Medicamentos chamados de terapia alvo têm proporcionado respostas efetivas aos tratamentos de diversas doenças ao mesmo tempo que reduzem os efeitos adversos, em relação a outras medicações. Isso ocorre porque são formulados para agir com maior especificidade.

Os medicamentos quimioterápicos (muito utilizados para tratar câncer), apesar de terem, em geral, boas respostas no combate às células malignas, atuam de maneira genérica. O que significa que, para inibir a progressão do câncer, acabam impedindo a divisão celular e induzindo-as à morte. 

Assim, algumas vezes, células sadias acabam afetadas também. Mas as terapias alvo são desenvolvidas para agir com alta especificidade nas células tumorais. Com isso, o tratamento, em geral, tem alta eficácia e provoca menos efeitos colaterais. 

Esse é o caso do cetuximabe, a substância ativa do medicamento Erbitux. Aprovado pela ANVISA para tratar alguns casos de Câncer de Cabeça e Pescoço e também Câncer de Cólon e Reto Metastático. 

Nem todas as pessoas diagnosticadas têm recomendação para o tratamento, mas quando medicamento é adequado, ele pode trazer bons resultados, controlando a doença e aumentando a expectativa e qualidade de vida da pessoa em tratamento.

Veja mais sobre cada caso indicado e como age no organismo:

O que é Erbitux?

O Erbitux é uma medicação de uso intravenoso, que tem como substância ativa o cetuximabe. Ele está indicado para o tratamento de alguns quadros de câncer colorretal metastático e para pacientes com carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço. 

Seu uso pode ser isolado (monoterapia) ou em combinação com outras medicações ou radioterapia. 


O Erbitux faz parte dos medicamentos chamados de anticorpos monoclonais, que são substâncias semelhantes aos anticorpos produzidos no próprio organismo humano, com especificidade de ligação a algumas substâncias, como determinadas proteínas.

Assim, ele age bloqueando o crescimento de células tumorais e preservando os tecidos saudáveis.

No caso da substância ativa cetuximabe, ela se liga a um fator de crescimento epidérmico (EGFR), que é um antígeno presente em algumas células tumorais. 

Por ser uma medicação alvo, agindo com especificidade nas células doentes, o cetuximabe provoca, em geral, menos efeitos adversos, ainda que eles possam ocorrer.

Para que serve Erbitux?

Conforme a bula, o Erbitux é indicado em duas situações, sendo elas o tratamento de pacientes com câncer colorretal metastático RAS não mutado e com expressão do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR), e também tratamento de pacientes com carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço.

Saiba mais sobre cada uma e como o medicamento é indicado:

Câncer colorretal metastático RAS não mutado e com expressão do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR)

O câncer colorretal também é chamado de câncer de intestino. De acordo com dados do INCA, é o terceiro tipo de câncer mais comum entre os homens e o segundo entre as mulheres. 

Em estágios avançados, a doença (ou o tumor primário) se espalha para outras partes do corpo, ou seja, sofre metástase. Geralmente, o fígado ou os pulmões são as regiões mais acometidas pelas metástases desse tipo de câncer. 

Quando ocorre, o tratamento fica consideravelmente mais difícil e há uma redução na taxa de sobrevivência de pacientes, sendo que, aproximadamente, apenas 12% das pessoas vivem mais do que 5 anos após o diagnóstico. 

O RAS é um marcador de um grupo de genes. É mais ou menos como uma especificidade que os caracteriza. Esse marcador é encontrado em muitos tipos de câncer, entre eles o colorretal. 

Nos casos de câncer colorretal metastático, estima-se que metade das pessoas diagnosticadas tem tumores com um tipo não mutado de RAS (selvagem) e outra metade tem tumores mutantes. 

Esse gene RAS tem um importante mecanismo desencadeador na proliferação da doença colorretal. Em estado selvagem (ou não mutado), a ligação de um fator de crescimento ao receptor de membrana desencadeia um processo enzimático que ativa os genes relacionados ao câncer.

Com um teste biomarcador é possível detectar o tipo e o status desses genes, auxiliando na escolha de métodos precisos de tratamento. 

Isso porque a escolha de terapias de inibição do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) tem demonstrado bons resultados para tratar os casos de câncer colorretal metastático com tumores que não sofreram mutações RAS.

Conforme a bula, nesse caso, Erbitux deve ser utilizado:

  • Em combinação com quimioterapia à base de irinotecano ou com oxaliplatina mais 5-fluoruracila e ácido folínico em infusão contínua;
  • Como agente único em pacientes sem boas respostas na terapia baseada em oxaliplatina e irinotecano, e que sejam intolerantes ao irinotecano.

Carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço

O carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço (HNSCC) representa uma alta prevalência entre os cânceres de cabeça e pescoço — formado por um grande grupo de doenças que acometem essas regiões do corpo. 

O HNSCC se origina nos revestimentos escamosos da superfície das mucosas superiores, podendo incluir cavidade oral, faringe, laringe e trato sino nasal. 

Devido ao rápido acometimento do organismo, a doença está relacionada com baixas taxas de sobrevida, sendo que apenas 50% das pessoas acometidas ultrapassam 5 anos de vida após o diagnóstico.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, a doença afeta cerca de 650 mil pessoas anualmente no mundo.

Conforme a bula, Erbitux está indicado da seguinte forma para o tratamento de carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço:

  • Em combinação com radioterapia para doença localmente avançada em pacientes que, de acordo com critério médico, não podem ser tratados com a associação de quimioterapia mais radioterapia;
  • Em combinação com quimioterapia baseada em platina para doença recidivada e/ou metastática.

Qual a substância ativa do Erbitux e como age?

O princípio ativo do Erbitux é o Cetuximabe, um anticorpo monoclonal, com afinidade ao fator de crescimento epidérmico (EGFR). Ou seja, uma substância produzida em laboratório, semelhante ao anticorpo humano, que tem como ação especificamente a união com o EGFR. 

Então essa ligação inibe a ativação do receptor, fazendo com que a transmissão de sinais que promovem ou continuam a proliferação do câncer sejam interrompidos. 

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, ainda é possível que o medicamento aja diretamente na ação das células malignas. Isso porque se acredita que essas células tumorais têm capacidade de regenerar-se, reparando os danos provocados pela quimioterapia e radioterapia. 

O cetuximabe, então, pode atuar impedindo que haja uma recuperação desses danos. Além disso, também é possível que ele iniba a formação de novos vasos sanguíneos dentro do tumor, o que impede o crescimento dele.

Quais os efeitos colaterais?

Assim como outras medicações, o uso de Erbitux pode acarretar efeitos adversos. Não necessariamente eles vão ocorrer e, quando acontecem, podem variar em frequência e intensidade de acordo com cada paciente. 

Segundo a bula, os efeitos adversos mais comuns estão relacionados à própria infusão, que pode ocasionar, de modo muito comum, febre, calafrios, tonturas e dificuldades para respirar. 

De frequência comum, ainda, são urticária, dores no peito, desmaio e dificuldade grave de respirar com desenvolvimento rápido. As reações relacionadas à pele tendem a ser bem comuns também. 

A bula indica que ao menos 80 em cada 100 pacientes podem manifestar alguma condição, sendo que a maioria está presente durante as 3 primeiras semanas de tratamento.

Muito comum são as alterações de pele do tipo acne, coceira, pele seca, descamação, aumento da quantidade de pelos e alterações nas unhas (por exemplo, inflamações dos tecidos abaixo delas).

Outras reações que podem ser comuns ou muito comuns são: 

  • Inflamação do revestimento do intestino, boca e nariz (podendo causar hemorragias nasais);
  • Diminuição da concentração de magnésio no sangue;
  • Aumento da quantidade de algumas enzimas hepáticas no sangue; 
  • Dor de cabeça; 
  • Cansaço;
  • Irritação e vermelhidão nos olhos; 
  • Diarreia; 
  • Enjoo; 
  • Vômito; 
  • Perda de apetite; 
  • Redução dos níveis de cálcio no sangue.

A bula faz contraindicações?

Sim. Conforme a bula, há dois casos contraindicados ao uso do medicamento Erbitux. A primeira é a hipersensibilidade (alergia) à substância ativa cetuximabe e a outra é que o diagnóstico indique tumor RAS mutado ou se o status RAS do tumor for desconhecido.

Por isso, é importante fazer um teste RAS, que vai auxiliar a equipe médica a identificar se o quadro é de um RAS selvagem (não alterado) ou mutado. Isso porque algumas pessoas têm células que sofrem modificação genética, gerando RAS mutadas.

Assim, mesmo havendo um bloqueio dos receptores EGF, continua havendo uma sinalização às células para que prossigam com a proliferação das células tumorais e o medicamento não surte efeito.

O teste RAS ocorre por meio de uma biópsia, em que são analisadas fragmentos do tecido tumoral.

Programa do Laboratório Merck para Erbitux

A empresa Merck tem o Programa Conviva Bem, que presta assistência a pacientes em tratamento oncológico. Fazendo o cadastro no site, as pessoas podem receber informativos, novidades sobre terapias e medicações, além de dicas sobre bem-estar e formas de lidar melhor com as fases da doença.

A ideia principal do programa é prestar apoio emocional e educacional a pacientes e familiares, trazendo mais conforto e dicas de como manter uma rotina adequada, esclarecendo dúvidas e divulgando ações voltadas especialmente para pessoas em tratamento.

Para isso, basta fazer um cadastro no site do programa ou por telefone.

Preço e onde comprar Erbitux

Em média, os valores de Erbitux 5mg/mL, caixa com 1 frasco-ampola com 20mL de solução de uso intravenoso ficam entre R$750 e R$1030*.

Já a apresentação de Erbitux 5mg/mL, caixa com 1 frasco-ampola com 100mL de solução de uso intravenoso pode variar entre R$3700 a R$5300, aproximadamente*. 

*Preços consultados em novembro de 2019. Os valores podem sofrer alteração.

Erbitux é aprovado pela ANVISA?

Sim. Erbitux é aprovado pela ANVISA, tendo registro e, portanto, permissão para venda desde 2006, na categoria Antineoplásico.

Cetuximab é oferecido pelo SUS?

Não. O Cetuximabe não é fornecido pelo SUS diretamente. Porém, pessoas com indicação de uso podem entrar com processo judicial, solicitando o custeamento do tratamento.

Da mesma forma, pessoas que têm planos de saúde podem ingressar com um processo contra o plano, que, caso seja vencido, deverá custear o tratamento.

Em ambos os casos, é preciso fazer inicialmente uma solicitação administrativa — seja no SUS ou na administração do plano privado de saúde —, requerendo a medicação.

Havendo a negativa, a pessoa deve recorrer às vias judiciais, apresentando o Laudo Médico (LME), receita médica, justificativa e 3 orçamentos de farmácias diferentes.

Para facilitar esse processo, é possível contar com a Assessoria de cotação me medicamentos de alto custo, do Consulta Remédios. Preenchendo o formulário, em pouco tempo, a pessoa recebe os 3 orçamentos necessários.

Indica-se que todas as dúvidas de como iniciar o processo e quais os procedimentos corretos devem ser esclarecidos com o médico ou médica que receitou o medicamento, seguindo da assistência de um(a) advogado(a).


O Cetuximab está entre as substâncias ativas chamadas de terapia-alvo. Produzido para agir com alta especificidade nas células doentes, ele tem indicação de uso para alguns quadros de câncer colorretal metastático e também de carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço.

Aprovado pela ANVISA, o Erbitux, do laboratório Merck, é uma opção medicamentosa que tem demonstrado bons resultados nesses quadros indicados.

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