O que é espondilite anquilosante?

A espondilite anquilosante (EA) é uma inflamação sistêmica crônica que acomete, principalmente, as articulações da coluna vertebral e, aos poucos, leva à fusão das vértebras e perda da mobilidade. Não tem cura, mas o tratamento pode retardar sua progressão.

Trata-se de um tipo de artrite que acomete principalmente o esqueleto axial, mas que pode se espalhar para outras articulações.

E o que significa esse nome difícil de falar? Bem, espondilite se refere à artrite — inflamação nas articulações — na coluna vertebral, enquanto anquilosante remete à ausência de movimento, principal consequência da progressão da doença.

Homens entre 20 e 40 anos são o principal grupo acometido pela doença, mas mulheres também estão sujeitas: a proporção é de uma mulher para cada três homens. A espondilite anquilosante faz parte do grupo de doenças autoimunes e, assim como diversas outras, não tem uma causa estabelecida. No entanto, sabe-se que pode haver um componente genético envolvido.

No CID-10 (Código Internacional de Doenças), a espondilite anquilosante é encontrada pelos códigos M08.1 e M45.

Índice — neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é espondilite anquilosante?
  2. Como a espondilite anquilosante evolui?
  3. Quais são os órgãos afetados pela doença?
  4. Causas e fatores de risco
  5. Sintomas
  6. Como é feito o diagnóstico da espondilite anquilosante?
  7. Espondilite anquilosante tem cura? Qual o tratamento?
  8. Complicações e consequências
  9. Convivendo com a espondilite anquilosante
  10. Perguntas frequentes
  11. Como prevenir a espondilite anquilosante?

Como a espondilite anquilosante evolui?

E se você descobrisse que, na verdade, aquela dor nas costas matinal poderia ser o início da fusão de suas vértebras? Ela começa sorrateiramente na região lombar e passa a subir por toda a coluna. Com tempo, a dor aumenta e a rigidez se torna mais evidente, até que chega a um certo ponto em que você não consegue mais ignorar e vai ao médico. Lá, você recebe o diagnóstico de espondilite anquilosante. Mas o que isso quer dizer realmente?

Em um primeiro momento, é importante saber que a espondilite é uma doença autoimune, ou seja, tem origem num mau funcionamento do sistema imunológico. Por algum motivo, as células de defesa do corpo passam a atacar tecidos saudáveis como se fossem invasores. No caso da EA, as articulações intervertebrais sofrem um processo de inflamação, que faz com que anticorpos se juntem nesses locais.

É aí que entra a parte anquilosante: os anticorpos, na tentativa de reparar o dano inexistente, acabam por calcificar partes que não deveriam sofrer esse processo, como as articulações intervertebrais.

As articulações das vértebras são compostas, em parte, por uma substância fibrosa flexível, que permite o movimento. A partir do momento em que há calcificação dessas partes, perde-se a flexibilidade e, consequentemente, a capacidade de movimentação. E isso ainda nem é o pior.

Como se já não bastasse a perda dos movimentos, a calcificação também acaba por juntar uma vértebra com a outra, resultando numa verdadeira fusão de vértebras. Com isso, a coluna passa a se dobrar para manter todas as vértebras unidas, caracterizando uma falsa corcunda. Essa situação pode fazer com que as costelas venham a pressionar os pulmões e o coração, causando dificuldades em respirar.

Felizmente, grande parte dos casos atuais não chegam até esse ponto. Com os tratamentos disponíveis, pode-se adiar por um bom tempo a fusão total das vértebras, embora não seja possível prevení-la completamente. Tudo depende da maneira que o organismo responde ao tratamento.

Quando, infelizmente, o paciente não recebe o tratamento adequado ou não há a resposta esperada, as inflamações podem se espalhar para fora do esqueleto axial — acometendo articulações periféricas como a dos joelhos — e até mesmo fora das articulações, podendo atingir os olhos, intestino e pele.

Vale lembrar que a doença não progride da mesma forma pra todo mundo e, por isso, nem todas as histórias de EA serão parecidas com isso. Mesmo assim, é importante ficar atento aos sinais, como veremos quando falarmos sobre sintomas.

Quais são os órgãos e tecidos afetados pela doença?

Por se tratar de uma doença sistêmica, a espondilite anquilosante acomete, também, outros órgãos e tecidos além da coluna vertebral. Às vezes isso acontece algum tempo após as primeiras manifestações de inflamação na coluna, em outras os sintomas já aparecem simultaneamente. Nunca se sabe quando os outros tecidos serão afetados.

Saiba quais os tecidos afetados e como isso se manifesta:

Articulações

O sintoma mais clássico da EA é o acometimento da coluna vertebral, caracterizado por dores e rigidez matinal. Em geral, isso inicia nas articulações sacroilíacas, onde a pélvis (bacia) e a coluna se juntam.

Não para por aí: outras articulações podem ser acometidas também. Quadris, joelhos, ombros e tornozelos são as mais frequentemente afetadas. O lado bom é que, tratando a inflamação na coluna, todas essas são tratadas também.

Ossos

Não raramente, os ossos ficam mais sensíveis e dolorosos, principalmente o calcâneo (do calcanhar) e os ísquios (ossinho do bumbum). Nesses casos, sapatos e cadeiras confortáveis são imprescindíveis.

Olhos

Inflamações nos olhos, como uveíte e irite, são comuns em pacientes com EA. De fato, 1 em cada 7 pacientes é afetado. Essas inflamações devem ser reportadas ao médico e tratadas o mais rápido possível, uma vez que podem causar danos permanentes à visão.

Pele

A pele também pode ser acometida pelas inflamações da EA, sendo que o mais comum é na forma de psoríase.

Intestino

A inflamação no intestino, denominada colite, está relacionada à espondilite anquilosante em alguns pacientes. De fato, existem hipóteses nas quais a doença é desencadeada por infecções intestinais, ou seja, o intestino pode ser um ponto chave para o desenvolvimento da condição.

Coração e pulmões

Raramente, as válvulas do coração são atingidas pela doença, resultando em uma inflamação e consequente mal funcionamento das mesmas. O pulmão também pode ser afetado com a criação de uma fibrose na parte superior. Vale lembrar, porém, que essas complicações são raríssimas.

Sistema nervoso

Do cérebro sai um feixe de nervos que passa pela coluna vertebral. É a chamada medula espinhal. Esses nervos são os responsáveis pelas sensações e capacidade de movimentação das partes do corpo.

Quando a inflamação atinge os discos intervertebrais da coluna, podem acabar comprimindo os nervos que por ali passam. Isso resulta em dores, dormência, fraqueza muscular e até mesmo paralisias.

Causas e fatores de risco

A verdadeira causa da espondilite anquilosante é desconhecida. Existe, no entanto, uma desconfiança de que ela tenha um componente genético, visto que foi encontrado um marcador genético — uma proteína denominada HLA-B27 — em cerca de 90% dos pacientes portadores da doença.

Esse marcador genético remete a um certo tipo de glóbulos brancos, mas não está presente em todos os pacientes, assim como a presença do marcador também não significa que a pessoa irá desenvolver a doença. Na verdade, sabe-se que, das pessoas com o HLA-B27, apenas 20% acabam tendo espondilite anquilosante.

Existem também evidências de que a doença é mais comum em pessoas brancas (caucasianas) e dentro de certas famílias. Isso tudo reforça a ideia de que se trata de um problema genético, embora hajam suspeitas de que a doença é desencadeada em pessoas suscetíveis por outros fatores, como uma infecção.

Apesar disso, pais com EA não precisam se preocupar em relação aos seus filhos: a chance de que venham a desenvolver a doença é de apenas 15%. Aliás, há mais de 60 genes sendo estudados que podem ter alguma relação com essa e outras doenças.

Mesmo com todo esse mistério, existe uma hipótese bem conhecida entre os pesquisadores, ainda que não comprovada. Muitos acreditam que a espondilite anquilosante começa quando a defesa dos intestinos cai e certas bactérias acabam passando para a corrente sanguínea e, além de causar uma infecção, ainda são capazes de mudar a maneira que o sistema imune responde. A partir daí, ele passa a atacar o próprio corpo, dando início ao processo descrito anteriormente.

Hoje em dia, acredita-se que os principais fatores de risco para espondilite anquilosante são:

  • Ser HLA-B27 positivo;
  • Ter histórico familiar da doença;
  • Sofrer com infecções gastrointestinais frequentes.

Sintomas da espondilite anquilosante

Assim como qualquer doença autoimune, os sintomas podem variar muito de pessoa para pessoa. Dores nas costas, especialmente na lombar, são o principal sintoma da espondilite anquilosante, assim como de diversas outras doenças.

Por isso, se você tem dores nas costas e desconfia de EA, mantenha a calma! Há grandes possibilidades de sua dor tem outra origem, e você não precisa se preocupar, apenas lembre-se de ir ao médico para ter um diagnóstico correto o mais rápido possível.

Vale lembrar que a espondilite anquilosante é uma doença insidiosa, ou seja, seus sintomas começam devagar e aos poucos. Por isso mesmo, é comum que as pessoas pensem que não é nada demais e demorem para ir ao médico, o que, por sua vez, é prejudicial para o prognóstico.

Alguns outros sintomas que acompanham a espondilite anquilosante são:

Dores

Lombalgias, dorsalgias e ciatalgias são os principais tipos de dores que podem ser sentidas com a EA. Lombalgia se refere ao lombo, dorsalgia ao dorso e ciatalgias ao trajeto do nervo ciático, ou seja, ao nível das nádegas e coxas. Também podem ocorrer talalgias, que são dores na região dos calcanhares.

Rigidez

A rigidez é caracterizada pela dificuldade em se movimentar e, no caso da EA, se concentra na coluna vertebral. Esse sintoma pode ser mais percebido de manhã, ao acordar, e após períodos de descanso. Para ser caracterizada como um sintoma da doença, deve durar pelo menos 30 minutos, mas pode chegar a durar algumas horas.

Tendinites

As tendinites são inflamações nos tendões — tecido que liga um músculo ao osso —, caracterizadas por inchaço e dor. No caso da espondilite anquilosante, ocorre mais frequentemente no tendão de Aquiles (tendão calcanear) e no tendão rotuliano (que fica na frente do joelho).

Artritres periféricas

Conforme a progressão da doença, as artrites podem deixar de se confinar no esqueleto axial e passar para o esqueleto apendicular (membros), onde pode haver artrite nos joelhos, cotovelos, quadril e ombros.

Fraqueza e fadiga

Além das dores, sensações incapacitantes de fraqueza e fadiga são frequentes.

Inflamações nos olhos

Em algumas pessoas, inflamações nos olhos são a primeira manifestação da doença. Elas podem ocorrer em diversos níveis (uveíte, iridociclite ou irite) e provocam dor e vermelhidão.

Inflamação na pele

Alguns pacientes também podem acabar sofrendo de psoríase, uma doença inflamatória da pele caracterizada por lesões avermelhadas com escamas secas e espessas, acompanhadas de coceira.

Inflamação no intestino

Conhecida como colite, a inflamação no intestino em alguns pacientes pode estar relacionada à espondilite anquilosante.

Como é feito o diagnóstico da espondilite anquilosante?

Você vai ao médico com frequência, faz uma bateria de exames e nunca consegue um diagnóstico conciso? Embora isso seja muito chato, pode ser normal: o diagnóstico de qualquer doença autoimune é dificultado visto que os sintomas, em geral, podem ter muitas causas que não necessariamente estão relacionados a disfunções do sistema imunológico.

Por isso, é comum que o médico, geralmente um clínico geral, vá requisitar vários exames e testar cada hipótese antes de te encaminhar a um reumatologista, o médico especializado em doenças do sistema musculoesquelético, frequentemente de fundo autoimune. Infelizmente, em muitos casos, o diagnóstico pode demorar anos.

O histórico do paciente é a maior pista para se chegar ao diagnóstico. Levando em consideração fatores como sintomas, idade, histórico familiar e histórico médico, pode-se levantar a hipótese de que o paciente sofre de EA.

Ao ser constatada a suspeita da doença, existe uma série de testes que podem ser realizados:

Exame físico

O primeiro passo para entender a localização e severidade das dores é o exame físico. Neste, o médico pode pedir que o paciente tente fazer uma variedade de movimentos para verificar a mobilidade. Depois, ele pode pressionar algumas regiões do corpo numa tentativa de mimetizar e localizar as dores.

Os principais locais a serem examinados são a coluna vertebral, a pelvis (região da bacia) e pernas. Além disso, ele pode pedir também que o paciente tente respirar fundo, a fim de verificar se existe alguma dificuldade na expansão do peito (caixa torácica).

Exames de sangue

A picada do exame de sangue pode ser dolorida, mas ele pode ajudar muito em diversos diagnósticos, justamente por ser um exame que não requer muito do paciente.

Vale ressaltar que dois desses exames são feitos, na verdade, com a ideia de descartar a possibilidade de espondilite anquilosante. Entenda:

Proteína C-reativa

Quando há uma inflamação, a quantidade de proteína C-reativa no sangue aumenta. Portanto, um resultado maior do que o esperado aumenta as chances de se tratar de EA, enquanto um resultado normal é um indicativo para se descartar essa possibilidade.

Velocidade de hemossedimentação (VHS)

Você sabe que o sangue não é uma mistura homogênea, não é mesmo? Isso quer dizer que ele é formado por várias substâncias que não se misturam e, se deixado em um recipiente, sua aparência se altera. Normalmente, em pessoas saudáveis, o sangue coagula, ou seja, “seca” e cria uma casca para proteger o local ferido.

No exame VHS, é adicionada uma substância anticoagulante para que o sangue não possa secar e, ao invés disso, as hemácias (glóbulos vermelhos) possam sedimentar. O processo de sedimentação é aquele no qual o sólido se separa do líquido e se deposita no fundo, mais ou menos quando como colocamos muito açúcar no café e, no final da xícara, fica um rastro de açúcar que não conseguiu se dissolver.

Acontece que, normalmente, a hemossedimentação (sedimentação das hemácias) é um pouco lenta por conta de propriedades físicas das próprias partículas. No entanto, quando há uma inflamação ou infecção, essas propriedades são alteradas e as hemácias se depositam no fundo do recipiente muito mais rapidamente.

Quando a velocidade está dentro do esperado, o diagnóstico de EA pode ser descartado. No entanto, quando há alterações, isso pode significar que há um processo inflamatório, embora não tenha como se ter certeza de qual doença se trata.

HLA-B27

Em alguns casos, pode-se pedir o exame para verificar a existência do gene HLA-B27. Esse exame pode esclarecer melhor as possibilidades de ser espondilite anquilosante, mas não é capaz de diagnosticar o problema em si, uma vez que vários portadores do gene não chegam a desenvolver a doença. Outra limitação é que esse teste é pouco acessível por conta dos custos.

Vale lembrar que o HLA-B27 é mais comum em pacientes brancos com EA e pacientes negros ou orientais podem não ter o gene, mas sofrer com a doença mesmo assim. Além disso, possuir o gene não significa ter a doença, apenas há uma maior probabilidade do diagnóstico ser esse.

Radiografias

Para completar o diagnóstico, radiografias são indispensáveis. Isso porque elas podem mostrar exatamente onde há inflamação e evidenciar possíveis fusões que podem ter se iniciado.

Raio X

Geralmente, são pedidos raios-X das articulações sacroilíacas, que conectam a coluna vertebral à bacia e costumam ser as primeiras a inflamar na espondilite anquilosante. No entanto, às vezes a radiografia simples não é capaz de captar a inflamação, geralmente por estar muito no começo.

Ressonância magnética

Quando os raios-X não revelam muito, pode ser pedido um exame de ressonância magnética, que utiliza ondas de rádio e um campo magnético para gerar imagens mais claras dos ossos e dos tecidos em volta. O único problema é que esse exame costuma ser mais caro e menos acessível para todos.

Tomografia computadorizada (TC)

Outro exame utilizado é a tomografia axial computadorizada, ou seja, uma tomografia computadorizada específica do esqueleto axial. Na TC, diversos feixes de raios-X são capazes de criar imagens em forma de “fatias” do corpo. Essa modalidade ajuda a detectar inflamações e alterações ósseas como as calcificações.

Ecografia

A fim de verificar fenômenos como as tendinites, pode ser pedida uma ecografia. Esse exame consiste na utilização de um ultrassom (ondas sonoras) para visualizar certos tecidos.

Densitometria óssea

Não raramente, pacientes com EA apresentam osteoporose precocemente e, por isso, o exame de densitometria óssea pode auxiliar no diagnóstico.

A densitometria óssea mede os espaços entre as células no tecido esponjoso do osso. Naturalmente, existem espaços grandes e visíveis a olho nu entre as células em certas parte do osso. No entanto, quando esses espaços estão muito grandes, os ossos perdem a resistência e se fraturam mais facilmente, característica primária da osteoporose.

Espondilite anquilosante tem cura? Qual o tratamento?

Infelizmente, a espondilite anquilosante não tem cura, mas sua progressão pode ser retardada com os tratamentos disponíveis. Por isso, o tratamento tem como objetivo diminuir as dores, preservar a função articular e prevenir deformidades.

Uma equipe multidisciplinar deve ser responsável pelo tratamento, uma vez que as inflamações podem acometer diversos tecidos. Os profissionais que podem auxiliar nessa tarefa são:

  • Reumatologista: trata a doença em si;
  • Fisioterapeuta: ajuda com exercícios para melhorar a dor e prevenir a perda de mobilidade;
  • Terapeuta ocupacional: auxilia com reabilitação em caso de limitações severas;
  • Oftalmologista: trata inflamações nos olhos;
  • Gastroenterologista: trata inflamações no intestino.

Vale lembrar que o tratamento é feito, principalmente, por meio de medicamentos. No entanto, apenas os medicamentos não serão o suficiente para garantir uma boa qualidade de vida a longo prazo e, por isso, o tratamento deve acompanhar mudanças de hábitos significativas.

Além do tratamento medicamentoso, o paciente pode fazer:

Fisioterapia e terapia ocupacional

Existem dois tipos de terapia que trabalham juntas para manter o paciente o mais independente possível: a fisioterapia e a terapia ocupacional. Apesar de serem frequentemente confundidas, essas duas terapias têm abordagens diferentes.

Enquanto a fisioterapia é focada na movimentação e na prevenção da perda de mobilidade, a terapia ocupacional busca alternativas para que o paciente consiga se virar sozinho da melhor maneira possível.

Na fisioterapia, o paciente irá aprender exercícios e técnicas que deve realizar todos os dias para impedir a calcificação da coluna. Além disso, alguns desses exercícios podem ajudar a melhorar a postura e reduzir algumas dores.

Já na terapia ocupacional, o paciente irá, juntamente com o terapeuta, escolher equipamentos e alternativas para que possa levar uma vida sem maiores complicações. É o caso da escolha de cadeira de rodas, equipamentos para melhorar a locomoção em casa, maneiras de rearranjar os ambientes que o paciente frequenta para que ele não precise parar de estudar/trabalhar ou fazer as coisas sozinho.

Dieta e exercícios

Enquanto uma dieta balanceada e exercícios são benéficos para todos, pacientes com EA também devem manter esses dois hábitos. Isso porque existem vários exercícios que ajudam a lidar com dores e rigidez.

Alongamentos podem ajudar a manter o movimento por mais tempo a longo prazo, exercícios para ganho de força ajudam a manter os músculos fortes para suportar as articulações inflamadas.

Uma ideia que agrada muitos é a possibilidade de fazer exercício na água, pois pode ajudar na movimentação e nas dores.

É de suma importância que uma rotina de exercícios seja definida juntamente com um médico ou profissional habilitado, pois certos exercícios e técnicas podem ser mais prejudiciais do que ajudar.

Cirurgias

Em último caso, cirurgias podem se fazer necessárias.

Pode parecer assustador no começo, especialmente porque são cirurgias que mexem diretamente na estrutura óssea, mas algumas delas podem valer totalmente a pena, uma vez que podem auxiliar na recuperação de mobilidade de certas articulações.

Artroplastias

O tipo de cirurgia mais frequente é a artroplastia. Nela, as articulações danificadas são substituídas por próteses de metal, plástico ou cerâmica. Em geral, são feitas nos joelhos e na articulação coxofemoral (quadril).

Osteotomia

Nos casos em que as vértebras se fundem, algumas pessoas, raramente, podem fazer uma osteotomia. Esse procedimento consiste em endireitar a espinha por meio de cortes e realinhamento das vértebras.

Por mexer diretamente na espinha, perto da medula espinhal, é considerada uma cirurgia de risco muito alto e só pode ser feita por médicos que tenham muito experiência prática.

Medicamentos para espondilite anquilosante

Por se tratar de uma doença inflamatória, entende-se que o tratamento é feito com anti-inflamatórios, certo? O problema é que, infelizmente, nem sempre esse método é efetivo para todos. No entanto, pesquisas são feitas a todo instante e, hoje em dia, existem novos medicamentos usados para tratar a EA que podem ajudar muito pacientes que não respondem bem aos anti-inflamatórios.

É de extrema importância que seja feito o acompanhamento médico para determinar o melhor tratamento para cada caso, uma vez que cada organismo responde de uma maneira. Além disso, apenas o médico saberá dizer qual a melhor combinação de medicamentos, a fim de evitar problemas como interações medicamentosas perigosas.

Anti-inflamatórios não-esteroides

Os anti-inflamatórios não-esteroides são medicamentos não hormonais usados para combater a inflamação. Eles atuam bloqueando substâncias chamadas prostaglandinas, que são sintetizadas no local da inflamação e causam ainda mais dor e inchaço. Quando os anti-inflamatórios chegam nesses tecidos, inibem a produção dessas substâncias, aliviando os sintomas.

Alguns exemplos de anti-inflamatórios não-esteroides são:

Esses são anti-inflamatórios que podem ser adquiridos sem receita médica, mas existem muitos outros que precisam de receita e podem auxiliar no problema. Lembrando que é imprescindível a conversa com o médico para descobrir o melhor anti-inflamatório para o seu caso.

Um tipo de anti-inflamatório muito usado no tratamento de artrites são os inibidores específicos da enzima cicloxigenase 2, como a celecoxibe.

Atenção!

A longo prazo, anti-inflamatórios podem trazer efeitos colaterais sérios. É de extrema importância que qualquer pessoa que tome anti-inflamatórios por muito tempo tenha acompanhamento médico.

Corticosteróides

Os corticosteróides são um tipo de anti-inflamatório que simula a ação da cortisona, uma classe de substâncias anti-inflamatórias sintetizadas naturalmente pelo corpo. A administração pode ser feita tanto por meio de injeções como comprimidos.

Em geral, as injeções trazem resultados mais rápidos, pois são aplicadas diretamente nos locais inflamados: articulações sacroilíacas, articulações do joelho e do quadril. No entanto, não devem ser feitas diretamente na coluna vertebral.

Drogas anti-reumáticas modificadoras de doença (DMARDs)

Se os anti-inflamatórios não estão adiantando, pode ser a hora de começar o tratamento com as drogas anti-reumáticas modificadoras de doença. Trata-se de um novo tipo de drogas imunossupressoras capazes de diminuir as inflamações e retardar a progressão da doença, geralmente usadas para prevenir a perda da mobilidade.

Substâncias frequentemente usadas no tratamento da espondilite anquilosante são sulfassalazina e metotrexato.

Agentes biológicos

Esse tipo de medicamento atua bloqueando proteínas que participam do processo de inflamação. A principal proteína inibida por esses medicamentos é o fator necrose tumoral α, responsável pela morte de células tumorais e muito ativas em doenças autoimunes.

Alguns desses medicamentos liberados pela ANVISA são:

Vale lembrar que etanercepte, infliximabe e adalimumabe são disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Complicações e consequências

Fusão de vértebras e perda de mobilidade

Como já foi dito muitas vezes, a espondilite anquilosante pode levar à fusão de vértebras em estágios avançados. Isso leva à perda de mobilidade, pois a coluna vertebral perde suas articulações fibrosas, que são calcificadas e se tornam pedaço de osso.

Rigidez torácica

Uma das consequências da fusão das vértebras é a rigidez torácica, uma vez que as costelas estão diretamente ligadas à coluna vertebral. Quando ela não mais consegue se movimentar normalmente, as costelas também sofrem um processo de rigidez que, por sua vez, prejudica a capacidade de expansão do pulmão.

Pode haver falta de ar e problemas para oxigenar o sangue por conta dessa rigidez.

Fraturas de compressão vertebral

As fraturas de compressão vertebral são caracterizadas por rachaduras numa vértebra que a diminui em cerca de 20% de altura. Quando isso acontece, pode haver compressão de nervos na espinha vertebral.

Problemas no coração

Raramente, a EA pode causar problemas na aorta, a maior artéria do corpo humano. Uma inflamação nesse vaso sanguíneo pode alargar e distorcer a válvula aórtica do coração, prejudicando sua função.

Inflamações pelo corpo

Assim como nas articulações, a EA pode causar inflamações em diversas partes do corpo. Com isso, é comum que pacientes com a doença sofram também de uveíte (inflamação nos olhos) e colite (inflamação no intestino).

Convivendo com a espondilite anquilosante

Um diagnóstico como espondilite anquilosante pode ser um acontecimento trágico, especialmente para pessoas que dependem muito do corpo em suas atividades diárias. Por isso, é de extrema importância seja feito o possível para ajudar a si mesmo.

Algumas dicas são:

Pratique exercícios e mantenha uma boa postura

Enquanto os exercícios vão te ajudar a preservar a mobilidade na medida do possível, manter uma boa postura também preserva uma coluna saudável por mais tempo.

Para manter uma boa postura, aqui vão algumas dicas:

  • Ao realizar atividades domésticas, busque sempre manter a coluna reta: não se incline para varrer o chão ou passar a roupa;
  • Sempre se sente para calçar os sapatos, levando o pé até a altura do joelho, e não a cabeça até a altura dos pés;
  • Procure dormir em colchões adequados que distribuam bem o peso, como colchões semi-rígidos ou de espuma;
  • Ao se sentar, busque deixar os pés no chão, com as pernas um pouco afastadas, as coxas tocando a maior área possível do assento, assim como a coluna ereta apoiada no encosto da cadeira e do sofá;
  • Quando precisar dirigir por muito tempo, sempre faça pausas para esticar as pernas e a coluna.

Procure ajuda psicológica

Caso sinta que a doença está afetando o seu emocional, não deixe de procurar um profissional da saúde mental. Psicólogos e psiquiatras estão aí para ajudar a lidar com esses sentimentos e garantir qualidade de vida mesmo com dificuldades.

Deixar os sentimentos ruins te consumirem não vale a pena. Não desista de sua vida ou do tratamento sem antes procurar ajuda para lidar com essas emoções.

Participe de grupos de apoio

Uma outra maneira de se ajudar, tanto psicologicamente quanto pragmaticamente, é fazer parte de grupos de apoio. Neles, diversas pessoas com EA e doenças relacionadas podem falar de suas frustrações, debater dicas e melhorias para o dia-a-dia, assim como dividir experiências.

Perguntas frequentes

Espondilite anquilosante atrapalha a carreira?

Não exatamente. Pessoas que necessitam do corpo saudável para realizar suas atividades podem encontrar desafios, mas pessoas que fazem trabalhos mais intelectuais apenas precisam tomar cuidado para não passar muito tempo sentado, sem se mover.

Um trabalho que haja uma quantidade variada de tempo sentado, em pé e andando é o ideal para alguém diagnosticado com EA.

E a vida sexual?

A menos que as articulações do quadril sejam afetadas, a espondilite anquilosante não interfere na atividade sexual.

Espondilite anquilosante dá direito a aposentadoria?

Quando a doença está num nível muito avançado e irreversível, o paciente tem direito à aposentadoria por invalidez pela Previdência Social. No entanto, a aposentadoria só será garantida após a avaliação e aprovação do médico perito do INSS.

O reumatologista pode solicitar o afastamento do trabalho por tempo indeterminado, ou pode pedir diretamente a aposentadoria, mas apenas o INSS pode liberar a concessão de auxílio-doença ou aposentadoria.

Vale lembrar que, ao receber auxílio-doença por estar afastado, o paciente deverá ser avaliado periodicamente pelo médico do INSS, a fim de garantir a continuação do programa.

Esse direito só é válido para pacientes que contribuem com o INSS. Para isso, é necessário que ele seja empregado com registro em carteira, desempregado dentro do período de carência ou contribuinte do carnê individual (autônomo, microempresário individual ou sócio de empresa).

Há riscos para mulheres grávidas com espondilite?

Num geral, mulheres grávidas com EA não precisam se preocupar, pois a doença não costuma prejudicar o feto.

Dependendo da progressão da doença, pode haver dificuldade da mãe em manter seu centro de gravidade, em especial quando já há rigidez na coluna vertebral. Os medicamentos tomados também devem ser ajustados para que não interfiram na geração do feto. No mais, a gravidez deve ocorrer sem maiores complicações.

Vale lembrar que, diferentemente da artrite reumatóide, os sintomas da espondilite anquilosante não melhoram durante a gravidez.

Como aliviar a dor?

Quando indicada pelo médico, a medicação é a melhor maneira de aliviar a dor. No entanto, às vezes, precisa-se de formas alternativas para o alívio. Nesses casos, recomenda-se o uso do calor, por meio de compressas quentes, banhos aquecidos ou cobertores elétricos.

Outra dica é a acupuntura, uma terapia baseada na medicina tradicional chinesa que utiliza pontos de pressão para tratar sintomas. Apesar de não haver indícios de que ela seja capaz de tratar a espondilite anquilosante, existem evidências de que ela ajuda no alívio de dores crônicas.

O uso de órteses pode ajudar no tratamento?

Infelizmente, as órteses — como coletes e cintas — de nada adiantam na EA e, algumas vezes, até pioram a situação. Assim sendo, só devem ser usadas quando o médico as receita.

O melhor é seguir com o tratamento recomendado pelo médico e fisioterapeuta. Lembre-se sempre de consultar esses profissionais antes de iniciar qualquer outra forma de tratamento.

Quais esportes o paciente pode praticar?

Em geral, deve-se evitar esportes de contato como futebol, basquete, entre outros. Além disso, o golfe não é muito recomendado, por conta da postura curvada exigida pelo esporte.

O melhor esporte para pacientes com espondilite anquilosante é a natação, pois trabalha as articulações e os músculos. Andar de bicicleta, com a proteção adequada, também pode ser benéfico.

Como prevenir a espondilite anquilosante?

Não existe uma maneira de se prevenir a espondilite anquilosante, visto que é uma doença de causa desconhecida com componentes genéticos pouco esclarecidos. As medidas preventivas relacionadas à doença são para prevenir complicações como perda de mobilidade e fusão de vértebras.


Embora seja uma doença triste, a espondilite anquilosante pode ser tratada e mantida sobre controle. Se você gostou do artigo e quer que mais pessoas tenham esse conhecimento em mãos, compartilhe!

Não esqueça de visitar o médico ao constatar sinais de qualquer doença. Caso tenha alguma dúvida, pode perguntar que teremos prazer em responder.

Referências

http://www.reumatologia.com.br/PDFs/Cartilha_Espondilite_Anquilosante.pdf
https://pt.wikipedia.org/wiki/Espondilite_anquilosante
http://www.nedai.org/espondilite-anquilosante/
http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/05/espondilite-anquilosante-causa-inflamacao-na-coluna-e-articulacoes.html
http://www.ipr.pt/index.aspx?p=MenuPage&MenuId=174
https://www.spondylitis.org/Ankylosing-Spondylitis
http://www.webmd.com/back-pain/guide/ankylosing-spondylitis#1
http://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/ankylosing-spondylitis/home/ovc-20261048
https://www.niams.nih.gov/health_info/Ankylosing_Spondylitis/default.asp
http://www.espondilitebrasil.com.br/espondilite-e-aposentadoria-por-invalidez

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