O uso de anti-inflamatórios não-esteroides como ibuprofeno é um hábito presente na vida de muitos brasileiros, especialmente aqueles que sofrem com dores de cabeça, nas costas e nas juntas. Apesar do alívio rápido para essas dores, esses anti-inflamatórios não são inofensivos.

Uma pesquisa publicada no British Medical Journal recentemente mostra que o uso regular desse tipo de medicamento está relacionado ao aumento do risco de insuficiência cardíaca.

O estudo acompanhou 10 milhões de usuários de anti-inflamatórios de quatro países europeus: Holanda, Itália, Alemanha e Reino Unido. Neste grupo, formado por pessoas que começaram o tratamento entre 2000 e 2010, houve um total de 92.163 internações por insuficiência cardíaca ao longo dos anos.

Utilizando 27 tipos diferentes de anti-inflamatórios não-esteroides, os pesquisadores compararam o uso desses medicamentos com as taxas de problemas no coração.

O que eles descobriram é que pessoas que tomaram tais anti-inflamatórios nos últimos 14 dias da pesquisa tiveram  19% mais chances de serem internadas por insuficiência cardíaca do que pessoas que fizeram o uso desses remédios no passado.

De todos os 27 anti-inflamatórios, os que mais se destacaram nessa relação foram o ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco, indometacina, trometamol cetorolaco, nimesulida e piroxicam.

A preocupação era maior com os inibidores seletivos da COX-2, etoricoxibe e rofecoxibe, pois o risco de problemas cardíacos com esses tipos de anti-inflamatórios já era conhecido. Entretanto, o que a pesquisa revela é que até mesmo os anti-inflamatórios comuns e tradicionais apresentam riscos, mesmo que o mecanismo para alívio da dor seja diferente.

As chances de internamento variaram entre 16% com o naproxeno e 83% com o trometamol cetorolaco, mostrando que diferentes compostos podem ter mais ou menos influência.  O tempo de uso e a dose tomada também influenciam nessas taxas.

Os riscos são ainda maiores para quem já tem problemas no coração ou predisposição a desenvolvê-los, assim como em pessoas mais velhas, especialmente na terceira idade.

Um dos maiores problemas relacionados aos anti-inflamatórios é a falta de informação. Muitos usuários acreditam que, por serem vendidos sem prescrição, são remédios que não tem efeitos colaterais graves e, por isso, fazem o uso dos medicamentos de maneira inconsequente.

Em um programa da BBC Radio 4, Helen Williams, farmacêutica consultora de doenças cardiovasculares na Royal Pharmaceutical Society, disse que é importante usar os anti-inflamatórios pelas razões certas.

“Ibuprofeno é um anti-inflamatório, então se você danificou seus músculos em um lugar onde possa ter inflamação, ibuprofeno pode ser apropriado”, disse a farmacêutica. “Se você sente dores de cabeça, é improvável que haja tecido inflamado, então um paracetamol está bom”, completou.

Atenção! 

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.


Se você sente dores de cabeça, nas juntas ou nas costas com frequência, consulte seu médico, pois ele saberá indicar o tratamento apropriado.

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