Hepatite C: cura, sintomas, o que é, tratamento, contágio e mais

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O que é Hepatite C?

A Hepatite C é causada pelo vírus C (VHC ou HCV termo do inglês), que pertence à família Flaviviridae, e já foi conhecida por “Hepatite não A não B”.  É uma doença infecciosa que ataca o fígado, causando inflamação. O vírus C, está presente no sangue da mesma forma que o vírus causador da hepatite B.

A hepatite C não é considerada uma Doença Sexualmente Transmissível (DST). Contudo, relações sexuais entre homens (HSH) na presença da infecção pelo HIV, a via sexual deve ser considerada para a transmissão do HCV.

Pode acometer os pacientes com cirrose hepática (20% dos casos em portadores do vírus) ou carcinoma hepatocelular (5% dos casos em portadores do vírus).

Dados

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 3% da população, isto é, mais de 150 milhões de indivíduos, estão infectados pelo vírus da hepatite C. Dados recentes atribuem ao vírus HCV que 20% dos casos sejam de hepatite aguda, enquanto 70% a 85% dos casos sejam de hepatite crônica.

Nestes, 40% dos casos são de cirrose hepática, 60% dos casos de carcinoma hepatocelular e 30% dos casos de transplantes hepáticos realizados em países desenvolvidos.

A hepatite C é uma epidemia crescente, ainda é estima que a prevalência dela atinja o seu pico em 2040, pois ao tempo que a infecção aumenta, a proporção de novos pacientes não tratados com cirrose dobre até 2020. Com isso, medidas adicionais de prevenção e tratamento precisam ser tomadas antes que isso ocorra, ou então nas próximas décadas a epidemia de hepatite C  atingirá complicações na saúde pública a níveis insustentáveis.

Estima-se que 3 milhões de brasileiros estejam acometidos pela doença. O projeto VigiVírus, desenvolvido para monitorar as estatísticas de casos de hepatite C no Brasil, revelou que 61% dos pacientes analisados neste estudo eram do sexo masculino. Com relação ao genótipo, 64% possuíam o genótipo 1, 33% do genótipo 3 e 3% do genótipo 2 e 4.

No sul do país, o genótipo 3 foi o mais prevalente (44%), quando comparado com as outras regiões (Sudeste 26% e Nordeste 27%). Os dados mostram também que, no Brasil, entre doadores de sangue, a prevalência do vírus da hepatite C é de 1,2%. A prevalência, na população no Brasil, do vírus da hepatite C está entre 1% e 2%.

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No Brasil a hepatite C é responsável por 70% de todas as mortes provocadas por hepatites.

Nos Estados Unidos, estima-se que o número de mortes relacionadas à hepatite C é cerca de 15 mil por ano, ou seja, mais do que o número de mortes causadas pela AIDS, morrendo cerca de 12.700 pessoas por ano.

Em torno de 4 milhões de americanos estão infectados com o vírus da Hepatite C (VHC) e estima-se que 75% dessas pessoas nem sabem que têm a doença.

Existe, também, a possibilidade de co-infecção HCV-HIV, que é comum. Em um estudo europeu de 3 mil portadores de HIV, 33% das pessoas pesquisadas eram anti-HCV positivos (75% nos usuários de drogas endovenosas). A progressão para a cirrose é muito mais rápida nesses pacientes, chegando a 25% em 15 anos em um estudo. Esta co-infecção HBV-HCV aumenta com a velocidade do desenvolvimento de cirrose e hepatocarcinoma.

Índice – neste artigo você encontrará as seguintes informações:

  1. O que é Hepatite C?
  2. Causas
  3. Quais os tipos de Hepatite C?
  4. Os sintomas da Hepatite C
  5. Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?
  6. Tratamento para Hepatite C
  7. Grupos e fatores de risco
  8. Complicações/Prognóstico
  9. Como prevenir? A Hepatite C é contagiosa?

Causas

A hepatite é causada por um vírus, o VHC, e existem vários genótipos (subtipo) dele, numerados de 1 a 6.

O genótipo tipo 1 é a forma principal na Europa e na França (50% dos pacientes). Nos Estados Unidos, o genótipo tipo 1 representa cerca de 70% dos 3,2 milhões de americanos com hepatite C.

Importante!
O genótipo do vírus tem grande importância no tratamento da hepatite C.

Quais os tipos de Hepatite C?

A Hepatite C divide-se em dois tipos: a forma aguda e a crônica.

Aguda

Sua duração será menor que de 3 meses após a contaminação e até 20% dos casos são do tipo agudo. Seus sintomas têm duração de 2 a 12 semanas.

Crônica

A doença é considerada do tipo crônico, acometendo 70% a 85% dos casos, se ela durar mais de 6 meses.

Cerca de 40% dos pacientes progridem rapidamente para cirrose e morte, 25% progridem lentamente para cirrose e morrem ao final de 10 anos e outros 35% morrem após 20 anos. O câncer hepático surge após cerca de 30 anos em 5% dos casos.

Os sintomas da Hepatite C

A hepatite C costuma ser assintomática (cerca de 85% a 90% dos casos) ou apresentam sintomas não específicos. Mas, quando os sintomas aparecem, eles podem ser em 15% dos casos:

  • Cansaço.
  • Mal estar.
  • Letargia.
  • Tontura.
  • Enjoo e/ou vômitos.
  • Febre.
  • Dor abdominal.
  • Pele e olhos amarelados.
  • Urina escura.
  • Fezes claras.

Por se tratar de uma doença silenciosa, é importante consultar-se com um médico regularmente e fazer os exames de rotina que detectam todas as formas de hepatite.

Importante!
Crianças infectadas com hepatite C geralmente tem uma evolução mais benigna do que aquelas com hepatite B. Em um estudo com crianças infectadas com hepatite C genótipo 1, 45% curaram espontaneamente. A progressão da hepatite C também parece ser mais lenta do que nos adultos que tiveram a doença.

Qual profissional devo procurar? E qual o diagnóstico?

O diagnóstico é o mesmo para a Hepatite B:

Sorologia para o anti-HCV pelo método ELISA (Enzyme Linked ImmunonoSorbent Assay) e/ou Imunoblot.

O método Elisa baseia-se em reações antígeno-anticorpo detectáveis por meio de reações enzimáticas. A enzima mais comumente utilizada nestas provas é a peroxidase, ela catalisa a reação de desdobramento da água oxigenada (H2O2) em H2O mais O2.

Para a pesquisa de anticorpos com a sorologia pelo método Elisa para a hepatite C, quando o teste é negativo, descarta-se a doença. Mas, se positivo, uma segunda sorologia chamada de RIBA-2 ou RIBA-3 é feita para se confirmar o diagnóstico.

Quanto ao resultado do RIBA, se ele for negativo, significa que o ELISA foi um falso positivo e descarta-se a doença. Mas se for positivo, deverá ser feita a pesquisa direta pelo vírus através do “HCV-RNA”.

Este método tanto identifica o vírus da hepatite C, como ainda fornece a carga viral presente no sangue. Um HCV-RNA positivo confirma o diagnóstico de hepatite C, e quando negativo (com ELISA e RIBA positivos) indica os casos raros em que há cura espontânea da infecção.

Entre outros métodos que o médico poderá fazer uso estão:

  • PCR qualitativo e quantitativo.
  • Biópsia do tecido lesionado.

O tratamento da hepatite C vai depender do tipo do vírus (genótipo) e do comprometimento do fígado (fibrose). Por isso, a realização de exames específicos é necessária, como:

  • Biópsia hepática, nos pacientes sem evidências clínicas de cirrose.
  • Exames de biologia molecular.

Tratamento para Hepatite C

A Hepatite C tem cura, em 80% dos casos é comum que ela dure mais de 6 meses, caracterizando uma evolução para a forma crônica. Cerca de 20% dos infectados cronicamente pelo HCV podem evoluir para cirrose hepática e cerca de 1% a 5% para câncer de fígado.

Após descobrir o genótipo do paciente, bem como sua fibrose, o tratamento mais comum é feito pela combinação de dois medicamentos com eficácia de 60%:

Importante!
Nem todos os pacientes respondem de maneira igual à terapia, que varia entre 45 e 55% no genótipo 1 e ronda os 80% nos genótipos 2 e 3. Assim, o tratamento costuma ser feito desta forma:

  • Hepatite C  genótipo 1: Ledipasvir + Sofosbuvir por 8 a 12 semanas.
  • Hepatite C  genótipo 2: Ribavirina + Sofosbuvir por 12 semanas.
  • Hepatite C  genótipo 3: Ribavirina + Sofosbuvir por 12 semanas.

Contudo, outro medicamentos promissores estão disponíveis:

A cirrose causada por hepatite C é um dos principais motivos de transplante de fígado, mesmo que 80 a 90% dos casos se verifique recorrência do vírus após a cirurgia.

A infecção do enxerto leva cerca de 10 a 30% das pessoas desenvolverem cirrose no prazo de 5 anos. O tratamento com Interferon peguilado e Ribavirina após o transplante reduz o risco desta ocorrência em 70%.

Fitoterapia

A fitoterapia pode auxiliar no tratamento da hepatite C, pois algumas plantas incluem a silimarina e ervas, que auxiliam as funções hepáticas e digestivas:

  • Alcachofra.
  • Quebra-pedra.
  • Boldo chileno.
  • Cardo-leiteiro.
  • Ginseng.
  • Prata.

A fitoterapia para a hepatite C, apesar de bastante indicada, não tem comprovação científica. Portanto, sempre consulte seu médico antes de iniciar qualquer um desses tratamentos!

Atenção!

NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

Grupos e fatores de risco

Estão no grupo de risco da Hepatite C:

  • Receptores de sangue por transfusão.
  • Usuários de drogas injetáveis.
  • Pacientes em hemodiálise.
  • Profissionais da área da saúde que tenham contato direto com sangue ou fluídos corporais.
  • Relações sexuais sem proteção.
  • Os alcoólicos têm, particularmente, um maior risco de desenvolver a cirrose.

Complicações/Prognóstico

Se não tratada, a hepatite C também pode desenvolver complicações, como sintomas hepáticos. Além disso, o vírus pode sofrer  algumas manifestações extra-hepáticas através da estimulação, como:

  • Surgimento de linfoma de células B.
  • Fibrose pulmonar idiopática.
  • Úlcera de córnea.
  • Tireoidite autoimune.
  • Glomerulonefrite membranoproliferativa.
  • Fenômeno de Reynaud.

Outras complicações incluem:

  • Carcinoma hepato-celular.
  • Cirrose hepática, que pode desenvolver:
  1. Ciscite.
  2. Hemorragias digestivas.
  3. Peritonite bacteriana espontânea.
  4. Encefalopatia hepática.

O tratamento tem uma resposta que varia consoante o genótipo do vírus, sendo positiva em 40% a 50% dos indivíduos infectados com o genótipo 1 depois de 48 semanas de tratamento.

Já em indivíduos infectados com o genótipo 2, a resposta é positiva em 70% a 80% dos casos após 24 semanas de tratamento. Enquanto que para o genótipo 4, a resposta positiva é de 65% após 48 semanas de tratamento.

As evidências para o tratamento do genótipo 6 quase não existem, e as que existem são apenas para 48 semanas de tratamento com a mesma dosagem usada nos casos de genótipo 1.

Como prevenir? A Hepatite C é contagiosa?

Ainda não existe vacina contra a hepatite C, mas sua prevenção é simples:

  • Não compartilhar com outras pessoas nada que possa ter entrado em contato com sangue, como seringas, agulhas e objetos cortantes.
  • Evitar o consumo de álcool e outras drogas.
  • Evitar a obesidade.
  • Evitar o aumento de colesterol no sangue.
  • Ter uma dieta saudável para equilibrar o peso.
  • Evitar o consumo de medicamentos que lesionem o fígado, como Paracetamol.
  • Fazer uso de preservativos, cachimbos, seringas e agulhas descartáveis.

Importante!
Toda gestante precisa fazer no pré-natal os exames para detectar as hepatites B e C, assim como a AIDS e a sífilis. Este cuidado é essencial para evitar a transmissão de mãe para o feto. Em caso de resultado positivo, é necessário seguir todas as recomendações médicas, inclusive sobre o tipo de parto e amamentação (fissuras no seio da mãe podem permitir a passagem de sangue).

A hepatite C é transmissível. Entre as principais formas de contraí-la estão:

  • Transfusão de sangue.
  • Compartilhamento de material para uso de drogas (seringas, agulhas, cachimbos, entre outros), higiene pessoal (lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, alicates de unha ou outros objetos que furam ou cortam) ou para confecção de tatuagem e colocação de piercings.
  • Mãe infectada para o filho durante a gravidez.
  • Relações sexuais desprotegidas com uma pessoa infectada.
  • A transmissão sexual do HCV entre parceiros heterossexuais é muito pouco frequente, principalmente nos casais monogâmicos.

No dia 28 de julho é celebrado o Dia Mundial de Combate à Hepatite. Ainda são investigados e pesquisados meios de criar uma vacina, assim como imunomoduladores e inibidores deciclofilina. Compartilhe este artigo para que mais pessoas saibam dos riscos da Hepatite C e possam se prevenir!

Referências

http://www.hepatitezero.com.br/site/
http://www.aids.gov.br/pagina/hepatite-c
http://www.criasaude.com.br/N3764/doencas/hepatite-c.html
http://www.brasil.gov.br/saude/2016/01/novo-tratamento-melhora-qualidade-de-vida-de-portadores-de-hepatite-c
https://www.bio.fiocruz.br/index.php/hepatite-c-sintomas-transmissao-e-prevencao
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hepatite_C
http://www.mdsaude.com/2009/10/hepatite-c.html
http://www.hepcentro.com.br/hepatite_c.htm
http://www.hepato.com/

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5 Comentários

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  1. Descobri q tou com hepatite c e estou super proucupada pós tenho medo é grave esa doença

    • Olá, Jonathan!

      Não. Para saber se você tem hepatite C ou não, é necessário um exame que busque saber se existem anticorpos contra o vírus C. Entretanto, é praxe dos médicos de pedir, em qualquer check-up, um exame de transaminases, que vai detectar problemas no fígado. A partir desse exame, se o médico identificar alguma anormalidade, pode ser levantada uma suspeita, e aí será feito o teste específico de hepatite C.

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