O que é o Cisto Pilonidal?

Cisto é a formação de uma bolsa a partir de qualquer tecido do corpo que pode compreender em seu interior ar, líquido, pus ou outro fluido. O cisto pilonidal é uma doença crônica muito comum, variante do cisto dermoide, e aparece habitualmente na região terminal da coluna vertebral (região sacrococcigiana ou sacrococcígea), conhecida popularmente como cóccix, alguns centímetros acima do ânus.

Recebeu o nome pilonidal, que significa “ninho de pêlos”, pois é muito frequente que se encontre cabelos dentro do cisto, além de fragmentos de pele, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas. Quando o acúmulo desse material resulta em uma inflamação, dando sinais de infecção e pus, o cisto é também chamado de abscesso pilonidal.

Apesar de ser conhecido por ocorrer na região do cóccix, o cisto pilonidal também pode surgir nos olhos, nariz, axilas, couro cabeludo e ao redor do umbigo.

O CID (Classificação Internacional das Doenças) do cisto pilonidal é L05. Para cisto pilonidal sem abscesso, o CID é L05.9, e para cisto pilonidal com abscesso, o CID é L05.0.

Índice — neste artigo você irá encontrar as seguintes informações:

  1. O que é o Cisto Pilonidal?
  2. Causas e fatores de risco
  3. Sintomas do Cisto Pilonidal
  4. Como é feito o diagnóstico do Cisto Pilonidal
  5. Cisto Pilonidal tem cura? Qual é o tratamento?
  6. Tratamentos caseiros para o Cisto Pilonidal
  7. Convivendo
  8. Como prevenir o Cisto Pilonidal?

Causas e fatores de risco

As causas da doença são motivo de controvérsias até hoje. Inicialmente, acreditava-se que era causada por uma má formação que ocasionava um acúmulo de tecidos embrionários na região subcutânea (abaixo da pele), pois é o que ocorre com outras variantes de cistos dermoides. Ou seja, tratava-se de uma doença congênita (presente desde o nascimento).

Entretanto, nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial, houve um aumento significativo da incidência em soldados, fator que levou muitos pesquisadores e médicos a acreditarem que poderia ser uma doença adquirida.

Atualmente, portanto, acredita-se que existem fatores que causam o aparecimento do cisto. São eles:


Pelos encravados

Os fios se curvam e penetram novamente o folículo piloso, onde continuam crescendo, sendo tratados pelo organismo como corpos estranhos, o que resulta em um processo inflamatório. Frequentemente forma-se um pequeno canal subcutâneo antes de dar origem ao cisto (seio pilonidal), e por essa abertura pode sair o material de dentro da bolsa.

A ausência do folículo piloso (estrutura responsável pela geração de pêlos) nas bolsas indica que o cabelo não nasceu naquele local, e sim foi empurrado até lá.

Atrito e pressão na área sacrococcígea

Serve tanto através do uso de calças muito apertadas quanto em casos de pessoas que passam muito tempo sentados durante o dia, tanto em casa, no trabalho ou realizando algum esporte como ciclismo ou equitação.

Calor e transpiração

O suor acumulado no interior da pele pode resultar em um processo inflamatório. Dessa forma, obesidade, sedentarismo e falta de higiene são fatores que estimulam a ocorrência do cisto.

Traumas

Não há comprovações de que traumas na região sacrococigiana possam ser a causa de um cisto, mas é certo que eles podem levar à inflamação de um cisto pré-existente.

Foliculite

Trata-se da inflamação do folículo capilar e pode se romper no tecido subcutâneo, formando-se assim um abscesso pilonidal.

Quando o cisto infecciona e se torna um abscesso, normalmente a bactéria responsável é a Staphylococcus aureus, germe que normalmente habita a pele humana.

A doença acomete predominantemente (cerca de 80%) os homens, que em geral apresentam mais pêlos no corpo que as mulheres. Portanto, homens mais peludos ou com pêlos encaracolados têm ainda mais predisposição a apresentar cistos, bem como os que apresentam uma prega mais profunda nas nádegas.

É mais comum em jovens entre 15 e 30 anos, pois esses apresentam folículos pilosos mais amplos, o que facilita a penetração dos pêlos para o interior da pele, além de alterações hormonais nas glândulas sebáceas, como aumento da queratina. É muito rara em homens com mais de 40 anos.

Sintomas do Cisto Pilonidal

Como os sintomas só aparecem quando o há um processo inflamatório, algumas pessoas podem conviver com a doença por muitos anos sem conhecimento.

Quando o cisto torna-se um abscesso, os sintomas podem ser:

  • Edema;
  • Desconforto ou dor na região interglútea;
  • Aumento de volume com a formação de um nódulo;
  • Calor local;
  • Vermelhidão;
  • Dificuldade para sentar;
  • Febre;
  • Cansaço extremo;
  • Drenagem espontânea: mesmo em casos que ainda não há inflamação, pode ser observado na região do cisto um pequeno orifício que facilita a eliminação do líquido turvo, malcheiroso, amarelado a branco e passível de provocar dor e prurido;
  • Em casos extremos, novos orifícios aparecem e dependendo do seu tamanho, é possível enxergar os pelos em seu interior e retirá-los. Eles podem ser confundidos com uma fístula perianal.

O cisto pode também evoluir para um carcinoma de células escamosas, um tumor maligno desenvolvido a partir de células epiteliais, ou a outros tipos de câncer, como carcinoma basocelular, sarcoma e melanoma. O que o torna maligno é o desencadeamento de um processo inflamatório crônico.

Como é feito o diagnóstico do Cisto Pilonidal?

Inicialmente, o cisto pilonidal se parece com qualquer outro cisto dermoide ou com um teratoma sacrococcígeo.

O diagnóstico é clínico e pode ser realizado por um proctologista, dermatologista, clínico geral ou médico de emergência. Quem realiza a cirurgia é o cirurgião geral ou coloproctologista.

Ainda não existe um exame que confirme especificamente a ocorrência do cisto. O que pode ser solicitado é um hemograma, exame que realiza a contagem dos elementos do sangue. Quando o hemograma informa que há aumento na taxa de leucócitos, há então a suspeita da presença de alguma doença infecciosa no corpo, que pode ou não se tratar de um cisto pilonidal.

Cisto Pilonidal tem cura? Qual é o Tratamento?

O cisto pilonidal não tem cura, pois mesmo após intervenção cirúrgica ele pode reincidir. O tratamento não costuma provocar maiores complicações, mas nos estágios mais avançados ou em casos de reincidência, pode ser bastante desconfortável.

Primeira incidência do cisto

Quando o paciente está nunca teve caso de cisto pilonidal antes e o cisto ele não apresenta sinais de infecção, é realizada uma drenagem do conteúdo da bolsa através de uma pequena incisão na pele sob anestesia local, normalmente no próprio consultório. Em alguns casos, o médico pode prescrever algum antibiótico. Esse tratamento normalmente não é definitivo, mas, em alguns casos, após a drenagem, o cisto não surge novamente.

Reincidência do cisto

Em casos de reaparecimento ou quando o cisto já está em um estágio inflamatório muito avançado, será necessária uma cirurgia depois da drenagem, quando o processo inflamatório e infeccioso já tiver diminuído.

A operação consiste na aplicação de raquianestesia ou peridural com sedação, abertura, raspagem da parede interna, remoção dos pêlos e cauterização da ferida. A duração é de aproximadamente 20 minutos. O cisto é retirado em bloco e pode incluir alguns centímetros do tecido gorduroso e de pele sadia no entorno. Isso evita que o cisto se manifeste novamente. Nesse caso, o tempo de recuperação pode chegar a 3 meses.

Após o procedimento, é comum que a ferida cirúrgica seja deixada aberta, sem suturar, para que ocorra a cicatrização natural, a qual dura cerca de 8 semanas. Essa técnica, conhecida como cicatrização por 2ª intenção, exige mais cuidado e um tempo maior de cicatrização. Entretanto, o risco de infecção é muito menor que o risco da cirurgia fechada com pontos.

Após a cirurgia, deve ser realizado um curativo diário para acelerar o processo de cicatrização. Diariamente, lava-se a ferida com gaze ou algodão e soro fisiológico e finalmente, coloca-se uma gaze limpa para proteger, sempre cuidando para que não caiam pêlos na ferida novamente. Assim, a cicatrização é uniforme. É imprescindível que as mãos de quem for realizar o curativo estejam sempre limpas.

Tratamentos caseiros para o cisto pilonidal

Os procedimentos caseiros pode ajudar a aliviar a dor e o incômodo do cisto pilonidal. Por não serem testados cientificamente, não existem provas de sua eficácia.

Água quente

Alivia rapidamente as dores fortes e contribui com a drenagem. Pode ser aplicada na área com um banho quente ou através de compressas:

  • Molhe um pano em água quente e tirar o excesso de água;
  • Deixe o pano sobre a área do cisto durante alguns minutos;
  • Repita a prática de 3 a 4 vezes por dia.

Cúrcuma

Especiaria natural com propriedades anti-inflamatórias e antissépticas que podem conseguir reduzir a dor na hora, reduzir a inflamação e favorecer a cura da ferida.

Também conhecida como açafrão-da-terra, pode ser ingerida na forma de cápsula, encontrada em lojas de produtos naturais, ou por meio de uma pasta caseira:

  • Misture ½ xícara de açafrão em pó e 1 xícara de água em uma panela até ficar homogêneo;
  • Leve ao fogo até ferver e continue mexendo;
  • Reduza o fogo e deixe fervendo até engrossar;
  • Coloque em um recipiente na geladeira;
  • Aplique sobre a zona do cisto;
  • Deixe secar sozinho;
  • Repita a ação 2 ou 3 vezes por dia.

Aloe Vera

Muito indicada para tratar problemas cutâneos, é um poderoso aliado contra bactérias, vírus e micróbios. Além disso, também cura feridas e reduz o inchaço.

Aplique o gel de Aloe Vera, que pode ser encontrado em lojas de produtos naturais ou feito em casa através do gel que sai da planta quando ela é cortada. Esquente esse gel até ficar morno e aplique na região afetada, deixando agir por 20 a 30 minutos. Repita esse remédio de 3 a 4 vezes por dia.

Vinagre de maçã orgânico

Possui propriedades anti-inflamatórias, antissépticas e antibacterianas que também reduzem a dor.

  • Misture 2 ou 3 colheres de chá de vinagre de maçã orgânico em ½ copo de água morna;
  • Molhe uma bola de algodão na solução e coloque na área durante aproximadamente 1 minuto;
  • Repita a ação 3 ou 4 vezes por dia.

Outra alternativa é misturar 1 colher do vinagre em um copo de água morna e beber 2 vezes por dia.

Chá preto

Sua propriedade ácida impede que os cistos se agravem e, por ser anti-inflamatório, promove um alívio rápido da dor e do inchaço.

  • Mergulhe um saco de chá preto em água morna por 5 minutos;
  • Retire da água e elimine o excesso de água;
  • Mantenha o saquinho de chá sobre a área afetada de 5 a 10 minutos;
  • Repita a ação várias vezes por dia.

Óleo de rícino

Antisséptico, antibacteriano e anti-inflamatório.

  • Para obter o efeito desejado, coloque em uma gaze ou bola de algodão e aplique com cuidado sob a região dolorida;
  • Deixe agir por 30 minutos e enxágue com água morna;
  • Reaplique de 2 a 3 vezes por dia.

Alho

É um grande antibiótico e antifúngico e, quando ingerido, impulsiona o sistema imunológico, combatendo infecções.

  • Esmague um dente de alho e aplique na área do cisto;
  • Cubra com gaze e deixe atuar por no máximo 10 minutos;
  • Lave bem e repita a ação 2 a 3 vezes por dia;
  • Não é indicado para peles sensíveis.

Outra dica é comer um dente de alho seguido de um copo de água 2 vezes por dia.

Sal de Epsom

O sulfato de magnésio, conhecido como Sal de Epsom, pode aliviar as dores a acelerar a expulsão da pus. Possui propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias que também reduzem o inchaço.

  • Misture 1 colher (sopa) com 1 xícara de água morna até que os grânulos do sal se dissolvam completamente;
  • Molhe um pedaço de algodão com a solução e aplique na área durante 20 a 30 minutos;
  • Faça esse remédio uma vez ao dia.

Folhas de Azadirachta indica

A árvore, conhecida como Neem, fornece folhas com qualidades antissépticas e antibacterianas, afastando a infecção.

  • Moa um punhado de folhas de Neem lavadas até fazer uma pasta;
  • Aplique na área afetada;
  • Deixe agir por 20 minutos e enxágue com água morna;
  • Repita de 3 a 4 vezes por dia.

Além dos tratamentos acima citados, você também pode utilizar outros óleos como Óleo de Jojoba, Óleo de Hortelã e Óleo de Sálvia.

Procure não utilizar cremes ou outros cosméticos na área afetada.

Convivendo

O cisto pilonidal é uma doença comum que não é fatal. Sua gravidade depende de quanto tempo leva para que se realizasse o diagnóstico. Por ser uma doença que pode reaparecer, é muito importante que o paciente esteja sempre atento a essa possibilidade e adote medidas de modo a prevenir que isso aconteça.

Como prevenir o Cisto Pilonidal?

Um fator que pode aumentar consideravelmente a probabilidade de surgimento do cisto pilonidal é a transpiração do local. Para evitá-la, mantenha a área sacrococcigiana sempre limpa, tomando mais de um banho por dia, se necessário.

Como é a presença de pêlos no interior da pele a principal causa da formação do cisto, uma dica para homens que já apresentaram a doença ou que estão predispostos a apresentar é fazer depilação da área. A mais indicada é a depilação a laser, em que o calor interrompe a ação dos folículos pilosos, impedindo que os pêlos cresçam por um bom tempo. Entretanto, existem também outra alternativas, como depilação com cera, com lâmina ou com creme depilatório.

Também é recomendável não ficar sentado por muito tempo ou praticar exercícios que forcem o local, bem como não utilizar roupas que mantenham a área muito sufocada, além de procurar sempre manter o peso ideal.


Apesar de não ser muito conhecido, o cisto pilonidal é uma doença bastante comum principalmente entre homens de 15 a 30 anos. Por isso, é preciso que eles tenham muito mais cuidado, tomem atitudes preventivas para evitar o cisto e procurem ajuda médica assim que surgir a suspeita.

Portanto, compartilhe este texto com seus amigos e familiares, para que o conhecimento da doença chegue em mais pessoas!


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