O que é Antidepressivo, pra que serve, tipos, engorda?

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O que são antidepressivos?

Antidepressivos são medicamentos psiquiátricos que agem no sistema nervoso central (SNC), muito utilizados para o tratamento de transtornos mentais como depressão, ansiedade, vícios, distúrbios do sono, entre outros.

Eles são capazes de equilibrar as funções eletroquímicas do cérebro e normalizar o fluxo dos neurotransmissores, auxiliando, assim, no combate aos sintomas da depressão.

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Seus efeitos demoram de 7 a 14 dias para serem sentidos, e só alcançam a máxima eficácia após 5 semanas de tratamento. Antes disso, é normal que o paciente não sinta diferença ou até tenha uma piora nos seus sintomas, pois o cérebro ainda está aprendendo a lidar com as novas substâncias.

Tais medicamentos não curam a depressão ou qualquer outro transtorno mental, mas ajudam a mantê-la controlada.

Contudo, isso não quer dizer que um paciente depressivo está condenado a utilizar antidepressivos pelo resto de sua vida, mas sim que o tratamento é crônico (mínimo de 6 meses) e pode demorar bastante até que o paciente tenha equilíbrio o suficiente para não precisar mais do medicamento.

Vale lembrar, também, que antidepressivos não são “pílulas da felicidade”. Eles não criam felicidade para pessoas depressivas e também não têm efeito positivo em pessoas não depressivas.

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O que eles fazem é simplesmente regular a química cerebral, fazendo com que as sinapses funcionem adequadamente. Isso auxilia para que a pessoa tenha uma vida mais equilibrada.

Índice — neste artigo você vai encontrar as seguintes informações:

  1. O que são antidepressivos?
  2. Como os antidepressivos atuam no organismo?
  3. Tipos de antidepressivos
  4. Nomes dos antidepressivos
  5. Indicações: quando se deve tomar antidepressivos?
  6. Antidepressivos e mal de Parkinson
  7. Efeitos colaterais dos antidepressivos
  8. Como tomar?
  9. Contraindicações
  10. Como melhorar o efeito do antidepressivo?
  11. Alternativas aos antidepressivos
  12. Uso de antidepressivos no Brasil
  13. Perguntas frequentes

Como os antidepressivos atuam no organismo?

Os antidepressivos atuam em neurotransmissores, substâncias presentes no cérebro com a função de auxiliar na comunicação entre os neurônios. São popularmente chamados de “mensageiros”.

Muitos deles são reguladores de humor e outras funções, como o sono, a libido, o apetite etc.

Nos estados depressivos, é comum que os pacientes apresentem certa deficiência de alguns neurotransmissores no cérebro. Um deles é a serotonina. Outros neurotransmissores em falta na depressão são a noradrenalina e a dopamina.

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Sendo assim, os antidepressivos agem aumentando a disponibilidade desses neurotransmissores na fenda sináptica, um espaço entre os neurônios pelo qual os neurotransmissores trafegam.

Quando o neurotransmissor é liberado por um neurônio, ele pode ter dois destinos:

  1. É captado pelos receptores do outro neurônio, após cruzar toda a fenda sináptica;
  2. É recaptado pelo próprio neurônio que o emitiu e depois destruído por uma enzima.

É justamente nesse sistema de recaptação que os antidepressivos agem, buscando diminuir a quantidade de neurotransmissores recaptados e destruídos.

Tipos de antidepressivos

Nem todo antidepressivo é igual e funciona bem para todas as pessoas. Pelo contrário, é comum que sejam feitas várias trocas na medicação até conseguir encontrar o antidepressivo ao qual o paciente melhor se adapta.

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Os tipos de antidepressivos presentes no mercado são:

Antidepressivos tricíclicos (ADT)

Esses foram os primeiros antidepressivos a serem descobertos, lá na década de 1950. Seu nome deriva da presença de 3 anéis de carbono na composição. Eles atuam aumentando a disponibilidade cerebral de serotonina, noradrenalina e, em menor escala, dopamina.

Inibidores da monoaminoxidase (IMAO)

Lembra que, após a recaptação, o neurotransmissor é destruído por uma enzima? Pois bem, os IMAOs atuam justamente inibindo essa enzima: a monoaminoxidase. Desta maneira, os neurotransmissores recaptados voltam a ser liberados na fenda sináptica, melhorando sua disponibilidade.

Tal enzima age sobre a serotonina, noradrenalina e dopamina, tornando este um antidepressivo que atua sobre diversos neurotransmissores. Seus efeitos podem ser tanto reversíveis quanto irreversíveis.

O problema é que os IMAOs interagem, também, com a tiramina, uma substância comum em vários tipos de queijos, carnes e bebidas alcoólicas. Essa interação resulta em crises de hipertensão e, por isso, a utilização desse tipo de antidepressivo é bastante limitada nos dias de hoje.

Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS)

Atualmente, grande parte dos antidepressivos usados são ISRS. O nome é bem autoexplicativo: eles atuam inibindo a recaptação da serotonina. Sendo assim, esse neurotransmissor fica “solto” na fenda sináptica e, com o tempo, é captado pelos receptores no outro neurônio.

A grande vantagem dos ISRSs é que eles atuam somente sobre a serotonina, sem comprometer a disponibilidade de outros neurotransmissores.

Inibidores seletivos da recaptação de noradrenalina (ISRN)

Assim como os ISRS, os ISRN também inibem a recaptação de um neurotransmissor específico. No caso, a noradrenalina. São muito úteis nos casos em que o paciente não responde aos inibidores seletivos da recaptação de serotonina.

Inibidores seletivos da recaptação de dopamina (ISRD)

Um terceiro tipo de inibidor seletivo de recaptação age na dopamina, outro neurotransmissor. É mais indicado nos casos de pacientes que sofrem com efeitos colaterais serotoninérgicos, ou seja, relacionadas ao aumento da disponibilidade de serotonina, como a ejaculação retardada.

Inibidores seletivos de recaptação da serotonina e noradrenalina (ISRSN)

Os ISRSN agem inibindo a recaptação tanto de serotonina quanto noradrenalina, mas não têm efeito na dopamina. Sendo assim, ele age de maneira semelhante aos antidepressivos tricíclicos, mas não apresenta tantos efeitos colaterais.

Antidepressivos tetracíclicos

Os antidepressivos tetracíclicos são considerados uma evolução dos tricíclicos, ao passo em que apresentam menos efeitos colaterais e também agem sobre diversos neurotransmissores. São usados como uma terceira alternativa, quando o paciente não responde aos tratamentos com ISRS e ISRN.

Este tipo age inibindo tanto a captação quanto recaptação de diversos neurotransmissores, mas mantém alguns receptores específicos abertos para que eles possam captar os neurotransmissores livres na fenda sináptica.

Ele possui efeito analgésico e sedativo, podendo, também, potencializar os efeitos indesejáveis do álcool, o que torna o consumo de bebidas alcoólicas ainda mais perigoso.

Nomes dos antidepressivos

Alguns nomes comerciais dos antidepressivos são:

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas neste site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Indicações: quando se deve tomar antidepressivos?

Apesar do nome, os antidepressivos não são indicados apenas para casos de depressão. De fato, esses medicamentos são utilizados no tratamento de outros transtornos mentais e até mesmo para auxiliar em doenças neurológicas, como o mal de Parkinson.

Os antidepressivos são comumente indicados nas seguintes condições:

Transtornos depressivos

Os transtornos depressivos são, em sua maioria, caracterizados por uma tristeza profunda e prolongada, desânimo para realizar as atividades de interesse, estresse, apatia, entre outros.

Eles englobam a depressão maior, distimia, depressão atípica, transtorno disfórico pré-menstrual, entre outros.

Transtornos de ansiedade

Diversos transtornos de ansiedade, como o transtorno obsessivo-compulsivo, fobia social, transtorno de estresse pós-traumático e síndrome do pânico, podem ser tratados com antidepressivos.

Transtornos afetivos e de personalidade

Pacientes com transtorno bipolar podem fazer o uso de antidepressivos para lidar com os episódios depressivos. No entanto, esses medicamentos devem ser administrados juntamente com estabilizadores de humor pois, caso contrário, o paciente pode entrar em episódios de mania.

Já no transtorno de personalidade borderline, o paciente pode fazer o uso de tais medicamentos para aliviar os sintomas depressivos que provém do transtorno.

Transtornos alimentares

Os antidepressivos têm bons resultados no controle de transtornos como a compulsão alimentar e a bulimia nervosa.

Tabagismo, alcoolismo e dependência química

Em estudos feitos com diversos voluntários, verificou-se que certos antidepressivos ajudam a superar alguns vícios, como o tabagismo, o alcoolismo e abuso de outras substâncias.

Não se sabe exatamente porquê os antidepressivos funcionam nesses casos, mas sabe-se que a bupropiona e a nortriptilina se mostraram eficazes na cessação do tabagismo mesmo em quem não tinha histórico de depressão.

Insônia

Embora os medicamentos mais frequentemente prescritos para insônia sejam os benzodiazepínicos (substâncias que agem na ansiedade), os antidepressivos podem, por vezes, auxiliar em crises de insônia em alguns pacientes.

Dores crônicas neurológicas

Os antidepressivos noradrenérgicos (que aumentam a disponibilidade de noradrenalina) ajudam no tratamento de dores crônicas neurológicas, como é o caso da fibromialgia.

Antidepressivos e Mal de Parkinson

Um grande número dos pacientes que sofrem com o mal de Parkinson tem que lidar, também, com a depressão. Existem, também, estudos que dizem que o risco do desenvolvimento dessa doença está relacionada ao uso de antidepressivos.

Contudo, essa relação não é de causa e efeito, ou seja, os pacientes que acabam por desenvolver Parkinson não necessariamente o fizeram por conta do uso de antidepressivos.

Novas pesquisas mostram, também, que é possível fazer o uso de certos antidepressivos — como os ISRS, por exemplo — sem piorar os sintomas da doença.

Efeitos colaterais dos antidepressivos

Talvez o maior problema relacionado ao uso de antidepressivos são os temidos efeitos colaterais que, sejamos honestos, não são poucos.

Sendo assim, é importante que o paciente tenha noção do que pode acontecer com seu corpo ao fazer o uso dos antidepressivos, mas ele também deve saber quando não dá mais para suportar tais efeitos adversos.

Se você apresenta algum efeito colateral que realmente atrapalha sua vida, é hora de conversar com o psiquiatra a perguntar o que pode ser feito. Lembre-se dos seus direitos: você pode e deve recusar um tratamento se não estiver de acordo com ele, mas não se esqueça, também, que nesses casos você fica por sua conta e risco.

Os efeitos colaterais mais comuns dos antidepressivos são:

Efeitos anticolinérgicos

Mais frequentes em pessoas que fazem o uso de antidepressivos tricíclicos (ADT), a intensidade desses sintomas costuma diminuir conforme o tempo ou de acordo com a diminuição da dose. Esses efeitos são:

  • Boca seca;
  • Visão borrada;
  • Constipação (prisão de ventre);
  • Retenção urinária;
  • Aumento da frequência cardíaca;
  • Tremores e movimentos involuntários.

Alterações na libido

Como diversos medicamentos agem na serotonina que regula, entre outros, a função sexual, pode ser que a vida sexual dê uma mudada com o uso de antidepressivos.

Durante o tratamento, a libido pode aumentar ou diminuir, além de poder levar à disfunção erétil, no caso dos homens, e anorgasmia (dificuldade para atingir o orgasmo) em ambos os sexos.

Síndrome de abstinência

Como qualquer outra droga, os antidepressivos podem levar a uma síndrome de abstinência. Isso acontece, geralmente, quando o paciente interrompe o uso dos medicamentos repentinamente.

Por isso, é de extrema importância consultar um psiquiatra caso o paciente esteja interessado em parar ou diminuir a dose do medicamento. Assim, a interrupção do uso pode ser feita gradativamente, o que evita a síndrome de abstinência.

Do contrário, os sintomas dessa síndrome são:

  • Vertigens e tonturas;
  • Descoordenação motora;
  • Fadiga e “moleza”, sintomas parecidos com o início de uma gripe;
  • Distúrbios sensoriais, como parestesia (dormência);
  • Alterações do sono, como insônia, sonolência ou pesadelos;
  • Irritabilidade;
  • Agitação;
  • Ansiedade.

Esses sintomas costumam aparecer entre 1 e 10 dias após parar de tomar o medicamento. No caso da fluoxetina, a síndrome pode demorar até 2 semanas para começar a acontecer.

Em contrapartida, com os antidepressivos tricíclicos, a síndrome pode começar já nas primeiras 48 horas após a interrupção do uso, levando a uma hiperatividade colinérgica por conta de um efeito rebote (quando organismo tenta compensar aquilo que foi evitado por muito tempo como, no caso, a atividade colinérgica).

Os sintomas incluem ataques de pânico, arritmias cardíacas e delirium (confusão mental).

Crises hipertensivas

No caso dos antidepressivos tricíclicos, a interação dos medicamentos com certos tipos de alimentos pode desencadear crises hipertensivas nos pacientes.

Caso seja necessário utilizar esse tipo de antidepressivo, deve-se evitar alimentos ricos em tiramina. Esses alimentos incluem:

  • Queijos maturados ou envelhecidos;
  • Carnes embutidas ou defumadas — incluindo peixes;
  • Mais de uma garrafa de cerveja, chope ou vinho, mesmo que sem álcool;
  • Levedura, fava e doce de casca de banana.

Síndrome serotoninérgica

A síndrome serotoninérgica é um conjunto de sintomas que acontecem quando há serotonina em demasia na fenda sináptica.

Isso acontece, geralmente, se o paciente faz a administração simultânea de antidepressivos (especialmente ISRS) e ervas medicinais para depressão, como a Erva-de-São-João (Hipérico).

Seus sintomas incluem:

  • Tremores;
  • Vertigem;
  • Hiperreflexia (reflexos muito sensíveis);
  • Rigidez muscular;
  • Convulsões;
  • Hipersalivação;
  • Alteração da consciência;
  • Agitação e hiperatividade;
  • Hipomania;
  • Letargia;
  • Insônia;
  • Alucinações;
  • Cãibras abdominais;
  • Diarreia;
  • Febre;
  • Taquicardia;
  • Hipertensão ou hipotensão;
  • Dilatação das pupilas;
  • Calafrios;
  • Rubor;
  • Ataxia;
  • Coma.

Mania e hipomania

No caso de pacientes bipolares com diagnóstico errôneo de depressão, os antidepressivos podem levar a um episódio de mania ou hipomania. Nesses casos, o psiquiatra deve reajustar a medicação e incluir um estabilizador de humor para evitar episódios maníacos.

Sintomas de episódios maníacos incluem euforia, agitação, pensamentos acelerados, menor necessidade de descanso, entre outros.

Tendência suicida

Principalmente no começo do tratamento, os antidepressivos acabam aumentando a tendência suicida. Isso pode acontecer por vários motivos, incluindo:

  1. O cérebro do paciente está tentando se adaptar às alterações químicas e isso pode resultar em comportamentos e pensamentos incomuns;
  2. Num primeiro momento, o antidepressivo faz um efeito e dá energia ao paciente, fazendo com que ele consiga sair da depressão limitante. No entanto, o efeito não chegou ao máximo até então, e o paciente ainda tem sintomas de depressão, incluindo a ideação suicida. Com isso, as chances do paciente tentar algo autodestrutivo aumentam.

Nesses casos, o acompanhamento de um psicólogo no início do tratamento é imprescindível para que o paciente não tente nada que ponha sua vida em risco.

Como tomar?

Apenas um psiquiatra será capaz de dizer qual o tipo e a dose do antidepressivo adequado para você. Contudo, vale lembrar que o início e o término do tratamento com antidepressivos é sempre algo gradual, para evitar problemas como a síndrome de abstinência.

É provável que o psiquiatra prescreva uma dose reduzida nos primeiros dias e vá aumentando gradualmente ao longo das semanas de uso do medicamento. O mesmo será feito quando é hora de parar: o profissional deve diminuir a dose gradativamente.

Para exemplificar melhor, vamos olhar a história de Luís (nome fictício):

Recentemente, Luís percebeu que tinha sintomas depressivos e resolveu procurar ajuda. No psiquiatra, ele falou sobre seus sintomas e sobre sua vida, assim o profissional poderia ter certeza de que se trata de uma depressão e não de outra coisa.

Na hora de prescrever o medicamento, o psiquiatra disse para Luís tomar 10mg de um determinado antidepressivo durante a primeira semana e, na segunda semana, aumentar para 20mg. Pediu, também, que Luís anotasse quaisquer efeitos colaterais que viesse a perceber durante o uso do medicamento.

Por último, o psiquiatra pediu que Luís fizesse acompanhamento psicológico e trouxesse suas queixas para o psicólogo, um profissional capacitado para auxiliar pacientes durante a jornada do tratamento.

Após 2 anos tomando os antidepressivos e fazendo o acompanhamento, Luís e o psiquiatra resolveram que era a hora de parar. Porém, não basta apenas parar de tomar os comprimidos, pois isso poderia desencadear uma síndrome de abstinência.

Sendo assim, o psiquiatra pediu que Luís continuasse tomando os 20mg durante uma semana, depois passasse 2 semanas tomando uma dose de 10mg e, depois, mais duas semanas tomando uma dose de 5mg por dia, e assim parar completamente.

Por quanto tempo deve-se tomar antidepressivos?

É difícil estimar por quanto tempo alguém irá tomar um antidepressivo, pois tudo depende do distúrbio que acomete o indivíduo, a maneira que seu organismo reage à medicação, entre outros fatores. Contudo, raramente um tratamento com antidepressivos irá durar menos de 6 meses.

Em casos de depressão endógena, ou seja, um tipo de de depressão no qual o problema é um desequilíbrio neuroquímico congênito, o paciente pode precisar da medicação pelo resto da vida.

Já em casos de depressão maior, que dura alguns meses, o paciente pode passar um ou dois anos tomando o medicamento e, depois, simplesmente não precisar mais.

Vale lembrar, também, que episódios depressivos podem acabar voltando, o que faz com que o paciente possa necessitar um tratamento com antidepressivos mais de uma vez durante sua vida.

Contraindicações

Como qualquer medicamento, existem algumas contraindicações para o uso de antidepressivos. São elas:

Gravidez e lactação

Alguns medicamentos podem passar da corrente sanguínea da mãe para o bebê, ou podem ser expelidos, também, pelo leite. Sendo assim, o uso de certos antidepressivos pode não ser recomendado durante esses períodos.

Uso concomitante ao álcool

Se você tem o costume de beber, o uso de antidepressivos não é indicado. Isso porque tanto o álcool quanto os antidepressivos são drogas depressoras do sistema nervoso central, ou seja, tornam o sistema nervoso central menos ativo.

Com isso, os efeitos do álcool podem ser potencializados e o paciente pode entrar em coma mais facilmente do que se não estivesse fazendo o uso desses medicamentos.

Curiosamente, os antidepressivos são usados para auxiliar no tratamento do alcoolismo. Por ser, também, uma droga depressora do sistema nervoso central, seu uso pode prevenir a abstinência do álcool.

Como melhorar o efeito do antidepressivo?

Não importa se você toma o melhor e mais potente antidepressivo do mercado, apenas o medicamento não vai conseguir fazer muita coisa por você. A verdade é que ele só é capaz de regular o fluxo de neurotransmissores no cérebro, aliviando os sintomas da depressão, mas não vai curar o problema por si só.

A depressão é um distúrbio multifatorial cujas causas incluem um desequilíbrio nos neurotransmissores, fatores ambientais, experiências traumáticas e, algumas vezes, até mesmo hereditariedade. O medicamento trabalha em apenas uma dessas causas, enquanto o resto deve ser trabalhado de outras maneiras.

Então, o que é possível fazer para auxiliar o medicamento a combater a depressão e seus sintomas? Pois bem, existem várias:

Psicoterapia

Uma das “alternativas” mais populares é a psicoterapia (ou acompanhamento psicológico). Não se trata de uma alternativa de fato pois, geralmente, a psicoterapia é um dos principais métodos de tratamento de casos depressivos, e pode ou não acompanhar o uso de antidepressivos.

Psicólogos são profissionais treinados e altamente qualificados para lidar com a dor psíquica. Eles podem te ajudar a encontrar maus hábitos que passam despercebidos, auxiliar na mudança desses hábitos, além de identificar até mesmo os problemas que te levaram a uma crise depressiva em primeiro lugar.

São muitas as abordagens existentes que podem auxiliar o paciente depressivo, cada uma da sua maneira. No Brasil, as abordagens mais populares são a terapia cognitivo-comportamental (TCC), psicoterapia de orientação psicanalítica e gestalt-terapia.

Contudo, existem diversas outras abordagens interessantes que podem ser usadas, como a psicologia corporal, terapia centrada na pessoa, psicologia sistêmica, etc. Cabe ao paciente encontrar um psicólogo e uma abordagem com os quais se sinta a vontade.

Alimentação e exercícios físicos

Você sabia que a alimentação influencia diretamente na produção de neurotransmissores? Recentemente, foi descoberto até mesmo que parte da serotonina é produzida no intestino grosso!

Por isso, alimentar-se saudavelmente é um grande passo para dar um boost na ação do antidepressivo. Alguns dos alimentos que facilitam a produção de serotonina são:

  • Queijos;
  • Amendoim;
  • Banana;
  • Salmão;
  • Tomate;
  • Espinafre;
  • Chocolate amargo.

Outra atividade que auxilia na melhora de sintomas depressivos é a prática regular de exercícios físicos. Embora não haja uma explicação clara do porquê isso acontecer, sabe-se que, num geral, exercitar-se ajuda a melhorar o humor de qualquer um — até mesmo quem não tem depressão.

Vitamina D

A vitamina D também pode ajudar no combate aos sintomas depressivos, de acordo com um estudo apresentado no The Endocrine Society’s 94th Annual Meeting, em Houston (Estados Unidos).

Segundo esse estudo, a suplementação da vitamina melhorou os sintomas depressivos em diversas mulheres que sofriam com insuficiência desse nutriente. O mesmo acontece em países frios nos quais o inverno dura muitos meses e os dias são curtos, havendo pouca luz solar disponível durante esse tempo.

Vale lembrar que a vitamina D é sintetizada pela pele durante a exposição solar e não é encontrada em quantidade significativa na alimentação. Por isso, quando não é possível tomar muito sol, recomenda-se a suplementação dessa vitamina.

Outro ponto a ser bem observado é o fato de que essa suplementação só ajuda na depressão nos casos em que há, de fato, alguma deficiência deste nutriente no organismo. Não existem provas de que, em pessoas com níveis normais de vitamina D, a suplementação faça efeito na depressão.

Alternativas aos antidepressivos

Muitas pessoas não gostam da ideia de tomar medicamentos químicos, e isso é um direito de todos. Existem algumas alternativas naturais aos medicamentos antidepressivos que podem atender a esse público, mas vale lembrar que eles não são tão eficazes quanto o tratamento medicamentoso.

Antes de iniciar o tratamento com qualquer um desses remédios, converse com seu psiquiatra! Só ele saberá dizer se o uso dessas substâncias é seguro para você.

Vale lembrar que, só porque é natural, não significa que não apresenta perigos. Pelo contrário, o uso concomitante de ervas medicinais e medicamentos pode causar interações perigosas, como a síndrome serotoninérgica.

Algumas alternativas aos antidepressivos são:

Erva-de-São-João / Hipérico (Hypericum perforatum)

Muito conhecida por auxiliar em estados depressivos mais leves, o hipérico tem um funcionamento parecido com os medicamentos antidepressivos. Sua ação melhora a disponibilidade de serotonina na fenda sináptica, mas é mais leve que as alternativas medicamentosas.

O hipérico pode ser consumido em forma de chás e cápsulas.

Rhodiola (Rhodiola rosea)

Muito utilizada em países europeus, a rhodiola é uma mão na roda para pessoas com sintomas depressivos leves. Ajuda a melhorar a concentração, o rendimento cerebral e auxilia no combate a pensamentos e comportamentos ligeiramente depressivos.

Uso de antidepressivos no Brasil

Engana-se quem pensa que o povo brasileiro é feliz por natureza: um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que o Brasil é o país mais depressivo da América Latina. Um dado que comprova isso é o aumento do uso de antidepressivos no país: o crescimento foi de 74% entre 2010 e 2016, segundo a SulAmérica.

A maior parte dos usuários desses medicamentos são mulheres e pessoas acima dos 50 anos de idade. Outros medicamentos psiquiátricos também apresentam um aumento nas vendas, mas os antidepressivos continuam em primeiro lugar entre os fármacos psiquiátricos.

Perguntas frequentes

Sendo um medicamento tão polêmico, já era de se esperar que os antidepressivos trouxessem muitas dúvidas! Saiba aqui quais as principais dúvidas em relação a este tipo de medicamento:

Antidepressivo engorda?

Depende. Existem diversos relatos de pessoas que tiveram um aumento de peso depois que passaram a tomar antidepressivos, mas nem sempre esse é o caso.

Não raramente, o ganho de peso está relacionado a melhora do paciente. Uma vez que a química cerebral está equilibrada, o paciente que antes tinha problemas para se alimentar agora consegue comer normalmente, ou pode até acabar exagerando na alimentação. O aumento de peso se dá facilmente em quadros como esse, principalmente em caso de sedentarismo.

Embora haja alguns mecanismos de ação que aumentem o apetite do paciente, não há evidências de que apenas o antidepressivo seja capaz de aumentar o peso.

Por se tratar de um fenômeno multifatorial, deve-se levar em conta a quantidade de calorias ingeridas e gastas durante o tratamento, a velocidade e capacidade do metabolismo e a quantidade de exercícios praticados pelo paciente antes de ser possível concluir que o responsável pelo aumento de peso foi a medicação.

É importante, também, que o paciente busque orientação com um nutricionista para evitar o aumento de peso em qualquer circunstância, seja usando antidepressivos ou qualquer outro tipo de medicamento.

Os antidepressivos são sempre eficazes?

Não necessariamente. Embora eles apresentem alta eficácia em muitos casos, nem sempre eles vão ser o melhor remédio para uma pessoa com sintomas depressivos.

Como já dito anteriormente, cada organismo reage de uma maneira e é justamente por isso que existem diferentes tipos de antidepressivos. Infelizmente, apenas um não foi o bastante para abarcar todas as pessoas do mundo que sofrem de depressão.

Nos dias de hoje, as pesquisas continuam sendo feitas, pois ainda existem muitos casos em que o paciente simplesmente não responde a nenhum tipo de antidepressivo.

Nesses casos, porém, o tratamento é feito majoritariamente através da psicoterapia, a fim de auxiliar o paciente a lidar melhor com seus sintomas e aprender novos comportamentos saudáveis, além de identificar o que o aflige e livrar-se disso.

Os efeitos colaterais são os mesmos para todas as pessoas?

Não. Na realidade, os efeitos colaterais podem ser completamente diferentes de uma pessoa para a outra! Isso porque tudo depende do organismo de cada um, da maneira que o medicamento é metabolizado em cada corpo, das necessidades do paciente, entre outros.

Antidepressivos funcionam como efeito placebo?

Definitivamente não! Esse mito vem da ideia de que a depressão é apenas um “estado de espírito” que pode ser combatido com pensamentos positivos, quando, na verdade, trata-se de um grave transtorno mental.

Só porque a doença se manifesta na mente, não quer dizer que sua cura se dá simplesmente por pensar positivo. Infelizmente, o buraco é mais embaixo.

Existem, sim, casos de pessoas que tiveram melhora com comprimidos placebos, mas eles são minoria. Geralmente, isso acontece quando a depressão do indivíduo não está relacionada a um desequilíbrio neuroquímico, mas sim a fatores ambientais, familiares, entre outros.

Já nos casos em que realmente há alguma anormalidade na produção e disponibilidade de neurotransmissores, o placebo não é eficaz com o medicamento de fato.

Antidepressivos danificam o cérebro?

Não existem evidências de que antidepressivos comprometam a integridade do cérebro, nem mesmo a longo prazo. Se a medicação for tomada corretamente, os riscos de ficar com alguma sequela do uso dos medicamentos são praticamente inexistentes.

Existem, no entanto, alguns inibidores da monoaminoxidase cujos efeitos são irreversíveis, ou seja, após a tomada do medicamento, a ação da monoaminoxidase não será mais a mesma.

Contudo, esse tipo de antidepressivo não é muito usado nos dias de hoje. Assim, dificilmente você terá que se preocupar com isso.

Antidepressivos afetam a vida sexual?

Sim. Como dito na seção “Efeitos colaterais”, alguns dos neurotransmissores sobre os quais os antidepressivos agem são responsáveis por regular a função sexual. Sendo assim, é possível que a sua libido aumente ou diminua, podendo levar até mesmo a quadros de disfunção erétil e anorgasmia.

Quem toma antidepressivo pode beber álcool?

Essa questão é um pouco complicada, pois depende muito de diversos fatores, incluindo o tipo de antidepressivo, a dosagem, entre outros. A recomendação geral é que não se deve ingerir álcool ao fazer tratamento com antidepressivos e outros medicamentos psicotrópicos.

Alguns psiquiatras liberam o uso de álcool junto aos antidepressivos, desde que em doses baixas. Vale lembrar, entretanto, que não existe uma dose segura de consumo em conjunto com os antidepressivos.

Existem diversos casos de artistas famosos que tomaram o medicamento e morreram logo em seguida por conta da ingestão de álcool num curto espaço de tempo. É uma narrativa que já vimos diversas vezes, e não é algo que deve se repetir.

Nos casos em que o psiquiatra deixa o paciente tomar álcool, a dica é tomar a dose do medicamento um bom tempo antes ou depois de beber. Isso sem desrespeitar os horários das doses, é claro.

Caso você utilize antidepressivos e deseja tomar uns bons drinks no final de semana com os amigos, converse com seu psiquiatra. Apenas ele poderá dizer se há grandes riscos envolvidos.


Embora exista muito preconceito, os antidepressivos são medicamentos bastante eficazes no combate à depressão e o seu uso deve ser cogitado sempre que o psiquiatra indicá-lo. Lembre-se: antidepressivo não vicia e você não tem nada a perder!

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