Daniele (Minuto Saudável)
08/04/2019 07:50

Hipertricose (síndrome do lobisomem): o que é, auricular, lanuginosa

No século XIX, eram comuns os espetáculos chamados de “freak shows” (show de horrores), em que pessoas nascidas com deficiências físicas eram recrutadas como parte do entretenimento.

Essa era uma das opções para essas pessoas que não tinham como sobreviver e trabalhavam dessa maneira para conseguir obter sustento.

Um dos casos mais emblemáticos foi do jovem conhecido como “JoJo, o garoto com cara de cachorro”, que possuía pelos e cabelos em excesso, remetendo à aparência a de um cão.

Foi descoberto pela ciência que esse garoto sofria da doença chamada hipertricose e, ao passar dos anos, outros casos dessa doença rara apareceram.

Um deles no Brasil, em 2014, com a pequena Kemilly de Souza, de 3 anos, que nasceu com o corpo 100% coberto com pelos.

Conheça mais detalhes sobre essa doença e como ela age em nosso corpo:

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é hipertricose ou síndrome do lobisomem?
  2. Aspectos e tipos de pelos e cabelos
  3. Quais os tipos de hipertricose?
  4. Qual a diferença entre hipertricose e hirsutismo?
  5. Hipertricose na gravidez
  6. O que causa a hipertricose?
  7. Sintomas
  8. Diagnóstico
  9. A hipertricose tem cura?
  10. Hipertricose é transmissível?
  11. Qual o tratamento?
  12. Convivendo
  13. Como se prevenir da hipertricose?
  14. Perguntas frequentes

O que é hipertricose ou síndrome do lobisomem?

A hipertricose é uma doença de origem genética, em que os genes passam de pai/mãe para a criança. Ela se caracteriza como um crescimento exagerado de pelos e cabelos no corpo, independente da idade, raça e sexo.

Essa condição é popularmente conhecida como “síndrome de Lobisomem”, devido à grande quantidade de pelos que a pessoa acaba possuindo. É uma condição rara e poucos casos foram relatados no mundo.

Na grande maioria dos casos, a hipertricose é uma doença que surge associada à outra condição. Por isso, é preciso atenção para notar alguns sinais que podem indicar outras doenças como distúrbios hormonais, infecções de pele e alergias, desnutrição, anorexia nervosa, entre outros.

Existem 5 tipos para classificar a hipertricose, são eles: hipertricose congênita lanuginosa, em que possui o subtipo chamado síndrome de Abras, hipertricose terminal congênita, hipertricose adquirida, hipertricose nevóide e hipertricose auricular.

A hipertricose pode ser facilmente confundida com outra doença, no caso o Hirsutismo. Mas elas só possuem um dos sintomas em comum, que é o crescimento dos pelos em excesso.

O hirsutismo ocorre devido a disfunções hormonais, enquanto a hipertricose envolve os genes passado de pai/mãe para filho.

Para identificar a hipertricose é necessário analisar o tipo de pelo ou cabelo presente no paciente, sendo que existem 3 tipos de fios: lanugo, vellus e terminal.

O profissional indicado para realizar o diagnóstico é o médico dermatologista.

Infelizmente não há a cura para essa doença, mas existem diferentes opções de tratamento.

Após analisar o caso, o dermatologista poderá indicar qual o melhor tratamento para o paciente, as opções são: cera quente, depilação a laser, uso de lâminas, cremes e barbeadores, lasers para remoção de tatuagem e também terapia psicológica.

Por ser uma doença rara, as pessoas costumam estranhar quando veem alguém com hipertricose, o que pode ser ruim ao paciente, que pode ser taxado e virar motivo de piadas maldosas pela aparência distinta, por isso, a terapia é necessária para auxiliar no campo emocional e na sociabilidade do paciente.

Na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID 10), a doença pode ser encontrada por meio dos códigos:

  • L68 – Hipertricose;
  • L68.1 – Hipertricose lanuginosa adquirida;
  • L68.2 – Hipertricose localizada;
  • L68.8 – Outras formas de hipertricose;
  • L68.9 – Hipertricose não especificada.

Aspectos e tipos de pelos e cabelos

Dependendo do comprimento, da cor e aspecto (grosso, fino), os pelos e cabelos são classificados como:

Lanugo

Os pelos e cabelos do tipo lanugo têm aparência fina, sem muito pigmento e que se assemelham a uma penugem. Eles recobrem todo o corpo do bebê durante a vida intrauterina e, com a aproximação do parto, caem naturalmente.

Em alguns casos, o bebê nasce ainda com esses pelos, mas que tendem a cair em poucos dias.

Vellus

O tipo vellus se caracteriza por pelos levemente pigmentados, curtos e de aspecto macio. Eles podem surgir em várias partes do corpo, exceto nas solas dos pés e palmas das mãos.

Terminal

Este tipo de pelo e cabelo é o mais escuro entre os outros dois e, geralmente, o fio é de aspecto grosso e comprido.

Nas pessoas que não possuem hipertricose, é normal que ele cresça nas axilas, virilhas e pontos do rosto como as sobrancelhas. Mas nos pacientes dessa condição, os fios podem se desenvolver na face como um todo, nas costas, braços e peitos.

Quais são os tipos de hipertricose?

A hipertricose pode ser classificada em 6 tipos que possuem características distintas, são eles:

Hipertricose congênita lanuginosa

Este tipo se caracteriza pelo crescimento de cabelos finos, chamados lanugo. Esses fios cobrem o corpo do bebê até a reta final da gestação. Então eles caem.

Alguns bebês, ao nascerem, ainda apresentam bastante cabelo lanugo, mas que gradualmente se reduzem.

Porém, na hipertricose, os fios permanecem e não é só na cabeça, mas também em diferentes áreas do corpo durante toda a vida do paciente.

Síndrome de Abras

A síndrome de Abras é um tipo de hipertricose em que o pelo ou cabelo é mais grosso, possui coloração mais acentuada e pode crescer durante toda a vida do paciente, podendo afetar todo o corpo, inclusive o rosto.

Hipertricose terminal congênita

Neste caso, em vez de nascer o cabelo lanugo no bebê, o que ocorre é o nascimento de pelos do tipo terminais que são mais pigmentados e grossos. Esses cabelos, que na realidade são pelos, crescem ao longo da vida, podendo chegar até o rosto.

Apesar de bastante semelhante à síndrome de Abras, em geral, a hipertricose terminal congênita, além do crescimento exagerado de pelos, pode manifestar alterações físicas, como crescimento irregular de gengivas e formação da estrutura óssea do rosto.

Hipertricose adquirida

Pode se desenvolver ao passar dos anos, sendo provocada por condições secundárias, como a anorexia nervosa ou problemas metabólicos.

Possui o mesmo padrão do tipo congênita lanuginosa, em que os fios nascem finos. Mas, nesse caso, os pelos aparecem em formas de pequenas manchas pelo corpo todo.

Hipertricose nevóide

O crescimento dos pelos, neste caso pode aparecer em qualquer área do corpo, mas com tendências a ser localizada (pontos centralizados de pelos em qualquer região do corpo).

Em alguns casos, manifesta-se nas sobrancelhas, podendo criar um excesso de pelos ou unir as duas, formando o que popularmente se chama de monocelha.

Hipertricose auricular

Este tipo de hipertricose se caracteriza pelo surgimento de pelos, apenas nas orelhas, em tamanhos excessivos. A condição é passada de pai para filho por meio do cromossomo Y de origem masculina, sendo assim, não ocorre em mulheres.

As bordas das orelhas são repletas de pequenos pelos, que fazem a proteção da entrada auricular. Porém, em pacientes com hipertricose, esses pelos são longos e em volume excessivo.

Qual a diferença entre hipertricose e hirsutismo?

A diferença é que hipertricose é o excesso de pelos em qualquer parte do corpo, que pode ocorrer em ambos os sexos. Já o hirsutismo é caracterizado pelo surgimento de pelos em mulheres, localizados em regiões tipicamente masculinas, como buço, orelhas, rosto e peito.

O hirsutismo pode ser causado por alterações hormonais, infertilidade, irregularidade menstrual, entre outras causas, diferente da hipertricose, que tem origem  genética.

Hipertricose na gravidez

A hipertricose é uma doença que ocorre devido à herança genética e pode ser diagnosticada logo após o nascimento do paciente. Mas durante o período de gravidez, a gestante pode passar por um caso isolado de hipertricose.

Devido às alterações hormonais, resultantes do período, pode ocorrer o crescimento em excesso dos cabelos, pelos e também nas unhas da gestante.

Em geral, após o parto ocorre a normalização das taxas hormonais e os pelos excessivos param de crescer.

O que causa a hipertricose?

A hipertricose ocorre devido ao fato de ser uma herança genética nas famílias, os responsáveis seriam os genes que estimulam o crescimento do cabelo e pelo além do normal. Essa doença é associada a uma mutação no gene, ainda de fator desconhecido.

Genética

Quando há um caso de hipertricose, geralmente é preciso atenção, pois os filhos e netos correm o risco de possuir a doença.

Ter um caso na família eleva em até 50% as chances do quadro ocorrer em um parente próximo.

Mas alguns casos podem não ter relação hereditária direta (ou, ao menos, observável).

Por exemplo: o pai possui hipertricose, ele tem um filho, mas o filho nasce sem a alteração.

Sintomas

O principal sintoma da presença de hipertricose é o crescimento em excesso dos pelos e cabelos.

Alguns estudos observaram que, possivelmente, há casos em que alterações ósseas e anatômicas podem ser afetadas. Mas são ainda mais raros.

Em geral, essa condição não possui nenhum outro sintoma ou sinal, além dos possíveis danos psicológicos que também pode provocar no paciente.

Por isso, é o fator psicológico o mais afetado, que pode gerar baixa autoestima, isolamento social e dificuldades de convivência.

Diagnóstico

O diagnóstico de hipertricose pode ser realizado a olho, pelo profissional dermatologista. A aparência de quem possui hipertricose é típica e não deixa dúvidas na realização do diagnóstico.

A parte mais complicada é determinar as causas, por isso, o especialista pode ainda solicitar exames para analisar se há outras anormalidades.

O profissional indicado para o diagnóstico e tratamento da hipertricose é o médico dermatologista. Outros profissionais podem integrar o acompanhamento, dependendo da identificação de condições ou doenças associadas (por exemplo, nos casos de hipertricose adquirida).

Em alguns casos podem ser requisitados exames de sangue, ecocardiograma, ressonância magnética para excluir ou detectar outras condições.

A hipertricose tem cura?

Infelizmente a hipertricose não tem cura. Muitos estudos são realizados para mudar este quadro, mas até o momento não se tem a cura para essa condição.

Porém, quando for do tipo adquirido, o quadro é revertido se forem realizados os devidos tratamentos para o causador da hipertricose.

Hipertricose é transmissível?

A hipertricose não é transmissível, ela é uma anomalia do tipo herança genética, transmitidas a pessoas de uma mesma família devido ao gene. Mas não é transmissível por toque, contato etc.

Qual o tratamento?

Os tratamentos para hipertricose consistem na manutenção do crescimento dos pelos e cabelos do paciente.

O método de depilação a ser escolhido vai depender das características dos fios, da área do corpo em que estão presentes e da quantidade deles. Além da depilação, pode-se incluir tratamentos voltados ao estado emocional:

Cera quente

A cera quente é um dos procedimentos mais comuns realizados no mundo da beleza. A cera arranca o fio desde a raiz e, por isso, faz com que o crescimento seja mais lento em comparação com lâminas, por exemplo.

Há opções que utilizam o produto quente ou frio, mas que atuam da mesma maneira.

O ideal é sempre seguir a orientação dermatológica para avaliar quais as opções que geram menos agressão à pele.

Depilações a laser

A depilação a laser utiliza a luz, que ao entrar em contato com o pelo, produz uma energia que retarda o crescimento dele, além de fazer com que não cresçam novos fios.

Atualmente há diferentes tipos de lasers que podem ser usados em vários locais, desde o rosto até os braços, como laser de alexandrita, soprano XL, entre outros.

A frequência de uso e o tipo escolhido devem sempre ser orientados pelo profissional que acompanha o paciente.

Lâminas, cremes e barbeadores

Entre as opções mais rápidas estão as lâminas de barbear, cremes depilatórios e barbeadores. Esses produtos agem “cortando” o cabelo/pelo, mas não eliminam sua raiz como na depilação a laser, por isso o crescimento acaba sendo mais rápido.

Leia mais: Hidratação da Pele: importância, como hidratar, produtos e dicas

Laser para remoção de tatuagem

O laser chamado Nd:YAG é específico para utilização em remoção de tatuagem, mas também funciona para depilação. Apresentando bons resultados por conseguir penetrar na pele e eliminar o pelo desde a raiz, ele pode ser utilizado desde pelos finos até os mais grossos.

Terapia psicológica

A hipertricose acaba mexendo muito com a aparência, por isso, pode afetar o emocional, causando isolamento social, depressão e até problemas de autoestima. É importante realizar tratamento com psicólogo, para conseguir administrar essas situações de forma positiva.

O ideal é buscar acompanhamento profissional com psicólogos e terapeutas, além de aliar outras atividades que possam ser complementares à saúde emocional, como atividades físicas, yoga, meditação, entre outras.

Convivendo

Infelizmente a hipertricose não possui cura, mas pode-se conviver com essa condição e possuir uma boa qualidade de vida com alguns cuidados:

Procure auxílio e grupos de apoio

A hipertricose é uma condição que pode mexer com a aparência, influenciando na autoestima.

Por ser um tipo raro de doença, é difícil encontrar pessoas diagnosticadas com o mesmo caso. Mas é possível buscar auxílio em grupos de apoio psicológico, que podem trabalhar melhor a convivência com a doença e também criar amizades.

Utilize cremes hidratantes

Após realizar a depilação, nossa pele pode ficar mais sensível, por isso, o ideal é fazer uso de cremes que possam hidratá-la e garantir que ela permaneça saudável e macia. Consulte o dermatologista para que ele possa indicar qual melhor tipo de creme dependendo do seu tipo de pele.

Leia mais: Benefícios do óleo de coco para cabelo, pele e como fazer em casa

Prefira roupas de tecidos mais leves

Dê preferência a usar roupas que possuam um tecido mais leve, para reduzir o atrito com a pele (que pode ser mais sensível devido à depilação).

Além disso, tecidos naturais e menos apertados ajudam na transpiração e dão mais conforto em geral.

Os tecidos mais indicados são o algodão, seda, linho, viscose e viscolycra.

Cerque-se de boas pessoas

O apoio da família e amigos é algo importante e valioso, ainda mais quando passamos por situações que tendem a nos deixar para baixo. Por isso, tente sempre estar em contato com sua família e amigos realizando atividades junto e eles.

Com se prevenir da hipertricose?

Como a hipertricose, em geral, se caracteriza como uma anomalia de herança genética, não há formas de se prevenir dessa condição.

Alguns casos podem ser decorrentes de outras doenças ou uso de medicamentos. Por isso, é importante estar atento à bula do remédios, ao correto tratamento e acompanhamento médico, além de buscar auxílio e informações junto com o profissional médico.

Perguntas frequentes

Existe remédio para hipertricose?

Infelizmente não, mas há diferentes tipo de tratamento para a remoção dos pelos em excesso. O dermatologista é o profissional indicado para determinar qual tratamento seguir, após a análise de cada caso.

Minoxidil pode causar hipertricose?

Sim, um dos efeitos colaterais do uso deste medicamento é o crescimento indesejado de cabelos e pelos em outras partes do corpo. Isso pode ocorrer porque o Minoxidil é um medicamento utilizado para auxiliar em casos de calvície, estimulando o crescimento.

Hipertricose pode ter relação com as alterações hormonais?

Depende do caso. O tipo adquirido pode ter relação com alterações hormonais, mas todos os outros tipos de hipertricose têm origem genética.


A hipertricose é uma doença de herança genética, portanto não é transmissível e não oferece nenhum perigo a quem convive com o paciente. Infelizmente a doença ainda não tem cura, mas pode ser tratada.

Compartilhe e divulgue estas informações para que mais pessoas conheçam a doença.

Publicado originalmente em: 29/06/2017 | Última atualização:08/04/2019

Fontes consultadas

08/04/2019 08:00

Daniele (Minuto Saudável)

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