O que é Espondilolistese? Graus, exercícios, fisioterapia e cirurgia

0

O que é Espondilolistese?

A espondilolistese é um condição ortopédica em que há o deslizamento de uma vértebra sobre a outra. Ao se deslocar, a vértebra causa um desalinhamento da coluna, ocasionado por algum defeito nas partes interarticulares da região.

A condição afeta sobretudo a região lombar, entre os níveis L5-S1 (região da última vértebra lombar e região sacral), acarretando em instabilidade da coluna, mas nem sempre há sintomas ou alteração perceptível da curvatura. Assim, mesmo que haja modificação no eixo do corpo, há dificuldade em realizar o diagnóstico em alguns casos.

Quando o deslizamento vertebral é acentuado, está em progressão ou causa dores intensas, a cirurgia é o recurso mais indicado. Mas outras abordagens podem amenizar o problema, como a fisioterapia e o pilates.

O termo, utilizado desde 1984, deriva do grego spondylos, que se refere à vértebra, e olisthesis, que significa deslizar. Atualmente, está listado sob o código M43.1 do CID (Classificação Internacional de Doenças).

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é Espondilolistese?
  2. A coluna vertebral
  3. Espondilolistese e espondilólise: qual a diferença?
  4. Tipos de Espondilolistese
  5. Causas
  6. Grupos e fatores de risco
  7. Sintomas
  8. Como é feito o diagnóstico?
  9. Tem cura?
  10. Qual o tratamento?
  11. Exercícios
  12. Cirurgia para espondilolistese
  13. Medicamentos
  14. Convivendo
  15. Prognóstico
  16. Complicações
  17. Como prevenir

A coluna vertebral

Para compreender melhor a condição de espondilolistese, é necessário olhar a coluna vertebral e sua constituição como um todo.

A coluna vertebral, que também pode ser chamada de espinha dorsal, é constituída por 24 vértebras flexíveis e 9 fundidas, que compõem o sacro e o cóccix, e se estende do crânio até a pelve.

Dividida em 7 vértebras cervicais (localizadas na parte superior, mais próximas ao crânio), 12 vértebras torácicas (parte intermediária, próximas ao tórax), e 5 vértebras lombares (região final do segmento, próximas ao umbigo), a coluna permite uma relativa flexibilidade e movimentação ao corpo.

Funções

Uma das principais funções da coluna vertebral é a sustentação, exercendo relação direta com a postura e a locomoção. Por isso, qualquer anomalia ou condição que possa comprometer a correta articulação vertebral, impacta na movimentação dos membros, qualidade da flexibilidade ou manutenção do eixo corporal.

Outras funções da coluna são:

  • Proteção da medula espinhal e nervos espinhais;
  • Suporte do peso corporal;
  • Centro de fixação para as costelas, cintura pélvica e músculos dorsais;
  • Atuação como eixo flexível, permitindo a movimentação e curvatura do corpo.

Estrutura da coluna vertebral

A coluna cervical é composta por 7 vértebras, que são as menores de toda a coluna. Cada uma recebe uma numeração (vértebra cervical 1 à 7, ou C1 à C7), e possui discos intervertebrais mais estreitos do que os demais.

Abaixo da região cervical se situa a coluna torácica, parte média do segmento, que possui 12 vértebras denominadas de T1 a T12, estando 7 delas articuladas com a cabeça das costelas.

Na parte baixa da coluna, região lombar, há 5 vértebras que vão de L1 a L5. Em geral, é a região que mais recebe pressão devido o peso corporal, sendo um ponto bastante acometido pelos problemas de coluna, entre eles, a espondilolistese.

Sacro e Cóccix representam a última parte do segmento da coluna, apresentando vértebras fundidas em um formato grande triangular.

Além das estruturas ósseas (vértebras), a coluna possui ligamentos e amortecedores que permitem o encaixe, conexão e flexibilidade do segmento chamados de discos intervertebrais e articulações facetárias.

Os discos intervertebrais são estruturas cartilaginosas com pouca circulação sanguínea, com tamanho, espessura e formato que variam de acordo com a localização, podendo compor até 25% do comprimento da coluna.

A estrutura é responsável pela separação e amortecimento entre os corpos ósseos. Por isso, os problemas de coluna, anomalias ou lesões geralmente estão relacionados ao desgaste, envelhecimento ou desidratação da camada cartilaginosa.

As facetas articulares, ou articulações facetárias, são as responsáveis pelo ligamento das vértebras e atuam na estabilização da coluna na devida movimentação dos membros inferiores.

Espondilolistese e espondilólise: qual a diferença?

Ambas podem causar dores e desconfortos ao paciente, no entanto a espondilolistese e espondilólise são condições diferentes.

A espondilólise se configura apenas como um desgaste, fragilização ou lesão da articulação vertebral, se apresentando como um defeito no segmento vertebral que acarreta na descontinuidade óssea.

A espondilólise não causa o escorregamento vertebral, porém é uma condição que favorece o deslocamento ósseo.

Quando a vértebra desliza sobre a outra, configura-se um quadro de espondilolistese. Entre 50% e 81% dos casos de espondilólise evoluem para o escorregamento vertebral.

Tipos de Espondilolistese

Pode-se classificar a espondilolistese quanto ao grau e quanto à causa. A porcentagem de escorregamento compreende o quanto a vértebra está sobreposta à outra e compreende 5 graus.

GrauEscorregamento
Grau 1até 25%
Grau 2entre 25% e 50%
Grau 3entre 50% e 75%
Grau 4entre 75% e 100%
Grau 5acima de 100% (espondiloptose)

No entanto, a classificação geralmente adotada pela área médica obedece a 5 categorias.

Displásica

É uma anormalidade congênita (desenvolvida ainda na gestação) dos elementos da vértebra. Na maioria dos casos, há uma formação irregular do arco neural (parte vertebral posterior) e que propicia o deslizamento da vértebra L5 (última vértebra lombar) sobre a S1 (parte superior da região sacral).

A incidência é maior em crianças e as acomete já na primeira infância.

Ístmica

Movimentos repetitivos de extensão e torção podem acarretar em estresse à articulação, gerando fadiga e desgaste das extremidades que se conectam (pares articulares).

Tipo mais frequente da doença, a condição acomete sobretudo adolescentes e jovens adultos, sendo frequente no nível L5-S1 (final da coluna lombar e início do sacro).

Existem 3 subtipos de alterações ístmicas:

  • Separação causada por stress devido à repetição ou impacto;
  • Istmo alongado (o istmo é uma membrana que une duas paredes do órgão ou dois órgãos. No alongamento, ele apresenta fragilidade ou pouca resistência);
  • Separação devido à trauma severo (pancadas ou lesões).

Degenerativa

Os discos e facetas vertebrais sofrem processos degenerativos, apresentando instabilidade entre os segmentos vertebrais. Ocorre com maior frequência em mulheres acima de 40 anos e fruto de condições congênitas ou doenças que afetem a composição cartilaginosa.

Traumática

As causas são batidas ou acidentes da área vertebral que geram fraturas agudas. Em geral, os casos são diagnosticados logo após a lesão e apresentam boa resposta ao tratamento de imobilização.

Patológica

Processos neoplásicos (desenvolvimento celular exagerado), metabólicos e doenças reumáticas são as causas mais frequentes da espondilolistese. No entanto, patologias como tuberculose, sífilis, doença de Paget, doença de Albers-Schönberg e artrogripose (rigidez e má formação dos tecidos articulares) podem acarretar no deslizamento das vértebras, pois há o enfraquecimento do tecido intervertebral.

Causas

O deslocamento vertebral pode ser adquirido, devido traumas ou lesões, ou congênito, ocasionado pela má formação e disposição das vértebras ainda no período gestacional.

Processos traumáticos

O trauma é de ordem adquirida e pode gerar fraturas agudas, advindas de batidas de alto impacto, ou fratura de stress, em que o desgaste intervertebral é causado pela repetição excessiva de movimentos.

São frequentes em esportistas e atletas, que tendem a exigir bastante da coluna e executar movimentos intensos e repetidos.

Processo pós-cirúrgico

A intervenção cirúrgica pode provocar ou piorar o escorregamento vertebral, acentuando o deslocamento. São raras as incidências e, geralmente, causadas pelo repouso e recuperação inadequados.

Processo congênito

Advém da formação e desenvolvimento no período da gestação. A constituição óssea é alinhada incorretamente, favorecendo o escorregamento vertebral, que pode demonstrar sintomas já na primeira infância ou ocorrer apenas na fase adulta.

Processo degenerativo

A degeneração causa um desgaste intervertebral acentuado. A condição é mais comum em idosos devido à idade, mas pode ser ocasionada também por doenças degenerativas que aceleram o desgaste celular.

Processo patológico

É resultado de doenças, tumores ou infecções que geram o enfraquecimento da coluna ou diminuição dos tecidos cartilaginosos. As associações mais comuns são com:

  • Metástase;
  • Doenças reumáticas;
  • Tuberculose;
  • Doença de Paget;
  • Doença de Albers-Schönberg;
  • Artrogripose;
  • Sífilis.

Grupos e fatores de risco

O escorregamento acomete cerca de 5% da população, sendo mais frequente no sexo masculino, numa proporção de 2 homens para cada 1 mulher diagnosticada.

Pacientes diagnosticados com espondilólise, que é a lesão dos pares de articulação sem o deslizamento, podem apresentar propensão de evoluir para a espondilolistese.

Para praticantes de exercícios físicos intensos, o desgaste intervertebral é resultado da repetição de movimentos que nem sempre são intensos, porém são repetitivos. Atividades que forçam a região lombar, como ginástica olímpica, mergulho e levantamento de peso aumentam os riscos de fratura devido ao esforço e rotação do disco intervertebral, ocasionando um desgaste mais acentuado e favorecendo a lesão por stress.

Em idosos e portadores de doenças degenerativas o próprio esforço para manter o corpo alinhado e estabilizado pode ser excessivo para o disco, pois há fragilização das ligações vertebrais. A condição pode causar o rompimento ou extensão da camada intervertebral.

Em crianças de até 6 anos, há uma incidência de 2,6%, enquanto em adultos é de 5,4%. Abaixo dos 40 anos, a condição degenerativa é rara. Porém, no casos relatados, as mulheres são as mais afetadas, chegando a ser 4 vezes mais comum no sexo feminino.

Sintomas

Quando há progressão do deslocamento, relatos de dor são mais frequentes, mas o grau de escorregamento não implica necessariamente em dor ou desconforto.

Em geral, a espondilolistese não apresenta sintomas, porém, dores lombares ou ciáticas em intensidade leve e moderada são relatadas por alguns pacientes, que são vinculadas à condição (se há apenas escorregamento da vértebra ou encurtamento muscular) e às características pessoais (peso, altura, idade, postura).

O desalinhamento vertebral pode interferir diretamente na amplitude dos movimentos de flexão do tronco, acarretando tanto no aumento quanto na redução da curvatura vertebral.

Em casos mais elevados de escorregamento (grau 2, 3 ou 4), a deformidade da coluna é bastante acentuada, geralmente apresentando encurtamento do tronco, lordose em grau maior e alteração do espaçamento dos ísquios (ossos da parte inferior do quadril).

Ainda que raro, pode haver síndrome da cauda equina, que é a compressão das raízes presentes na medula e coluna vertebral, causando sintomas como incontinência urinária e intestinal, diminuição das funções sexuais, formigamento ou paralisia da pelve e até paralisação dos membros inferiores.

Em suma, os pacientes sintomáticos podem apresentar:

  • Dor lombar, relatada como uma dor profunda;
  • Dor ao permanecer em pé, sendo aliviada quando o paciente está em repouso (sentado ou deitado);
  • Dor ciática, que se origina nas nádegas até a parte posterior das coxas;
  • Formigamento (devido à compressão da circulação);
  • Encurtamento muscular, geralmente na região posterior da perna;
  • Diminuição da força e movimentação;
  • Dor ao caminhar ou flexionar a bacia;
  • Dor que parte abaixo do joelho e, em alguns casos, desde os pés.

Em crianças, o quadro é geralmente assintomático, apresentando apenas hiperlordose (acentuação da curvatura lombar). Para os adultos que relatam a presença de sintomas, a dor atinge 94%, a parestesia (sensação de formigamento ou dormência) atinge 63%, enquanto 43% relatam fraqueza.

Como é feito o diagnóstico?

Dores na coluna advindas da má postura são frequentes à maioria da população, chegando a acometer 80% das pessoas. As queixas apresentam melhoras significativas com a adoção medidas simples, como a correção postural ou adoção de exercícios físicos.

No entanto, dores lombares persistentes merecem atenção, pois podem indicar uma manifestação de problemas mais graves. O diagnóstico da espondilolistese pode ser feito por um clínico geral ou um ortopedista através de exames de radiografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Os exames permitem identificar o grau de escorregamento da vértebra.

Exame físico

No primeiro atendimento, o ortopedista irá traçar um perfil clínico do paciente, em que são investigadas a existência e permanência de dores, a acentuação da retração muscular (encurtamento muscular que causa menos flexibilidade), e alterações de movimentos articulares nos membros inferiores.

Exames de imagem

Realizar uma radiografia simples é a forma mais recorrente de diagnosticar a doença, evidenciando a sobreposição vertebral. Pode ser solicitado a complementação com radiografia lateral e oblíqua, em que ambas traçam uma visão panorâmica da coluna e permitem a identificação mais precisa de defeitos no istmo e lesão entre as vértebras.

Cintilografias ósseas e tomografia computadorizada são recomendadas para verificar fraturas agudas, podendo ainda assinalar inflamações ósseas e mudança do fluxo sanguíneo local, causadas pelo deslocamento vertebral.

O exame de ressonância magnética permite avaliar o grau da degeneração do disco intervertebral e seu nível de deformação, prevendo as possibilidades de progressão da doença.

Tem cura?

Sim. A espondilolistese tem cura através de tratamentos cirúrgicos ou terapia não invasivas, dependendo do grau e da condição da doença. Quanto mais rapidamente for realizado o diagnóstico e iniciado o tratamento, melhores são as respostas do organismo.

Qual o tratamento?

Ainda há grandes embates quanto aos tratamentos recomendados, pois a coluna compõe uma complexa estrutura. Estudos apontam que não há consenso entre ortopedistas, neurocirurgiões e pediatras para o tratamento mais indicado, mas entre a comunidade médica os métodos conservador e o cirúrgico são bem aceitos.

Através de técnicas não invasivas, podendo associar fisioterapia e medicamentos, o tratamento conservador alia alongamento e fortalecimento da musculatura. Os exercícios se concentram sobretudo na região abdominal, oblíqua e das costas.

Além das práticas fisioterápicas, sessões de pilates, RPG e acupuntura podem compor o tratamento conservador. Os exercícios devem ser planejados e direcionados especificamente para pacientes acometidos pela espondilolistese.

Quanto ao uso de medicamento, é importante lembrar que eles atuam nas consequências da espondilolistese, não havendo medicação para a doença em si.

Pilates

O pilates visa, sobretudo, a estabilização e fortalecimento da coluna, com foco na região lombar e pélvica, promovendo maior flexibilidade, mobilidade e alívio de dores.

Em geral, as sessões iniciam com as práticas “no mat”, conhecidas como pilates de solo.

Nessa modalidade, não são usados acessórios, sendo praticada no chão.

Os tipos de exercícios devem ser indicados por um profissional especializado, baseado na localização e intensidade da espondilolistese. Condições particulares, como flexibilidade e condicionamento físico são consideradas para o planejamento das séries e repetições.

O ponto principal do pilates de solo é melhorar a flexibilidade através do alongamento, estabilização da coluna e resistência muscular leve, aliados às práticas de respiração e relaxamento. Com a inserção de aparelhos e acessórios, os níveis de dificuldade são aumentados de acordo com a evolução do quadro.

A progressão das atividades deve ser acompanhada por fisioterapeutas ou educadores físicos especializados em pilates.

RPG

O RPG (Reeducação Postural Global), promove o alívio da dor e a melhor sustentação da coluna. O tratamento se baseia em alongamentos e nas correções articulares (correção da postura) e só deve ser promovido por profissionais especializados.

A reeducação postural compreende o corpo em sua totalidade. Por isso, as sessões envolvem todas as articulações e grande parte da musculatura corporal. Mas as mudanças na postura surtem efeitos se forem aplicadas em todos os momentos, não apenas nas sessões.

Acupuntura

O tratamento com acupuntura promove o relaxamento físico e mental, ocasionando na diminuição do stress muscular. Devido à liberação de endorfina e serotonina, o organismo pode melhorar as respostas à dor, e aumentando o bem-estar.

Em geral, são utilizadas as práticas de agulhamento sistêmico (que é a aplicação de agulhas por todo o corpo e, especialmente, no local da dor), auricular (agulhas são colocadas em pontos específicos das orelhas) e eletroacupuntura (aplicação de estímulos elétricos), que promove resultados mais rápidos.

Assim como todo tratamento, a acupuntura só deve ser realizada por profissionais habilitados, devendo considerar o quadro clínico do paciente.

Fisioterapia

A fisioterapia pode aliar exercícios e eletroestimulação para o tratamento da espondilolistese. Geralmente, as atividades envolvem o fortalecimento muscular da região lombar, alongamento e aplicação de corrente elétrica para o alívio de dores (chamada de estimulação elétrica neuromuscular – EENM).

A progressão dos exercícios se dá conforme o quadro do paciente, podendo ser utilizados acessórios (como bolas, tiras elásticas e cordas) durante as sessões.

Além de amenizar as dores, a fisioterapia é essencial nos casos cirúrgicos, em que o paciente necessita retomar as atividades e movimentações de maneira gradual.

Exercícios de rotação da coluna lombar, fortalecimento abdominal e alongamento das facetas articulares (alongamento da coluna) são os mais indicados, mas somente acompanhados pelo fisioterapeuta.

Exercícios

A realização de exercícios progressivos e específicos para a coluna auxilia na melhora dos quadros de dores e imobilidade. Quando há o diagnóstico da espondilolistese, podem ser indicados grupos de exercícios que visam o trabalho muscular através do fortalecimento e resistência.

A musculação para espondilolistese geralmente envolve atividades com maior carga de resistência e menos aplicação de força. Ou seja, as repetições e séries são maiores e o peso é diminuído, visando o fortalecimento, mas sem sobrecarregar a região.

O planejamento e indicação dos exercícios devem ser realizados e acompanhados por profissionais físicos capacitados.

Exercícios de força

A função principal é estabilizar a coluna através do condicionamento do paciente. Pode-se trabalhar a musculatura do abdômen, dos glúteos, isquiotibiais (posterior da coxa), eretores (musculatura das costas) através da inserção de cargas leves e com aumento progressivo.

Exercícios de resistência cardiovascular

Atividades cardiovasculares melhoram o condicionamento físico e contribuem com a redução da fadiga, com a melhora respiratória e com a diminuição da gordura.

A perda de peso incide em menor carga para a coluna, o que pode reduzir dores e desconfortos. As atividades favorecem a circulação sanguínea, melhorando a irrigação inclusive na região lombar.

Exercícios de coordenação e reabilitação

A reabilitação trabalha sobretudo com a correção postural e fortalecimento do músculo das costas. Com a melhora da coordenação e do equilíbrio, as pressões exercidas na região lombar se reduzem, podendo aliviar dores.

Em casos pós-operatórios, os exercícios de fortalecimento são necessários para a correta recuperação. Nesse caso, o profissional mais indicado é o fisioterapeuta que determina a quantidade, a variedade e o tempo dos exercícios de acordo com a condição do paciente e com a cirurgia.

Exercícios contraindicados

O tratamento da espondilolistese deve ser indicado por profissionais de saúde conjuntamente com profissionais físicos habilitados, considerando o quadro do paciente.

Características clínicas (causas e grau do escorregamento) e pessoais (condicionamento físico, incapacidade de mobilidade) determinam quais são os exercícios necessários.

Geralmente, é desaconselhado realizar atividades de alto impacto, sobretudo na coluna, que causem dor, desconforto ou comprometam o bem-estar físico do paciente. Atividades como corrida, atletismo e ginástica olímpica demandam grande esforço lombar, podendo acarretar em maior stress vertebral.

Cirurgia para espondilolistese

A cirurgia é o tratamento mais indicado quando o método conservador não se mostra eficaz ou há uma progressão no grau de escorregamento vertebral.

Para os casos de espondilolistese de alto grau (quando o deslizamento ultrapassa 50% do tamanho da vértebra) e para pacientes menores de 18 anos com progressão do deslizamento vertebral, a cirurgia é necessária, normalmente sendo dispensada uma primeira tentativa com o tratamento conservador.

A intervenção cirúrgica realiza o alargamento dos canais em que passam os nervos, e a estabilização intervertebral. O procedimento pode ser empregado através de via aberta (procedimento cirúrgico comum), que apresenta recuperação de 3 a 6 meses, ou técnicas minimamente invasivas (procedimento que faz pequenas incisões paralelas à coluna), que apresentam recuperação de 2 a 3 meses.

O realinhamento vertebral pode ser feito com a colocação de parafusos (implantes metálicos de titânio) após a descompressão intervertebral, realizando uma fusão óssea. Assim, fixa-se a vértebra e impede que ela continue se movendo.

Há casos em que o disco intervertebral é removido, sendo trocado por um enxerto que mantém o espaçamento das vértebras e evita o escorregamento.

Cuidados pós-cirurgia

No procedimento minimamente invasivo, geralmente se indica o repouso após a cirurgia, sem a necessidade de se manter imobilizado. As atividades são retomadas gradualmente e, normalmente, os pacientes podem realizar pequenas movimentações no mesmo dia.

Dores e desconfortos pós-cirúrgicos são esperados e minimizados com analgésicos e anti-inflamatórios.

Nos procedimentos de alto grau, em que há uma grande intervenção na coluna, a recuperação pode ser mais prolongada, limitando os movimentos por meses e necessitando que tratamentos complementares (fisioterapia e medicação) sejam inseridos na rotina.

Além disso, processos invasivos podem envolver riscos para ao paciente.

Devido a deficiências imunológicas, infecções podem ocorrer, acometendo o local operado. Há relatos de formação de coágulos sanguíneos nas veias da perna. A situação é chamada de trombose venosa profunda.

Ainda que incomum, danos aos nervos espinhais podem ocorrer e provocar dores contínuas após a cirurgia. Os sintomas envolvem desconforto, limitação dos movimentos, dormência ou formigamento dos membros inferiores, fraqueza muscular e, muito raramente, dificuldade em controlar intestino e bexiga.

Medicamentos

Anti-inflamatórios podem ajudar a diminuir as dores causadas pelas inflamações intervertebrais. São ministrados via oral e podem ser indicados para diversos graus de desconforto:

Corticoides são, geralmente, ministrados via injeção diretamente no local da vértebra escorregada. O período de tratamento é mais curto, em média por 5 dias. Comumente são indicados:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Conviver com a espondilolistese requer tratamento continuado, associando fisioterapias e, algumas vezes, medicamentos para aliviar dores. A condição pode se apresentar de modo assintomático, portanto, pacientes convivem bem com a doença quando ela está estabilizada.

Ao aliar terapias conservadoras à rotina, como fisioterapia e alongamentos, há melhoras significativas na qualidade de vida e eventuais dores na coluna dos diagnosticados.

Prognóstico

Quando não há indicação de cirurgia, a doença é bem tolerada e, geralmente, os quadros de dor ou dificuldade são pouco limitadores ao paciente, que convive bem com o desvio leve de coluna.

Pessoas acometidas pela doença podem apresentar, ao longo da vida, dores lombares sem grandes complicações. Quando há prática de atividades físicas, esportes ou exercícios intensos, o deslocamento vertebral pode gerar diminuição dos movimentos ou dificuldade na flexão.

Nos casos tratados cirurgicamente, a condição vertebral apresenta rápida melhora, eliminando as dores e dificuldade de locomoção. É indicado que o paciente se afaste temporariamente de atividades esportivas ou de impacto até que não se perceba mais dor ou desconforto.

Em geral, a reabilitação dura entre 2 a 4 meses, e gradualmente são inseridas atividades fisioterápicas que auxiliam a recuperação e fortalecimento da região lombar.

Complicações

Em casos mais severos, a espondilolistese pode gerar perda de sensibilidade, formigamento ou levar à paralisia das pernas devido à compressão, causando um dano temporário ou permanente nas raízes nervosas da coluna.

As dores e limitações de movimento são os maiores complicadores em pacientes atletas, que em alguns casos podem ter que abandonar os esportes.

É preciso realizar o acompanhamento da doença, identificando se ela está estabilizada. Quando há progressão da sobreposição vertebral, os pacientes estão sujeitos a lesões graves na coluna, limitando a locomoção.

Como prevenir

As medidas preventivas para a espondilolistese se referem aos cuidados e acompanhamentos dos quadros de risco. Pessoas com histórico familiar da doença e praticantes de atividades físicas intensas devem ficar atentas aos sintomas de dor ou dificuldade de movimentação.

Em casos de traumas na região da coluna, exames imediatos podem identificar lesões graves e prevenir o agravamento futuro.


Ainda que a espondilolistese seja pouco frequente, os problemas de coluna acometem a população em grande escala. Ficar atento à boa postura, praticar alongamentos e exercícios são medidas que auxiliam na prevenção de dores e lesões vertebrais.

Para saber mais dicas e informações sobre a saúde da coluna, consulte nossos artigos. Ao sentir incômodos ou dificuldades de movimentação, consulte um ortopedista!

Referências

https://www.spine-health.com/conditions/spondylolisthesis/isthmic-spondylolisthesis
https://www.nhs.uk/conditions/spondylolisthesis/

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (8 votos, média: 5,00 de 5)
Loading...

Deixe suas opiniões e comentários, nos preocupamos com ela:

Por favor, escreva seu comentário
Por favor, insira seu nome aqui

Lamentamos a não possibilidade de dar-lhe conselho médico ou responder a questões médicas e farmacêuticas individuais através de e-mail, pois apenas um médico pode prestar tal atendimento. Embora tentemos responder a todos os comentários, opiniões e e-mails que recebemos em até dois dias úteis, nem sempre é possível devido ao grande volume que recebemos. Por favor, tenha em mente que qualquer solicitação ao Minuto Saudável está sujeita aos nossos Termos de Uso e Política de Privacidade, ao enviar, você indica sua aceitação.