Alguns medicamentos são essenciais para dar continuidade ou complementar o tratamento de alguns tipos e estágios de câncer, e o olaparibe é um deles. Aprovado pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2017, o princípio ativo se mostrou eficaz no tratamento oncológico ao longo de ensaios clínicos feitos em todo o mundo.

A seguir você confere algumas informações importantes sobre o medicamento, como usar, para que serve, indicações e efeitos colaterais comuns. Confira!

Índice – Neste artigo você vai encontrar:

  1. Para que serve e qual o mecanismo de ação do olaparibe?
  2. Para que tipos de câncer olaparibe é indicado?
  3. Efeitos colaterais
  4. Contraindicações
  5. Como tomar o olaparibe?

Para que serve e qual o mecanismo de ação de olaparibe?

Olaparibe é o princípio ativo do medicamento de uso oral Lynparza®, desenvolvido para o tratamento de alguns tipos e estágios de câncer. A substância age inibindo a ação das PARP (poli [adenosina difosfato-ribose] polimerase) ou (poli [ADP-ribose] polimerase)), enzimas presentes em todas as células do organismo, que são responsáveis pela recuperação das mesmas.

A principal função do fármaco é, justamente, evitar a reparação celular das células malignas causadoras do câncer e, consequentemente, provocar seu enfraquecimento e morte. Dessa forma, o olaparibe acaba sendo pouco nocivo às células saudáveis.

Estudos mostraram que o medicamento é efetivo em pacientes com mutações genéticas e hereditárias (passada pelos pais) nos genes BRCA (Breast Cancer Gene) 1 e 2, responsáveis pela reparação de células saudáveis e prevenção do surgimento de cânceres.

Contudo, por se tratar de um medicamento relativamente novo, não é possível afirmar se Olaparibe aumenta o tempo de vida do (a) paciente diagnosticado (a) com câncer. Por outro lado, o que ficou efetivamente comprovado é que ele ajuda a retardar o avanço de algumas classificações por um período de tempo.

Para que tipos de câncer Olaparibe é indicado?

A indicação pode variar de país para país. No Brasil, a Anvisa (órgão responsável pela regulamentação e liberação de medicamentos) permitiu a indicação do fármaco a pacientes que já trataram a doença com quimioterapia à base de platina. Além disso, a liberação é destinada para os seguintes tipos e estágios de câncer:


  • Câncer de ovário: pode ser receitado a mulheres com mutação ou não nos genes BRCA e em casos avançados da classificação;
  • Câncer de mama: indicado para pacientes com metástase, HER2 negativas (Receptor Hormonal Negativo) e com mutação dos genes BRCA;
  • Câncer de pâncreas: para o tratamento desse tipo de classificação, o (a) paciente precisa apresentar quadro avançado e mutação nos genes BRCA;
  • Câncer de próstata: recomendado para estágio de metástase em pacientes com mutação nos genes BRCA e ATM.

Para saber se o (a) paciente possui mutação nos genes BRCA ou é HER2 negativa, o (a) médico (a) oncologista pode solicitar exames capazes de detectar esse tipo de condição. A Astrazeneca, farmacêutica responsável pela patente do Olaparibe, indica que esses exames sejam feitos em laboratórios experientes e que utilizem métodos validados. 

Olaparibe é um medicamento recomendado para o tratamento de alguns tipos de câncer, como de mama e próstata.

Efeitos colaterais do Olaparibe

Assim como qualquer medicamento, o Olaparibe pode provocar efeitos colaterais nos (as) pacientes. Alguns dos comumente observados ao longo dos estudos clínicos são:

  • Reações muito comuns: náusea; vômito; cansaço; fraqueza; azia; má digestão; perda de apetite; dor de cabeça; alteração no sabor da comida; tontura; diarreia; tosse; falta de ar; diminuição das hemácias, plaquetas e de células brancas
  • Reações comuns: estomatite; erupções na pele; dor na região do estômago (abaixo da costela); diminuição das células brancas; aumento da creatina no sangue;
  • Incomuns: reações alérgicas; coceiras; erupções na pele; inchaço no rosto; complicações na medula óssea; aumento das hemáceas;
  • Raras: inflamação dolorosa na camada de gordura da pele.

Caso você possua algum dos sintomas descritos acima, não deixe de reportar ao (à) seu (sua) médico (a).

Contraindicações

As principais contraindicações da fabricante com relação ao Olaparibe são:

  • Gestantes;
  • Crianças e adolescentes;
  • Pessoas com mais de 75 anos;
  • Pacientes com diagnóstico de insuficiência renal e hepática;
  • Alérgicos a qualquer componente da fórmula.

Caso o (a) paciente esteja fazendo uso de alguns dos medicamentos citados abaixo, é importante informar seu (a) médico (a):

  • medicamentos para infecções fúngicas, bacterianas e virais; transtornos mentais, epilepsia e convulsões; condições cardíacas, estomacais e de pressão alta; ou para diminuição de colesterol no sangue.

Além disso, o consumo de toranja e de seu suco é contraindicado ao longo do tratamento. Isso porque a fruta diminui a ação de enzimas que são necessárias para metabolizar o medicamento, causando assim metabolização lenta e potencialização da ação do medicamento e elevando os riscos de efeitos colaterais. 

Por isso, é essencial consultar seu médico antes de fazer uso de qualquer medicamento! Seu (sua) oncologista precisa ser informado de tratamentos paralelos ao oncológico, pois, como vimos acima, a interação medicamentosa pode ocorrer ao longo do tratamento com olaparibe e, até mesmo, diminuir ou anular seu efeito.

Como tomar Olaparibe?

A dose diária e a frequência de uso variam de acordo com cada diagnóstico e com o quadro atual do (a) paciente. A Astrazeneca disponibiliza atualmente comprimidos de 100 e 150mg e cápsulas de 50 mg. O primeiro pode ter sua dose diminuída conforme a necessidade.

No geral, recomenda-se que o medicamento seja ingerido inteiro (sem cortes e sem serem mastigados) com ajuda de um pouco de água. De acordo com a empresa, é indicada a dose de 600 mg (2 comprimidos de 150 mg de manhã e 2 comprimidos de 150 mg à noite) ou uma dosagem conforme recomendação do (a) médico (a).

Caso esqueça de tomar seus comprimidos de Olaparibe, notifique seu (sua) médico (a) e retome a próxima dose normalmente. Por exemplo, se você esqueceu de tomá-lo no período da manhã, tome as doses na parte da noite normalmente. A manutenção dos horários e das doses deve ser conforme a recomendação do (a) seu (a) médico (a) para garantir a efetividade do tratamento. Nunca aumente ou diminua doses e a frequência de uso sem o consentimento do (a) profissional.

A duração do tratamento também varia de paciente para paciente, portanto, siga todas as instruções dadas pelo (a) médico (a) oncologista ao longo de todo o processo.


O Olaparibe é um grande avanço no tratamento de pacientes diagnosticados com alguns tipos de câncer. Entretanto, para que o processo tenha bons resultados, é importante seguir todas as recomendações médicas, incluindo a dosagem e a frequência de uso.

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Fontes consultadas:

Dra. Francielle Mathias

Farmacêutica generalista e Mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Estadual do Centro-Oeste. Doutora em Farmacologia pela Universidade Federal do Paraná. Farmacêutica responsável do Consulta Remédios.


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