A insuficiência cardíaca é uma doença crônica em que o coração não bombeia sangue de forma eficiente, sendo um dos fatores de risco para outras doenças cardiovasculares —  a maior causa de morte no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Para reduzir o risco de mortes causados por essa condição, uma pesquisa buscou avaliar a ação da vacina da gripe como medida preventiva nos pacientes diagnosticados com a doença.

O estudo, divulgado pela revista Circulation em dezembro deste ano, foi realizado pela Universidade de Copenhague (Dinamarca) a partir de 12 anos de coleta de dados sobre mais de 134 mil pacientes recém diagnosticados com insuficiência cardíaca.

Ao longo desses 12 anos, as taxas de vacinação apresentaram uma variação de 16% a 52%, em média, sendo em 2009 o maior índice registrado, de 54%.

Os resultados obtidos mostram que o risco de morte prematura nos pacientes que receberam a vacina foi 18% menor quando comparado aos pacientes que não foram imunizados.

A pesquisa ainda revelou que a vacina anual contra a influenza também teve impacto positivo reduzindo o risco de morte por qualquer doença cardiovascular em 19% dos pacientes.

Para ter uma melhor proteção, o recomendado é que a vacina seja aplicada entre os meses de abril e maio, para garantir que o paciente esteja mais protegido durante as estações em que a doença é mais comum (outono e inverno).

Mas, como a vacina ajuda esses pacientes?

O estudo mostra porcentagens otimistas entre a aplicação da vacina e uma redução de complicações cardíacas, mas, tão importante quanto as estatísticas é entender como isso acontece.

Quando o coração não bombeia o sangue corretamente, consequentemente há um prejuízo ou sobrecarga em outros órgãos e sistemas do organismo, o que é bastante perigoso para a saúde de pessoas com insuficiência cardíaca.

Com a fragilidade provocada pela doença, o paciente se torna ainda mais suscetível a comorbidades.

Nesse caso, a gripe é um risco porque enfraquece o sistema imunológico, o que abre espaço para complicações como pneumonia e bronquite, que podem levar o paciente a ser hospitalizado.

Em quadros gripais, há também uma chance maior de formação de coágulos sanguíneos, o que pode causar um ataque cardíaco e levar o paciente à morte.

Dessa forma, a vacina ajuda diminuindo a gravidade da gripe e, indiretamente, provoca uma redução nos riscos de doenças cardíacas.

A vacina também está associada a uma menor chance de a gripe provocar um enfisema (presença de ar ou gás entre os tecidos) ou agravar quadros de asma e outras doenças crônicas.

Qual deve ser a frequência e período de vacinação?

Além de apontar a vacina contra a gripe como uma opção importante para a prevenção de complicações por insuficiência cardíaca, o estudo mostra que a frequência da imunização também é importante.

Nos pacientes que receberam a vacina 1 vez ao ano foi observado uma redução de 13% no risco de morte por qualquer causa, e 8% no risco por morte cardiovascular.

O período em que a vacinação é feita também é tão importante quanto a frequência.

Há uma redução na mortalidade por doenças cardiovasculares quando a vacina é obtida durante os meses que antecedem a temporada de gripe, geralmente as estações mais frias.

De olho nos sinais da insuficiência cardíaca

Como visto, a insuficiência cardíaca é a condição em que o coração já não bombeia o sangue de forma eficiente.

O paciente pode desenvolver essa doença por diferentes fatores de risco.

A pressão alta é uma entre as possíveis causas, já que exige que o coração bombeie mais sangue, provocando uma dilatação do órgão ao passar do tempo.

Quando diagnosticada precocemente e tratada corretamente, os riscos de complicações são mais reduzidos. No entanto, a tendência é que a condição se agrave com o envelhecimento.

Para as pessoas que não recebem tratamento e descobrem tardiamente, a gripe se torna uma ameaça mais séria e, até mesmo, letal.

Pensando no risco de um diagnóstico tardio, é fundamental dizer o quanto é importante manter uma rotina de consultas ao cardiologista, além de ficar de olho nos sintomas.

Alguns dos sinais que merecem atenção são:

  • Cansaço;
  • Inchaço nas pernas ao final do dia;
  • Tosse noturna;
  • Fadiga;
  • Inchaço no abdômen;
  • Variação de peso;
  • Palpitações;
  • Dificuldade para dormir;
  • Fraqueza;
  • Desmaios;
  • Falta de apetite;
  • Indigestão;
  • Náuseas e vômitos;
  • Diminuição do volume da urina ou vontade de urinar a noite;
  • Arritmias;
  • Anemia;
  • Febre alta.

Além da vacina, o que mais diminui os riscos?

A vacina não deve ser o único cuidado ou medida preventiva de pacientes que apresentam insuficiência cardíaca.

É indispensável que eles mantenham também uma frequência regular de consultas com o cardiologista.

Além disso, devem manter um cuidado constante com alimentação, exercícios e com o uso correto de medicamentos — quando prescritos pelo médico.

Outro cuidado fundamental se trata do controle dos fatores de risco que podem causar ou agravar a insuficiência cardíaca, tais como:

  • Apneia do sono;
  • Pressão alta;
  • Doença arterial coronariana (DAC);
  • Ataque cardíaco;
  • Diabetes;
  • Doenças cardiovasculares congênitas (anormalidade na estrutura ou função do coração por malformação na gestação);
  • Consumo excessivo de álcool;
  • Arritmia;
  • Infecção viral.

Para reduzir o número de mortes por complicações cardiovasculares, é fundamental que mais pesquisas sobre formas de prevenção sejam realizadas e divulgadas.

Nesse caso, além da vacina, é importante contar com o acompanhamento de um cardiologista e ter hábitos mais saudáveis.

Compartilhe essa matéria para que mais pessoas cuidem bem do coração! Obrigada pela leitura.

Fonte consultada

Influenza Vaccine in Heart Failure: Cumulative Number of Vaccinations, Frequency, Timing, and Survival: A Danish Nationwide Cohort Study – Circulation

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Editor Médico

Dr. Paulo Caproni

CRM/PR 27.679

Graduado em Medicina pela PUCPR. Residência Médica em Medicina Preventiva e Social pela USP. MBA em Gestão Hospitalar e de Sistemas de Saúde pela FGV.

Farmacêutica Responsável

Dra. Francielle Mathias

CRF/PR 24612

Farmacêutica generalista, com Mestrado em Ciências Farmacêuticas, ambos pela Unicentro. Doutorado em Farmacologia pela UFPR.

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