Farmacêuticas e farmacêuticos podem atuar em diferentes locais, e uma parte significativa se concentra em farmácias, sejam elas públicas ou privadas. De acordo com determinações do Ministério da Saúde, todas elas, de quaisquer natureza, precisam ter profissionais para atender ao público.

E essa determinação tem um bom motivo: garantir mais segurança para pacientes no uso da medicação por meio da orientação, esclarecimento de dúvidas e assistência. 

Além das farmácias e drogaria de rede (ou seja, aquelas que a maioria das pessoas compra remédios e outros produtos), profissionais também podem atuar em clínicas, laboratórios, hospitais públicos e privados. Mas não importa o local, orientar em relação aos medicamentos, minimizar erros em relação à administração medicamentosa e promover a adesão ao tratamento correto são funções de todas as áreas.

Índice — neste artigo você vai encontrar:

  1. Profissional de farmácia: o que faz?
  2. Onde o profissional de farmácia pode atuar?
  3. Qual a importância do farmacêutico na farmácia?
  4. Farmacêutico pode prescrever remédio?
  5. Farmacêutico pode alterar prescrição médica?

Profissional de farmácia: o que faz?

A formação em farmácia abre uma série de possibilidades no mercado de trabalho. Como é um curso voltado aos medicamentos e suas ações no organismo humano, farmacêuticos e farmacêuticas podem atuar na pesquisa, produção, testes, bem como dispensa de medicamentos. 

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) aponta que há 10 linhas de atuação, que abrangem as especialidades farmacêuticas. São elas: alimentos; análises clínico-laboratoriais; educação; farmácia; farmácia hospitalar e clínica; farmácia industrial; gestão; práticas integrativas e complementares; saúde pública e toxicologia.

Assim, os campos de trabalho vão desde indústrias, laboratórios, hospitais e, claro, as farmácias. Estas são as que concentram a maior parte das pessoas que se formam.

Profissionais farmacêuticos(as) são especialistas em medicamento. Por isso, tudo que tem relação com o remédio está no domínio dos(as) profissionais. Isso inclui conhecimentos sobre a via de administração, efeitos colaterais, posologia, intervalo entre cada administração de doses, formas de guardar corretamente os remédios, entre outros.  


É exatamente por isso que é obrigatório haver um farmacêutico ou farmacêutica em farmácias de qualquer natureza para:

  • Orientar quanto ao uso, doses e horários dos medicamentos;
  • Esclarecer dúvidas e dar informações;
  • Conscientizar sobre o uso racional de medicamentos;
  • Reduzir os casos de automedicação e seus riscos, como intoxicação;
  • Minimizar os erros de medicação;
  • Esclarecer e informar sobre efeitos adversos;
  • Entre outros.

Onde o profissional de farmácia pode atuar? 

Farmacêuticos e farmacêuticas podem atuar em 10 linhas que agrupam 135 especialidades,  de acordo com a Resolução do CFF nº 572, de 25 de abril de 2013. De acordo com o mesmo documento, as linhas de atuação são “o conjunto de conhecimentos afins do exercício profissional, agrupados conforme as especialidades farmacêuticas, reconhecidas pelo Conselho Federal de Farmácia”.

As 10 linhas são:

Alimentos

Profissionais em farmácia lidam com o campo da saúde em diversos aspectos além daqueles relacionados estritamente com medicamentos. Por isso, a linha de atuação em alimentos também faz parte das possibilidades da área.

De acordo com a Resolução nº572/2013, farmacêuticas e farmacêuticos podem atuar com:

“alimentos funcionais e nutracêuticos; banco de leite humano; controle de qualidade de alimentos; microbiologia de alimentos; nutrição enteral; nutrigenômica; pesquisa e desenvolvimento de alimentos e produção de alimentos”

Análises clínico-laboratoriais

Análises clínicas-laboratoriais são comumente conhecidas como os exames de laboratório. Nelas, são feitas avaliações do estado de saúde de cada paciente, por meio de exames de sangue, urina, fezes e outros tecidos.

A resolução nº572/2013 indica que essa linha abrange:

“Análises clínicas; bacteriologia clínica; banco de materiais biológicos; banco de órgãos, tecidos e células; banco de sangue; banco de sêmen; biologia molecular; bioquímica clínica; citogenética; citologia clínica; citopatologia; citoquímica; cultura celular; genética; hematologia clínica; hemoterapia; histocompatibilidade; histoquímica; imunocitoquímica; imunogenética; imunohistoquímica; imunologia clínica; imunopatologia; micologia clínica; microbiologia clínica; parasitologia clínica; reprodução humana e virologia clínica”.

Educação

Quem se forma em farmácia pode seguir para a docência, dando continuidade à vida acadêmica. Nesse sentido, a linha abrange “docência do ensino superior; educação ambiental; educação em saúde; metodologia de ensino superior e planejamento e gestão educacional”, de acordo com a resolução nº572/2013.

Farmácia

A linha de farmácia é, provavelmente, o campo de atuação mais associado à profissão. De acordo com a Resolução nº572/2013, ela abrange: “assistência farmacêutica; atenção farmacêutica; atenção farmacêutica domiciliar; biofarmácia; dispensação; farmácia comunitária; farmácia magistral; farmácia oncológica; farmácia veterinária; farmacocinética clínica; farmacologia clínica e farmacogenética”.

Farmácia hospitalar e clínica

Clínicas e hospitais também são bastante lembrados na atuação de profissionais de farmácia. 

A Resolução nº572/2013 aponta as seguintes designações dessa linha: “farmácia clínica domiciliar; farmácia clínica em cardiologia, farmácia clínica em cuidados paliativos; farmácia clínica em geriatria; farmácia clínica em hematologia; farmácia clínica em oncologia; farmácia clínica em pediatria; farmácia clínica em reumatologia; farmácia clínica em terapia antineoplásica; farmácia clínica em unidades de terapia intensiva; farmácia clínica hospitalar; farmácia hospitalar e outros serviços de saúde, nutrição parenteral; pesquisa clínica e radiofarmácia”.

Farmácia industrial

Na indústria, farmacêuticos e farmacêuticas podem operar em todos os níveis de produção — desde a compra de insumos até as etapas finais da produção e finalização. 

Isso inclui o “controle de qualidade; biotecnologia industrial; farmacogenômica; gases e misturas de uso terapêutico; hemoderivados; indústria de cosméticos; indústria farmacêutica e de insumos farmacêuticos; indústria de farmoquímicos; indústria de saneantes; nanotecnologia; pesquisa e desenvolvimento e tecnologia de fermentação”.

Gestão

Locais que lidam com medicamentos, como farmácias e hospitais, precisam de uma boa gestão. Para isso, profissionais devem compreender e dominar os conhecimentos da área farmacêutica. 

Assim, a linha abrange “assuntos regulatórios; auditoria em saúde; avaliação de tecnologia em saúde; empreendedorismo; garantia da qualidade; gestão ambiental; gestão da assistência farmacêutica; gestão da qualidade; gestão de farmácias e drogarias; gestão de risco hospitalar; gestão e controle de laboratório clínico; gestão em saúde pública; gestão farmacêutica; gestão hospitalar; logística farmacêutica e marketing farmacêutico”.

Práticas integrativas e complementares

Além do tratamento medicamentoso, há outras formas de complementar a recuperação e a busca pelo bem-estar. Dessa forma, profissionais em farmácia podem especializar-se em práticas integrativas e complementares, que incluem: “antroposofia; homeopatia; medicina tradicional chinesa-acupuntura; plantas medicinais e fitoterapia e termalismo social/crenoterapia;”

Saúde pública 

Assim como há outras linhas de atuação que não estão atreladas somente aos medicamentos, a de Saúde pública engloba aspectos abrangentes em relação à saúde da sociedade. 

De acordo com a Resolução nº572/2013, essa linha compreende “atendimento farmacêutico de urgência e emergência; controle de qualidade e tratamento de água; controle de vetores e pragas urbanas; epidemiologia genética; Estratégia Saúde da Família (ESF); farmacoeconomia; farmacoepidemiologia; farmacovigilância; gerenciamento dos resíduos em serviços de saúde; saúde ambiental; saúde coletiva; saúde do trabalhador; saúde ocupacional; segurança no trabalho; vigilância epidemiológica e vigilância sanitária”.

Toxicologia

Voltada à especialização e atuação voltada à compreensão da composição química e efeitos de substâncias tóxicas, a linha de Toxicologia abrange: “análises toxicológicas; toxicogenética; toxicologia ambiental; toxicologia analítica; toxicologia clínica; toxicologia de alimentos; toxicologia de cosméticos; toxicologia de emergência; toxicologia de medicamentos; toxicologia desportiva; toxicologia experimental; toxicologia forense; toxicologia ocupacional e toxicologia veterinária”.

Qual a importância do farmacêutico na farmácia?

Todas as farmácias, de qualquer natureza (de manipulação, fitoterapia, homeopatia ou hospitalar), precisam ter uma farmacêutica ou farmacêutico atuando durante todo o horário de funcionamento — o que inclui canais online para a venda de medicamentos.

Isso é indispensável para que seja possível o correto atendimento ao público, prezando pela informação e orientação adequadas em relação aos medicamentos.

Profissionais em farmácia podem auxiliar na compreensão da receita médica ou reforço das orientações contidas nela, mas também podem prestar assistência sobre os efeitos do medicamento, vias de administração e reações adversas. 

Assim, caso haja dúvidas sobre os efeitos ou tempo de tratamento, pacientes podem buscar orientações na própria farmácia. Além disso, faz parte da atuação profissional a conscientização em relação aos cuidados com o armazenamento e validade dos remédios, o uso racional dos medicamentos e os riscos da automedicação

Considerando ainda que há alguns remédios isentos de prescrição, como os analgésicos, isso faz com que muitas pessoas pensem que eles são livres de riscos à saúde. Cabe, então, a profissionais em farmácia prestar esclarecimentos e conscientizar sobre o tratamento medicamentoso, de forma que há um amparo ao bem-estar integral de pacientes. 

Na assistência farmacêutica, profissionais podem atuar tanto na parte de gestão e logística quanto nos cuidados farmacêuticos a pacientes. Além de prestar atendimento em relação aos medicamentos, dentro das farmácias físicas e online, ainda é possível realizar testes de glicemia capilar, aferir a pressão arterial, aplicar medicamentos injetáveis (desde que não sejam exclusivos de uso hospitalar) e fazer pequenos curativos.

Farmacêutico pode prescrever remédio?

Sim, farmacêuticas e farmacêuticos podem prescrever medicamentos, alimentos e produtos relacionados à saúde, desde que não exijam prescrição médica

Para profissionais com título de especialista, há a possibilidade de prescrever medicamentos tarjados. Porém, ainda é necessário haver o diagnósticos médico antecedente e “desde que existam programas, protocolos, diretrizes clínicas ou normas técnicas aprovados para uso no âmbito das instituições de saúde” ou, ainda, em colaboração com outras especialidades prescritoras, como a médica e a odontológica.

Essas determinações constam na Resolução nº586, de 29 de agosto de 2013, do Conselho Federal de Farmácia.

Vale lembrar que a prescrição de medicamentos não compete somente a profissionais de medicina, logo que o campo da saúde conta com diversas especialidades que estão aptas ao cuidado de pacientes, de modo que participam da promoção, proteção e recuperação da saúde, bem como previnem doenças e outros problemas de saúde.

Dessa forma, a resolução indica ainda que “distintos profissionais podem selecionar, iniciar, adicionar, substituir, ajustar, repetir ou interromper a terapia farmacológica”. 

Para isso, “é fundamental que o conhecimento técnico (fisiopatologia, farmacodinâmica, farmacocinética, interações, efeitos adversos, entre outros) e jurídico (regulamentação sanitária e profissional, além do código de ética da profissão), bem como as habilidades e atitudes voltadas para o uso racional de medicamentos, sejam transpostos para a prática profissional”.

Medicamentos que fazem parte da farmácia popular Lista de Grupos e Indicações Terapêuticas Especificadas (GITE) podem ser receitados por profissionais em farmácia, pois são isentos de prescrição. Entre eles, estão inclusos na lista:  

  • Antiacneicos tópicos e adstringentes (exceto retinoides); 
  • Antidiarreicos (exceto loperamida infantil e opiáceos); 
  • Antiespasmódicos (exceto mebeverina);
  • Antissépticos nasais; 
  • Aminoácidos, vitaminas e minerais; 
  • Antifúngicos e antimicóticos tópicos; 
  • Cicatrizantes; 
  • Analgésicos;
  • Entre outros.

E antibiótico?

Não. Apesar de haver alguns medicamentos que podem ser receitados por farmacêuticas e farmacêuticos (que são aqueles isentos de prescrição médica), antibióticos estão entre os remédios que só podem ser receitados por profissionais em medicina. 

Farmacêutico pode alterar prescrição médica?

Não. Havendo prescrição médica, as orientações da receita devem ser seguidas na compra do medicamento. 

Assim, a resolução CFF nº 586/2013 diz que “é vedado ao farmacêutico modificar a prescrição de medicamentos do paciente, emitida por outro prescritor, salvo quando previsto em acordo de colaboração, sendo que, neste caso, a modificação, acompanhada da justificativa correspondente, deverá ser comunicada ao outro prescritor.”

Por isso, o medicamento que foi receitado não pode ser substituído. Mas, em alguns casos, pode haver a intercambialidade (possível troca entre do medicamento prescrito pelo genérico ou similar), que segue normas específicas.

Há uma lista publicada pela ANVISA que permite a intercambialidade entre alguns medicamentos. Essa substituição só pode ser feita seguindo estritamente essa listagem e cabe ao farmacêutico(a) sugerir a troca, desde que não haja restrições na receita médica.

Lembrando que profissionais em farmácia não pode trocar genéricos por similares, ou vice-versa, e que somente pode ocorrer a intercambialidade entre medicamento referência e genérico e/ou o referência e similar.

De acordo com a resolução nº135, de 29 de maio de 2003:

Quando houver na receita médica a Denominação Comum Brasileira (DCB) ou a Denominação Comum Internacional (DCI) — ou seja, na bula constar a denominação do fármaco ou princípio ativo —, somente é possível a dispensação do medicamento de referência ou de genérico correspondente.

Se constar na receita o nome do medicamento referência, é possível fazer a intercambialidade com o genérico correspondente ou similar intercambiável.

E caso a bula prescreva o medicamento similar intercambiável, pode ser dispensado ele ou o referência.

Porém, será permitida ao profissional farmacêutico a substituição salvo restrições expressas pelo(a) profissional prescritor(a).

É indispensável que o farmacêutico ou farmacêutica indique a substituição realizada na prescrição, junto do carimbo, nome e número de inscrição do Conselho Regional de Farmácia, colocar a data e assinar.


Contar com a assistência e orientação de profissionais em farmácia é indispensável para que haja menores riscos durante o tratamento, bem como uma maior adesão ao uso correto e consciente de remédios.

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Fontes consultadas


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