Síndrome de Rett: tratamento, expectativa de vida, sintomas e mais

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O que é Síndrome de Rett?

A síndrome de Rett é uma desordem rara do desenvolvimento neurológico. Ela costuma acometer as meninas, sendo que a estimativa costuma variar de acordo do lugar em que nasce. Por exemplo, nos Estados Unidos acredita-se que uma em cada 23 mil meninas nascem com a doença.

No Japão, um estudo foi feito com meninas entre 6 e 14 anos e a variação é que de uma, em cada 45 mil, sofram com a síndrome de Rett. A doença foi descoberta no final da década de 50, mas só foi reconhecida na década de 80, quase 30 anos depois.

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A síndrome de Rett é caracterizada pela perda progressiva das funções neurológicas e motoras após um desenvolvimento “normal” dos 6 até os 18 meses de idade. Após atingir 1 ano e meio, a capacidade de andar, falar e utilizar as mãos são perdidas com o tempo e cada vez mais perceptíveis. O movimento repetitivo e involuntário das mãos (apraxia manual) é a característica mais marcante da síndrome.

Histórico

A doença foi reconhecida primeiramente pelo doutor Andréas Rett, um pediatra que identificou a expressão do desenvolvimento neurológico depois de um período normal durante a primeira infância.

As meninas estudadas apresentaram desaceleração do perímetro cefálico,  perda do uso funcional das mãos e também de habilidades comunicativas. A perda dos movimentos manuais fizeram com que as meninas batessem, esfregassem ou levassem as mãos à boca.

Após esses estudos, Dr. Rett viajou pela Europa para apresentar a doença a outros médicos em encontros científicos, mas como eram escritos em alemão, não houve muita repercussão.

Na mesma época, outro doutor, conhecido como Bengt Hagberg, também observava padrões muito parecidos com os do Dr. Rett. Apenas no final dos anos 70 ambos se encontraram e puderam debater a doença. A partir daí, outros médicos deram atenção à doença e a doença começou a ser diagnosticada e pesquisada.

No Brasil, em 1986, os primeiros casos foram diagnosticados e, 4 anos depois, a Associação Brasileira de Síndrome de Rett foi fundada no Rio de Janeiro. Somente em 1999 que foi estabelecido a associação da doença com mutações no gene MECP2. Após isso, diversas pesquisas e estudos são realizados a fim de diminuir os sintomas e sinais da doença.

Índice neste artigo você irá encontrar as seguintes informações:

  1. O que é Síndrome de Rett?
  2. Causa
  3. Fases da doença
  4. Fatores de risco
  5. Sintomas da Síndrome de Rett
  6. Diagnóstico
  7. Tratamento da Síndrome de Rett
  8. Complicações
  9. Como conviver com os pacientes
  10. Prognóstico
  11. Prevenção

Causa

A causa de síndrome de Rett era desconhecida até 1999. A ocorrência da doença apenas no sexo feminino mostrou uma base genética conhecida como mutação dominantemente no cromossomo X com efeito letal no sexo masculino.

O gene MECP2 codifica a proteína MECP2 e tem a função de inativar outros genes através de mecanismos de repressão da transcrição, envolvendo a ligação a regiões CpG metiladas.

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Um estudo identificou mutações no gene MECP2 em 80% dos casos de síndrome de Rett clássico. A gravidade da doença parece ter relação com o tipo de mutação.

As mutações no gene MECP2 representam uma proporção importante dos casos da doença, mas ainda assim é possível que existam outros fatores que causam a doença e ainda não foram identificados.

Hoje em dia a descoberta de mutações no MECP2 pode confirmar a doença precocemente, realizando um prognóstico e a previsão de um baixo risco da recorrência em irmãos, o que não pode ser garantido se não houver certeza do diagnóstico.

Síndrome de Rett em meninos

Anos atrás acreditava-se que os meninos com síndrome de Rett sofriam de morte prematura ou, então, ocorria aborto espontâneo durante a gestação. Isso mudou, pois é sabido que eles também podem desenvolver a doença em três diferentes situações:

  • Meninos que apresentam o cariótipo típico para o sexo masculino (46, XY) e apresentam mutações no gene MECP2. Quando não há cópia do gene para contrabalançar a mutação do alelo, ocorre sintomas severos nos pacientes.
  • Meninos com cariótipo (47, XY), que caracteriza a Síndrome de Klinefelter, com a mutação do alelo do gene MECP2 no cromossomo X, o quadro clínico pode ser o da Síndrome de Rett.
  • Se algumas células somáticas do indivíduo apresentarem um alelo mutado e outras não, pode ocorrer o mosaicismo somático.

Fases da doença

A doença pode ser dividida em 4 fases, de acordo com os sintomas e também com a idade das meninas.

1ª fase

As crianças afetadas costumam ter entre 6 e 18 meses de idade. O que mais ocorre é o atraso do desenvolvimento psicomotor e do crescimento cefálico. O interesse das meninas em atividades recreativas cai muito.

2ª fase

Entre 1 e 3 anos é a idade média das crianças na segunda fase da doença. As principais características estão entre a perda do uso voluntário das mãos, o deterioramento do comportamento, a regressão rápida e o aparecimento de estereótipos (movimentos com as mãos). Crises de convulsão, manifestações autistas, insônia, motricidade desajeitada e a perda da fala são comuns nessa fase.

3ª fase

A terceira fase da doença surge entre os 2 e 10 anos de idade. O atraso mental é severo e o contato social costuma melhorar, mas as crises convulsivas continuam a acontecer. Disfunções respiratórias, ataxia e apraxia podem ocorrer.

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4ª fase

A idade média de pessoas nessa fase é de 10 anos. A capacidade motora é perdida, há a deterioração motora tardia, escolioses, atrofias musculares e rigidez. O contato visual é melhorado, as crises de convulsões se tornam menos several, podem ocorrer alterações tróficas e síndromes piramidal e extrapiramidal se tornam comuns.

Essas fases são conhecidas como a Síndrome de Rett clássica. Ainda existe a síndrome de Rett atípica que é caracterizada por nem todos os sintomas surgirem, além de que as fases podem surgir em momentos diferentes dos citados acima.

Fatores de risco

É sabido que se tratando de meninos são poucas as chances de sobreviverem mais de um ou dois anos de idade. Quando falando das meninas, a média de idade se modifica muito. Elas podem viver até os 60 ou 70 anos. Essa diferença é tão grande pois elas possuem 2 cromossomos X e eles um só.

Sintomas da Síndrome de Rett

Os sintomas da síndrome de Rett são definidos em três partes: os muito comuns, os que acontecem em alguns pacientes e os que são raros.

Muito comuns:

  • Desenvolvimento pré-natal e perinatal normal;
  • Circunferência da cabeça normal ao nascimento;
  • Após os 6 meses de idade, há o desaceleramento do perímetro cefálico;
  • Desenvolvimento psicomotor até os 6 meses de idade;
  • Os movimentos manuais se tornam estereotipados;
  • Ocorre a perda de palavras já aprendidas, a compreensão é diminuída e o raciocínio também.

Presente em alguns pacientes

  • Bruxismo;
  • Tônus muscular anormal;
  • Distúrbios do sono;
  • Distúrbios respiratório em vigília;
  • Retardo no crescimento;
  • Escoliose e cifose progressiva;
  • Pés e mãos finos e pequenos.

Raros

  • Tamanho dos órgãos são aumentados;
  • Dano cerebral evidente antes ou após o nascimento;
  • Doença neurológica resultante de infecção grave ou trauma craniano;
  • Retinopatia, catarata e atrofia óptica;
  • Órgãos aumentados.

Diagnóstico

Os profissionais especializados para dar esse tipo de diagnóstico são: neurologistas, geneticistas, pediatra, psiquiatra, psicólogo, cardiologista, pneumologista, ginecologista, clínico geral e reumatologista.

A observação dos pais e responsáveis é fundamental para o diagnóstico médico.  Em caso de alterações nas habilidades motoras e da fala é preciso consultar o médico.

O médico pode pedir a realização de exames para detalhar o diagnóstico, como exame de sangue, de urina, auditivos e de imagem. Testes genéticos podem ser feitos para um diagnóstico mais preciso. Esse teste é a analisado DNA do paciente, em que uma amostra de sangue é coletada para que possa ser  analisada em laboratório.

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Existem, ainda, critérios para diagnosticar as formas variantes da Síndrome de Rett. Especialistas dizem que é necessário preencher 3 dos 6 critérios maiores que são os sintomas mais comuns ou, então, preencher 5 dos 12 critérios menores que são os sintomas presentes em alguns pacientes e as raras já citados no tópico acima.

Tratamento da Síndrome de Rett

Não há cura nem tratamento da Síndrome de Rett, mas há intervenções que podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Existem diversas formas de tratamento, pois os sintomas e a gravidade da doença são diferentes e variam muito de paciente para paciente.

Apesar disso, existe um protocolo médico que deve ser feito pelos médicos. Durante a infância, o médico que deve acompanhar é o pediatra e, depois da adolescência, o clínico geral deve assumir o controle e orientar a paciente e seus familiares.

Além desses especialistas, outros deverão acompanhar a paciente durante a vida inteira.

Pediatras e clínicos gerais devem realizar o acompanhamento de:

  • Avaliação e acompanhamento dos sinais vitais, altura, índice de massa corpórea e o peso da paciente;
  • Avaliar o tônus muscular, das contraturas e postura;
  • Controles laboratoriais com a realização de exames e o uso de medicamentos;
  • Avaliação do desenvolvimento de perdas cognitivas;
  • Avaliação da desenvoltura dos familiares que cuidam do paciente;
  • Avaliar dermatites, lesões de mucosas e escaras.

Pneumologista

Os níveis de oxigenação em pacientes com Síndrome de Rett pode ser baixo, apneias, hiperventilação e pneumonias podem ocorrer nas meninas que sofrem com o problema, por isso, a consulta em pneumologista pode ser importante para garantir uma boa qualidade de vida.

Neurologistas

Visitar o neurologista sistematicamente para que ele consiga acompanhar o desenvolvimento da doença é fundamental. O médico terá as seguintes funções:

  • Acompanha o desenvolvimento neurológico do paciente, incluindo o desenvolvimento motor.
  • Observar e medicar crises convulsivas, crises de apneia e crises epiléticas, trabalhar distúrbios do sono também é função do neurologista.

Psiquiatra

O psiquiatra é indicado para orientar a família a medicar as pacientes em caso de agitação constante e também como se comportar em casos de autoagressão.

Ortopedistas

Como a escoliose é muito comum, o acompanhamento de ortopedista é fundamental. E, de tão grave que é o problema, a cirurgia é a melhor solução para evitar dores. Cifoses também pode ocorrer.

Cuidar de deformidades musculoesqueléticas nos pés e mãos, além de contraturas musculares é muito comum aos ortopedistas responsáveis pelos pacientes de Síndrome de Rett.

O tratamento de osteopenia, osteoporose são feitos também pelos ortopedistas.

Ginecologista

O acompanhamento ginecológico deve ser rigoroso. A maturidade sexual das pacientes da SR é parecido com o das meninas saudáveis. A puberdade pode surgir precocemente nas pacientes, mas, em contrapartida, a menstruação demora mais nas meninas com a síndrome.

Sabendo que o período menstrual das pacientes é igual ao de mulheres saudáveis, pode causar desconforto tanto para a paciente quanto para familiares, por conta da higienização e dos sintomas de TPM. Uma conversa com o médico especialista pode ser recomendada para interromper o ciclo menstrual.

Gastroenterologistas

Como os pacientes com Síndrome de Rett tem constipação intestinal, refluxo gastroesofágico, aerofagia, disfagia, distensão abdominal como sintoma, é necessário o acompanhamento médico de um gastroenterologista.

Fisiatra

Consultar o fisiatra é importante para elaborar um programa terapêutico individualizado para as deficiências funcionais e motoras. Esse especialista avalia a necessidade de cadeira de rodas, órteses e outras adaptações para postura, movimento e locomoção da paciente.

Nutricionista

Como distúrbios gastrointestinais e desordens musculoesqueléticas são muito comuns em pacientes com Síndrome de Rett, é importante que haja acompanhamento de nutricionista.

Cardiologista

Após a infância e a adolescência, é importante consultar o cardiologista, pois é comum problemas cardíacos em mulheres com Síndrome de Rett. Esses problemas costumam ser arritmias cardíacas e pausas anormais entre os batimentos cardíacos.

Fisioterapia

A fisioterapia é fundamental para as pacientes com SR. O fisioterapeuta deve avaliar a postura, os movimentos, deformidades musculares e esqueléticas, respiração, a marcha e o tônus muscular.

O objetivo da fisioterapia é diminuir, retardar e prevenir o aparecimento de manifestações musculoesqueléticas da Síndrome de Rett.

Existem técnicas que o fisioterapeuta pode aplicar para melhorar a qualidade de vida da paciente com Síndrome de Rett.

Fonoaudiologia

Na fonoaudiologia, há duas vertentes que devem ser pensadas: a da comunicação e a motora.

Na da comunicação é importante entender que piscar, olhar, algumas palavras e balbucios possam ter função comunicativa. Já na vertente motora, o fonoaudiólogo é responsável por promover a sucção eficiente, com copos e canudos, promover a deglutição eficiente, o controle de baba e outras atividades que podem se tornar específicas de cada caso.

Complicações

As principais complicações que podem ocorrer na síndrome de Rett são:

  • Convulsões graves;
  • Escoliose que necessite de cirurgia;
  • Dificuldade para comer, o que pode causar má nutrição;
  • Problemas de movimento, como movimentos irregulares das mãos;
  • Osteoporose e chances de fraturas e quedas;
  • Vida útil curta e morte súbita;
  • Problemas de sono, dormir durante o dia e acordar durante a noite.

Como conviver com os pacientes

Como a doença não possui cura, é preciso encontrar soluções para toda a família, além de seguir à risca as recomendações feitas pelo médico. Muitas vezes, grupos de apoio e ajuda psicológica podem ser necessárias para auxiliar a família.

Prognóstico

A doença tem piora gradual e lenta e ela pode surgir desde a primeira infância até a adolescência. Os sintomas podem se estagnar e depois melhorar, da mesma forma que podem piorar com o tempo.

Durante a primeira infância, as meninas com a síndrome de Rett costumam sentar corretamente, mas possuem dificuldade em engatinhar. Quando o assunto é andar, algumas crianças conseguem realizar a atividade normalmente enquanto outras não aprendem a andar. As pacientes que conseguem andar podem perder o movimento com o passar do tempo.

Expectativa de vida para Síndrome de Rett

A expectativa de vida costuma variar muito de caso para caso. Estima-se que muitas mulheres com a síndrome podem viver até os 40 a 50 anos, ou mais.

Nos homens, de acordo com a International Rett Syndrome Foundation, essa estimativa pode depender da mutação subjacente, além de outros problemas genéticos associados. Quando há mosaicismo, os homens podem ter uma expectativa de vida semelhante a das mulheres. Porém, os meninos que apresentam o cariótipo típico para o sexo masculino e mutação no gene MECP2 costumam viver apenas até o final da infância.

Prevenção

Não existe forma de prevenir a doença, pois é uma doença genética que envolve mutações no gene.


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Fontes consultadas

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3 Comentários

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  1. Infelizmente este é mais um texto que decreta erroneamente um destino curto e cruel aos meninos. É importante se informar, são raros, talvez menos de 100 no mundo, mas eles tem hoje idades que variam de meses a mais de 40 anos.

  2. Boa noite! Acredito que o Terapeuta ocupacional e de muita importância no tratamento de paciente com a síndrome.
    O TO irá estimular o brincar, realizar estimulações sensoriais para melhorar a apraxia e problemas de sensibilidade, realizar intervenções diversas na ordem das atividades de vida diária.

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