Nem sempre há medicamentos ou tratamentos não cirúrgicos disponíveis para algumas condições. Sendo que, às vezes, é preciso recorrer aos transplantes para obter a cura ou uma boa qualidade de vida. É o caso de pessoas com doença renal crônica avançada, que precisam ser submetidas ao transplante de rim.

O procedimento, apesar de trazer esperanças às pessoas, envolve um processo nem sempre fácil. E isso já começa na fila de espera.

Segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), entre janeiro e setembro de 2019 foram realizados, no total, 4617 transplantes de rim, sendo 799 doações de pessoas vivas e outras 3.818 de pessoas já falecidas.

Apesar de os índices de doação terem, em geral, crescido gradualmente, os números ainda são baixos em relação ao tamanho da fila de espera. 

Depois de conseguir uma doação, a pessoa transplantada precisa manter cuidados e acompanhamento médico, sobretudo para reduzir os riscos de rejeição do órgão.

Entre os medicamentos que podem ser utilizados nesses casos está o Myfortic, da Novartis. Saiba mais sua ação e indicações:

O que é Myfortic?

Myfortic é um medicamento de uso oral, apresentado em comprimidos revestidos, que faz parte da classe medicamentosa de imunossupressores, indicado para pessoas submetidas ao transplante renal.

Imunossupressores agem reduzindo as reações do organismo aos corpos ou agentes estranhos. Como o corpo compreende o órgão transplantado como um elemento estranho, a tendência é que ocorra uma resposta de combate.


Essa ação pode ser imediata ou posterior, ou seja, logo após a cirurgia ou anos mais tarde. Mas o uso de medicamentos imunossupressores é necessário por tempo indeterminado, ficando a critério médico o ajuste de doses, mudança de medicação e continuidade do uso.

O Myfortic é o medicamento referência, sendo fabricado pela empresa farmacêutica Novartis. Atualmente, há duas apresentações de comprimidos, sendo elas:

  • 180mg: contendo 180mg de ácido micofenólico equivalente a 192,4mg de micofenolato de sódio. E os excipientes amido, povidona, crospovidona, lactose, dióxido de silício, estearato de magnésio, ftalato de hipromelose, dióxido de titânio, óxido férrico amarelo e indigotina.
  • 360mg: com 360mg de ácido micofenólico equivalente a 384,8mg de micofenolato de sódio. Além dos excipientes amido, povidona, crospovidona, lactose, dióxido de silício, estearato de magnésio, ftalato de hipromelose, dióxido de titânio, óxido férrico amarelo e óxido férrico vermelho.

O que são medicamentos imunossupressores?

O sistema imune é responsável pela proteção do organismo, combatendo agentes estranhos e possivelmente nocivos à saúde. Quando uma pessoa faz uma transplante de órgãos ou tecidos, o organismo identifica como externas aquelas células, iniciando mecanismos para combatê-las.

Há, em geral, 3 tipos de rejeição, sendo elas a hiperaguda (imediata ao transplante, podendo ocorrer ainda durante a cirurgia), a aguda (quando ocorre semanas ou meses após o transplante) e a crônica (rejeição que progride lentamente, manifestando-se anos após o transplante).

O risco da rejeição é que ela danifica o órgão transplantado, colocando em risco a saúde e a vida da pessoa.

Nesses casos, usam-se medicamentos chamados imunossupressores. Eles reduzem as respostas do organismo aos agentes estranhos, fazendo com que células de defesa não rejeitem o órgão novo. Porém, essa baixa na resposta imunológica eleva os riscos de infecções, pois afeta o sistema imune em geral. 

Além de transplante, os medicamentos imunossupressores podem ser usados em outras condições de saúde, como a esclerose múltipla, por exemplo.

Inicialmente, nos primeiros dias após o transplante, as dosagens tendem a ser maiores, mas conforme o tempo passa, se a equipe médica julgar que possível ou necessária, ocorre uma redução da posologia ou adaptação da medicação (imunossupressão de manutenção).

Isso garante que o organismo fique menos vulnerável aos efeitos adversos dos imunossupressores ou aos agentes externos potencialmente danosos, como vírus e bactérias.

Para que serve Myfortic?

Myfortic é um imunossupressor indicado para reduzir os riscos de rejeição ao rim transplantado. Seu uso deve ser associado a outros medicamentos contendo ciclosporina e corticoides, que são outros medicamentos para reduzir ou reverter uma rejeição de transplantes.

A combinação de substâncias visa encontrar um modo menos agressivo e danoso ao corpo, visando diminuir efeitos adversos. Assim, recorre-se ao bloqueio da ativação imune por diferentes mecanismos de ação fazendo com que ela seja mais segura e efetiva. 

Isso ainda permite que seja possível reduzir a quantidade de cada medicamento, afastando-se do limite de toxicidade, tanto logo após o transplante quanto na terapia de manutenção.

Micofenolato de sódio e micofenolato de mofetila

O micofenolato de sódio é bastante semelhante à substância micofenolato de mofetila, sendo usadas para tratamentos médicos de acordo com a indicação de profissionais.

Ambas, após serem absorvidas, são rapidamente convertidas em ácido micofenólico no fígado. 

No entanto, cabe à equipe médica a avaliação de qual o medicamento mais adequado, não podendo haver substituição das substâncias sem indicação de especialistas. 

Após a conversão, o ácido micofenólico inibe seletivamente a síntese de purina (que são componentes celulares). Isso faz com que ocorra uma inibição específica de células T e B, relacionadas à imunidade e, por isso, à rejeição de órgãos.

O que é Micofenolato de sódio revestido ou gastrorresistente?

Micofenolato de sódio é a substância pré-ativa do Myfortic. O revestimento ou a gastrorresistência faz com que o medicamento passe íntegro pelo estômago, resistindo à ação do suco estomacal, e seja liberado no intestino delgado.

Como a bula indica usar Myfortic da Novartis?

O Myfortic é um comprimido revestido, feito para resistir à ação do suco estomacal e chegar ao intestino, onde será liberado. Por isso, é muito importante que os comprimidos não sejam quebrados ou partidos. Também não se deve ingerir aqueles que estejam amassados, quebrados ou fragmentados.  

O medicamento deve ser ingerido com água e com o estômago vazio, 1 hora antes de comer ou pelo menos 2 horas após alguma refeição. 

Quanto à posologia, a bula indica a dose diária de 1440mg, tomada em 2 doses separadas. Assim, são 720mg de manhã e 720mg à noite. No entanto, quem definirá exatamente a dosagem e os horários de ingestão do medicamento é o médico ou médica responsável. 

No geral, a primeira administração de Myfortic deve ocorrer dentro das primeiras 48 horas após o transplante.

Cuidados necessários durante e após o uso de Myfortic

O uso de Myfortic deve ser prescrito por profissionais especialistas em transplantes e com conhecimento do quadro clínico da pessoa em tratamento.

Após iniciar o uso, pacientes devem informar todos os sintomas ou ocorrências à equipe médica. Além disso, a bula aponta algumas condições que merecem atenção, sendo elas:

Evite ou reduzir a exposição ao sol

Myfortic pode aumentar o risco de câncer de pele, pois age reduzindo as defesas do corpo. Por isso, é bastante importante usar recursos que protejam a pele dos raios UV. 

Roupas específicas de proteção solar, protetores com FPS alto e manter-se ao abrigo da luz solar são algumas das medidas que devem ser adotadas.

Realize exames periódicos para Hepatites e outras infecções

Pessoas que já tiveram hepatite B ou C, com o uso de Myfortic têm maiores riscos de manifestar novamente a infecção. Por isso, fazer exames periódicos e dar atenção à manifestação dos sintomas são medidas fundamentais.

Busque orientação médica antes de vacinas e medicamentos

É necessário informar ao médico ou médica sobre qualquer necessidade de tomar vacinas, bem como qualquer medicação, sobretudo:

  • Azatioprina ou qualquer outro medicamento imunossupressor;
  • Colestiramina (medicamento utilizado para tratar altos níveis de colesterol no sangue);
  • Aciclovir (medicamento utilizado para tratar herpes);
  • Antiácidos que contenham magnésio e alumínio;
  • Ganciclovir (medicamento utilizado para tratar infecção por citomegalovírus);
  • Contraceptivos orais.

Use métodos contraceptivos

Homens e mulheres férteis e com riscos de gravidez devem usar métodos contraceptivos durante o uso de Myfortic. Mulheres, em geral, têm orientação de usar contraceptivos antes e durante o tratamento com o medicamento, dando continuidade por 6 semanas após a interrupção do Myfortic.

Homens precisam usar preservativos durante o tratamento e por mais 13 semanas após a finalização do uso. Além disso, suas parceiras também devem proteger-se pelo mesmo período.

Quais os efeitos colaterais do Myfortic?

Toda medicação pode desencadear efeitos adversos, mas que não necessariamente vão ocorrer em todas as pessoas em tratamento. Além disso, a frequência e a intensidade deles podem ser bastante variáveis, de acordo com as respostas e adaptação do organismo.

Ao apresentar qualquer sintoma colateral, é preciso comunicar à médica ou médico que acompanha o tratamento. 

Na bula, as reações adversas indicadas como mais comuns de ocorrer são:

  • Baixo nível de células brancas no sangue;
  • Nível de cálcio reduzido no sangue, algumas vezes com cólicas (hipocalcemia);
  • Fraqueza muscular, espasmos musculares, ritmo cardíaco anormal (que podem estar relacionados com a hipocalemia);
  • Nível alto de ácido úrico no sangue (hiperuricemia);
  • Dor de cabeça, tontura (podendo ser manifestações decorrentes do aumento da pressão sanguínea);
  • Tontura, delírio (podendo ter relação com a queda da pressão sanguínea);
  • Diarreia.

Além disso, podem ocorrer outras reações adversas, relacionadas ao tratamento, que são listadas como sintomas comuns e ocorrem entre 1% e 10% das pessoas medicadas:

  • Hemorragia ou hematomas com mais facilidade do que o normal (sinais de baixo nível de plaquetas no sangue);
  • Espasmos musculares, ritmo cardíaco anormal (podendo ter relação com alto nível de potássio no sangue);
  • Baixo nível de magnésio no sangue (hipomagnesemia);
  • Sintomas de ansiedade;
  • Tontura;
  • Dor de cabeça;
  • Tosse;
  • Sintomas graves de pressão sanguínea alta (piora da hipertensão);
  • Falta de ar, respiração com dificuldade (possíveis sintomas de dispneia ou dispneia de esforço);
  • Dor (por exemplo, no abdômen, estômago);
  • Constipação;
  • Indigestão;
  • Flatulência
  • Fezes amolecidas;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Cansaço;
  • Febre;
  • Resultados anormais no teste de função hepática ou renal;
  • Dor nas articulações (artralgia);
  • Fraqueza (astenia);
  • Dor muscular (mialgia);
  • Inchaço nas mãos, tornozelos ou pés (possíveis sintomas de edema periférico).

Preço: onde comprar Myfortic mais barato?

Pessoas com indicação médica para o uso de Myfortic, da Novartis, podem recorrer às farmácias especiais físicas e também às online para comparar preços e encontrar as melhores ofertas.

Em média, o Myfortic 360mg, caixa com 120 comprimidos revestidos, tem preço entre R$2190 e R$2700*.

Já a posologia 180mg, caixa com 120 comprimidos revestidos, pode variar entre R$1090 e R$1400*.

*Preços médios consultados em dezembro de 2019. Os valores podem sofrer alteração.

O SUS fornece micofenolato de sódio?

Sim. O micofenolato de sódio faz parte do RENAME 2020, a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, sendo fornecido por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) para pacientes que se enquadram nos critérios de assistência.

Assim, o processo para obtenção da medicação, após a indicação médica é, em tese, mais facilitada. 

No entanto, caso ocorra indisponibilidade do medicamento no SUS ou qualquer outra dificuldade em obter a medicação, é indicado que seja aberto um processo jurídico para o custeio do tratamento.

Assim, pacientes podem contar com a Assessoria de cotação de medicamentos de alto custo, do Consulta Remédios.

Como a via judicial requer a apresentação de orçamentos de 3 farmácias diferentes, a equipe de orçamentos pode auxiliar nesse levantamento, de modo rápido e personalizado.

Para isso, basta acessar o link e preencher o formulário.


O transplante de rim é indicado para pessoas que sofrem com doença renal crônica avançada. O órgão pode ser doado tanto por pessoas vivas quanto aquelas já falecidas. Neste último caso, deve ser constatada a morte encefálica e a permissão de familiares da pessoa falecida.

Quando há sucesso no transplante, em relação às pessoas não transplantadas, a Sociedade Brasileira de Nefrologia indica que pacientes que recebem o rim têm maior taxa de sobrevivência, além da melhor qualidade de vida.

Apesar disso, é necessário que medicamentos sejam tomados por tempo indeterminado, geralmente por toda a vida. O objetivo é manter as dosagens das drogas o mais baixas possíveis, de forma que os efeitos adversos da imunossupressão sejam os menores.

Entre esses medicamentos está o Myfortic, da empresa Novartis, usado em combinação com outras substâncias.

Para saber mais sobre saúde dos rins, transplantes e medicamentos, acompanhe o Minuto Saudável e fique de olho nas informações!


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