O que é Dismenorreia (primária, secundária), sintomas, tratamento

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O que é dismenorreia?

Dismenorreia, também conhecida como algomenorreia, menalgia ou odinomenorreia, é uma condição caracterizada pela cólica menstrual acentuada. A palavra vem do grego e significa “menstruação difícil ou dolorosa”. Cerca de 50% a 90% das mulheres já sofreram desse mal em algum momento do seu período fértil.

A menstruação ocorre quando o corpo feminino se prepara para gerar um bebê e há um aumento de progesterona (hormônio sexual que atua no ciclo ovulatório e na gestação), que torna o endométrio mais espesso — parede que reveste a parte interna do útero que propicia o desenvolvimento do feto.

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Quando a fecundação não acontece, o corpo expele esse material do organismo, ocasionando o sangramento acompanhado de fragmentos de tecido e óvulos descartados.

Normalmente, este processo causa dor abdominal e pélvica antes ou durante a menstruação, caracterizando a cólica menstrual. A duração dos sintomas é em torno de 24 horas. Porém, 10% a 15% das mulheres apresentam sinais mais intensos.

Em adolescentes, o percentual de pessoas afetadas é de 52%, sendo que 10% delas são impossibilitadas de ir ao trabalho por um período de 1 a 3 dias durante o ciclo menstrual.

As chances de ter o problema aumentam para mulheres jovens e com histórico de doenças associadas ao aparecimento de dismenorreia secundária. O uso do Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre também é um dos responsáveis pela dor menstrual. Além disso, algumas mulheres acreditam que a utilização de absorvente interno intensifica os sintomas.

A dismenorreia pode se encontrada na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) através dos códigos N94.4 (primária), N94.5 (secundária) N94.6 (não especificada).

Índice – neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que é dismenorreia?
  2. Dismenorreia e dispareunia: qual a relação?
  3. Tipos
  4. Causas
  5. Fatores de risco
  6. Sintomas da dismenorreia
  7. Como é feito o diagnóstico?
  8. Dismenorreia tem cura?
  9. Qual o tratamento?
  10. Recursos alternativos
  11. Remédios caseiros
  12. Medicamentos
  13. Convivendo
  14. Complicações
  15. Quem tem dismenorreia pode engravidar?
  16. Como prevenir a dismenorreia?

Dismenorreia e dispareunia: qual a relação?

Durante a relação sexual, a mulher pode sentir desconforto ou dor no momento da penetração, caracterizando a dispareunia. Quando isto acontece, é um indicativo de problemas físicos ou psicológicos.

A dispareunia é um dos sintomas da endometriose, que ocasiona inflamação no interior da vagina e por isso ocorre a dor. A endometriose, por sua vez, é uma doença relacionada ao surgimento da dismenorreia secundária.

Tipos

A dismenorreia pode ser categorizada como primária ou secundária:

Dismenorreia primária

A dismenorreia primária é uma condição comum e está relacionada a menstruação regular e ao sangramento normal. A patologia não depende do histórico familiar. Mulheres entre 17 e 25 anos e as que não possuem filhos são as mais afetadas.

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Seu início acontece 6 a 12 meses depois da menarca (primeiro fluxo menstrual, geralmente em meninas de 12 a 13 anos) e ocorre nas 24 a 48 horas antes da menstruação e acaba sucessivamente durante o primeiro dia de sangramento.

Ela é provocada pelo excesso de prostaglandina, substância que possui função similar à dos hormônios e que auxilia em diversos sistemas do organismo, mas age somente na própria célula e nas mais próximas. O aumento da prostaglandina causa dor aguda em intervalos na região abaixo do abdômen.

Dismenorreia secundária

A dismenorreia secundária é definida pela dor persistente e insuportável. Ela ocorre em qualquer período após a menarca, alternando seu início e intensidade da cólica, podendo persistir durante toda a menstruação.

Caracterizada pelo ciclo regular e menorragia (aumento exagerado de fluxo menstrual), este tipo de dismenorreia é comum em mulheres com idade acima de 30 anos e nas que têm filho. Além disso, em exames físicos, é possível encontrar alterações pélvicas.

Ela também está relacionada ao aumento na quantidade de prostaglandina. O que a difere da primária, é que a substância opera em conjunto com uma doença orgânica na região pélvica, ou seja, distúrbios no sistema reprodutivo, intensificando dores e inflamações.

Por conta disso, ela é considerada uma doença extrínseca ou adquirida, ou seja, ocasionada por uma irregularidade no organismo.

Causas

A cólica menstrual decorre de contrações no útero, músculo integrante do sistema reprodutor feminino. Se este espasmo for muito intenso durante o período menstrual, os vasos sanguíneos podem ser comprimidos, fazendo que o repasse de oxigênio para o útero cesse de forma breve. A ausência do oxigênio é que gera a dor.

As causas da dismenorreia depende se ela for primária ou secundária:

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Primária

A dismenorreia primária geralmente aparece devido a oscilação de algum componente no organismo, sendo prostaglandina a mais comum. Produzida a partir da progesterona, o nível aumentado de prostaglandina provoca fortes espasmos no útero, o que comprime os vasos sanguíneos ao redor, dificultando o repasse de oxigênio para os tecidos uterinos, ocasionando a dor abdominal.

Secundária

A dismenorreia secundária, por sua vez, decorre de alterações na prostaglandina em conjunto a problemas médicos no sistema reprodutor:

Endometriose

Cerca de 6 milhões de mulheres brasileiras na faixa etária de 30 anos portam a doença. A endometriose causa crescimento atípico do endométrio fora do útero. Quando não expelido pela menstruação, o tecido pode deslocar-se até os ovários ou na cavidade abdominal, acarretando em ferimentos.

Os sintomas consistem em dores intensas e infertilidade. Não há causa definida, mas as chances aumentam se houver diagnóstico na mãe ou irmã.

Adenomiose

A adenomiose é uma variação da endometriose, porém, neste caso, o aumento do endométrio ocorre dentro da musculatura uterina. Ela pode ser focal (quando encontra-se em uma parte específica do útero) ou difusa (quando recobre toda a parede do útero, tornando-o mais pesado e encorpado).

Normalmente, os sintomas iniciais da adenomiose aparecem 2 a 3 anos depois do parto, mesmo naquelas que já apresentam o quadro desde a infância. A mulher é acometida por dor, sangramento e cólicas intensas. Devido a inexistência da menstruação após a menopausa, o problema desaparece.

Estenose cervical

Causada pela compressão do orifício cervical interno, a estenose cervical pode desencadear hematometra (acúmulo sanguíneo no útero), piometria (acúmulo de pus no útero, principalmente em mulheres que têm câncer cervical e uterino) e fluxo menstrual atrasado em mulheres na menopausa, o que pode resultar em endometriose.

A dismenorreia é um dos sintomas, além da amenorreia, sangramento incomum e infertilidade. Dilatação do útero e vagina não são descartados.

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Anomalias congênitas no sistema reprodutivo

A dismenorreia pode ocorrer devido a anomalias físicas dos órgãos genitais ou percebidas através do toque.

Cistos e tumores nos ovários

Cistos e tumores nos ovários dificultam a circulação do sangue. Fora a cólica menstrual, ocorre em algumas situações, sangramento vaginal anormal. Para pacientes com câncer avançado, a indigestão, excesso de gases intestinais e dor nas costas também se fazem presentes.

Mioma uterino

Conhecido como leiomioma uterino, fibroma ou fibromioma, o mioma uterino é um tumor benigno que aparece tanto na parte interna quanto externa do útero, provocando alteração na fisionomia do órgão.

Sua origem é desconhecida, mas está relacionada à progesterona e ao estrogênio. Por conta disso, é comum mulheres que entraram na menopausa, entre 40 e 50 anos de idade, sofrerem com o problema, visto que neste período o nível desses hormônios são mais baixos.

Em 75% dos casos de mulheres acometidas pelo mioma, metade delas não manifestam os sintomas, que consistem na menstruação irregular, disfunções urinárias e dores abdominais, pélvicas e durante o sexo.

Inflamação pélvica

Doença inflamatória pélvica (DIP) é causada por bactérias, como Chlamydia trachomatis e Gonococo, presentes em doenças sexualmente transmissíveis (DST’s), que se infiltram no colo do útero e ocasionam infecção nos órgãos reprodutores.

A transmissão é feita através de contato sexual, aborto ou tratamento cirúrgico (raspagem e dilatação vaginal). A mulher pode sentir dor na parte inferior do abdômen, corrimento vaginal com coloração amarelada e menstruação irregular.

Síndrome da congestão pélvica

Síndrome de congestão pélvica é uma dor crônica (mais de seis meses) na pelve — área abaixo do abdômen —, tendo como causa o aglomeramento de sangue nas veias da pelve, devido a sua dilatação e enroscamento (varizes).

A dor é variável, podendo ser prolongada e imprecisa, aguda ou latejante. A dor pode aumentar ao final do dia, quando a mulher fica deitada e durante ou após relação sexual. Fadiga, oscilações de humor, dores de cabeça e inchaço são outros sintomas apresentados.

Pólipos no colo do útero

O excesso de células na parede interna do útero gera lesões parecidos com verrugas, mas formadas por epitélio. Este distúrbio é conhecido como pólipo uterino.

Alteração hormonal ou infeção em volta de vasos endometriais são os principais fatores para o surgimento do problema. Como consequência, a mulher sofre com sangramentos fora do período menstrual e com fluxo mais intenso.

DIU de cobre

O dispositivo intrauterino (DIU) de cobre é um objeto pequeno inserido dentro do útero da mulher. Ele tem formato de T, composto por um fio ou cilindros de cobre, que libera íons, paralisando o espermatozoide e sua locomoção pelo útero.

Em casos raros, em que o esperma consegue atravessar este impedimento, o DIU de cobre também inibe a fixação do óvulo fecundado na parede uterina. O procedimento tem validade de 5 a 10 anos.

Apesar de tantos benefícios, este método não é indicado para mulheres com fluxo menstrual e cólicas intensos. O DIU de cobre possui em sua mistura substâncias inflamatórias que podem piorar o quadro.

Fatores de risco

Adolescência

A cólica menstrual é comum em mulheres que estão no período fértil, entre 12 a 45 anos de idade. Porém, ela surge entre 6 a 12 meses depois da primeira menstruação e é mais intensa nesta fase.

Isso acontece porque meninas jovens ainda possuem o útero pequeno e produzem mais prostaglandinas. As prostaglandinas, por sua vez, aumentam as contrações para que o endométrio consiga passar pelo canal, o que resulta num fluxo sanguíneo maior e dor mais intensa.

A partir do desenvolvimento completo do útero com o passar dos anos, há espaço suficiente para o material ser liberado, aliviando os sintomas.

Tabagismo

A nicotina presente nos cigarros causa obstrução na passagem sanguínea, potencializando as cólicas. Contudo, fumantes passivos (pessoas não fumantes que convivem com fumantes em ambientes fechados) também estão propensos a desenvolver dismenorreia.

Alcoolismo

O consumo de álcool afeta diretamente o sistema enzimático do fígado, que tem como função a eliminação de toxinas do organismo e desempenha um papel importante no funcionamento dos hormônios, principalmente durante os dias que antecedem a menstruação.

Má alimentação

Alimentos gordurosos, abundantes em açúcar e cafeína, contribuem para o excesso de hormônio femininos, o que aumenta a dor abdominal.

Obesidade

Possuir uma massa corporal acima do considerado saudável intervém na produção de estrogênio — hormônio que tem como função a formação da parede interna do útero eliminada durante a menstruação. O aumento desenfreado de estrogênio produz um revestimento mais espesso, resultando num fluxo volumoso com sintomas acentuados.

Não ter filhos

Mulheres que têm filhos naturalmente possuem o colo do útero mais largo, o que facilita a passagem do sangue.

Histórico familiar

Não há informações conclusivas sobre o assunto. O que se sabe, no entanto, é que se a mãe possuir dismenorreia, as chances da filha desencadear o distúrbio aumenta em 20 vezes.

Sintomas da dismenorreia

Na dismenorreia, a mulher costuma sentir dores nas regiões abaixo e laterais do ventre, costas, nádegas e vagina. Podem ocorrer de duas formas: espasmódica (cãibras pélvicas agudas e espaçadas) ou congestiva (dor profunda e intensa).

Com relação a duração e ao período, na dismenorreia primária as dores podem persistir por 2 a 3 dias antes da menstruação, já na secundária, podem surgir até 2 semanas antes do período menstrual e durar por todo o ciclo.

Segundo o Conselho Federal de Farmácia (CRF), a dor intensa está presente em 2% a 29% dos casos, através de cólicas ou de maneira contínua. Dores relatadas fora do ciclo menstrual, menorragia (sangramento abundante), oligomenorreia (intervalos menstruais superiores a 35 dias) e sangramento intermenstrual (entre um período e outro) podem ser indícios de dismenorreia secundária.

Ainda de acordo com o CRF, existem diferentes graus de intensidade da dor:

GrauIntensidadeConsequências
0Dor ausenteAs atividades cotidianas não são afetadas
1Dor leveSomente em alguns casos as atividades costumeiras são afetadas e o uso de analgésicos se faz necessário
2Dor moderadaAs atividades do dia a dia são afetadas, sendo preciso a utilização de analgésicos para alívio dos sintomas
3Dor intensa acompanhada de dor de cabeça, fadiga, vômito e diarreiaAs atividades diárias são notoriamente afetadas. É comum a mulher faltar ao trabalho ou à escola

Além das dores, os sintomas da dismenorreia mais comuns são:

Várias mulheres sentem dor intensa durante alguns segundos, chamadas de “pontadas”, agravadas quando estão caminhando ou em pé e amenizadas em estado de repouso.

Fique atenta para sinais como febre, corrimento vaginal com pus e dores fortes que manifestam-se de maneira repentina ou que durem mais do que o normal. Nesses casos, é necessário buscar ajuda médica imediatamente.

Como é feito o diagnóstico?

Exame físico e anamnese (entrevista com o profissional da saúde) são os meios utilizados para diagnosticar dismenorreia primária. Caso os sintomas sejam intensos ou persistentes e forem encontradas anormalidades pélvicas, pode ser um indicativo de dismenorreia secundária. Para excluir essa possibilidade, é necessária uma avaliação clínica detalhada com o ginecologista.

Além de avaliar o histórico clínico, o especialista pode realizar um teste físico e/ou solicitar exames de laboratório e de imagem para diagnosticar o problema.

Exame físico

O toque vaginal é recomendado para adolescentes mais velhas e para aquelas que já possuem vida sexual ativa. Por meio dele podem ser percebidas doenças que ocasionam modificações no útero.

Este exame é feito em várias etapas:

  • Examinação genital para perceber erupções cutâneas (vermelhidão, caroços), inchaço ou descoloração;
  • Examinação da cúpula vaginal para averiguar se há presença de sangue ou agentes desconhecidos;
  • Examinação do colo do útero a fim de constatar infecções;
  • Toque bimanual que apalpa órgãos reprodutivos internos. É descoberto o grau de sensibilidade do movimento cervical, do útero ou da massa anexial (estruturas que ficam ao lado do útero).

Mulheres com dismenorreia primária normalmente possuem um diagnóstico favorável. Já aquelas com endometriose e dismenorreia secundária, em 40% dos casos apresentam alterações no exame físico.

Exames laboratoriais

A análise em laboratórios tem como função o reconhecimento ou a exclusão de agentes provocadores da dismenorreia secundária.

Hemograma completo (CBC)

Hemograma completo ou contagem sanguínea completa (CBC) serve para indicar infecções ou células neoplásicas (perda de código genético e de sua função característica).

Culturas de gonococos e clamídias, imunoensaio enzimático (EIA) e teste de sonda de DNA

Ambos os procedimentos possuem a finalidade de detectar doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e doença inflamatória pélvica (DIP).

Quantidade de gonadotrofina coriônica (HCG)

A gonadotrofina coriônica é um hormônio produzido na placenta durante a gestação. O intuito é excluir a possibilidade de gravidez ectópica, caracterizada pela fecundação e instalação do óvulo fora do útero.

Comumente confundida com dismenorreia, a gravidez ectópica possui sintomas diferentes. As dores são repentinas e contínuas em determinado ponto, podendo se tornar intensivas. O sangramento vaginal não surge em todos os quadros.

Caso haja ruptura da gravidez ectópica, a mulher pode sofrer tontura, fraqueza, taquicardia (batimentos cardíacos acelerados) ou entrar em choque (diminuição ou paralisação do transporte de oxigênio para as células).

Velocidade de hemossedimentação (VHS)

Velocidade de hemossedimentação (VHS), taxa de sedimentação eritrocitária ou velocidade de Sedimentação (VS), mede o nível de sedimentação dos glóbulos vermelhos por meio de amostra de sangue em determinado intervalo de tempo.

Por meio deste processo é possível diagnosticar salpingite subaguda, que é a inflamação de uma ou ambas tubas uterinas.

Exame de urina

O exame de urina é necessário para descartar infecção do sistema urinário.

Teste do Guáiaco

No teste do Guáiaco é observado sangue oculto nas fezes. Através dele pode ser identificado a hemorragia gastrointestinal.

Teste antígeno de câncer 125 (CA-125)

Neste teste é avaliado a quantidade no sangue do antígeno CA-125, presente na maioria das células cancerosas do ovário.

Ultrassonografia

O método consiste na visualização de certos órgãos por meio de ondas ultrassônicas de alta frequência. Neste caso, o intuito é detectar possíveis distúrbios, como miomas, endometriose e cistos nos ovários.

Histerossalpingografia e histerossonografia

Ambos os procedimentos consistem na injeção de um líquido através do colo do útero com a finalidade de averiguar o surgimento de pólipos (crescimento demasiado de células que revestem a parte interna uterina), miomas e deformidades congênitas.

Histeroscopia e laparoscopia

Os exames possibilitam que o médico veja a área pélvica. Na histeroscopia, uma microcâmera é colocada por meio da vagina e colo do útero; na laparoscopia, a microcâmera é inserida através de um pequeno corte abaixo do umbigo.

Dismenorreia tem cura?

Por se tratar de um condição natural e atingir a maior parte do grupo feminino, a dismenorreia não tem cura, mas pode ser amenizada se receber tratamento adequado.

Qual o tratamento?

O tratamento pode ser realizado em duas situações: na prevenção da doença ou na crise. No segundo caso, a intervenção deve ser imediata, visando diminuir ou acabar com a dor. No caso da dismenorreia secundária, é importante identificar a causa antes de iniciar o tratamento.

Pílula anticoncepcional

A pílula anticoncepcional é recomendada para mulheres que sofrem de dismenorreia secundária. O medicamento atua inibindo o ciclo hormonal natural e a ovulação. Consequentemente, a produção de prostaglandinas acontece de forma equilibrada. Em casos mais sérios, a pílula anticoncepcional possui 80 a 90% de eficiência.

Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)

Os anti-inflamatórios não esteroides são indicados para a dismenorreia primária, pois impedem a formação em excesso de prostaglandinas, reduzem a dor e inflamação abdominal. A mulher deve começar a tomar o medicamento poucas hora antes ou no início da cólica menstrual em intervalos de 6 a 8 horas.

O tratamento é eficaz quando administrado de forma precoce e em quantidades corretas. Em mulheres jovens e com um bom condicionamento físico, os medicamentos usados por um breve período são recomendados por apresentarem poucos níveis de toxicidade.

Contudo, estes medicamentos podem provocar alguns efeitos colaterais, como incômodo gastrointestinal, podendo evoluir para sangramento e insuficiência renal.

Contraindicações

Os AINEs são contraindicados para pessoas que possuem hipertensão, insuficiência cardíaca ou renal, doença gastrointestinal e asma.

Hipertensão

Os hipertensos devem fazer uso de paracetamol para reduzir os sintomas, ao invés dos anti-inflamatórios não esteroides, que podem aumentar a pressão arterial.

A maneira como eles pioram a condição do paciente ainda não está totalmente esclarecida, no entanto, o que se sabe é que há interdição da síntese das prostaglandinas e diminuição da eficácia de determinados anti-hipertensivos.

Insuficiência cardíaca

Os AINEs agravam o estado clínico das pessoas com este problema. O paracetamol também é indicado para esta categoria.

Insuficiência renal

As complicações pelo uso do medicamento acontece em 1% a 5% dos casos. Pacientes com histórico médico ou que temem estar com insuficiência renal, estão sujeitos a piora do quadro. As complicações incluem:

  • Alterações hemodinâmicas (circulação sanguínea);
  • Desequilíbrios eletrolíticos, quando os principais eletrólitos do corpo humano não estão em quantidade suficiente para exercer suas funções;
  • Nefrite intersticial aguda — inflamação renal onde ocorre a perda de sua atribuição;
  • Síndrome nefrótica (excreção em excesso de proteína na urina);
  • Necrose papilar renal, ou seja, uma parte ou toda da papila renal morre.

DIU hormonal

O DIU hormonal, também conhecido como DIU medicado, Mirena ou SIU, é um método contraceptivo uterino. Ele é aplicado no útero da mulher com a finalidade de impedir a passagem do espermatozoide até o óvulo e, assim, evitar a gravidez.

Diferentemente do DIU de cobre, este procedimento libera o hormônio levonorgestrel (progesterona sintética) em pequenas quantidades diariamente. Com validade de 5 anos, ele reduz dores menstruais e o fluxo menstrual no decorrer do tempo de uso.

Contudo, o uso do DIU hormonal pode ocasionar alguns desconfortos e até problemas sérios de saúde, tais como:

  • Cólicas;
  • Dores de cabeça;
  • Sensibilidade,
  • Acne.

Em casos incomuns, pode haver sangramentos abundantes, infecção na introdução do DIU, perfurações ou a não aceitação do método pelo organismo.

Cirurgia

A cirurgia é o último recurso em situações de mioma, endometriose e cânceres, quando o tratamento anterior não obteve resultado. Ela pode ser realizada através da histerectomia, laparoscopia para ablação do nervo uterino (LUNA) ou neurectomia pré-sacral (PSN).

Histerectomia

A histerectomia consiste na retirada de uma parte do útero ou sua totalidade, podendo ser feito através do abdômen ou vagina. A recuperação dura em torno de 3 a 8 semanas.

Laparoscopia para ablação do nervo uterino (LUNA)

A laparoscopia para ablação do nervo uterino retira fibras nervosas e os  gânglios secundários por meio do ligamento uterossacro com o intuito de aliviar a dor.

Neurectomia pré-sacral (PSN)

O processo da neurectomia pré-sacral é semelhante ao da LUNA. Porém, a interrupção das fibras nervosas acontece através da pelve. Em relação a dor, sua eficiência é maior em comparação com a laparoscopia.

Contudo, a PSN pode trazer algumas complicações. Entre elas está: contusão na uretra, hemorragia na veia sacral média, ferimento na bexiga e intestino.

Recursos alternativos

Os recursos alternativos servem como complementos do tratamento receitado pelo médico:

Acupuntura

A acupuntura consiste na introdução de agulhas, moxa (queima da erva Artemísia) e outros instrumentos, em pontos específicos do corpo humano, com o intuito de liberar componentes químicos que possuem atividade analgésica e anti-inflamatória.

Em casos de dismenorreia, a acupuntura reduz a dor menstrual justamente por regular a dosagem de prostaglandina. Além disso, também proporciona relaxamento e calma.

Fisioterapia

Exercícios da fisioterapia, como o uso de calor, atividades pélvicas, massagens nas costas e abdômen, promovem a diminuição da dor e relaxamento da musculatura. Em casos de dismenorreia primária, os sintomas podem ser interrompidos.

Remédios caseiros

Os chás são uma ótima maneira de amenizar as dores da cólica menstrual, pois relaxam os músculos e aumentam o fluxo sanguíneo. Contudo, sua eficácia não é comprovada, sendo recomendado a consulta ao ginecologista antes de adotar qualquer medida.

Chá de orégano

Ingredientes

  • 2 colheres de orégano;
  • 1 xícara de água.

Modo de preparo

Ferva a água e acrescente o orégano e vede o recipiente. Deixe o conteúdo em repouso por 5 minutos. Não deve ser adoçado. Ingira 2 a 3 vezes ao dia.

Chá de calêndula

Ingredientes

  • 1 colher (de sobremesa) de flores de calêndula;
  • 1 xícara de água.

Modo de preparo

Em ponto de ebulição da água, coloque as flores de calêndula e tampe. O tempo de fervura é de 10 minutos. Depois, coe o chá. Beba durante 10 dias que antecedem o início da menstruação.

Medicamentos

Os medicamentos indicados para dismenorreia geralmente destinam-se ao alívio da dor. Os mais comuns são:

AINEs

Analgésicos

Antiespasmódicos

Antiespasmódicos + analgésicos

Contraceptivos orais

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Convivendo

Alguns hábitos e medidas durante a cólica menstrual podem ajudar a amenizá-la:

Calor

Tomar banhos mais aquecidos, fazer compressas de água quente sobre o abdômen por um período de 20 minutos, utilizar adesivos ou envoltórios por 8 a 12 horas em conjunto com os medicamentos, ajuda a aliviar a dor devido a ação analgésica do calor local.

Um das possíveis suposições do porquê isto acontece é de que o aquecimento aumenta o fluxo sanguíneo, retirando substâncias que provocam a dor, além de reduzir a pressão e o espasmo muscular abdominal. Além disso, o calor também retarda dor no hipotálamo (região da cabeça).

Alimentação

Uma das funções da prostaglandina é partir as células da gordura, portanto, quanto mais alimentos gordurosos forem ingeridos, mais desse componente será produzido. Invista em alimentos com pouca gordura, incluindo frutas, vegetais, e aqueles ricos em vitaminas, minerais e fibras, pois auxiliam na digestão.

Atividade física

Pessoas que praticam atividades físicas tendem a sentir alívio dos sintomas da dismenorreia devido a redução na liberação de prostaglandinas. Os resultados compreendem relaxamento dos músculos da pelve e diminuição do estresse e fadiga.

Andar, nadar e dançar, são alguns exemplos de exercícios aeróbicos que ajudam a amenizar a dismenorreia. Isto é possível através da liberação de endorfina (neurotransmissor que propicia sensação de bem-estar), melhora na circulação sanguínea e maior oxigenação.

Contudo, não há determinação de tempo, frequência ou intensidade das práticas adotadas a fim abrandar a dismenorreia. Antes de começar sua rotina de exercícios físicos, consulte o profissional de educação física.

Hidratação

Beber muita água favorece a dispersão de substâncias que causam a cólica menstrual.

Parar de fumar

Como já mencionado, o tabagismo é um dos fatores de risco para o surgimento da dismenorreia. Um estudo recente revelou que a condição está associada ao aumento da exposição passiva ao tabaco. Por isso, saber as causas, hábitos do fumo e buscar auxílio são fundamentais para acabar com o vício.

Eletroestimulação transcutânea de nervos (TENS)

A transcutaneous electrical nerve stimulation (TENS) é usada na redução da dor por meio de uma corrente elétrica aplicada na região a ser tratada. A intensidade da tensão elétrica varia para cada paciente, totalizando 30 minutos de sessão.

Entre os benefícios, está a redução da dor menstrual e da isquemia (suspensão ou diminuição da irrigação sanguínea) do útero, além da liberação de endorfina.

Deitar de barriga para baixo apoiada em um travesseiro e massagear a região abdominal também aliviam a dor abdominal.

Complicações

A dor intensa pode afetar sua rotina, atrapalhando seu desempenho na escola, trabalho ou em ambientes sociais. Além disso, a dismenorreia associada com outras doenças, pode trazer complicações no:

Canal pélvico e intestinal

Em estado agravado, a endometriose é responsável pelo surgimento de cistos pélvicos e ovarianos, cicatrizes internas, bloqueio da uretra (canal que permite a passagem da urina da pelve renal para a bexiga), além de causar infertilidade.

Útero

Doença inflamatória pélvica (DIP) também pode provocar infertilidade e lesões nas tubas uterinas — que dão origem à gestação ectópica (quando o óvulo fertilizado fica fora do útero).

Quem tem dismenorreia pode engravidar?

Em casos de dismenorreia primária, a gravidez acontece de forma normal sem quaisquer impedimentos. Já na dismenorreia secundária por estar associada a outras doenças, como a endometriose, que comprometem órgãos reprodutores femininos, dificulta a fecundação.

Como prevenir a dismenorreia?

A dismenorreia pode ser prevenida apenas por meio da reeducação. Hábitos saudáveis, como uma boa alimentação, prática de exercícios físicos, não fumar e não consumir bebidas alcoólicas, além de beber muita água, são eficazes no combate da dismenorreia.

Consulte seu ginecologista com regularidade e fique atenta aos sinais de anormalidade na cólica menstrual.


Dismenorreia é uma doença que atinge a maior parte das mulheres e causa dor menstrual intensa. Ela pode estar associada à outras patologias que interferem no sistema reprodutor.

Compartilhe este post e fique atenta aos sintomas e cuidados necessários para preveni-la!

Referências

http://www.medbroadcast.com/condition/getcondition/dysmenorrhea
https://emedicine.medscape.com/article/253812-overview
https://www.webmd.com/women/menstrual-cramps#1
Giraldo, P., Eleutério Júnior, J., & Moreno Linhares, I. (2008). Como Diagnosticar e Tratar Dismenorreia. Revista Brasileira De Medicina, 65(6), 164 a 168. (http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=3857)
de Cássia de Maio Dardes, R., Sclowitz Moraes, A., & Beduschi Santos, M. (2011). Como Diagnosticar e Tratar Dismenorreia. Revista Brasileira De Medicina, 68(12), 14 à 20. (http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=4935)
Dall’ Acqua, R., & Bendlin, T. (2015). Dismenorreia. Femina, 43(6). (http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2015/v43n6/a5327.pdf)
de Melo, A., Matoso Mendes, A., Penido Serra, C., Januário Correr, C., Maniero, H., & Miranda Ferreira, J. et al. (2017). Guia de prática clínica sinais e sintomas do aparelho genital feminino. Dismenorreia. Conselho Federal De Farmácia. (http://www.cff.org.br/userfiles/file/Profar-vol2-Dismenorreia-FINAL-TELA%20001.pdf)

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