Antigamente existia a preocupação de que as crianças não ficassem muito tempo em frente à televisão. Hoje isso continua, porém o dispositivo pode ter mudado.
Os chamados smartphones e tablets podem até ser um bom entretenimento para os pequenos, mas o fato é que eles podem afetar sua coordenação motora e sua capacidade cognitiva ao longo do tempo.
O perigo está na quantidade de horas em frente às telas: quando esse tempo é elevado, isso pode afetar o desenvolvimento da criança.
Essa relação foi estabelecida através de uma pesquisa canadense publicada na revista JAMA Pediatrics, que analisou se o uso dos celulares na infância tem relação com mau desempenho em testes de desenvolvimento infantil.
O primeiro passo foi acompanhar mais de 2 mil mães e seus filhos (desde o nascimento até o crescimento dos bebês).
Desde o começo da pesquisa as mães informaram aos pesquisadores o tempo que seus filhos passavam no celular em dias úteis e fins de semana. Elas também responderam questionários relacionados ao desempenho da criança em testes de desenvolvimento aos 2, 3 e 5 anos de idade.
Como resultado, os pesquisadores observaram que crianças de 24 meses que ficavam mais tempo em frente às telas tiveram resultados ruins em testes de desenvolvimento aos 36 meses. O mesmo aconteceu em testes para idades seguintes.
Apesar de não explicar de forma clara as relações entre causa e efeito, o estudo confirma a existência de uma possível ligação entre o excesso de uso de telas e dificuldades no desenvolvimento.
Portanto, a questão é que o problema não está no uso do celular, mas sim nas horas que a criança fica conectada aos dispositivos.
Pais devem restringir o uso das tecnologias
O alerta aos pais é sempre necessário. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) não recomenda o uso de celulares e tablets para crianças menores de 2 anos. E naquelas com idade entre 2 a 5 anos, o uso deve ser de apenas uma hora por dia, e sempre com a supervisão de um adulto.
Nessa faixa etária, é importante que os pais diminuam as horas que o filho fica em frente aos aparelhos, e troque-as por um momento em família ou por atividades com outras crianças. Ou seja, é fundamental ensinar o filho a interagir, conversar e ter contato com outras pessoas.
E se a criança tiver uma idade maior, é importante que os pais tenham acesso a tudo que ela vê. Conteúdos violentos e de natureza sexual são facilmente encontrados na internet. Por isso, vale a preocupação de não deixar o pequeno em contato com esse tipo de material.
Mas também vale lembrar que nem tudo é ruim. Uma boa utilização dos dispositivos conectados à internet pode trazer alguns benefícios para a criança.
Programas educativos, jogos que ajudam no aprendizado, são exemplos que podem auxiliar para que seu filho trabalhe as habilidades cognitivas.
Contudo, isso também precisa partir dos pais, que devem ter o controle sobre o aparelho da criança, independente da idade.
Uma vez que as crianças utilizam os dispositivos móveis em excesso, elas se distanciam de amigos e familiares. Isso as deixa menos pacientes, menos atentas e com menor capacidade de se expressar.
Por isso, não troque os momentos com seu pequeno e estimule o bom uso das tecnologias!
Fonte: JAMA Pediatrics