço do Synagis 50mg/mL, caixa contendo 1 frasco com pó para solução de uso intramuscular + 1 ampola de diluente com 1mL é de, aproximadamente, R$4.672*.

Já o Synagis 100mg/mL, caixa contendo 1 frasco com pó para solução de uso intramuscular + 1 ampola de diluente com 1mL tem o valor aproximado de R$8.400*.

*Preço médio consultado em janeiro de 2020. Os valores podem sofrer alteração.


O palivizumabe é uma medicação que promove uma imunização passiva, evitando complicações em pacientes com riscos para infecções graves pelo vírus sincicial respiratório.

Seu uso apresenta reduções significativas no acometimento de crianças com quadros específicos, devido à imunidade comprometida. Além disso, mesmo quando ocorrem, os quadros são menos graves, promovendo infecções mais brandas e menos agressivas.

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Fontes consultadas


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