As cores, que sempre foram bastante importantes na decoração e harmonização, têm ganhado um novo papel há alguns anos. Escolhidas para colorir um mês todo de conscientização, elas integram campanhas que alertam sobre a saúde e os cuidados médicos.

Outubro Rosa, Novembro Azul, Fevereiro Roxo são algumas iniciativas já bastante conhecidas, que colorem a circulação de informações sobre o câncer de mama, câncer de próstata e Alzheimer, respectivamente. 

E não são apenas os pacientes e os familiares que já conhecem e reconhecem essas campanhas, pois as cores estão cada vez mais atreladas às ações.

Dessa vez, é hora do amarelo unir-se à prevenção e cuidado com as hepatites, ocupando o mês de julho.

Como surgiu a campanha Julho Amarelo?

Sancionada e publicada no dia 11 de janeiro de 2019 no Diário Oficial da União, a Lei 13.802 institui Julho como o mês de combate às hepatites virais A, B e C. Com isso, o mês de julho ganha tons amarelos para reforçar a importância dos cuidados e prevenção das doenças. 

Mas já faz algum tempo que a cor tinge o 7º mês do ano, levando informações e esclarecimentos à população. Em 2010, a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, no dia 28 de julho.

Foi durante a 63ª Assembleia Mundial da Saúde, realizada em maio de 2010, que entidades de saúde alertaram sobre os perigos e a necessidade de divulgar mais as infecções virais. Isso porque, por muito tempo, esse impacto foi negligenciado, afetando a qualidade de vida das populações e a saúde pública como um todo.

Desde então, o Ministério da Saúde promove campanhas e estimula a disseminação de informações sobre prevenção, sintomas e tratamentos das hepatites.


A união do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde organiza, todos os anos, iniciativas de enfrentamento necessárias à sociedade. 

Isso porque, segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 2 milhões de pessoas têm hepatite viral crônica e não sabem da condição.

O que são Hepatites Virais?

Hepatites virais são um grupo de doenças provocadas por vírus que provocam inflamações no fígado e, se não tratadas, levam a complicações irreversíveis.

Existem 5 tipos ou classes do agente infeccioso — A, B, C, D e E — que estão presentes em todo o mundo, ainda que algumas localidades tenham maior prevalência de um tipo.

No Brasil, os mais comuns são os tipos A, B e C.

A Organização Mundial da Saúde indica que aproximadamente 400 milhões de pessoas, em todo o mundo, sejam cronicamente infectadas pelo vírus das hepatites B e C. Além disso, outras 1,4 milhão têm o vírus do tipo A. 

Muitas vezes, o paciente não sabe que é portador da doença, pois mesmo infectado, o organismo não manifesta sintomas. 

Assim, a doença permanece silenciosa por vários anos até começar a desenvolver complicações. E elas podem ser bastante graves, incluindo cirrose hepática e câncer hepático.

Hepatite A 

A hepatite A também é conhecida como hepatite infecciosa. A via de transmissão do agente é por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados, ou ainda pelo contato fecal-oral, em que a pessoa fica exposta às fezes contaminadas. 

Geralmente, a condição não apresenta sintomas, mas, quando ocorrem, podem surgir cansaço, febre, dores abdominais, vômitos, pele e olhos amarelados, além de alteração na cor das fezes e da urina. 

Para detectar a condição, basta um exame de sangue. O tratamento também é fácil e, se corretamente realizado, a condição é totalmente curada, com poucas chances de complicação.

O tipo A tem vacina, sendo um meio eficaz de prevenção, além da higienização correta de alimentos e consumo de água potável.

Hepatite B

O tipo B da hepatite é sexualmente transmissível, sendo este um dos modos mais comuns de infecção. 

Também pode ocorrer a transmissão do vírus durante a gestação — de mãe para o filho —, no parto ou na amamentação, no compartilhamento de objetos pessoas — lâminas, alicates de cutícula, seringas —, além da transfusão de sangue. 

O quadro é, geralmente, assintomático, ainda que sintomas brandos, como cansaço, vômitos, febre, pele e olhos amarelados possam se manifestar. 

O diagnóstico é por meio de exames de sangue e o tratamento pode necessitar de medicamentos. 

A hepatite B tem vacina disponível nas Unidades de Saúde, sendo necessárias 3 doses para a imunização.

Hepatite C

A hepatite C é comumente transmitida por transfusão de sangue e compartilhamento de objetos pessoas, como lâminas de barbear, agulhas, escovas de dente, alicates de cutícula ou outros objetos usados para perfuração (como agulhas de tatuagem e piercing). 

Ainda que pouco comum, pode ser transmitida de mãe para filho na gravidez e durante o sexo, sendo mais prevalente entre homens que fazem sexo com homens ou pacientes com HIV.

Os quadros tendem a ser assintomáticos, mas alguns pacientes podem manifestar os sintomas abrangentes da doença, como cansaço, febre, vômitos, pele e olhos amarelos. 

Em média, 80% dos casos agudos evoluem para a condição crônica, ou seja, quando a doença persiste por mais de 6 meses. 

Os exames para a detectação da doença são bastante importantes e podem ser feitos gratuitamente em unidades de saúde do SUS. O tratamento depende do quadro e estágio da doença, bem como do genótipo (tipo) do vírus. 

Apesar de o tipo C não ter vacina, a prevenção é bastante simples. 

Não compartilhar objetos perfurantes (seringas, lâminas) é bastante importante. Gestantes devem fazer o pré natal e realizar os exames de detecção, evitando possíveis transmissões.

Guia das Hepatites

Campanha Julho Amarelo 2019

Todos os anos, as entidades de saúde se mobilizam para levar informações aos pacientes, familiares e população em geral, sobre as hepatites.

Em 2018, o Julho Amarelo ainda era um projeto de Lei, o PLC 35/2018. Mas, em 2019, com a sanção da Lei, a campanha Julho Amarelo ganha mais uma forcinha, agora com amparo legal para a promoção da saúde, prevenção, informação e assistência em relação às hepatites virais. 

Entre as propostas da ação, estão a ações nacionais durante todo o mês de julho — mas não somente nele — para a vacinação, realização de exames periódicos, realização correta do tratamento e, claro, informação.

Em 2002, o Programa Nacional de Hepatites Virais foi criado, iniciando campanhas e ações de atenção à saúde. Desde lá, várias políticas foram criadas, como:

  • Instituição do Dia Mundial de Hepatites Virais, em 2010;
  • Divulgação do 1º boletim epidemiológico das hepatites virais, em 2010;
  • Oferta mais ampla de vacina contra hepatite B para os grupos vulneráveis;
  • Distribuição de testes rápidos, em 2011;
  • Ampliação da faixa etária de vacinação, indo de 20 para 24 anos.

Vacina contra hepatite A

A vacina contra hepatite A é um imunizante inativado, o que significa que a produção é feita com microrganismos mortos ou fragmentos deles, fazendo com que não seja possível contrair a doença por meio da aplicação.

Na composição, há o antígeno do vírus da hepatite A, sal de alumínio amorfo, estabilizante (conforme o fabricante), cloreto de sódio a 0,9%. 

Pode conter traços de neomicina (antibiótico), fenoxietanol e formaldeído.

A dose pode ser administrada em pacientes acima de 12 meses de idade, sendo que para Programa Nacional de Imunizações, a aplicação de 1 dose deve ocorrer entre 15 meses e 5 anos de idade. 

Para as Sociedades Brasileiras de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm), a orientação é de 2 aplicações, preferencialmente aos 12 e 18 meses. 

Se não realizadas nessas datas, deve-se fazê-las o mais cedo possível.

A contra indicação fica para pacientes com alergias ou alta sensibilidade aos componentes da fórmula, ou que apresentaram reação adversa à aplicação anterior.

Vacina contra hepatite B 

A vacina contra hepatite B é do tipo inativada, o que significa que não pode causar a infecção. Isso porque ela é produzida com a proteína do vírus da hepatite B. 

Além dele, há na composição hidróxido de alumínio, cloreto de sódio e água para injeção, podendo conter fosfato de sódio, fosfato de potássio, borato de sódio e timerosal.

Toda a população pode receber, gratuitamente, a vacina contra hepatite B. Por isso, quem não se vacinou no período correto, pode — e deve — ir até uma unidade de saúde para receber o imunizante. 

Na caderneta de vacinação, o tempo correto de aplicação é:

  • 1ª dose ao nascer;
  • 2ª aos 2 meses;
  • 3ª dose aos 4 meses;
  • 4ª aos 6 meses.

Crianças, adolescentes e adultos que não receberam a vacina na idade correta, devem receber 3 doses com intervalos de 1 mês entre a 1ª e a 2ª, e 5 meses entre a 2ª e a 3ª.

Os casos que são contraindicados para a vacinação incluem pessoas com alergias ou sensibilidade severa aos componentes. 

Além disso, quem recebeu uma dose e apresentou púrpura trombocitopênica (doença em que há destruição das plaquetas, que são células do sangue) também deve receber orientação médica. 

Quais outros cuidados e formas de prevenir as hepatites?

A prevenção é a maior aliada contra as hepatites. Algumas doenças são rapidamente identificáveis pois manifestam sintomas bem característicos. As hepatites, no entanto, geralmente não têm esse mesmo curso. 

Dos 3 tipos mais comuns no Brasil, A, B e C, somente o tipo A não tem potencial para tornar-se crônico, ou seja, persistir por mais de 6 meses. 

O grande problema dos tipos B e C é que, muitas vezes, os sintomas só aparecem quando a doença já comprometeu o organismo, deixando lesões ao funcionamento dos órgãos. 

Por isso, a campanha promove uma rede de ações que incluem:

Testes gratuitos 

O Sistema Único de Saúde (SUS) fornece testes gratuitos para diversas doenças, entre elas, as hepatites. E há 2 tipos, os testes rápidos e os laboratoriais. Com o teste rápido, leva cerca de 30 minutos para que o paciente receba o diagnóstico.

Como as hepatites podem não manifestar sintomas, observar se houve exposição a fatores de riscos é a principal forma de saber se é preciso realizar o teste. 

Eles incluem compartilhar objetos cortantes ou perfurantes (alicates de cutícula, agulhas e seringas) ou sexo sem proteção.

Lembrando que o diagnóstico dos tipos B e C só pode ser feito depois, pelo menos, 60 dias da exposição ao vírus. 

Prevenção da transmissão entre mãe e bebê 

Ainda que menos comum, é possível haver transmissão da hepatite B para o bebê durante a gestação ou no parto — chamada de transmissão vertical. 

Por isso, gestantes devem ser testadas para a doença. Caso o resultado seja positivo para hepatite B crônica, a paciente deve receber a profilaxia, que é um tratamento preventivo.

Em alguns casos, o médico pode julgar necessário administrar o tratamento profilático também ao bebê, após  nascimento.

Ações de redução de danos 

Entre as ações que visam reduzir as transmissões e a circulação do vírus da hepatite está a política de redução de danos.

Como o compartilhamento de seringas ou acessórios para o consumo de drogas é uma das vias de transmissão, a disposição de produtos descartáveis é essencial para que as pessoas fiquem seguras.

Incentivo ao uso de preservativos 

As ações de educação em saúde incentivam o uso de preservativos em toda a relação sexual, como meio de prevenir as hepatites e outras doenças sexualmente transmissíveis.

Nas unidades e postos de saúde é possível retirar preservativos gratuitamente todos os dias. Além disso, em campanhas de rua, ações e mobilizações também ocorre a distribuição de camisinhas masculinas e femininas.

Tratamento de pessoas com HIV/AIDS

Além de ser fundamental para o paciente recuperar e manter a qualidade de vida, o tratamento de HIV/AIDS reduz os riscos de contrair hepatites.

Além disso, quando ocorre a infecção, as chances do quadro evoluir para uma cirrose e hepatocarcinoma (câncer no fígado) é maior.


As cores também são uma forma de alertar sobre os cuidados com a prevenção de doenças e manutenção da saúde.

Visando aumentar a circulação de informações sobre as hepatites virais, o mês de julho foi dedicado ao combate, prevenção e promoção da saúde em relação às doenças.

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