Personalidade interfere na quantidade de sexo e filhos, diz pesquisa

Pesquisadores também acreditam que os comportamentos sexuais podem ser denunciados pelo gênero de cada pessoa

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Sabe aquela história de que gente engraçada tem mais sorte em relacionamentos? Isso pode ter um fundo de verdade, de acordo com um estudo publicado no jornal científico Personality and Individual Differences.

Feita pela Universidade de Tecnologia de Queensland, a pesquisa analisou os dados de 4,5 mil australianos sobre o comportamento sexual e o reprodutivo, e a relação com os traços de personalidade.

Os resultados indicam que fazer sexo com mais frequência e ter mais filhos têm relação com determinadas características individuais.

A partir do relatório nacional sobre o comportamento sexual australiano, realizado em 2016, sobre a frequência sexual, satisfação e variedade de parceiros, os pesquisadores da universidade selecionaram 3 mil homens e 1,5 mil mulheres heterossexuais para compor a pesquisa.

Depois de selecionar os participantes, eles foram submetidos aos testes de personalidade do tipo Big Five (ou cinco traços de personalidade) em que são avaliadas algumas características individuais.

Após obter todos os questionários e perfis dos participantes, era hora de cruzar os dados comportamentais.

O que muda entre homens e mulheres?

Poucos estudos deram especial ênfase aos aspectos do comportamento sexual como este — ninguém sabia muito sobre a personalidade predominante das pessoas que têm uma vida sexual intensa ou das que querem uma família cheia de crianças.

Os resultados foram bastante distintos entre os homens e as mulheres.

Para eles, houve maior variedade de espectros relacionados à sexualidade e reprodução, ou seja, aqueles que fazem mais sexo e têm mais filhos apresentam combinações mais diversas, envolvendo características como extroversão, agradabilidade e disciplina.

É mais ou menos como se as mulheres dessem preferência aos homens mais comunicativos e agradáveis de manter uma conversa; aos simpáticos e responsáveis; ou àqueles que se importam com sentimentos e são organizados.

Publicações anteriores, como estudos realizados em 2006, já relacionavam a extroversão ao acasalamento ou disposição em constituir família. Nesse caso, reforçando a ideia de que pessoas sociáveis têm mais facilidade em encontrar companhia para um cinema ou festa.

Na publicação, a combinação dos traços de extroversão e pouca abertura às experiências apontou predominância, entre os homens, de baixa atividade sexual e alta reprodutividade.

Isso quer dizer que aqueles que tendem a ser pouco aventureiros, mas se comunicam bem têm menos encontros amorosos. Apesar de terem uma rotina sexual mais calma, há propensão à paternidade e/ou terem mais filhos.

Mas entre as mulheres, as combinações foram bem restritas. A maternidade ou maior quantidade de filhos está relacionada somente àquelas participantes com traços de agradabilidade — perfil impositivo, determinado, convicto ou objetivo reduziram os encontros das participantes.

Em conclusão, o estudo indicou que parece haver relação entre os traços individuais de personalidade e os comportamentos sexuais para cada sexo biológico, sendo que a variedade de combinações representa vantagens reprodutivas apenas aos homens.

Considerando apenas os fatores comportamentais e de personalidade, as mulheres têm menor variedade sexual e propensão à reprodução, logo que são poucas combinações de espectro relacionadas ao elevado comportamento sexual.

Enquanto eles, no geral, podem ser mais empáticos, enérgicos, curiosos ou bagunceiros. Se forem agradáveis de conversar e simpáticos, os encontros e a paternidade estão assegurados.

Os cinco traços de personalidade

A personalidade é única e individualizante. Isso significa que cada pessoa vai manifestar traços e comportamentos distintos resultantes da hereditariedade (genética) e do meio social.

Teorias dos traços de personalidade têm auxiliado pesquisadores a relacionar comportamentos e projetar repostas individuais e coletivas, fazendo com que a ação dos indivíduos seja melhor compreendida — auxiliando estudos científicos e até entrevistas de emprego.

No estudo da Universidade de Tecnologia de Queensland, foi o Big Five (ou cinco traços de personalidade) a teoria utilizada para analisar os participantes.

Para compreender o estudo, vale saber que os espectros, ou características, são avaliados em escalas. Por exemplo, cada pessoa tem um grau de extroversão — indo de absolutamente extrovertida até nada extrovertida (ou introvertida).

Além disso, as categorias conversam entre si, onde um participante pode ter um dos traços elevados, outro baixo e assim por diante.

Os cinco traços de personalidade, bem como os comportamentos que mais caracterizam cada um, são:

Abertura à novas experiências

Pessoas com alta abertura às experiências são mais criativas, abstratas e imaginativas. Lidam melhor com situações inesperadas, novidades e mudanças. Já o espectro oposto se relaciona às pessoas reservadas, apegadas à rotina e com medo do inesperado.

Conscienciosidade

Pessoas com alto grau de conscienciosidade são mais organizadas — nas atividades e nos ambientes —, sistemáticas, mantêm rotinas mais rígidas e são mais persistentes. Pessoas no espectro oposto, são mais flexíveis, mais adaptáveis e com facilidade de abstração.

Extroversão

Analisa o comportamento da pessoa perante grupos sociais ou outras pessoas. Indica o quão comunicativa, ativa, solícita em integrar-se ao grupo a pessoa é. Em oposição ao espectro estão as pessoas mais reservadas, confortáveis com o isolamento e tímidas — os introvertidos.

Agradabilidade

O espectro se refere ao comportamento da pessoa em relação às outras, como o respeito, a empatia, a receptividade e a amizade. O oposto da agradabilidade sugere pessoas mais agressivas e inflexíveis com a opinião alheia.

Neuroticismo

Pessoas com alto grau de neuroticismo reagem mais às emoções. Em geral, respondem mais instantaneamente aos impulsos. No espectro oposto, estão pessoas que controlam melhor as emoções ou são pouco emotivas.


Ainda que os estudos sobre personalidade e comportamento façam parte de diversas áreas de psicologia e estudos sociais — ajudando a traçar parâmetros de profissão, consumo e interesses pessoais —, a relação com o comportamento sexual e reprodutivo ainda é um campo pouco aprofundado.

O estudo, ainda que recente e limitado, abre portas para observações e novas pesquisas — pode até ajudar a explicar a intensidade da vida sexual.

Então, para saber mais novidades, acompanhe o Minuto Saudável!

Fontes consultadas

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