Hoje, dia 24 de agosto, comemora-se uma data muito importante: o Dia da Infância. Para quem não sabe, essa data se propõe a propagar a reflexão sobre as condições sociais, econômicas e educacionais das crianças de todo o mundo.

De acordo com a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), toda criança tem 10 direitos fundamentais – e você pode conferir quais são logo abaixo:

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  1. Princípio I: Direito à igualdade, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade.
  2. Princípio II: Direito à especial proteção para o seu desenvolvimento físico, mental e social.
  3. Princípio III: Direito a um nome e a uma nacionalidade.
  4. Princípio IV:  Direito à alimentação, moradia e assistência médica adequadas para a criança e a mãe.
  5. Princípio V: Direito à educação e a cuidados especiais para a criança física ou mentalmente deficiente.
  6. Princípio VI:  Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade.
  7. Princípio VII: Direito à educação gratuita e ao lazer infantil.
  8. Princípio VIII: Direito a ser socorrido em primeiro lugar, em caso de catástrofes.
  9. Princípio IX: Direito a ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho.
  10. Princípio X: Direito a crescer dentro de um espírito de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos.

Diante desses princípios, resolvemos abordar um tema já muito discutido há diversos anos: a importância do brincar. Afinal, qual é o tamanho da importância das brincadeiras para uma criança? No que ela pode ajudar em seu desenvolvimento físico e mental? Descubra abaixo:

Os primeiros questionamentos sobre o brincar

Desde o fim do século XIX esse assunto rende boas discussões. Isso porque o psicólogo e filósofo francês Henri Wallon, o biólogo suíço Jean Piaget e o psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky queriam compreender como as crianças se relacionavam com o mundo e como conseguiam produzir cultura. Ao investigarem essa realidade dos pequenos, eles constataram que a forma de comunicação entre elas e o mundo se dava através de brincadeiras e era a partir delas que se expressavam culturalmente.

Cada um desses pesquisadores descobriu um assunto mais interessante – e curioso – que o outro:

  • Wallon: A aprendizagem não depende apenas de ensino. Ela necessita, também, de afeto e movimentos.
  • Piaget: As crianças de faixa etária mais baixa fazem descobertas com experimentações e atividades repetitivas, enquanto as de faixa etária mais alta lidam com o desafio de compreender o outro.
  • Vygotsky: Para que a cultura seja produzida, é necessário processos interpessoais, ou seja, não basta o desenvolvimento de apenas uma das crianças, mas deve haver diversas relações dentro de um grupo composto por elas.

Um quarto pesquisador dessa mesma época, o filósofo e historiador holandês Johan Huizinga, resolveu focar os seus estudos na questão do brincar com jogos. De acordo com ele, os jogos fazem parte de todas as fases da vida de uma pessoa e estão na base do surgimento e do desenvolvimento da civilização, chegando até a organizar culturalmente as sociedades.

Já o filósofo francês Gilles Brougère – esse mais recente, 1970 – se dedicou a pesquisar a relação que as crianças tem com os seus brinquedos. Com base em suas pesquisas, Brougère defende que a brincadeira precisa de um contexto social para que ela ocorra, mesmo fazendo parte da essência de qualquer ser humano.

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Esses estudiosos citados são apenas alguns dos que se dedicaram – e ainda se dedicam – a tentar compreender o pensamento infantil. No Brasil, núcleos de pesquisas também se dedicam ao tema, como é o caso do Grupo de Estudo e Pesquisa em Psicopedagogia (Gepesp) da Unicamp.

O que significa e qual a importância do brincar

Brincar – ou brincadeira – é definido como qualquer atividade espontânea ou organizada que proporciona entretenimento, prazer, diversão ou desvio (de algo que esteja acontecendo atualmente em sua vida, por exemplo).

Segundo o Princípio VII dos Direitos das Crianças – que nós listamos ali em cima –, “dar-se-á à criança uma educação que favoreça sua cultura geral e lhe permita – em condições de igualdade de oportunidades – desenvolver suas aptidões e sua individualidade, seu senso de responsabilidade social e moral”. Além disso, esse Princípio também afirma que “a criança deve desfrutar plenamente de jogos e brincadeiras os quais deverão estar dirigidos para educação”.

Quando uma criança brinca, ela está se relacionando e se envolvendo com o seu ambiente num contexto seguro, onde as suas próprias ideias e comportamentos podem ser combinados e praticados. Além disso, através da brincadeira, ela aumenta a sua resolução de problemas e pensamentos flexíveis, aprende a processar e a exibir as suas emoções e também enfrenta o medo de interagir com os outros. O brincar possui um viés que vai muito além da fantasia. Ou seja, enquanto um adulto vê o pequeno simplesmente empilhando bloquinhos, na verdade aquilo está fazendo com que ele experimente possibilidades de construir e conhecer novas cores, formatos e texturas. “É um investimento”, afirma o antropólogo, educador popular e folclorista Tião Rocha, do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, situado em Minas Gerais.

Como Piaget já havia dito lá no século XIX, cada faixa etária estimula um tipo de habilidade. Veja quais são:

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Crianças abaixo de 3 anos:

O ideal para essa faixa etária são as brincadeiras que estimulem os sentidos, pois através delas, as crianças exploram e descobrem cores, texturas, sons, cheiros e gostoso que estão presentes ao seu redor.

Crianças por volta dos 3 anos:

A partir dessa idade, as crianças desenvolvem outro tipo de brincadeira – o faz de conta. Nelas, situações cotidianas são imitadas e fazem com que as crianças lidem com problemas e solução que passam do fazer imaginário para o aprender real.

Crianças a partir dos 5 anos:

A partir dessa idade, as crianças já estão aptas a incluir outras crianças em suas brincadeiras. Com isso, elas aprendem a se relacionar e a criar a habilidade do dividir.

A partir dessas definições das habilidades desenvolvidas em cada faixa etária, veja quais os tipos de brincadeira que podem ser realizadas em cada uma delas:

Faixa etária

Características da criança

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Atividades que podem ser realizadas

0 a 2 anos

1. Tem interesse
2. É curiosa
3. Conhece o nome
4. É negativista
5. Brinca com o outro

Relacionadas ao período sensório-motor: a exploração motora, a sensação/sentidos e a estimulação.

2 a 3 anos

1. São ativas
2. Estão descobrindo as coisas
3. São sensíveis
4. São tímidas
5. São imitadoras

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Por experiências, com brincadeiras, leituras ilustradas, histórias, desenhos, objetos variados, faz de conta, por demonstrações, com
perguntas e respostas, brincadeiras sem regras ou com regras simples, imitações, movimento e jogos diversos.

4 a 6 anos

1. São ativas
2. São questionadoras
3. São medrosas
4. São amigáveis
5. São confiantes
6. São mais atenciosas
7. São interessadas
8. São mais concentradas

Brincadeiras com ou sem regras, atividades com movimentos, representações, recortes, pesquisas, criatividade, atividades em grupos, dramatizações e histórias ilustradas.

11 Motivos para que o seu filho brinque a vontade

Agora que você já sabe o que a brincadeira proporciona no desenvolvimento e na educação das crianças, chegou a hora de listar 11 motivos bem bacanas para que o seu pequeno brinque até não poder mais. Vamos lá?

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1. Combate à obesidade

As brincadeiras ao ar livre são fundamentais para que a criança explore espaços maiores, mexa-se mais e experimente as variações climáticas.

Meia hora de pega-pega, por exemplo, gasta em média, 225 calorias. Já o mesmo tempo de amarelinha, gasta cerca de 135 calorias.

Segundo Daniel Becker, do Instituto de Pediatria da UFRJ, a convivência da criança com a natureza reduz a obesidade, o déficit de atenção e a hiperatividade, além da melhora no desempenho escolar.

2. Permite o autoconhecimento corporal

Desde pequenas, as crianças experimentam o que o corpo – tanto o seu, quanto o dos outros – é capaz.

Luciane Motta, da Casa do Brincar (SP), diz que se os pais permitem que seus filhos corram, tropecem, caiam e levantem de novo, eles aprendem sozinhos sobre as suas possibilidades e limitações.

3. Estimula o otimismo, a cooperação e a negociação

Se o brincar é tão importante, a ponto da UNICEF declarar nos Direitos da Criança, é porque ele tem um fundamento essencial, certo? O psiquiatra Stuart Brown, do The National Institute for Play (Califórnia, EUA), defende que o brincar “trata-se de uma necessidade biológica básica que ajuda a moldar o cérebro. A vantagem mais óbvia é a intensidade de prazer, algo que energiza, anima e renova o senso natural do otimismo”.

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4. Gera resiliência

Uma das habilidades emocionais mais importantes na vida de qualquer pessoa, a resiliência também é desenvolvida a partir de brincadeiras. Quando a criança perde em algum jogo ou quando o seu amiguinho não quer brincar da forma como ela sugeriu, a capacidade de lidar com a frustração entra em ação, fazendo com que ela se adapte e se desenvolva a partir daquilo.

5. Ensina a ter respeito

Ao interagir com amigos, pais ou parentes através de brincadeiras, a criança aprende a respeitar, ouvir e entender os outros e suas diferenças. Gisela Wajskop, doutora em Educação, afirma que: o adulto que brincou bastante em sua infância é alguém aberto a mudanças, além de possuir pensamentos mais divergentes e aceitar mais facilmente as diferenças.

6. Desenvolve a atenção e o autocontrole

Essas habilidades são aperfeiçoadas conforme a criança vai crescendo, seja na montagem de um quebra-cabeça ou no equilíbrio em um pé só.

7. Acaba com o tédio e a tristeza

Brincar ajuda – e muito – na estabilidade emocional da criança. Em um estudo feito pela Universidade de Montreal (Canadá), o brincar, para uma criança, é uma oportunidade de experimentar felicidade, combater o tédio, a tristeza, o medo e a solidão.

8. Incentiva o trabalho em equipe

Vivemos em um mundo que está cada vez mais conectado. Por isso, jogos coletivos possuem uma importância grande na hora do desenvolvimento dessa habilidade nas crianças. Brincadeiras como futebol ou queimada fazem com que os pequenos tenham a capacidade de se relacionar com os demais, além de exigir que eles pensem e ajam como parte integrante de um grupo.

9. Instiga o raciocínio estratégico

Jogos que possuam regras preestabelecidas, como os de tabuleiro, fazem com que a criança raciocine melhor cada passo que irá dar, além de fazer com ela argumente mais, espere e tome decisões por conta própria.

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10. Promove criatividade e imaginação

Itens como caixas e baldes chamam muito mais a atenção das crianças – principalmente as menores. Isso porque esses objetos não induzem a uma ideia pronta daquilo e incentivam a imaginação. Essa habilidade pode ser desenvolvida através da leitura de histórias, da brincadeira de boneca ou da construção de um brinquedo com sucata.

11. Estabelece regras e limites

Com o brincar, a criança reconhece a aprende a respeitar os limites do seu espaço e também o dos outros, bem como aprende a lidar com as regras – item essencial para que a convivência em sociedade seja boa.

Esperamos que tenha gostado desse artigo, fizemos especialmente pensando no bem-estar do seu filho – e também do seu. Ah, e lembre-se: brincadeira é coisa séria. Compartilhe com seus amigos e propague essa ideia também!

Referências

http://www.rebidia.org.br/647-24-de-agosto-dia-da-infancia
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/declaracao_universal_direitos_crianca.pdf
http://novaescola.org.br/educacao-infantil/4-a-6-anos/brincar-importante-criancas-pequenas-612994.shtml
https://pathways.org/news/articles/importance-of-play-in-childrens-development/
http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2005/anaisEvento/documentos/com/TCCI057.pdf
http://revistacrescer.globo.com/Brincar-e-preciso/noticia/2015/03/importancia-do-brincar-11-motivos-para-seu-filho-se-divertir-muito.html

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