O melanoma é o tipo mais agressivo de câncer de pele. Com alta letalidade, a incidência da doença é baixa. Em 2018, são estimados 6620 casos, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Mas os dados podem ser maiores.

Isso porque dar uma olhada na verruga ou lesão de pele não é suficiente para descartar com segurança o câncer de pele. Mesmo que seja um olhar especialista.

A afirmação vem de uma revisão conduzida pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra. O estudo teve participação de pesquisadores do grupo Cochrane, entidade global que reúne pesquisadores, profissionais e interessados em temáticas de saúde.

Os pesquisadores envolvidos avaliaram o atendimento ao paciente. Para isso, usaram um método prático.

Apresentaram ao médico fotos de manchas, pintas e lesões de pele. Em seguida, ele deveria indicar qual o diagnóstico, sem maiores análises.

Depois os erros e acertos foram contabilizados.

As conclusões indicam o que, na verdade, a maioria dos profissionais de saúde já sabe. Mais atenção durante a consulta significa índices melhores de diagnósticos precoces.

O diagnóstico além da observação

De acordo com a revisão, 1 em cada 10 casos de câncer do tipo melanoma não são identificados pelo teste visual. Mesmo quando realizado por especialistas em dermatologia.


Observar a pele é fundamental. Inclusive, os próprios médicos incentivam que as pessoas fiquem atentas à própria pele e observem alterações.

No entanto, quando o paciente chega ao consultório com uma lesão ou pinta, o ideal é combinar as tecnologias diagnósticas.

Ou seja, fazer aquela avaliação visual e, em seguida, usar as táticas mais modernas que facilitam a confirmação do diagnóstico prévio. Mesmo que seja apenas para confirmar que o paciente está saudável.

Os resultados dão indicativos valiosos sobre a atuação dos profissionais de diversas especialidades e a correta condução do paciente com suspeita de câncer de pele. Isso porque vários especialistas fizeram parte do estudo.

De acordo com os pesquisadores, no geral, dermatologistas seguem um padrão responsável. Se há uma leve incerteza quanto ao risco de câncer de pele, o paciente é encaminhado a exames específicos ou recebe instruções para ficar atento à mancha.

Mas nem sempre isso ocorre quando se trata de outros profissionais médicos, como os clínicos gerais, pediatras ou outras especialidades, que tendem a confiar apenas na análise superficial.

Há caminhos para amenizar o problema. Bastam alguns minutinhos a mais na consulta, um aparelho ampliador da superfície da pele — chamado dermatoscópio — e profissionais treinados para interpretar melhor os resultados para que os índices de diagnóstico melhorem.

Quais os sinais do câncer de pele?

Cerca de 1 em cada 4 casos de câncer é de pele, segundo o INCA. A doença é caracterizada pelo crescimento anormal de células da pele e pode ser dividida em dois grupos principais: os melanomas e os carcinomas (ou não-melanomas).

Carcinomas são os mais comuns e chegam a representar 95% dos tumores malignos de pele. Em geral, o tecido apresenta regiões ásperas ou pequenas feridas que não doem e não cicatrizam.

Como estão relacionados com a exposição solar, geralmente surgem naquelas partes do corpo mais desprotegidas, como o rosto, orelhas, ombros e braços.

O tipo melanoma é pouco frequente e representa, em média, 5% dos casos. Além da exposição solar, o fator genético pode ter grande relevância no desenvolvimento da doença.

Sua manifestação é por meio de pintas ou manchas escuras na pele, que podem surgir em qualquer parte do corpo. Mesmo naquelas que quase nunca pegam sol.

A informação sobre o uso de protetor solar, que circula em campanhas e faz parte das orientações de médicos em geral, pretende reduzir os casos da doença. Mas além de evitar o sol — ou pelo menos a exposição intensa a ele — é preciso olhar a pele.

Os especialistas têm até uma regra simples para facilitar o autocuidado e indicar a necessidade de ir ao dermatologista. Ela é chamada de regra do ABCDE.

Fique atento a alguns aspectos da lesão e busque um especialista quando:

  • A — assimetria: as manchas ou pintas tiverem lados diferentes, não arredondados ou simétricos;
  • B — bordas irregulares: houver alteração na textura de manchas ou pintas, rugosidade da pele ou falta de uniformidade;
  • C — cor: as pintas ou manchas mudarem de cor ou não forem uniformes na pigmentação;
  • D — diâmetro: pintas e manchas que seja maiores do que 6mm;
  • E — evolução: marcas que crescem, proliferam-se, mudam de cor ou de aspecto.

A tática é bem eficaz e tem sido mantida como estratégia para facilitar que as pessoas mantenham a atenção à própria saúde. Aliás, há muita gente cada vez mais atenta aos sinais que o organismo dá.

Junto com o desenvolvimento tecnológico que facilita a atuação dos profissionais, têm surgido aplicativos acessíveis ao público em geral que prometem facilitar o autoexame. Basta uma foto da mancha ou pinta e, em poucos minutos, o programa dá um parecer sobre a possibilidade de câncer.

Os desenvolvedores afirmam que a ideia não é substituir o parecer médico, mas auxiliar e facilitar o autocuidado.

Porém, os pesquisadores de Cochrane dão ressalvas quanto ao uso dos aplicativos. Eles têm grandes chances de avaliar um câncer melanoma com falso-negativo.

Não que seja necessário desinstalar o programa. Afinal, ele pode auxiliar com diversas informações.

Mas é preciso levar a sério a recomendação do próprio desenvolvedor e consultar os especialistas — mesmo que o app diga que está tudo certo.

Leia mais: 11 dicas para prevenir o câncer e combater os fatores de risco

Os dois lados da tecnologia na saúde

Os aplicativos funcionam a partir de algoritmos e sistemas de comparação de imagem. É como treinar a máquina que pode ser bastante precisa e eficaz em imagens compatíveis com o câncer.

Mas a substituição do olhar humano (capaz de considerar outros fatores envolvidos, como herança genética) não pode ser substituída.

O estudo de Cochrane concluiu que as taxas de falso-positivo, geradas pelos programas, têm criado uma apreensão desnecessária ao paciente. Inclusive, elas podem induzir o médico ao erro, elevando a realização de exames invasivos e cirurgias desnecessárias.

Além do sofrimento do paciente, ocorre um aumento os custos aos sistemas de saúde.

Mas a preocupação também é grande no caso dos falsos-negativos para o melanoma — que é o câncer mais agressivo.

Os aplicativos têm demonstrado menor eficiência quando o objetivo é indicar os riscos, inclusive em casos que o melanoma é diagnosticado. Ou seja, pacientes podem receber uma avaliação mais promissora do que, de fato, ela é.

Um olhar profissional bastaria para resolver esse equívoco. Mas esses sistemas são acessíveis à população em geral e muitas vezes não indicam o fato de que não substituem o médico.

Assim, algumas pessoas desistem de fazer uma consulta e não recebem o encaminhamento adequado.

Então, qual o meio termo?

Os próprios pesquisadores de Cochrane indicam a solução: usar tecnologias a favor da saúde, capacitando os profissionais médicos de áreas diversas a realizar a dermatoscopia com mais frequência.

O exame aumenta expressivamente a visualização de pontos específicos da pele e permite que um dermatologista confirme o diagnóstico. Um processo rápido e que pode contribuir muito com o cenário do câncer de pele.

Estima-se que mais de 171 mil pessoas serão diagnosticadas com a doença no biênio 2018-2019, segundo o INCA. Com um diagnóstico precoce, o tratamento se torna mais fácil, rápido e eficaz, reduzindo os riscos ao paciente.

Além de dar uma atenção mais especial às manchinhas ou pintas, os estudos reforçam a necessidade de que em casos de incerteza — ainda que seja bem pequena — os médicos de outras áreas precisam encaminhar o paciente ao dermatologista.


As pesquisas sobre saúde têm auxiliado pacientes e profissionais a manter ou recuperar a saúde de modos cada vez mais eficazes.

Com foco na prevenção, os métodos de avaliação, diagnóstico e tratamento são constantemente desenvolvidos, facilitando o autocuidado e também a atuação do profissional.

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Fontes consultadas


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