O que é Leptospirose

A Leptospirose, ou “Mal de Adolf Weil”, é uma doença infecciosa bacteriana, também extremamente grave, causada pela bactéria Leptospira interrogans. É considerada uma zoonose infectocontagiosa, isto é, uma doença proveniente de animais. Contudo, também afeta o ser humano, o qual se contamina pela urina do rato.

Apenas as regiões polares estão livres da Leptospirose, sua maior ocorrência está nos países tropicais e subtropicais, especialmente nas em áreas com condições sanitárias precárias, propícias para a proliferação de ratos. Sendo que a incidência média em regiões tropicais é de 1 caso a cada 10 mil habitantes. Já em regiões frias, é de 1 para 100 mil.

O Brasil, de 1980 a 2005, teve pouco mais de 60 mil casos da doença em todo o país, sendo que 1/3 foi no Sudeste. Apenas 10% têm ocorrência grave e é conhecida por Doença ou Síndrome de Weil, tendo manifestações hemorrágicas severas e comprometimento da função renal. Na maioria dos casos, a Leptospirose é benigna.

Os médicos não conseguem prever quando a Leptospirose será agressiva, contudo existem estratégias terapêuticas capazes de prevenir isso, assim que a infecção tem início.

Para auxiliar na prevenção da Leptospirose, o Ministério da Saúde, por intermédio da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), elabora normas, coordena, assessora e supervisiona as ações de vigilância e controle da doença, que são desenvolvidas em todo o país pelas secretarias estaduais e municipais de saúde. Para isso, a SVS elabora e distribui material técnico e educativo, capacitando também técnicos de estados e municípios para executarem ações de forma mais efetiva para prevenir a população da doença. Além disso, também estudam os dados da doença registrados no país e ficam vigilantes para a ocorrência de quaisquer casos e surtos de leptospirose.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é Leptospirose
  2. Causas
  3. Quais os tipos e fases da Leptospirose?
  4. Sintomas da Leptospirose
  5. Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?
  6. Qual o tratamento para Leptospirose?
  7. Grupos e fatores de risco
  8. Complicações/Prognóstico
  9. Como prevenir a Leptospirose? É transmissível?
  10. A Leptospirose pode afetar meus pets?

Causas

A bactéria Leptospira penetra ativamente por mucosas ou lesões da pele do paciente. Após a penetração no seu hospedeiro, ela espalha-se rapidamente pela via linfática e sanguínea.

Os principais órgãos afetados são os rins, fígado, cérebro e pulmões. O período de incubação da bactéria pode variar de 2 a 30 dias, mas a média é de 10 dias de intervalo entre a contaminação e o início dos sintomas da doença.

As bactérias da leptospirose podem sobreviver no ambiente até semanas ou meses, o que vai depender das condições do mesmo, como temperatura, umidade, lama ou águas de superfície. Porém, elas são bactérias sensíveis aos desinfetantes comuns e a determinadas condições ambientais, sendo mortas rapidamente por desinfetantes, como o hipoclorito de sódio, presente na água sanitária, e também quando expostas à luz solar direta.

Cerca de 5 a 7 dias após a infecção, aparecem os primeiros sintomas, que podem diminuir ou cessar, bem como aumentar (se a forma mais grave se desenvolver).

A principal causa de morte dos pacientes da leptospirose é a Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA), ela libera componentes bacterianos como LPS e fração glicolipoprotéica no organismo, causando a ativação da resposta imune com agravamento do quadro clínico do paciente.

Quais os tipos e fases da Leptospirose?

Existem basicamente 2 formas da doença, são elas:

Forma anictérica

Quando não há amarelamento da pele, esta é a forma mais benigna. Apresenta poucos sintomas e é auto-limitada. Ocorre em 90% dos pacientes infectados.

Forma ictérica

Quando a pele apresenta aspecto amarelado, esta forma é também conhecida por “Doença de Weil”, e é a mais grave. Acomete 10% dos doentes e pode levar à morte.

Ainda a Leptospirose subdivide-se em duas fases, são elas:

Fase precoce

Esta fase compreende de 85% a 90% das formas clínicas da doença, porém poucos casos são identificados nesta fase, por causa das dificuldades inerentes ao diagnóstico clínico e à confirmação laboratorial.

Este é o período que o paciente poderá sentir:

  • Início súbito de febre.
  • Cefaleia.
  • Mialgia.
  • Anorexia.
  • Náuseas.
  • Vômitos.
  • Diarreia.
  • Artralgia.
  • Hiperemia.
  • Hemorragia conjuntival.
  • Fotofobia.
  • Dor ocular.
  • Tosse.

Fase tardia

Esta fase é característica por apresentar complicações da doença, que acomete cerca de 15% dos pacientes que têm uma evolução para manifestações clínicas graves. Essas têm início, geralmente, após a primeira semana de doença, contudo, também pode ocorrer mais cedo do que se espera.

Sintomas da Leptospirose

A Leptospirose pode apresentar sintomas, mas também pode ser assintomática. Quando há ocorrência de sintomas, o paciente costuma ter:

  • Febre alta repentina.
  • Mal-estar.
  • Dor muscular (mialgias), especialmente na panturrilha, na cabeça e no tórax.
  • Olhos vermelhos (hiperemia conjuntival).
  • Tosse.
  • Cansaço.
  • Calafrios.
  • Náuseas.
  • Faringite.
  • Diarreia.
  • Desidratação.
  • Exantemas (manchas vermelhas no corpo), aumento dos linfonodos, baço e fígado.
  • Sinais de meningite.

Os sintomas também variam bastante de paciente para paciente, dependendo do caso. Mais de 75% dos pacientes apresentam febre alta com calafrios, dor de cabeça e dor muscular, enquanto 50% apresentam náuseas, vômitos e diarreia. Quando a Leptospirose adquire forma grave (Doença de Weil), os seguintes podem aparecer:

  • Icterícia.
  • Hemorragias.
  • Complicações renais.
  • Torpor.
  • Coma.

Mas na maioria dos casos, a leptospirose costuma ser autolimitada, ou seja, ela tem boa evolução e seus sintomas regridem depois de 3 ou 4 dias. Porém, essa melhora pode ser transitória.

Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?

Quando a leptospirose está no início, o seu diagnóstico pode ser confundido com o de doenças como:

Isto ocorre porque seus sintomas são parecidos. Por isso o dado mais importante para o diagnóstico da leptospirose é a exposição recente a situações de risco, como enchentes ou contato com água de poços, fossas, bueiros e esgoto.

Assim, o especialista solicitará o diagnóstico diferencial por meio de:

  • Exames sorológicos.
  • Isolamento da bactéria em cultura (no sangue ou no líquor).
  • Bacteriológico definitivo.
  • Teste de aglutinação microscópica, padrão-ouro para a leptospirose (disponível só em grandes laboratórios).
  • Ensaio Detector de Anticorpos de Enzimas (ELISA).
  • Reação em Cadeia da Polimerase (PCR).
  • Sorologia sanguínea: é o diagnóstico final.

Qual o tratamento para Leptospirose?

Quanto mais tarde for iniciado o tratamento para a doença, maior será a chance que ela evolua para quadros mais graves, os quais sempre requerem internação hospitalar. O tratamento da leptospirose consiste em:

  • Hidratação.
  • Uso de antibióticos, como:
  1. Penicilina.
  2. Doxiciclina.
  3. Estreptomicina esse elimina a bactéria dos rins.
  4. Clordox.
  • Vacina: só está disponível para ser aplicada em animais, os quais mesmo não ficando doente, não estão totalmente livres de serem infectados pela bactéria, transmitindo-a pela urina.

Os únicos casos em que a vacina é aplicada em humanos são nos trabalhadores de risco, como limpadores de bueiros e fossas, contudo, ela não garante imunização permanente.

A cura da doença é espontânea. A maioria dos pacientes apresentam melhora em 1 semana, outros tem uma evolução bifásica da doença, melhorando por um período de 2 a 3 dias e, depois, tendo uma nova piora dos sintomas.

Nos casos mais graves, o paciente poderá ser internado na UTI ou nas instituições de tratamentos mais agressivos (ventilação mecânica e hemodiálise, por exemplo).

Atenção!
Medicamentos que contêm ácido acetilsalicílico (aspirina, melhoral e anti-inflamatórios como Voltaren e Profenid, por exemplo) devem ser evitados, pois aumentam o risco de sangramentos.

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Grupos e fatores de risco

Entre os grupos e fatores de risco da Leptospirose estão:

  • Habitantes de regiões mais periféricas, quando a maioria das infecções ocorre através do contato com águas de chuvas e enchentes contaminadas pela urina dos roedores.
  • Ambientes com ineficácia ou inexistência de rede de esgoto e drenagem de águas pluviais.
  • Locais em que a coleta de lixo é inadequada.
  • Nadar em rios e lagos de água doce, caso estas estejam contaminadas.

Complicações/Prognóstico

Quando não há tratamento, pode ocorrer complicações como:

  • Sinais de icterícia (pele e olhos amarelados) após o terceiro dia de doença.
  • Insuficiência renal aguda.
  • Hemorragias.
  • Icterícia bilirrubínica: icterícia mais vaso-dilatação, é uma mistura de pele amarelada e vermelha, muitas vezes de aspecto alaranjado.
  • Insuficiência hepática e insuficiência respiratória.
  • Delírios.
  • Morte.

Essas complicações podem levar de 5 a 6 dias do aparecimento dos sintomas à internação do paciente.

Como prevenir a Leptospirose? É transmissível?

Algumas medidas e cuidados podem ser tomados para prevenir-se da Leptospirose:

  • Pratique as medidas básicas de higiene.
  • Embale bem o lixo.
  • Ferva a água ou coloque algumas gotas de hipoclorito de sódio ou de água sanitária antes de beber ou cozinhar.
  • Lave bem os alimentos, especialmente frutas e verduras que serão consumidas cruas.
  • Vacine seu animal e mantenha rigorosamente limpas as vasilhas em que são servidos alimentos e água.
  • Não deixe as caixas d’água destampadas.
  • Use luvas e botas de borracha se trabalhar em ambientes que possam ser reservatórios da bactéria Leptospira.
  • Não se automedique se suspeitar de infecção pela bactéria da leptospirose.
  • Usar proteção de botas e/ou luvas ou sacos plásticos se:
  1. Fizer a limpeza de caixa de esgoto
  2. Manusear materiais de locais onde possam existir ratos como lixo, material de construção, entulho.
  3. Tiver contato com regiões marginais de rios e lagos, como em pescarias.

São os animais mamíferos, principalmente os roedores que transmitem a leptospirose, mas também pode atingir cães e gatos domésticos, bem como os animais de criação, como gado, cavalos, porcos, ovelhas, etc.

Quando o animal é contaminado, ele elimina a bactéria em sua urina, que consequentemente contamina o solo e água. A bactéria da leptospirose é capaz de sobreviver por muito tempo em ambientes úmidos e morre rapidamente em ambientes secos.

A principal fonte de transmissão para os seres humanos são os ratos de esgoto, pois a infecção ocorre geralmente após o consumo de líquidos e alimentos.

Também pelo contato direto da pele, principalmente se houver feridas, com a água contaminada pela urina dos roedores.

A imunidade adquirida pós-infecção é sorovar-específica nos humanos, podendo um mesmo indivíduo apresentar a doença mais de uma vez se o agente causal de cada episódio pertencer a um sorovar diferente do anterior.

Quanto mais tempo for o contato com a pele, maior o risco de contágio da doença.

Importante!
O contato com a urina de outras pessoas não transmite leptospirose, ou seja, não é possível passar de pessoa para pessoa.

Quais medidas posso adotar para combater os ratos?

Como esses roedores são os principais transmissores da doença, existem algumas medidas a serem tomadas para combatê-los. Veja quais são elas:

  • Acondicionar o lixo em sacos plásticos bem fechado e em locais elevados do solo, colocando-o para coleta pouco antes do lixeiro passar.
  • Caso tenha animais em casa (cães, gatos e outros), retirar e lavar os vasilhames de alimento do animal todos os dias antes do anoitecer, pois ele também pode ser contaminado pela urina do rato.
  • Fechar os buracos de telhas, paredes e rodapés para evitar o ingresso dos ratos para dentro de sua casa.
  • A grama e o mato devem ser mantidos roçados, para evitar que sirvam de abrigo para os ratos.
  • Manter limpos e desmatados os terrenos baldios.
  • Manter os alimentos armazenados em vasilhames tampados e à prova de roedores.
  • Nunca jogar lixo à beira de córregos, pois além de atrair roedores, o lixo dificulta o escoamento das águas, agravando o problema das enchentes.
  • Manter as caixas d’água, ralos e vasos sanitários fechados com tampas pesadas.

O controle desses roedores pelos órgão de saúde também são de extrema importância! Afinal, são eles os principais transmissores da doença para o homem, pois transmitem a leptospira pela urina, contaminando o ambiente: água, solo e alimentos.

Nas cidades, a grande quantidade de pessoas associada à alta infestação de ratos (principalmente ratazanas) e à grande quantidade de lixo é o maior o risco de transmissão da doença.

Por isso, é preciso controlar a população de ratos, porque é a melhor forma de combater a doença. O controle de roedores ainda deve ser feito o ano inteiro para que se obtenha resultados satisfatórios na diminuição de sua população.

Posso pegar Leptospirose através da lata de refrigerante?

Dificilmente, mas há o risco. Esta é uma via pouco comum, já que uma vez que as latas estejam secas, a bactéria torna-se inviável. A transmissão pode ocorrer apenas se as latas, após contato com a urina infectada, permanecerem armazenadas em locais úmidos até o momento do consumo pelo indivíduo.

A Leptospirose pode afetar meus pets?

Sim, da mesma forma que pode afetar os humanos, e é conhecida por “Doença de Stuttgart” ou “Tifo canino” e afeta mais os cachorros.

Os cães apresentam principalmente o gênero L. canicola da bactéria, mas podem também apresentar o L. icterohaemorrhagiae e o L. grippotyphosa. A contaminação ocorre por meio da ingestão de água e alimentos contaminados pela urina dos roedores, assim como cheirar e/ou lamber os órgãos genitais de outros animais contaminados.

O tempo de incubação da bactéria nos cães leva cerca de 5 a 20 dias; os cães adultos machos e os cães de centros urbanos são os que mais se infectam. A fase mais grave da doença costuma acometer os animais mais idosos.

Os animais infectados podem tornar-se um reservatório da doença por longos períodos de tempo ou pelo resto da vida, sendo o transmissor para outras espécies. Os tipos de Leptospirose nos cães podem ser:

  • Ícterícia: mais leve, provocada pela L. icterohaemorrhagie.
  • Urêmica: provocada principalmente pela L. canicola e atinge principalmente animais idosos e apresenta grande taxa de mortalidade.
  • Gastrintestinal: provocada principalmente pela L. canicola.

Os sintomas geralmente são:

  • Febre alta.
  • Diminuição da temperatura corporal.
  • Icterícia.
  • Mudança de coloração das mucosas conjuntivas e bucais.
  • Insuficiência renal.
  • Dor ao toque na região hepática, renal e dorsal.
  • Rigidez ao se movimentar.
  • Mudança de coloração na urina.
  • Apatia.
  • Sonolência.
  • Inapetência.
  • Vômitos.
  • Diarreias.
  • Hemorragia.
  • Erupções e úlceras na língua em casos mais avançados.

O cão deverá ser examinado pelo médico veterinário, que usará métodos de soro aglutinação e exames de sangue para fazer o diagnóstico e uma melhor observação do agente patológico que pode ficar no sistema sanguíneo em algumas fases da doença.

Antibióticos e penicilina são usados no tratamento e recomenda-se manter o animal estável durante a fase grave da doença, prevenindo grandes lesões em órgãos como o fígado e os rins.

Quando a fase for aguda e, também dependendo do grau, pode-se fazer uma terapia intensiva de suporte. O método de prevenção da doença é feito pelos exames preventivos e pela vacinação anual.


Nos países com clima tropical, a incidência média é de um caso para cada 10 mil habitantes, já nos países com clima temperado/frio, a incidência média é de um caso para 100 mil habitantes. Isto ocorre porque quando o clima é quente e úmido (comum em áreas tropicais), acaba favorecendo procriação e proliferação de ratos.

Agora que você já sabe dos cuidados básicos de prevenção, compartilhe este artigo para que mais pessoas também sejam informadas!

Referências

http://www.cives.ufrj.br/informacao/leptospirose/lep-iv.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Leptospirose
http://www.todabiologia.com/doencas/leptospirose.htm
http://www.rondonia.ro.gov.br/agevisa/institucional/vigilancia-ambiental/controle-de-zoonoses-e-animais-peconhentos/leptospirose/
http://drauziovarella.com.br/letras/l/leptospirose/
http://www.mdsaude.com/2009/12/leptospirose.html
https://www.bio.fiocruz.br/index.php/sintomas-transmissao-e-prevencao
http://www.rondonia.ro.gov.br/agevisa/institucional/vigilancia-ambiental/controle-de-zoonoses-e-animais-peconhentos/leptospirose/
http://www.fleury.com.br/saude-em-dia/dicionarios/doencas/pages/leptospirose.aspx

1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas (Avalie o conteúdo!)
Loading...

Faça um comentário:

Por favor, escreva seu comentário
Por favor, insira seu nome aqui