Quais os sintomas de diabetes? Pré, tipo 1, tipo 2, gestacional e mais

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Revisado por: Dr. Paulo Caproni (CRM/PR 27679) – Medicina Preventiva e Social

Quando o organismo não produz quantidades suficientes ou não é capaz de utilizar adequadamente o hormônio insulina, as taxas de açúcar (glicose) no sangue ficam elevadas, caracterizando o diabetes.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), mais de 14 milhões de pessoas sofrem com a doença somente no Brasil.

Além do número alarmante, a SBD ainda aponta que cerca de metade destas pessoas não sabe da condição — muitas vezes devido à dificuldade em perceber ou reconhecer os sintomas que podem ser leves e brandos, mas também bastante incômodos.

Há 3 tipos mais comuns de diabetes — tipo 1, tipo 2 e gestacional —, sendo que todos apresentam sintomas bastante semelhantes e que tendem a ser rapidamente amenizados com o início do tratamento.

Isoladamente, nem sempre os sinais podem remeter ao diabetes, mas após o diagnóstico o paciente começa a perceber que a disfunção do hormônio insulina já dava indícios.

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. Sintomas de diabetes tipo 1 e 2
  2. Sintomas de diabetes gestacional
  3. Sintomas de pré-diabetes
  4. Sintomas após o diagnóstico

Sintomas de diabetes tipo 1 e 2

Os pacientes podem apresentar sintomas bastantes semelhantes no diabetes tipo 1 (mais comum em crianças) e 2 (mais comum em adultos e pessoas obesas), pois em ambos ocorre uma elevação das taxas de glicemia (concentração de glicose no sangue).

É importante lembrar que às vezes o paciente pode apenas não produzir quantidades suficientes de insulina ou, outras vezes, não produzir nenhuma quantia, fazendo com que os sintomas variem em intensidade.

Em ambos os tipos podem ocorrer:

Excesso de urina

Muito xixi e idas frequentes ao banheiro caracterizam um dos principais sinais do diabetes. Para entender porque a bexiga funciona mais, vale conhecer ou relembrar como funciona o organismo:

Quando o carboidrato (açúcar) entra no organismo, o pâncreas produz e libera a insulina como resposta ao aumento da glicose no sangue. O hormônio regulador vai auxiliar esse açúcar que está circulando no sangue a entrar nas células e gerar energia para o corpo.

Porém, nos pacientes com diabetes, a insulina não age da forma correta ou não é produzida para fazer essa captação da glicose. Ou seja, todo ou parte do açúcar consumido fica circulando no sangue.

Por outro lado, os rins têm a função de filtrar o sangue, eliminando impurezas. Como há excesso de açúcar no sangue, o trabalho renal fica mais intenso e sobrecarregado, sendo que é preciso eliminar toda essa captação de impurezas.

Assim, é através da urina que todas elas serão eliminadas, mas com tanto açúcar circulando, a concentração do xixi fica bem mais densa. Por isso, os rins começam a diluir mais o que será eliminado. Ou seja, ele precisa conseguir mais líquido do corpo.

Isso aumenta as idas ao banheiro — sinalizando um dos principais sinais de diabetes — e, ao mesmo tempo, coloca o corpo numa situação de desidratação. Assim, o paciente começa a sentir mais sede.

Aumenta a ingestão de água e, por consequência, aumenta ainda mais a vontade fazer xixi.

Sede exagerada

Muita sede. Mas muita sede mesmo. Pacientes com diabetes geralmente vão beber muita água e, mesmo assim, a sensação de boca seca não vai ser amenizada.

O sintoma é uma tentativa do organismo eliminar o açúcar do sangue através da urina. Esse sintoma, muito característico da doença, forma um ciclo com a vontade fazer xixi, pois quanto mais água se ingere, mais se vai ao banheiro.

Às vezes, o organismo ainda produz alguma quantia de insulina, o que faz com que a glicemia não se eleve tanto e a ingestão de água não seja tão intensa. Mas, sobretudo no tipo 1, os episódios de sede insaciável são bastante intensos.

Aliás, crianças e idosos apresentam com mais frequência incontinência urinária — que também pode ocorrer em adultos. Isso porque o consumo de líquidos é tão grande, que não há tempo hábil da bexiga sinalizar a urgência de fazer xixi. Então, acidentes podem acontecer.

Fome excessiva

Mesmo que faça apenas algumas horas (ou menos) de uma refeição fortificada, o organismo começa a dar sinais de fome.

Isso acontece porque a glicose precisa entrar nas células para produzir energia, agindo como uma sinalização de que tudo está funcionando bem.

Porém, sem a insulina para levar o açúcar para dentro da célula, o corpo entende que há uma falta de nutrientes necessários para desempenhar as funções.

Como essa energia vem das refeições, é preciso enviar sinais de fome como um alerta.

Outro possível motivo para a fome é a hipoglicemia. Se a pessoa passar muitas horas sem comer ou se praticar uma atividade muito intensa, é possível que o estoque de açúcar no sangue caia drasticamente, configurando um episódio de hipoglicemia.

Nesse caso, o organismo está efetivamente sem glicose e, para repor, precisa que haja ingestão de alimentos. Assim, a fome é um sinal de alerta que o corpo recebe.

Perda de peso

Não houve nenhuma mudança na alimentação ou nas atividades físicas — ou se houve, foi um aumento da ingestão alimentar —, e mesmo assim o peso começa a diminuir. Geralmente, o emagrecimento é rápido e acentuado, sobretudo no diabetes tipo 1.

Novamente, é culpa da glicose que não entra nas células. Como o organismo precisa continuar mantendo as funções do sistema, outras fontes de energias começam a ser utilizadas, por exemplo a gordura e as proteínas.

Ou seja, tanto os tecidos gordurosos quanto os tecidos magros (músculos) são consumidos, gerando uma redução de peso bastante prejudicial.

Cansaço excessivo e sonolência

Sem células capazes de produzir energia, toda atividade fica mais difícil. Como as proteínas começam a ser utilizadas para a obtenção de energia, a força e resistência podem ser diminuídas.

Também é preciso lembrar que com a produção excessiva de urina, o corpo fica desidratado e a sensação de cansaço é ainda maior.

Além disso, o sono pode se apresentar mais intensamente no paciente, geralmente quando a glicemia está consideravelmente alta (logo após as refeições, por exemplo). Há episódios em que a sonolência é extrema, afetando a produtividade de modo intenso.

Manchas na pele (dermopatia diabética)

Podem ocorrer manchas ou escurecimentos da pele, sobretudo na virilha, axilas e pés. Essas alterações são causadas pelo espessamento dos vasos sanguíneos mais superficiais, devido a diferentes mecanismos (alteração da produção de proteínas da parede dos vasos sanguíneos e do colágeno, por exemplo) fazendo com que a região fique escura.

Coceira e pele sensível

O primeiro aspecto que pode desencadear a coceira na pele do paciente com diabetes é a desidratação. Como há uma perda excessiva de urina, o corpo elimina líquidos e os tecidos são afetados.

Sem água, a pele fica seca e frágil, favorecendo a coceira, irritação e descamação.

Outro fator é que o excesso de açúcar pode reduzir ou interferir na produção celular de queratinócitos, que são células abundantes da pele. Com essa redução, o tecido fica frágil, fino e sensível, favorecendo a coceira e a irritação.

Alterações da visão

A pessoa pode perceber uma dificuldade de enxergar corretamente, que é geralmente variável. Isso significa que, nos dias em que a glicemia está mais elevada, a visão fica pior, podendo apresentar melhoras nos dias posteriores.

Isso acontece porque o excesso de açúcar no sangue afeta a estrutura dos olhos, alterando a forma do cristalino (uma das camadas dos olhos). Como a flexibilidade é acometida, a capacidade da visão focar e ficar nítida é prejudicada, resultando em imagens turvas e embaçadas. Com o passar dos anos, o diabetes não tratado pode levar à cegueira.

Dificuldade de cicatrização

Como a dificuldade de cicatrização não é um sinal muito evidente, geralmente os pacientes só associam esse fator ao diabetes depois que o diagnóstico é realizado ou quando há comprometimento grande da lesão (por exemplo, uma pequena ferida que se agravou devido à falta de cicatrização).

O excesso de açúcar no sangue afeta os vasos sanguíneos, sobretudo dos pés, e promove uma diminuição da oferta de células nos extremos do corpo. Quando feridas acontecem, mesmo que pequenas, há menos glóbulos brancos chegando até elas.

São esses glóbulos os responsáveis por cicatrizar a região, então os cortes e lesões simples podem levar semanas para melhorar — o que também aumenta o risco de infecções.

Dores e formigamentos

As pernas e os pés são bastante afetados pelo excesso de açúcar circulando no sangue, pois células importantes da pele e dos vasos sanguíneos começam a ser produzidas em menor quantidade.

Assim como a pele fica mais ressecada e frágil, a parede dos vasos sanguíneos fica mais rígida e contraída, fazendo com que a circulação seja afetada.

Sem a quantidade de sangue adequada chegando aos membros (sobretudo aos pés), o resultado é que cãibras, dores nas articulações e formigamentos acontecem com mais intensidade.

Alterações de humor

Mudanças constantes e intensas de humor geralmente acompanham os sintomas do diabetes.

É preciso considerar que há múltiplos fatores envolvidos nas alterações e que, nem sempre, elas são simples de controlar.

Além da letargia, causada pelo cansaço e sonolência, o paciente pode apresentar picos de irritabilidade intensa que podem ser ocasionados por episódios de hipoglicemia.

Além disso, diversas disfunções estão ocorrendo no organismo, provocando mal-estar, o que por si só pode gerar cansaço e sensibilidade emocional.

Cetoacidose

O quadro é mais comum em pessoas com diabetes tipo 1, mas pode ocorrer no tipo 2 também. A cetoacidose é marcada por manifestações de náuseas, vômitos, confusão mental, alterações da respiração e um cheiro característico de acetona na boca.

O processo ocorre porque o organismo está tentando obter energia de outras fontes — já que a glicose não consegue entrar nas células — e, para isso, são utilizadas as proteínas e gorduras.

Apesar de parecer uma boa alternativa recorrer a outras opções, essa substituição libera uma grande quantia de ácidos, chamados de cetoácidos.

Normalmente, a condição ocorre quando a glicemia permanece na faixa de 500mg/dl ou mais por muito tempo. O valor representa a quantidade (concentração) de açúcar que está circulando no sangue, sendo que o ideal é manter em valores de até 180mg/dl após as refeições e abaixo de 100mg/dl após jejum de 8 horas.

Além do cheiro característico de acetona no hálito, o paciente pode apresentar náuseas, vômitos e emagrecimento acelerado.

Infecções

As concentrações elevadas de açúcar no sangue afetam a imunidade do paciente e podem favorecer as infecções, pois o organismo fica debilitado e faz com que o combate aos agentes infecciosos seja prejudicado.

É bastante comum que ocorram quadros de foliculite (infecção dos folículos) e infecção das unhas com frequência.

Outro fator que incide no aumento das infecções é que a pele, que está fragilizada, pode demorar mais para se recuperar de cortes e machucados. Como as feridas ficam mais tempo abertas, os riscos de contaminação por outras bactérias ou agentes é maior.

Sintomas de diabetes gestacional

Durante a gravidez, a gestante pode desenvolver quadros de elevação glicêmica porque a placenta produz substâncias capazes de inibir a ação do hormônio insulina, caracterizando a diabetes gestacional.

Geralmente, a paciente realiza o acompanhamento durante a gravidez, para evitar riscos ao bebê, e o quadro se normaliza gradualmente após o parto. Mas é preciso sempre reforçar os cuidados ao longo da vida.

Os sintomas da diabetes gestacional são normalmente mais leves e brandos se comparados aos do tipo 1 ou 2, sendo que muitas mulheres sequer manifestam sintomas.

Quando ocorre, há na maioria das vezes aumento de sede, mais vontade fazer xixi, cansaço e sonolência exagerados.

O acompanhamento médico no pré-natal e a realização de exames é fundamental porque os sintomas e sinais do diabetes gestacional, na maioria dos casos, ocorrem apenas quando há uma elevação grave da glicemia.

Sintomas da pré-diabetes

Quando os níveis de açúcar no sangue estão mais elevados do que o adequado, mas ainda não caracterizam um quadro de diabetes tipo 2, o paciente é classificado num estágio de pré-diabetes.

Exames de até 99mg/dl de glicemia em jejum de 8 horas são considerados normais. Entre 100mg/dl e 125mg/dl, o paciente deve iniciar acompanhamento e adotar mudanças na rotina e na alimentação.

Apesar de poder manifestar sintomas comuns da diabetes, como sede e excesso de urina, a grande maioria dos pacientes não têm sintomas, fazendo o diagnóstico ser, muitas vezes, mais demorado.

Vale lembrar que o pré-diabetes ocorre apenas no tipo 2 da doença e, se devidamente tratado e acompanhado, pode ser revertido, evitando que o quadro evolua.

Sintomas após o diagnóstico

Mesmo os pacientes que receberam o diagnóstico e realizam um acompanhamento constante vão sofrer com alguma variação de glicemia ao longo da vida.

Isso porque as taxas glicêmicas são bastante flutuantes e dependem de fatores como a alimentação, as atividades físicas, o uso de outros medicamentos e aspectos emocionais.

É preciso lembrar que episódios de hiperglicemia (aumento do açúcar no sangue) e hipoglicemia (queda do açúcar no sangue) podem ocorrer e são corrigidos de maneira pontual.

Quando essas situações são constantes, é preciso avaliar o tratamento ou os hábitos, ajustando doses dos medicamentos ou fazendo um melhor controle glicêmico.

Apesar de poder haver diferenças para cada pessoa, algumas manifestações são bastante comuns nas hipos ou hiperglicemias.

É importante conhecer (e saber reconhecer) os sintomas mais comuns, considerando que os níveis de sensibilidade podem variar — ou seja, nunca esqueça seu aparelho de glicosímetro!

Hipoglicemia

Quando o açúcar cai muito no sangue, uma série de sintomas e sinais podem se manifestar, como:

  • Irritação;
  • Confusão mental;
  • Suor frio;
  • Calor intenso;
  • Tremores;
  • Tontura;
  • Pele pálida;
  • Fome;
  • Palpitação (coração acelerado);
  • Dificuldade de concentração;
  • Formigamento na boca;
  • Dificuldade em falar.

Os sintomas podem começar quando a glicemia fica abaixo de 70mg/dl, mas a sensibilidade é variável. Há pacientes que apresentam sintomas apenas com níveis extremamente baixos, próximos de 40mg/dl.

Se a hipoglicemia se agravar, desmaios e convulsões podem ocorrer.

Hiperglicemia

Quando o açúcar se eleva muito e não há correção com a insulina ou medicamentos, o organismo pode manifestar sinais de:

  • Sono;
  • Lentidão;
  • Sede intensa;
  • Urina excessiva;
  • Dificuldades de visão (visão turva);
  • Dor de cabeça;
  • Mal-estar.

Após a correção e redução da taxa glicêmica, os sintomas geralmente melhoram rapidamente, mas dependendo da sensibilidade do paciente, pode haver “resquícios” da hiperglicemia. Ou seja, sensações de mal-estar, cansaço ou lentidão por algumas horas, até que organismo se recupere.


Os sintomas de diabetes podem ser bastante brandos e, às vezes, ocasionar a demora no diagnóstico.

É importante estar atento aos sinais do organismo e saber reconhecer as mudanças, que podem ocorrer de forma lenta, mas também repentinamente.

Para quem recebe o diagnóstico de diabetes, é necessário manter o tratamento adequadamente e monitorar as taxas glicêmicas, estando sempre atento aos sinais do corpo.

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Fontes consultadas

  • Dr. Paulo Caproni (CRM/PR 27.679 | CRM/SC 25.853 | CRM/SP 144.063), graduado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Residência Médica em Medicina Preventiva e Social pela USP-SP (PROAHSA). MBA em Gestão Hospitalar e de Sistemas de Saúde (CEAHS) pela FGV-SP
  • Linha Guia de Diabetes Mellitus – Secretaria de Estado da Saúde do Paraná
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