A constelação familiar é um método que visa resolver conflitos ou problemas da vida de uma pessoa. Em grupo ou individualmente, o ponto principal é a compreensão de que a história familiar e as ações passadas dos parentes podem interferir na vida presente.

Com isso, muitas dificuldades, medos, receios, problemas mentais e até físicos podem ser decorrentes de fatos mal resolvidos ou ações feitas por um membro distante — e até já falecido.

O método é simples, sendo que cada sessão se destina a resolver um problema. Assim, a constelação familiar pode reorganizar as formas com que a pessoa lida com sua vida e suas dificuldades.

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O que é constelação familiar?

A constelação familiar visa trabalhar os problemas mentais e físicos das pessoas, como dificuldades sociais, doenças, traumas e medos.

Para isso, tem como ponto de partida as relações familiares, incluindo antepassados e pessoas falecidas. Isso porque, a abordagem defende que a origem dos problemas está nas relações do passado.

Essa prática se baseia na ideia de que as pessoas carregam “memórias” das vidas de seus familiares e tendem a repetir as vivências das gerações passadas. Essas memórias não são conscientes, mas influenciam as ações de uma pessoa.

Isso se dá por conta de um fenômeno chamado campo morfogenético, uma hipótese pouco aceita na comunidade científica que diz respeito a uma espécie de memória coletiva de todas as coisas.


Nesses campos, encontram-se informações sobre padrões de forma e comportamento de cada coisa que se organiza de maneira independente. Cada espécie de animal, cristais e até mesmo galáxias possuem seu próprio campo morfogenético.

Essas informações são repassadas a todos os indivíduos dentro do campo de uma espécie independente de distância física ou temporal. Assim, indivíduos vivos no momento podem captar informações das gerações passadas mesmo sem ter tido qualquer contato com elas.

A mesma coisa acontece com as famílias: padrões de comportamentos são repassados de geração em geração por meio do campo morfogenético da família.

Seguindo essa lógica, muitos dos problemas atuais de uma pessoa podem ser, na realidade, problemas de seus antepassados.

O método da constelação familiar foi desenvolvido por Bert Hellinger, filósofo alemão que observou na tribo Zulu, na África do Sul, uma nova maneira de resolver os problemas entre as pessoas.

Para complementar sua teoria, Hellinger postulou 3 leis do amor que, quando rompidas, são as responsáveis pelos desequilíbrios do campo morfogenético familiar. São elas:

  • Lei do pertencimento: todo mundo tem o direito de pertencer a uma família ou clã. Quando, em gerações passadas, um membro da família é excluído (independente do motivo), isso pode se manifestar no sistema familiar atual;
  • Lei da hierarquia: todo indivíduo ocupa um espaço específico na família e não pode ocupar o espaço dos outros membros. Um filho não pode ocupar o lugar de um pai, por exemplo;
  • Lei do equilíbrio: é preciso que haja um equilíbrio entre dar e receber dentro da família. Esse desequilíbrio gera sentimentos de culpa, dependência e desvalorização.

Vale lembrar que a constelação familiar carece de evidências científicas e, portanto, não é uma prática reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), nem pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Ainda assim, a prática é oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares.

Também é usada no Judiciário, auxiliando na conciliação em processos judiciais familiares, como guarda de crianças, alienação parental, pensão alimentícia, entre outros.

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Para que serve: qual o objetivo da terapia da constelação?

O objetivo da constelação familiar é entrar em contato com o campo morfogenético da família do cliente e identificar o desequilíbrio que está sendo transmitido pelo campo, para enfim conseguir resolver a queixa principal.

Um casal que está se separando, por exemplo, pode descobrir por meio da constelação familiar que a separação de casais ocorre na família da esposa há muitas gerações e ela estava apenas repetindo o padrão sem necessidade.

A terapia da constelação familiar visa quebrar esse padrão, a fim de que o passado não tenha influência sobre as gerações atuais e as próximas.

O trabalho da constelação familiar é rápido e se dá em apenas uma sessão, pois busca resolver apenas um problema por vez. Caso haja outros problemas a serem resolvidos, o cliente deve procurar o terapeuta para uma nova sessão.

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Como funciona a sessão?

A sessão é geralmente feita em grupo, mas também pode ser feita individualmente com o auxílio de pedaços de papel, bonecos ou outros objetos como representantes dos familiares do cliente.

O terapeuta, também chamado de constelador, faz um interrogatório para saber mais sobre a vida do cliente e o problema que deseja resolver.

Em seguida, o terapeuta escolhe algumas pessoas da família com quem o trabalho será feito e o cliente escolhe pessoas do grupo, preferencialmente desconhecidas, para representar esses familiares.

Cada representante é posicionado na sala, compondo uma formação que retrata as relações do cliente.

É importante que todos possam ser observados, pois seus movimentos, olhares e postura corporal revelarão ao terapeuta como a sessão deve ser conduzida.

A formação feita pelo cliente é a chamada constelação familiar. A partir dela, é possível entrar em contato com o campo morfogenético da família, fazendo com que os representantes assumam sentimentos, percepções e impulsos dos membros representados.

A partir disso, os representantes podem agir sozinhos de acordo com esses impulsos ou o terapeuta pode fazer intervenções para ajudar a resolver possíveis impasses.

Deixando-se guiar por essas informações obtidas por meio do campo morfogenético, ocorrem diálogos que promovem o equilíbrio e a resolução dos problemas no âmbito familiar.

Além de trazer mais compreensão ao cliente acerca do seu problema, espera-se que o campo morfogenético seja afetado por essas conversas e movimentações de representantes.

Isso traz equilíbrio para a família, mesmo que os membros representados não tenham realmente participado da sessão.

Depois que o cliente sentir que o problema está resolvido, os representantes saem de seus papéis e se encerra a sessão.

Não é recomendado comentar sobre o trabalho com os familiares ou outras pessoas, mas às vezes pode haver uma uma roda de discussão para compartilhar o que foi trabalhado dentro do próprio grupo da sessão.

Sessão individual: como funciona?

O procedimento é bastante semelhante, em que os membros familiares são representados, visando resolver conflitos da vida do cliente. 

No entanto, em vez de pessoas assumindo o papel dos familiares, são utilizados bonecos ou pedaços de papel no chão. Neste último, o cliente assume a representação e participa mais ativamente.

Para a escolha dos bonecos, pede-se que o cliente imagine e reviva as situações de conflito em sua mente. Percebendo as emoções e sentimentos, o terapeuta vai captando as tensões e liberando os fluxos.


Diversas práticas ajudam, com abordagens diferentes, na resolução de problemas, conflitos e dificuldades.

Muitas técnicas e métodos são empregados visando melhorar as relações sociais, familiares, pessoais e profissionais, trabalhando aspectos da vida de cada pessoa.

A constelação familiar é uma delas. Por meio da centralidade na família, o método se dedica a liberar fluxos de energia acumulados pelas práticas e ações de parentes próximos ou distantes.

Com o auxílio de um terapeuta mediador, as sessões são focadas em cada problema trazido pelo cliente, buscando resolvê-lo pelo diálogo e compreensão do passado.

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